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terça-feira, 5 de abril de 2011

Tudo está relacionado a sexo


Rotulam-me como um ferrenho defensor de Freud. Até nem sou tanto, mas é inegável sua brilhante conclusão a respeito do comportamento humano. Normalmente, as pessoas que simplesmente discordam de uma das maiores mentes que a humanidade já teve, não o estudaram e/ou o conhece o suficiente para palpitar. Mas não estou aqui para defendê-lo e sim para defender minha teoria de que, absolutamente tudo, está relacionado a sexo.
É importante frisar que tudo está relacionado ao âmbito sexual e o universo que isso contempla. Não apenas o ato sexual em si. Explico:

Comecemos na época do colégio: o que ocorre com os "pegadores" da turma? Eles andam sempre juntos para não atrapalhar sua “caçada”. Não é salutar ao seu ambiente que alguém sem o dom para a função seja inserido nesse meio, pois desperdiça oportunidades que no entendimento deles são as únicas na vida. Seguindo na mesma época, o que ocorre com as meninas? Sempre uma bonita é muito amiga de uma desprovida de beleza. Em que pese ataque em bando, eventualmente, pois faz parte do marketing pessoal, e ande com as bonitas. Mas a amiga mesmo, que anda sempre junto, é a considerada “feinha”. Esta, por motivos óbvios, adora andar com a bonitona, visto que chama mais a atenção, e aquele garoto, que ela tanto gosta, finalmente percebe-a.
Na adolescência surge a sobejante necessidade masculina por ter um carro. Seu falo urra por um motor e quatro rodas. Mas qual o objetivo? Homens gostam de carro, porque carro “chama” mulher. E as mulheres? Arrumam-se, andam na moda. Sempre com o objetivo de parecer mais atraentes. E por que elas gostam de homens com carros? Elas são mais notadas pela concorrência e pelos outros dentro de um. Afinal, são bem sucedidas. Obviamente que nem todas são assim, mas as que não são acabam tendo que batalhar bem mais nesse mercado.

Fase adulta: por que um homem quer ter dinheiro, ser bem sucedido, ser promovido, ganhar cargo melhor, vestir-se bem, ter um carrão e ter um apartamento bacana? Para conquistar mais pessoas. Seria o fim moral para um homem ser promovido, se isso não trouxesse vantagem ou retorno algum junto à pessoa a quem ele está prospectando. De que adianta um homem ter dinheiro e ser só? Por que motivo ele compraria um carrão e um ótimo apartamento se ele não tiver alguém e for antissocial e quiser morar sozinho para sempre?

A conclusão que chego com isso é que toda e qualquer pessoa, homem ou mulher, adulto ou não, está sempre em incessante busca dessa satisfação e sustentação sexual. O que todos buscam é a aceitação. Quero dizer que esse é o combustível que alimenta as pessoas e as faz ser melhores e buscar mais. Ouso afirmar ainda, que se as pessoas não tivessem interesse sexual algum, e novamente lembro que não estou falando apenas do ato em si, elas não ambicionariam coisa alguma.
Sendo mais específico: relacionamentos interpessoais, com amigos, colegas, conhecidos, network, de todas as formas, em todos os casos, desde que bem elucidado e observado, tem esse contexto. Hora mais explícito, hora mais escondido. Ninguém toma qualquer tipo de atitude sem alguma intenção. E se esta for avaliada detalhadamente, estará relacionada ao sexo.
A paranóia pode ir além do tangível. Uma expressão como uma simples “jogada” de cabelos tem um sentido, um propósito. Uma roupa não é escolhida à-toa. Ir a uma festa, normalmente, implica em segundas intenções. O corpo denuncia-se para os bons observadores.

Pra encerrar deixo-vos com a pergunta: Por que você faz o que faz? Exemplos simples: por que usa perfume? Por que se arruma? Por que estuda? Por que quer ter dinheiro? Por que se tatua? Por que malha? Por que quer ser inteligente e culto? Por que olhou para o lado? Por que entrou na rede social? Por que postou aquela foto? E por aí vai...


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.2012
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

segunda-feira, 28 de março de 2011

Teoria dos superpoderes (síndrome do Papaéu)

Uma coisa que me espanta muito é como as pessoas acreditam em superpoderes. Vivemos num mundo onde todos creem que nada lhes vai acontecer. São dementemente negligentes com corriqueiridades quotidianas.
Começo com o trânsito, e aqui cito dois exemplos clássicos. Praticamente todos que conheço, não utilizam o cinto de segurança no banco traseiro, mas concordam, em maioria, que é importante utilizá-lo no banco da frente. Ora, então vos pergunto. As pessoas do banco traseiro estão sujeitas a outro tipo de lei da física das que estão nos bancos da frente? Alguém já assistiu aos vídeos explicativos do que acontece em um acidente quando todos do carro estão acintados, a exceção de um único passageiro sentado atrás?
Essa pessoa funciona como uma arma e pode matar a todos, pois seu corpo é arremessado com violência contra todos os demais ocupantes do veículo. No final deste post, tem links de propagandas muito bem feitas mostrando de maneira magistral como ocorre.
O que não entendo é, se as pessoas sabem o quão importante é a vida, que o cinto praticamente não incomoda, então por que, afinal de contas, não o utilizam? E pior, muitas não utilizam nem nos bancos da frente.
Veja bem. Se todos hoje já sabem e entendem a importância disso para a segurança, então porque insistem em não fazê-lo? Quem não conhece ao menos um caso de alguém que foi salvo pelo uso do cinto?
Se você é suicida, kamikaze, masoquista ou qualquer outra forma de autoflagelo, então pense nos outros. Ao não utilizar o cinto, o que ocorre com quem está em seu carro? E com as pessoas fora de seu carro? Sim, pois seu corpo pode ser arremessado para fora.
Ok, aqui voltamos aos superpoderes, pois, você realmente acredita que nada lhe vai acontecer. Seus superpoderes realmente são super. Ninguém irá lhe bater, você não baterá em absolutamente nada ou ninguém, nenhuma eventualidade acontecerá enquanto está dirigindo.
Para os defensores de que o uso do cinto é prejudicial, argumento com estatísticas. Normalmente as pessoas que se acidentam e morrem devido ao uso do cinto, em mais de 95% dos casos, está relacionado ao mau uso desse. E em situações em que o cinto poderia atrapalhar, como um carro que capota e fica com as rodas para cima, dentro de um riacho, sendo bem específico, se o cinto não estivesse sendo utilizado, possivelmente ele não estaria consciente para reclamar do cinto ter travado ao tentar sair.
Ainda no trânsito, pergunto a todos os que bebem e dirigem: Você está psicologicamente preparado para, ao perder um milésimo de segundo de reflexo com a bebida, - e você vai perder, independente do pouco que bebeu - arcar com as conseqüências de um atropelamento a uma criança que displicentemente se coloca em frente ao seu carro abruptamente?
As pessoas simplesmente ignoram o fato de que, mesmo que andem devagar, e normalmente não o fazem, ou com cautela dobrada, o fato de se envolver em um acidente independe, muitas vezes, do condutor.
No entanto a perda de reflexo, mesmo que o álcool ingerido seja em pequena quantidade, acontece. Depois você se culpa por ter sido negligente e por ter acarretado o falecimento de um ente querido, um conhecido, ou mesmo uma pessoa estranha, uma criança. Nunca se sabe o que pode ocorrer, mas podem-se tomar medidas preventivas para evitar o pior.
Seus superpoderes não aliviarão sua culpa após ter ocorrido a fatalidade. Isso, é claro, se você ainda possuir capacidade mental de se culpar, ou pior, se ainda estiver vivo para contar a história. Pense bem. É um momento que pode despedaçar sua vida para sempre, e, possivelmente, de outras pessoas também.
Por último, e agora não de trânsito, falo sobre o sexo sem preservativo. O que diabos faz os "humanos" pensarem que “com eles não irá acontecer”? Qual a ”superinvisível” camada protetora de anticorpos ou anti-DST existente?
Conheço gente esclarecida que sabe todos os riscos do sexo sem proteção e ainda assim o faz. As pessoas negligentemente pensam que realmente não irá acontecer com elas. O raciocínio óbvio que ninguém faz é que o parceiro sexual também tem o mesmo pensamento e que o fato de estarem coitando sem a devida proteção prova a negligência do outro que com a mais absoluta certeza já é reincidente nessa prática. Com outra pessoa também negligente e assim por diante. Isso é, ululantemente um comportamento de risco.
E você ainda é estúpido o suficiente para dizer que confia? Depois de um tempo, as pessoas se acostumam e não muda nada, nem parece que há uma milimétrica capa filtrante entre os dois. O ser humano é adaptável. Ou esteja sempre com um preservativo no bolso, ou esteja preparado para perder boas oportunidades. A vida e a saúde valem muito mais do que uma transa inconsequente.
Vê bem. Não menosprezo a transa inconsequente. Acho sensacional, mas sou categórico ao afirmar que sexo algum compensa uma vida posta fora e anos de saúde frágil. Mesmo que AIDS não mate mais, a vida como portador desta, com certeza, não é fácil.
Se você não se ama e não se cuida, pense ao menos nas pessoas que você quer bem. Zele por quem lhe quer bem também. Agora, se você não está se importando com a própria vida ou a de qualquer outra pessoa, informo acintosa e agressivamente: FIQUE LONGE DE MIM E DOS MEUS, pois eu amo a mim, a minha vida e as pessoas que escolhi para a partilharem comigo.
E encerro endossando a promessa feita no twitter: Nunca mais coloco um cigarro na boca. Nem todo o prazer e regozijo proporcionados por todos os anos e momentos juntos do cigarro compensam um dia sequer do sofrimento que meu mano está passando no hospital devido ao câncer. Abalou minha estrutura.





@rjzucco

quarta-feira, 16 de março de 2011

Paixão


Já citei em outro post como acho a paixão adequadamente similar a um fenômeno da natureza. Mas pense um pouco a respeito. Quantas pessoas que você conhece já deram a definição perfeita? Todos acertam, todos têm a resposta, mas em nenhuma é completa. Não é completa talvez para você, mas para quem disse, é.
Acho bem curioso como todos têm conceitos diferentes de uma característica comum. As definições e opiniões obviamente estão atreladas a experiências anteriores. Seria a base onde se sustentam os argumentos. A minha definição, assim com o a dos demais, é peculiar e sustentada em minhas experiências de vida. Segue:
Paixão está atrelada a ousadia, atrevimento. Sentir as coisas de forma acelerada e diferente. Imagino a paixão como uma piscina gelada em dia quente onde quando se mergulha, sente-se a agua envolver o corpo todo, sente-se absolutamente tudo, dos dedos aos cabelos, o coração bate mais rápido, o sangue corre veloz nas veias, os pelos eriçam-se. O chão não está ali, tudo é leve e os movimentos do mergulho lembram a flutuação.
Mas além desse turbilhão de sensações causadas no corpo, há as implicações químicas. E essas são as que me fazem precisar de uma paixão para seguir adiante. Para viver. Preciso estar permanentemente apaixonado por algo, ou por alguém. Pode ser um trabalho, um desafio ou uma pessoa especial.
Sem paixão, não ouso, não me atrevo, e a falta de atrevimento e ousadia é uma das maiores falhas das pessoas. Apaixonado, acordo feliz, durmo pouco, sonho muito, passo o dia lépido, sinto os cheiros de tudo de forma mais tenaz, chego a, acreditem, sentir o cheiro de um perfume a mais de duas quadras de distância e sei exatamente quem está usando.
Sinto o sabor das coisas acentuadamente. Como um gole de chai. Muitos sabores, todos ao mesmo tempo, gerando a confusão mental do que é o que. Mesma confusão causada pela adrenalina que corre no sangue.
Confusão, nervosismo, felicidade, atrevimento, insegurança. Gosto de adrenalina na garganta, boca seca, insônia. Olhar para o celular o tempo inteiro aguardando um retorno, um sms, um sinal de vida.
A paixão, diferente do amor, é invasiva. A vontade de estar sempre junto de quem se está apaixonado, de sentir a pele, o cheiro, de tocar, beijar, lamber, morder. É uma necessidade estranha como se quiséssemos entrar dentro da pessoa, fazer parte dela. Dominar os pensamentos e mais, tomar conta da cabeça, fazer uma bagunça e continuar atordoando.
É andar de montanha russa, com todas as piruetas, os altos e baixos, o medo e o perigo, a incerteza. É viver a vida com intensidade, sem medo de se arrepender. Dar a cara à tapa, aproveitar os momentos. Curtir.
Paixão é falar dos sentimentos, mas acima de tudo, vive-los, senti-los. É vontade de viajar e mostrar os lugares de que gosta, conhecer lugares novos, finalmente ir aos pontos que sempre teve vontade, mas que faltava a companhia especial. Olhar pro céu e achar lindo, seja com lua, com estrelas, com nuvens ou relâmpagos. Molhar-se na chuva. Olhar nos olhos e enxergar exatamente o que se quer. Andar bobo, com sorriso aberto, sem qualquer motivo, e com todos os motivos. Perder turnos inteiros, dias, horas, semanas, meses; sem notar, sem se preocupar.
É desejo, lascívia, gula, gana, falta de comportamento, cavalo sem rédeas. Imprevisto, surpresa, instigação, desafio. Medo de gostar, ciência de que não deve ser feito. Tentação do proibido. Avanço de sinais.
É aquela musica que com toda a mágica e sem autorização, mete os dois pés na porta e te abduz para um momento especial da memória. Indiscutível, único, e pertencente apenas àquela paixão. Rezar como um xiita para que o telefone toque. Meio sorriso no rosto que denuncia momentos especiais. Lembranças sem preço.
Paixão é ter vontade de espalhar aos quatro cantos, deixar todos saberem, gritar, se exibir, mostrar. É sexo, volúpia.

E pra você, o que é paixão?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.02.2013
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 8 de março de 2011

As pessoas não estão preparadas para verdade


Gosto muito de conversar com pessoas inteligentes, que tenham mais conhecimento que eu em alguma coisa, que me instiguem e me questionem, que me façam pensar, rever alguma ideia, agregar algum valor ou conhecimento a alguma coisa ou pensamento e, felizmente sou uma pessoa agraciada com muitos amigos que me proporcionam isso.
Conversando com essas pessoas cheguei à conclusão de que os “humanos” não estão preparados para a verdade. Eles preferem se iludir, se enganar, viver na ignorância. Isto é uma opção e não uma obrigação ou uma necessidade.
Perceba que mesmo que a verdade seja dita com muito zelo e polimento, se não for uma meia-verdade, ela vai incomodar quem a receber e, a menos que seja uma pessoa que não sofre influências do meio em que vive, e eu não conheço alguém que seja assim, sentirá um desconforto ao se deparar com uma.
As verdades que geram maior molesto são aquelas que no fundo já se sabe, mas que se prefere não ver. São as verdades do que não é perguntado, mas que devido à escancarada obviedade, já estão respondidas.
A verdade dos cônjuges em relacionamentos promíscuos, de namoros onde um já não gosta mais, de empregos onde a demissão ou a insatisfação por parte do patrão é certa, ou que a incompetência para a função é óbvia, em negócios onde a compra é ruim...
Prestei-me a ficar em torno de um ano, limítrofe, testando as pessoas e suas reações com as verdades cuspidas por mim. Experimente responder sim, com honestidade, se alguém perguntar se está gorda e veja o que acontece com o relacionamento. Diga que acha um fel o gosto do preparado que está provando. Diga para a garota que acabou de conhecer em uma festa, e que está aos beijos contigo, que ela quer transar com você - e ela quer, pois ninguém fica com outra pessoa sem essa segunda intenção, necessariamente – e avalie o despreparo emocional e a reação de sua interlocutora ao ter suas intenções mais íntimas e particulares expostas desta forma.
Diga que não gostou da maquiagem depois de alguém ter dedicado algumas horas a isso. Diga que o esforço da academia e corrida de seu amigo gordo não está surtindo efeitos “emagrecedores”. Seja cruel e diga o que realmente pensa, mesmo que seja a respeito dos comentários, de algum pensamento, o que for de alguém e preste atenção nas reações.
Os “humanos” definitivamente não estão preparados para a verdade. Preferem a ignorância, e eu não os culpo, pois como diz o ditado, “felizes os ignorantes”. Os ignorantes não veem as coisas ruins, a sociedade podre, os jogos de interesses e a ruindade das pessoas que os cercam. Normalmente um ignorante é ingênuo.
Nada do que disse é novidade. É mais uma verdade que todos sabem, mas que não precisa ser verbalizada. Mas o que poucos entendem é que tudo que não é verdade é mentira, pois a verdade só existe quando completa. As variações são mentiras enfeitadas e estamos já acostumados a conviver com esta podridão.
Exemplos clássicos e respectivas verdades: eu não tive tempo / não quis; não consigo / não estava disposto; não deu / preferi fazer outra coisa...







Publicado em: A Tribuna Regional no dia 10.03.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

terça-feira, 1 de março de 2011

Teoria das unhas vermelhas

Unhas vermelhas

Mulher que, não tendo o hábito de pintar as unhas de vermelho regularmente, e que, quando o faz, utiliza aquele vermelho bem vivo e chamativo, chamado por uns como vermelho Ferrari, e que só por isso os homens gravam, necessariamente, quer transar.

Antes da óbvia afirmação de que todas as mulheres querem transar, explico que esta é uma leitura corporal e antropológica a respeito do comportamento feminino e da necessidade de uma demonstração de seus interesses.

Vamos iniciar comparando a situação no lado masculino. O que ocorre com o homem quando ele pretende sair para uma balada com a intenção de conquistar uma garota para ter relações sexuais? Ele lança mão de tudo que pode para ter vantagens na conquista. Desde o melhor perfume e roupas, até a postura mais agressiva.

O que acontece com a mulher? Tudo bem, a calcinha vermelha é um sinal, mas não é aconselhável para uma mulher que quer ter o respeito dos homens, sair mostrando a calcinha na balada. Isso é vulgar e faz com que nesse jogo, haja perda de pontos. Roupas? Ok, um decote faz a diferença, uma calça bem escolhida, principalmente para as que sabem utilizar todo o poder da calça jeans, chama a atenção, mas isso serve mais para as outras mulheres ficarem olhando, e todos sabemos que mulheres se arrumam para mulheres, pois os homens não percebem metade dos detalhes.

Mas é sabido de todos que os homens prestam atenção as unhas vermelhas e, independente de gostarem ou não, eles entendem esse sinal. As mulheres, como sempre eternas detentoras do poder nesse jogo de sedução, não abrem mão desse valioso subterfúgio na hora de tirar vantagem.

Isso é o óbvio. Ocorre porém, algo muito mais profundo na intimidade. Enquanto um homem para se sentir mais seguro e confiante basta colocar uma roupa diferente, a mulher, quando quer se sentir mais madura, mais mulher e mais segura para si e para os outros - inclusive para as mulheres - mas nesse caso o esmalte é secundário visto que todos os outros detalhes já foram efetuados, utiliza a unha vermelha.

Na prática é como se os homens a vissem tremulando uma bandeira escrito quero transar, mas esse simples gesto a faz sentir mais segura. Coisas do inconsciente. Obviamente também que, ao saber o resultado obtido nos homens, é utilizado como fator agregador.

Se a intenção é fortalecer as unhas apenas, ou será pintado freqüentemente, ou será utilizada outra cor, ou outro tom de vermelho. Mas este, necessariamente assim, significa que a mulher sim, quer transar.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 22.09.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fenômenos da natureza


Uma visão muito particular minha a respeito dos acontecimentos do tempo, comparando-os aos relacionamentos. Coisa bem íntima, mas que creio que muitas pessoas vão se identificar. 

Estava viajando e assistindo o céu. Lembrei da melhor definição de fantástico que já pude presenciar até hoje, uma tempestade de relâmpagos.

É muito curioso, e ao mesmo tempo interessante, como se pode comparar esses fenômenos da natureza a sentimentos. Uma paixão, com todo seu torpor, não poderia ser melhor comparada do que a uma tempestade de relâmpagos. As danças desses fios de luz, bamboleando ao redor das nuvens, iluminando feito flashes, desenhando o céu e irrompendo os pontos mais escuros, transformando-os em surpresa e fascinação, feito os sentimentos e as sensações que descobrem facetas novas de nosso caráter. Paixão pura, abrupta e fervorosa.

O amor. Como um céu limpo e sereno num dia de sol, com brisa morna e calma, incitando a harmoniosa corroboração pacifista da natureza. Talvez com lindas nuvens que de mansinho desenham ludicamente formas entretendes¹, ou mesmo quando fecha os olhos e mostra as estrelas e a lua da noite, a inspiração dos românticos enamorados com suas pequeninas janelas de luz ou a majestosa imponência branca frente a escuridão celestial noturna.

Tristeza. Chuva constante e insistente, com humidade que já esgotou a paciência. Saudades do sol, falta do calor, frio que não gela, "cinzencidão". Impotência de fazer algo diferente. Vontade de ter feito mais quando não chovia. Languidez característica dos prostrados. Vontade de dormir. Necessidade de cobertas. Falta de aconchego. Solidão.

Raiva. A tempestade e seus ventos avassaladores, que varrem, quebram com violência, derrubam com cólera, destroem veementemente tudo que foi construído com zelo e trabalho, assolando com ódio e tamborilando impetuosamente em trovões e furacões o todo, que agora não mais importa. Deixa um rastro de destruição tão aterrador quanto o inferno de Dante, no pior nível.

Saudade. Uma garoa de longa data, está sempre ali, não chega a molhar, nem a chover, não vai embora nunca. Incomoda. Existe com sol e com céu nublado. Impede pessoas de se arriscarem em tempo aberto. Tira a alegria e a motivação de efetuar alguma prática deleitosa, mas principalmente irrita, pois não vai embora. Não muda.

Perda. É o calor saarístico. Arranha a garganta, seca o corpo de tanto colocar líquidos para fora, nos deixa sem forças de continuar, de seguir adiante, está sempre quente em todos os lados. Tudo é muito cansativo. Muita falta de água. Irritação com o permanente sofrimento do corpo, dos sentidos, da mente. Vontade de desistir da caminhada, faz tudo parecer longe, racha os lábios, a pele, o coração. Desidrata a alma e seca a companhia. Legadeia² um poço de saudade, seco de esperança no retorno.

Medo. Onda marítima colossal em tempo de inverno. Cresce, sobe, cobre e quebra abrupta e inusitadamente. Sua rapidez e sagacidade arrojam-se impedindo qualquer pensar. Ela lambe, molha e abraça, alterando a percepção de todos os sentidos, com o frio nauseante descendo após o choque do contato com a cabeça, pela espinha, fazendo todos os pelos eriçarem-se. Toma pra si todo o ar e o leva embora junto com a maré, deixando porém, a nausea e a consternação perplexante, um gosto ruim na gargante e um corpo trêmulo.


Permeando tudo isso, como linha de costura que deixa o que é essencial intrínsecamente unido, estão as estações do ano, e cada sentimento acaba se identificando mais com uma ou outra. Primavera. Pólen e flores, ouriçando o nariz e excitando o cérebro e o corpo. Época de paixões, romances, namoros; Inverno. Frio que persuasivamente nos convence a ficarmos mais alguns minutos na cama, nos acorrenta a uma zona de conforto quando estamos em algum relacionamento, e que tradicionalmente invoca uma tristeza estranha, motivo pelo qual o inverno é a estação com maior índice de suicídios; Outono. Mais frio que quente, as roupas são confortáveis, não há calor nem suor, tampouco o frio doloroso. Época de semeio, esperança, lepidez, prospecção, planos; Verão. Calor, pouca roupa, suor, libido, carnaval, psicodelia, solteirisse, praia...


¹ Que entretém. Formas Divertidas;
² Deixa de legado;


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.04.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Teoria dos Gatos

As pessoas que convivem comigo sabem, e inclusive já comentaram, que, apesar desta teoria ter se espalhado pela internet, é de minha autoria. Mesmo porque a que foi espalhada contém algumas falhas que irei corrigir.

Bom, é sabido de todos que o pão nunca, em hipótese alguma, cai com a manteiga virada para cima. É sabido de todos, também, que o gato, em absolutamente todas as oportunidades, cai em pé. Vamos então considerar estas como as duas novas leis da física moderna, e, sendo assim, nada mais lógico do que confrontá-las em uma experiência e verificar o que ocorre.

Não adianta passar manteiga nas costas de um gato, como algumas pessoas divulgam. Se isto for feito, a única coisa que acontecerá é um gato sujo de manteiga cair em pé. Mas o que queremos saber é o que ocorre se atarmos um pão com manteiga nas costas de um gato.

Sim, para o bem de todos e a felicidade geral do meio científico, eu fiz esse teste e então lancei o gato no ar, e... creiam no que digo, o gato FLUTUOU.

Sim pois as leis da física são rígidas e não aceitam se submeter à gravidadezinhas quaisquer, e no impasse entre qual das duas novas leis prevaleceria, como nenhuma delas queria ceder, o gato não caiu em pé, nem a manteiga virada para baixo, o bicho ficou flutuando.

Quando divulguei essa teoria junto aos meios acadêmicos e científicos, prontamente os ufologistas se manifestaram alegando que eles já sabiam desse resultado, pois contatos com extraterrestres haviam ensinado como as naves alienígenas funcionam, e disseram inclusive que qualquer um pode verificar em uma próxima oportunidade, quando uma nave dessas passar por perto, os pobres dos gatos amarrados com pão com manteiga em baixo delas permitindo seu vôo.

Nota de esclarecimento 1: O pão sempre cai com a manteiga virada para o chão já que o peso desta faz com que o alimento dê meia volta, e como a altura das mesas no mundo todo costuma ser igual, pois é padronizado, cai virado para baixo. Se as mesas fossem mais altas ou mais baixas, isso não ocorreria.

Nota de esclarecimento 2: “O gato sempre cai em pé” está relacionado com o equilíbrio proporcionado pelo rabo. Testes feitos em gatos, por crianças, onde o rabo foi grudado com um fita adesiva nas costas do bicho, fizeram com que o gato andasse agachado. Quando a fita foi colada no peito do gato, ele andou na ponta das unhas. Quando grudada do lado, fez com que ele andasse curvo, como se estivesse bêbado. E azeitona, para a maioria dos gatos tem o mesmo efeito que uma garrafa de vodka para mim. Mas sem o rabo, ele não cai em pé.
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 29.03.2013
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br