O bairrismo é positivo ou negativo?
Vejo muita gente sofrendo com a discriminação apenas por
determinada pessoa ser de algum lugar específico, como argentinos,
nordestinos, cubanos...
O bairrismo fez a cidade de Santo Ângelo se isolar da região. Ijuí
e Santa Rosa que antigamente eram fortes parceiros comerciais,
hoje abandonaram a capital das missões por incompetência política
de muitos gestores praticada por décadas a fio. Santo Ângelo foi
bairrista e hoje sofre com isso.
Os gaúchos são extremamente bairristas. A ponto de não enxergarem
o quão limitados somos em tanta coisa. A maioria do nosso povo vai
para as praias do Nordeste e Santa Catarina e fica comparando tudo
com o sul, como se fosse uma competição.
De uma maneira geral vejo o bairrismo como algo arcaico. Do tempo
das cavernas onde os homens brigavam por território.
Hoje em dia o mundo mudou e o mercado se transforma a cada dois
anos.
As empresas que continuam fazendo as coisas de ontem hoje, estão
definhando.
Vivemos em um mundo globalizado onde a cultura de parceria
comercial é muito forte. Onde se faz negócios com o vizinho aqui
do outro lado do mundo.
Dentro desse contexto ainda vejo pessoas defendendo que precisamos
criar proteções para o comércio local e nos fecharmos unidos
contra essa maléfica conduta liberalista contemporânea.
Sinto informar que o novo modelo de negócios do mundo veio para
ficar. Não adianta tentar criar barreiras.
Hoje quem compra, pesquisa. Vai para a internet. Busca preço,
qualidade, variedade. Quer ser bem atendido. Procura vantagens.
Habitualmente as cidades do interior não qualificam seus
colaboradores. Não fazem ideia do que esteja acontecendo no mundo
das vendas. Não estão atualizadas com novas ferramentas e
políticas comercias voltadas ao consumidor final. E reclamam que
as grandes empresas estão roubando seus clientes.
Será que não seria mais inteligente rever sua política corporativa
e tentar, tal e qual o exemplo do Mercado Brasco de POA, propor
aos seus clientes justamente o que eles buscam?
Vejo comerciantes propondo uma barreira para que os consumidores
comprem apenas da cidade a fim de garantir a circulação de capital
e aquecer o consumo.
Entendo o raciocínio e ele faz sentido. Na medida que isso ocorre,
certamente há um fortalecimento comercial e isso sustenta o
progresso.
Mas isso não pode ocorrer onerando nosso cliente. Prejudicando
nosso povo.
Se a população se conscientizar em ao menos priorizar suas compras
no mercado local e apenas quando for muito vantajoso comprar fora,
tudo resolve.
Mas querer convencer o povo a comprar aqui o que o cliente
encontra fora pela metade do preço e com qualidade maior, além de
estar mais alinhado as novas tendências de moda, não tem
cabimento.
Comprar aqui a mesma coisa que se compra fora, a uma pequena
diferença de valor, eu apoio.
Alguns empresários nessa discussão alegam não terem condições de
competir com grandes empresas e que se não for feito um trabalho
de conscientização da população, todas as lojas vão quebrar.
Pois então preparem-se, todas as lojas vão quebrar!
Se os comerciantes locais não estão prontos a adaptarem-se à nova
realidade de mercado, se não souberem se mostrar competitivos
frente aos grandes, se não conseguem entregar aos clientes o que
os clientes buscam, serão invariavelmente absorvidos pelo mercado.
É preciso repensar rapidamente o atual modelo de negócios. Todos
os dias empresas pequenas despontam e tornam-se gigantes, enquanto
outra quantidade enorme reclama.
Se você não está preparado para competir com o mundo, troque de
profissão. Se seu negócio não tem diferenciais competitivos, feche
as portas.
Conhecemos nossos clientes melhor do que qualquer grande empresa.
Temos network. Temos vantagens significativas e se nada disso é
suficiente para desenharmos propostas de valor aos nossos clientes
que os persuada a consumirem conosco, o melhor a fazermos é
realmente nos retirarmos do mercado. Isso será um grande favor a
evolução, a economia e aos clientes.
Longa vida a livre competição que proporciona aos clientes
melhores benefícios a menores custos com cada vez mais respeito e
encantamento.
"Não são as espécies mais fortes que sobrevivem nem as mais
inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças." Charles
Darwin
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.06.2016
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