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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Homossexualismo

Sempre tive que aceitar o dia do orgulho gay. Pessoas que não me conhecem, classificam-me como preconceituoso. Não nego, possuo vários, e defendo que todos os têm, entretanto não sou discriminador. Entendo a importância histórica desse dia, desde a data inicial em Nova Iorque quando os homossexuais apanhavam e eram tratados como retardados e doentes mentais, até os dias atuais.

Essas classes definidas pela sociedade como homo, bi e heterossexualidade, são interessantes para orientação. O relacionamento homossexual foi rechaçado por muitas culturas ao longo da história da humanidade, rejeição esta, provocada de maneira mais radical pelo cristianismo com suas punições severas e o capitalismo.

Eu particularmente concordo com Castells que diz: "O patriarcalismo exige heterossexualidade compulsória. A civilização conforme é conhecida historicamente, é baseada em tabus e repressão sexual. Segundo Foucault, a sexualidade é construída socialmente. A regulamentação do desejo está subordinada às instituições sociais, canalizando assim a transgressão e organizando a dominação. Quando a epopéia da História é observada pelo lado oculto da experiência, nota-se a existência de uma espiral infinita entre o desejo, repressão, sublimação, transgressão e castigo, responsável em grande parte, pela paixão, realização e fracasso. Este sistema coerente de dominação, que liga as artérias do Estado à pulsação da libido pela maternidade, paternidade e família, tem seu ponto fraco: a premissa homossexual. Se essa premissa for questionada, todo o sistema desmorona: a relação entre o sexo controlado e a reprodução das espécies é posta em dúvida (...), solapando a coerência cultural das instituições dominadas pelos homens". (Castells, 2000)

Acredito que a proibição faz com que a curiosidade aumente. Considero opção sexual como uma opção e não como muitos defendem alegando que é inato. E digo mais, o atavismo tem papel fundamental.
A orientação sexual indica qual o gênero pelo qual uma pessoa se sente preferencialmente atraída física e/ou emocionalmente. E se há essa preferência e atração, e mais, se há hoje uma normalidade na cabeça dos jovens quanto a indiferença de gênero nos relacionamentos, há uma corroboração com a teoria de que orientados sofrem, sim, influência.
Essa influência em muitos casos acontece desde a gestação até os quatro ou cinco anos, quando a criança está formando sua personalidade. Os fatores são infinitos, desde pais que tem um filho homem e queria uma menina, irmão com personalidade muito forte, pai abusivo, etc. Essa opção quando acontece nessa fase, é inconsciente e por isso defendida como algo inato, o que eu considero o grande ponto fraco antropológico dessas análises.

Perseguir essas orientações sexuais ainda é uma constante exposta no trabalho, no lazer, nas escolas, em locais públicos, etc.. Homossexuais enfrentam, no Brasil, os homofóbicos e suas ideologias ainda muito vivas através da maculada mídia e sua violência simbólica, discriminação profissional, violência, repressão física, marginalidade social, entre tantas outras que denigrem a imagem destas como cidadãos comuns.
Percebo que a discriminação age mais agressivamente em homens do que em mulheres e, minha resposta para o motivo é o fato de que raramente mulheres querem ser, agir e vestir-se como homens. Sendo assim, a sociedade ignora a parte que as desconforta e aceita o resto. Ocorre porém que os homens que tentam ser, agir, vestir-se e portar-se como mulheres invariavelmente recebem o pesado fardo discriminatório.

Tenho um bom punhado de amigos que se consideram homofóbicos apenas com os que eles chamam de “afetados”. Os que, nas palavras deles, cacarejam, cortam os órgãos sexuais fora, se maquiam, fazem fiasco e querem ser o que não são. Então percebi que a grande maioria dos homofóbicos não tem de fato algo contra a opção sexual nem quanto a orientação sexual e sim contra a postura “afrescalhada” conforme o vocabulário ogro.

É tudo muito simples e muito claro para mim. Tenho amigos gays em Porto Alegre que são absolutamente tranquilos, bem resolvidos e que não sofrem discriminação, mas são inteligentes o suficiente a ponto de não precisarem ficar agredindo a sociedade com atitudes que a própria sociedade reprova. E isso, a menos que eu esteja muito errado, é a mais clara prova de civilidade e boas maneiras no convívio social.
Penso que se os homossexuais, agora em tempos de liberdade conquistada, agirem com maior respeito junto aos valores sociais comportamentais, essas besteiras de dia do orgulho gay e dia do orgulho hetero não serão mais necessárias.

Pais que concordam com o Bolsonaro se vêem como minorias e como impotentes numa sociedade onde todos defendem os gays e sua liberdade de expressão, e defendem a proibição da discriminação. Ou seja, na cabeça dos "bolssonaristas", os homossexuais estão agredindo a sociedade e amarrando as mãos dos que pretendiam contrariar, visto que se o fizerem serão classificados como discriminadores. E constitucionalmente falando, eles teriam o direito do dia do orgulho hétero também.
Esse nicho procura uma forma de mostrar que ser hetero também está certo e de poder defender esse ponto de vista e orientar seus filhos sem que sejam crucificados. E se a sociedade continuar discriminando esse tipo de gente, desrespeitando e agredindo, estará agindo exatamente como a policia fez em 1969 com os gays e abrindo a chance para o dia do orgulho hétero. Homossexuais que aceitam a sociedade como é, não pensam em agredi-la, pelo contrário, a respeitam e vivem muito bem. A ideia é tirar o privilégio de ser radical que os homossexuais atualmente possuem, e não devolver aos heteros, tornando a sociedade HOMOgênea. Respeito nunca sai de moda.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meninas

Há pouco tempo um rapaz foi preso por dar um selinho em uma menina de 12 anos em uma praça. Os boatos eram de que ele já namorava com a menina antes da maioridade, e que uma vizinha apenas esperou que ele aniversariasse para denunciá-lo, alegando que tinha medo dele prospectar sua filha de mesma idade. O nome disso é "estupro de vulnerável", é o estupro por violência presumida. Não houve estupro real. Segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) mesmo que o menor queira, apenas a partir dos 14 anos tem o poder de consentir, pois antes ele é incapaz. Um simples abraço, interpretado de forma errônea, é suficiente para enquadrar nesses termos.
Esse caso ao meu ver foi a gota d’agua. Absolutamente descabido. Mas o que quero trazer à pauta com essa situação é o fato de as meninas de hoje, desde os doze até os dezoito, terem muito pouco de menininhas ingênuas. Saiam para a noite em lugares onde elas frequentam para verificar o que ocorre. Vestem-se libidinosamente, são devassas e atrevidas, tem corpo de mulher, produzem-se como adultas. Aliás, há um mercado fortíssimo e altamente lucrativo que serve apenas para transformar meninas em objetos sexuais mais atrativos aos homens. Esse comércio vai desde maquiagens, passando por books fotográficos eróticos, até roupas desnecessariamente decotadas e/ou pequenas.
A sociedade deveria se preocupar mais em orientar suas filhas e a Justiça deveria expandir sua visão para além da burocrática papelada judiciária e entender que, em uma quantidade inestimável de casos, quem é seduzido é o homem e não a “menininha”. Muitas delas, com treze/quatorze vão, por livre e espontânea vontade, por gostarem e nem sempre por necessidade, como defendem os julgadores, para a prostituição.
Lembro claramente que meu falecido irmão foi indiciado quando eu era pequeno, por abuso de menores. Ele estava permitindo que três “meninas” dos quinze aos dezessete anos morassem na casa dele. Duas delas eram prostitutas, e faziam isso para conseguir dinheiro para festas, drogas e bebedeiras. Não era por necessidade, nem para comer. Eu conversava com elas, para mim aquilo era complicado demais. Elas diziam que ganhavam para fazer o que mais gostavam na vida.
Ledo engano acreditar que elas eram exceções. Conversem com os professores dos adolescentes. Principalmente dos colégios públicos onde a estrutura familiar é falha. É o paraíso dos meninos inconsequentes. Meninas de dez anos, com corpo de quinze, mentindo a idade para seduzir os garotos.
Pais que alegam ignorância são, no mínimo, negligentes. Os meninos nessa idade não tem maturidade suficiente para lidar com os hormônios e a complexidade de um relacionamento claro. Mulheres amadurecem antes que homens, podem perguntar a qualquer psicólogo.
É evidente que não há como proibir que os filhos saiam em festas, que namorem, e até mesmo que iniciem a vida sexual. Mas há sim como orientar, impor limites, refrear esses impulsos adolescentes. Sem a orientação familiar, as meninas perdem o autorespeito e valor.
Não sou, definitivamente, tão conservador quanto pareço. Defendo lascívia e atrevimento. Mas sou veementemente contra a vulgaridade e a pobreza de criatividade. Apelação empobrece a pessoa enquanto indivíduo.
Sei que as novas gerações são difíceis de compreender e acompanhar, mas também sei que existem certos valores que não devem ser descartados. Algumas regras são necessárias para que a sociedade mantenha-se civilizada.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.01.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Leitura dos pés

A linguagem corporal, a PNL e o estudo do comportamento humano estão bastante desenvolvidos hoje em dia. Através da leitura corporal, pode-se auferir muitas informações. Aliás, bem mais do que se possa imaginar.

Poucas pessoas conhecem o maravilhoso segredo dos pés. Na verdade não é um segredo, pois os pés falam conosco o tempo inteiro, apenas não sabemos lê-los.

Na leitura corporal, cada parte do corpo revela algo. Os pés revelam muito, mas a regra simples que vou explicar hoje independe de fatores do meio. Normalmente ao ler uma pessoa precisamos levar em consideração uma série de fatores, como temperatura, outras pessoas, ambiente, costumes, etc... Com os pés, nessa regra especificamente, não há como errar.

Primeiro é preciso verificar qual pé fica a frente do outro. O que fica mais atrás representa a atenção principal e o que fica a frente a atenção secundária. Por exemplo: se você está paquerando uma garota e ela está com o pé da frente apontado para você e o de trás apontado para a pista de dança, ou você a convida para dançar ou esqueça, ela está mais interessada na pista. Ainda há também a possibilidade de ela estar interessada em outra pessoa, que por sua vez está lá na pista.
Se o pé de trás está apontado para você, esqueça o da frente. Você tem a atenção principal.

Imagine-se em uma reunião de trabalho, todos sentados em círculo. Quando alguém fala, todos os que se voltam com a atenção principal viram o pé de trás para o interlocutor. Quando o fazem com a atenção secundária, apenas o pé da frente aponta.
Pensem em uma roda de mulheres com fome, elas estão tomando chimarrão e esperando a comida ficar pronta. Conforme elas conversam, elas cruzam a perna para a direita e para a esquerda, ou seja, o pé da frente, a atenção secundária, é alterado e apontado conforme a atenção.

O pé de trás, que nesse caso é o que fica no chão, apontado para onde está a comida, como uma bússola. O pé de trás sempre aponta para a atenção principal.
Se ao conversar com alguém perceber que ambos os pés da pessoa estão apontados para você, aproveite, a atenção completa está contigo.
É incrível, não há erro e funciona em qualquer lugar. Podem testar e, se puderem, retornem suas experiências para  mim. Sempre há detalhes a acrescentar.
Obviamente existem coisas que acrescentam. Na complexidade do ser humano nada é definitivo e, quanto mais se exercita, mais se aprende sobre. Portanto, faço gosto em trocar este tipo de experiência.






Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.01.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Enlatados

Desde que a internet começou a popularizar-se, mais ainda com a chegada da banda larga, passei a substituir o hábito da televisão pelo do computador. Primeiro porque gosto de escolher a hora e exatamente o que quero ver, sem propaganda, sem ter que esperar o horário da emissora televisiva, sem ter que dobrar-me aos enlatados. Além da vantagem de poder trabalhar multitarefa, como ver um seriado enquanto pesquiso na internet e respondo e-mails. Otimização do tempo é a palavra de ordem.Outro motivo forte é que não gosto de pagar para ter algo que eu posso ter gratuitamente. Então não assino TV. Logo, quando assisto algo - mais para acompanhar meus familiares e inteirar-me do que os humanos estão conversando no dia a dia do que por prazer - acabo frustrado em BBB, Faustão e novelas.
Entendo que em 65% da população brasileira (http://bit.ly/vqnCDH) seja de um nível cultural baixo, que aceita e adora esse tipo de entretenimento e os têm como sendo algo que acrescenta a cultura, mas discordo completamente.
BBB é tido por algumas pessoas como uma excelente maneira de se estudar o comportamento e aprender sobre conduta humana em sociedade. Ok, isso é fato, principalmente quando levado em consideração que os participantes tem caráter questionável e nível cultural raso, causando um sentimento de identificação à nação brasileira que aceita-se como parte da massa rasa. Agora, sendo possível conviver e analisar pessoas com intelecto mais complexo, indubitavelmente é desnecessário conformar-se com pessoas simplórias. Sigo a regra de que se posso estar cercado de pessoas inteligentes e consequentemente permanentemente instigado por elas. Não tenho por que me sujeitar ao pouco.

O Programa do Faustão dispensa comentários e novelas, bem, essas tem algum propósito. Todos sentimos necessidade de um momento no dia para sentar e descansar. Não precisarmos pensar em algo, abrir mão da poluição visual, obesidade mental, excesso de informação, e a novela vem justamente suprir isso.
Minha alegação é a de que poderíamos substituir algo irritantemente alienante como as novelas, por algo que tenha o mesmo efeito relaxante em nosso cérebro, mas que não nos emburreça. Entendo que alguns autores tentam trazer à pauta temas interessantes, passar mensagens, orientar e instruir. Mas percebo também que a maneira como isso é efetuado, o enredo pobre e óbvio, personalidades obtusas, clichês baratos, são de tirar a paciência de qualquer cabeça efervescente. Mesmo que o objetivo seja o descanso e o relaxamento, as histórias das novelas esforçam-se para nos tirar do sério.
Desenhos animados ensinam caricatamente sobre bondade e maldade, o que é certo e errado, e preparam também a cabeça dos infantes para a violência do mundo, pois ao contrario do que muitos pensam, isso já é um mal necessário, afinal de contas, a ignorância não as salva da violência do mundo. Seriados americanos - que são praticamente equivalentes às nossas novelas - ensinam a parte política, as tramas, as articulações e os estratagemas, com uma produção melhorada, atuação rebuscada e contexto globalizado. Então minha regra é, ao invés de ver novelas, assisto a algo mais construtivo que além de descansar minha cabeça, me acrescenta. O ruim? Fico sem ter o que conversar com pessoas cujo único assunto é a discussão da novela, mas, honestamente, sempre dá para tentar trocar o foco da conversa por alguma outra coisa, e se não der, talvez não valha o tempo investido...

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 07.01.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Natal Missioneiro

Tenho uma visão muito particular do natal e devo isto a minha cidade natal, Santo Ângelo. Para muitos essa data traz tristeza, por lembrar algum ente querido que partiu o qual era muito querido. À outros, traz felicidade pela reunião familiar; às crianças pelos presentes; alguns pelas bebedeiras e festividades; e ainda, muitos por motivos religiosos, que precisamos lembrar, é o motivo original da data.
Gosto do natal na capital missioneira, pois só ali algumas coisas acontecem.
Campanhas comunitárias e gestos de solidariedade por parte de clubes como Rotary e Lions se intensificam, famílias e pessoas preocupam-se em colaborar com instituições, que em especial nessa data por ser comemorativa e ter um forte apelo junto às crianças, precisa de uma atenção intensificada. Instituições voltadas para crianças carentes recebem brinquedos, doces, roupas, eletrodomésticos e calor humano, com companhia e brincadeiras.
Não conheço outra cidade dentre as tantas que passei que tenha a mesma quantidade de árvores Ligustre. Quem não é nativo, sofre muito com a alergia provocada pelas mesmas. Quem é, ou não tem alergia ou sofre bem menos. Mas eu gosto dessa árvore em questão, pois ela floresce em dezembro e o perfume abraça envolventemente o município.
O cheiro é maravilhoso, e acumula-se nas camadas de minhas memórias. Então, a cada novo natal, quando o perfume invade meu olfato, minha memória teleporta-se para todos os bons momentos natalinos vividos, fazendo minhas células cerebrais produzirem endorfina por atacado, relembrando cenas, pessoas, emoções e situações.
De acordo com a revista americana "The Scientist", o olfato é o mais direto dos nossos sentidos, seu efeito é imediato e não existe falta de memória em relação aos odores. A memória olfativa reconhece o cheiro e imediatamente comunica ao corpo o seu significado resgatando as emoções que foram associadas a ele no passado e que geraram a memória. Nela armazenamos as informações passadas pelos mais de 10 mil diferentes cheiros.
Além do cheiro há também o efeito do pólen, que ouriça os sentidos, aumenta a libido, desencadeia reações químicas no nosso organismo, atiça os adolescentes; a temperatura, poucas roupas, noites agradáveis; pessoas nas ruas até mais tarde. Sorvetes, passeios... Embora muitos não percebam, o pólen altera o humor, a disposição física e a produção e liberação de hormônios. É como se os humanos entrassem no cio através dessa substância estimulante.
O comércio fica aberto à noite e muitas pessoas saem para passear e aproveitar a brisa noturna, usufruindo dos mesmos prazeres que notívagos inveterados como eu se deleitam em noites de verão. Todos respirando o perfume maravilhoso emanado principalmente pelas árvores, mas também pelas pessoas. As lojas possuem vários "papais noéis" que entregam balas para as criancinhas, outras colocam caixas de som com musicas natalinas. As cigarras entram no clima e catarolam para toda a cidade, em um cadenciado ritmo romântico. Os moradores e a prefeitura enfeitam as casas, as árvores e as ruas com muitas luzes e coloridos.  alegria desfralda companheirismo no ar. Há trenzinho de papai noel levando as crianças para passear pelo centro. Isso faz da minha Santo Ângelo uma cidade especial no natal.
Mesmo não sendo uma cidade turística e estando eras longe de chegar sequer perto disso, como Gramado por exemplo, eu que sou daqui, gosto. Quem é de fora, talvez nem perceba.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.12.2011
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Roupas


 
Passei a vida vestindo-me funcionalmente. A roupa sempre deveria servir-me e não o contrário. Não entendia mulheres sofrendo com sapatos e homens passando calor. Repudiava pessoas que gastavam em uma calça o que eu gastava em dez. As roupas precisavam ser confortáveis, servir para qualquer ocasião, funcionais.
Uma supervisora de um dos meus trabalhos um dia conversou comigo e perguntou-me por que eu não me vestia mais condizentemente. Perguntei a ela: "condizentemente com o quê? Com minha função? Com a temperatura? Cheguei até aqui sendo quem eu sou, por que trocar a roupa agora?". Moletons e camisetas sempre me foram mais adequados do que camisas e coletes. Foi então que troquei de empresa e resolvi experimentar, pois os questionamentos que ela havia plantado em minha cabeça teimavam em florescer. Passei a usar camisa, sapato, calças de marca, camiseta polo, etc.. Abandonei moletons, camisetas, tênis e calças de baixa qualidade.Confesso que depois de experimentar a primeira calça "boa" minha visão mudou, irrevogavelmente. As roupas vestem melhor, sentam e ajustam melhor ao corpo, duram mais, são mais confortáveis. As camisas eu demorei um pouquinho mais, mas o retorno colaborou bastante para que eu acostumasse rápido.
Sapatos para homens não machucam, felizmente, então não houve problema. Mas o grande ponto que quero citar é que empiricamente senti, de forma drástica, como funciona a sociedade no que concerne ao tratamento das pessoas apenas pelas vestimentas. Pessoas que compartilhavam a mesma função, com o mesmo salário, tratavam-me diferente, com reverência, meus chefes dirigiam-se a mim com mais respeito e consideração, colegas de outros setores até hesitavam em ter comigo. O efeito negativo é que afasta um pouco as pessoas, mas profissionalmente, é deveras positivo.
Experimente vestir-se mal e ir às compras em um shopping center. Será atendido com desdém, descaso, e provavelmente nem terá o produto que deseja oferecido pelo vendedor. Espere passar uma semana, vista-se bem e retorne a mesma loja, com o mesmo vendedor e perceba a diferença no tratamento.
Vá a qualquer estabelecimento que trate com o público. Fiz o teste com minha namorada. Fomos intercaladamente, um bem vestido e outro casual. As atenções das pessoas eram sempre para quem estava bem vestido. As saudações tradicionais, as reverências formais, o zelo no trato. Chegou ao cúmulo de darem boa tarde para mim quando estava bem vestido e para ela não, e no mesmo local, quando invertemos, a situação inverteu.

Isso é, no mínimo, revoltante. Nossas roupas não deviam fazer com que as atitudes das pessoas mudassem conosco. Deveriam fazer nos sentirmos melhor e pronto. Porém, se hoje em dia você não se vestir adequadamente, de acordo com certos padrões sociais, será automaticamente deixado de lado, preterido em relação a outras pessoas que talvez não tenham o mesmo conteúdo e potencial seu.
Digo por experiência própria. Depois de, contra as regras, conquistar meu espaço no mercado profissional através da competência, mediante muito esforço, ao reformar o guarda roupa tudo clareou. Não preciso mais ficar uma semana mostrando números e projetos, provando que o que digo é certo. Poucos argumentos são suficientes e as pessoas dão crédito precedentemente.
Faça o teste e confirme. As roupas mudam o tratamento das pessoas com você. 



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 17.12.2011
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Braços e pernas

Dentre as primeiras regras da leitura corporal, o que se aprende é ler os braços e as pernas pois eles denunciam contundentemente como a pessoa está sentindo-se no ambiente. Mas deve-se levar em consideração fatores climáticos. Se estiver frio e a pessoa não estiver bem agasalhada, a leitura pode não ser correta. Pessoas com frio procuram se aquecer e buscar calor no próprio corpo, encolhendo-se e cruzando os braços e/ou pernas.
Muito de leitura corporal se depreende do contexto social. Cada cidade possui suas peculiaridades, desde vestimentas a comportamentos. O que precisamos observar são as características inatas. Há locais onde é normal mulheres cruzarem os braços, elas descansam dessa forma.
É extremamente difícil, por exemplo, que um destro cruze os braços com a mão esquerda sobre a direita. Normalmente o destro deixa a direita por cima. O inverso acontece com o canhoto.
Mas a regra mais básica e universal é: cruzar os braços.
Se uma pessoa está em uma festa, uma janta, uma reunião ou onde quer que seja e está de braços cruzados, existe uma chance quase completa dela não estar a vontade nesse ambiente. Ou estar braba, nervosa, desconfortável, na defensiva. Essa probabilidade só não é de 100% devido às pessoas que tem o hábito de deixar os braços sempre cruzados. E aqui eu acrescento que essas, necessariamente, possuem traumas – normalmente familiares- que precisam ser resolvidos.
A dica fica nas pernas. Se a pessoa estiver com as pernas e os braços cruzados, ela não está a vontade. Pode ate ser por causa de frio, mas a combinação de braços e pernas cruzados denuncia, necessariamente, desconforto, voltando-se para dentro de si.
Muito cuidado, apenas pernas cruzadas podem também denunciar desconforto, mas é necessário conhecer um pouco mais a pessoa para auferir. Existem técnicas para isso, e elas serão paulatinamente postadas aqui.
Deve-se cuidar também o que chamamos de postura espelho. Ao conversar com alguém, quando criamos um vínculo no diálogo, inconscientemente as pessoas acabam assumindo a postura espelho, que nada mais é do que, sem notar, copiar os movimentos do interlocutor. Ocorre muito em casos onde os participantes do diálogo são fumantes. Quando um acende, o outro é inconscientemente compelido a fazê-lo também e sequer percebe que o está fazendo. O mesmo ocorre com a bebida, levando o copo a boca, etc.
Nos casos de postura espelho, pode-se perceber que você está de braços cruzados, voltado para dentro de si e analisando os outros ou o ambiente. Perceber-se analisado faz as pessoas fecharem-se, por outro lado, ver seu interlocutor de braços fechados depois que se criou o vínculo fará a pessoa cruzar os braços.
Homens que querem exibir-se, eventualmente cruzam os braços para mostrarem seus bíceps trabalhados. Pessoas que consideram-se extremamente seguras, também tendem a cruzar os braços.
Nos casos em que não caracteriza desconforto, a dica é verificar expressões faciais, ou o conjunto do corpo. Se a expressão facial não mudar e os braços estiverem cruzados, vale as regras, se não, busque expressões de segurança ou prospecção.

@rjzucco

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O câncer do Lula

    Recentemente foi divulgada na mídia a notícia sobre o câncer do Lula. Muitas pessoas, inclusive eu, sugeriram campanha para que o ex-presidente efetuasse tratamento pelo SUS.
O que me surpreendeu foi que a campanha pró Lula com tratamento particular, foi  vastissimamente maior que a campanha para ele tratar-se pelo SUS.
Não conheço família com histórico de câncer maior que a minha. Minha mãe teve três, e faleceu no terceiro; meu irmão Ricardo teve e faleceu; Minha tia Maria, idem; meu irmão Roberto está lutando contra um e meu pai sobreviveu a um.

Ou seja, posso  falar com bastante propriedade o que é a luta contra o câncer, como é ter parentes com essa doença maldita e quão difícil é vencê-la. Mas principalmente, como é impossível trata-la pelo SUS.
Agora, o que me revolta é, por que diabos os malditos políticos corruptos, incluindo os que dizem que não sabem de nada como o Lula e a Dilma, utilizam o meu dinheiro para efetuar tratamento particular?
O Lula teve oito anos para dar jeito na saúde pública, mas preferiu desviar essa verba para projetos que angariariam mais votos na sua reeleição e para a companheira Dilma.
Eu entendo que a saúde estava sucateada antes do Lula. Mas também entendo que, se ele tivesse direcionado a verba para o que realmente interessa que é saúde e educação e não em projetos hipócritas e demagógicos que visam apenas angariar votos, hoje ele teria condições de tratar-se pelo plano que ele mesmo teria ajudado a melhorar.
Não me interessa se o SUS é um meio melhor que em outros países. Não estou comparando com os piores para iludir que o meu é melhor. O meu é ruim e pronto.
Também não disse que o Lula não teve bons projetos nesses intermináveis oito anos.
O que eu estou dizendo é que se ele é responsável pela saúde, faz parte do povo, então que se trate como o povo. Garanto que rapidinho o SUS melhoraria.
Não quero que o Lula morra, sei a barra que é a luta contra o câncer. Desejo sinceras melhoras. Mas que melhore tratando-se com o que ele não deu atenção. Isso é justiça!
É como se um engenheiro construísse uma casa, mas não fosse morar por não ser segura o suficiente e temer que caia em sua cabeça. Os outros podem?
É ululante, ridículo, revoltante. Acordem os que defendem que o pobrezinho deve sim utilizar uma clínica particular. Não deve! Ele tem que utilizar o que o povo utiliza. Ele não é melhor nem pior que o povo. Se o povo pode, por que ele não?
Devia ser facultado ao contribuinte permitir para onde seu dinheiro iria. O meu, certamente, não pagaria o hospital particular do Lula. E digo isso pensando em todos os brasileiros que dependem do SUS. Isso é solidariedade.

@rjzucco

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A beleza abre portas.

Estava em um happy hour com uma amiga, dia desses, e fiquei reparando em seu filho. Preciso reconhecer que a beleza dele era algo bem acima dos padrões. Teve a sorte de ter puxado a parte bonita do pai e da mãe.
Com apenas dois anos de idade já entendeu que ser mais bonito que seu irmão ,de quase quatro, facilita-lhe consideravelmente a vida. Não precisa pedir comida e bebida, nem brinquedo ou atenção.
A maneira como manipula a atenção das pessoas e exerce um magnético controle é assustadoramente fascinante. A beleza abre portas, já nessa época, ganhando papel diferenciado em teatrinhos da turma, granjeando mais atenção dos estranhos, abiscoitando mais elogios e massagens no ego.
Todos compreendem que a beleza abre portas. Todos os dias deparamo-nos com situações em que a pessoa mais formosa consegue a vaga de emprego enquanto a mais competente não. A mais suntuosa é promovida antes.  No colégio, a mais pulcra é líder da turma, presidente do grêmio estudantil, queridinha dos colegas.
Então, quando crianças, apenas atenção e roupas diferentes já bastam. Mas isso acaba gerando uma espécie de preguiça, pois como a vida é fácil, para que estudar? Para que se qualificar? Por que se preparar e ir atrás, se tudo sempre cai no colo?
Depois que crescem, os belos continuam sendo favorecidos, mas agora se dão sempre bem também "caçando".  A teoria Tudo está relacionado a sexo faz todo sentido. Com adultos o sexo manda mais e, mesmo que inconscientemente, o favorecimento da pessoa mais atraente é um fato inegável. Na fase infantil, as crianças buscam aceitação, mas sem a ciência do poder da sexualidade.
Isso explica porque pessoas bonitas, a menos que lucrem da beleza especificamente, não são bem sucedidas financeiramente.
Os bonitos são mais espertos, mais bem relacionados, mais atentos. Desenvolvem a parte do cérebro que controla os relacionamentos. Acabam raciocinando rápido e aprendendo a se virar na maioria das situações. Mas não são os mais inteligentes e nem os mais ditosos.
Pessoas que não tem o privilégio da beleza e que conseguem, depois de adultas, terem sucesso financeiro, acabam compensando e suprindo essa falta em casas noturnas voltadas a sexo - pagando para terem a beleza ao seu dispor, como nunca ocorreu durante a vida -, compensando a rejeição das pessoas finórias por toda a vida através do pagamento.
Isso explica muita coisa. O dinheiro e a inteligência compram a atenção das pessoas bonitas as quais sempre passavam e não notavam aquela pessoa sem graça cujo poder agora a pertence e que, consequentemente, paga para que a beleza dos outros o sirva (normalmente não só no lazer, mas no trabalho e em casa também).
Isso é mais comum nos homens do que nas mulheres, pois quem tem o poder no jogo da sedução são sempre elas. Se um homem sai de casa com a intenção de transar, não necessariamente ele retornará acompanhado. A mulher, mesmo que não seja muito bonita, se sair de casa com a mesma intenção, dificilmente retornará solteira.
Ou seja, mesmo que a pessoa seja incompetente, a beleza lhe trará vantagens competitivas  cujo torpe não poderá vencer. Imaginem uma seleção de atores da globo. Com a possibilidade de escolher entre quinhentas pessoas e precisando de apenas duas, os desprovidos de beleza não tem vez.
Salvo raras exceções, o negro não é visto no Brasil como modelo de beleza. Logo, isso também auxilia o fechamento de portas para a raça, mas deixemos de lado. Isto é para um outro post.
Minha dica para quem sabe que é bonito: Não fique apenas tirando vantagem da beleza. Esforce-se, qualifique-se, preencha-se de competência e conhecimento. Desta forma, não haverá limites.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Aborto

Sempre defendi o aborto. Acredito que, em casos cuja família realmente não deseja ter a criança, o aborto é mais do que necessário. Deveria inclusive ser obrigatório.
Muitas pessoas não têm educação suficiente para entender sobre métodos contraceptivos, mas não temos como mudar a educação do mundo de uma hora para outra. Brigo a respeito da educação desde muito e acho que este é o problema basilar do todo.
Uma criança que cresce sem amor, afeto, carinho, educação e valores; acabará, necessária e obrigatoriamente, refletindo isso na sociedade em que se inserir depois de adulta.
Minha teoria é, se não quer um filho, tome todo o cuidado possível para evitá-lo. Mas se por uma fatalidade do acaso aconteceu a gravidez - o que, convenhamos, é ludíbrio, nos tempos atuais, para quem tem o mínimo de esclarecimento -, então prive o mundo de um futuro marginal, assassino, estuprador, abusador, delinquente , sequestrador, etc.
Nos estados norte-americanos, onde o aborto é permitido, o índice de criminalidade caiu vertiginosa e consideravelmente a partir de 15 anos depois. Isso inclusive é citado em seriados de investigação criminal como traço de perfil psicopata: Criação sem afeto.
Karl Young disse que: "O homem saudável não tortura os outros, geralmente o torturado torna o torturador."
Ou seja, quem cresce com amor familiar, acaba tornando-se uma pessoa emocionalmente saudável. Já pessoas que não provam desse sentimento, desgarram-se de valores morais que servem de sustentáculos éticos para o bom funcionamento da saúde social.
Ainda se os abrigos oferecessem o mínimo indispensável para que depois de adultas as crianças pudessem andar por si, seria válida a entrega para adoção, pois consequentemente realizaria sonhos de outras pessoas. Ocorre que os que não são adotados, seguem pelo mesmo caminho negro.
Os que são contra o aborto sempre alegam que é uma vida à qual não pode ser sacrificada apenas pela negligência de pais despreparados. O que eu defendo é, antes encerrar uma vida que ainda não existe de fato - socialmente falando - do que permitir que essa vida ceife inúmeras outras depois de crescida e estraçalhe famílias e cidades.
A consternação impingida a todos os envolvidos, direto e indiretos, é tão pesarosa e com uma carga negativa tão grande e forte que, indubitavelmente, apagar esta chama destrutiva enquanto ainda faísca é, na minha opinião, a melhor solução.
Ao menos enquanto os governos do mundo não são capazes de agir de forma eficaz quanto a orientação contraceptiva; controle e conscientização natalizacional; estruturas dignas e completas para abrigo aos rejeitados; e perfeitas condições de orientação familiar para os adotandos/adotados
Pois, hoje, ainda é permitindo que pessoas desqualificadas adotem, acreditando que por pior que sejam, mesmo que alcoólatras e drogadas, oferecem melhores condições que um abrigo. Isso que as entidades têm consciência que uma vez alcoólatra, sempre alcoólatra.
E então voltamos ao início. A criança que não foi abortada, acabou indo parar em um abrigo. Depois, foi adotada por pais desqualificados, pois o sistema é falho, e acaba retornando, doente e danosa, à sociedade.
Também tem o fato de que a maioria das crianças abandonadas são negras e estas não são as preferidas na hora da adoção.
Se formos para o lado religioso então sejamos racionais e utilizemos a inteligência que Deus nos proporcionou. Se Ele que é onipotente, obviamente, TUDO pode. E se tudo pode, consequentemente, pode impedir que um mero humano aborte. Digo isso, pois não concordo que o livre arbítrio dos reles mortais seja superior a vontade Do onisciente.
Quem pode negar, inclusive, que O Próprio não iluminou meus pensamentos ao escrever esse texto e ajustou as variáveis para fazer com que os que não concordam com aborto vejam que quem manda é Ele, e caso aconteceu algo, é porque Ele permitiu?
Defendo o aborto pensando em salvar muitas outras vidas. Defendo pensando em meus filhos cujo resultado desses “acidentes” será parte de seu convívio. Defendo pensando numa sociedade mais zelosa e recíproca entre os próprios. Defendo pensando que os pais devem ter o direito de escolha se querem ou não ter um filho.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.08.2012.
Editado//corrigido por Thiago Severgnini.
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