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quinta-feira, 1 de março de 2012

Direitos Iguais

Leio bastante sobre mulheres inflamadas em prol da causa feminina em busca de direitos iguais, propagandas em ônibus e jornais ou qualquer outro meio de comunicação alegando que mulheres recebem salários inferiores aos dos homens.
Sou absolutamente a favor dos direitos iguais. Mas que fique claro, sou a favor de direitos iguais. E quando menciono iguais, é iguais mesmo, em tudo. Se vamos buscar a igualdade, ela deve ser absoluta. Abandonemos de início favorecimentos e argumentos falaciosos que futuramente acabariam, e sempre acabam, por vir a tona. Argumentos como “a mulher é o sexo frágil” ou “mas isso é coisa de homem” ou até “mas não temos condições físicas para isso”.
Minha tese é de que, se querem direitos iguais, é porque se consideram capazes de concorrer de igual para igual. Acho um absurdo reclamar direitos iguais apenas no que convém. Isso não é justo nem moral.
Diariamente vejo reclamações de feministas, inclusive homens, reivindicando que as mulheres não recebem os mesmos salários dos homens em grandes cargos, nem são contempladas com as mesmas oportunidades.
Agora eu afirmo, mulheres com as mesmas qualificações que os homens e que se dispõe a trabalhar como os homens trabalham, tem sim os mesmos benefícios. Afirmo pois já trabalhei em vários lugares e acompanho pela internet casos de sucesso, mas são exemplos de gente que  “arremanga” a camisa e vai pro batente. Não reclama ou fica choramingando.
A postura feminina é outra coisa que precisa ser revista. Colocando-se 10 mulheres em uma sala pequena para trabalhar, em um mês teremos um stress enorme, rusgas, alfinetadas, cinismo, competição, mancomunações e articulações entre si. Colocando 10 homens em uma sala, em um mês serão melhores amigos, estarão trabalhando em conjunto, falando de futebol, mulheres, festas, bebedeiras, fazendo churrasco e marcando jogos.
Isso evidencia a dificuldade que é trabalhar com mulheres. O gênio feminino é de difícil trato quando em bando.
Querer direitos iguais apenas em empregos bons, em salários, no que lhe é vantajoso, é revoltante.
Proporcionemos então direitos iguais em aposentadoria, pois a dupla jornada de trabalho hoje já é normal também em homens e há uma quantidade majoritária de mulheres que se beneficiam disso, sem sofrer a tal dupla jornada.
Mesmo tempo de licenças gerais, mesmo direito em vagas eleitorais, disponibilidade em empregos braçais que exijam extremo esforço físico, facilitadores em cargos femininos como secretariado, atendimento ao público e etc.
Reclamar apenas nas partes boas é o mesmo que exigir direitos e não aceitar os deveres. Não conheço uma lixeira, entregadora de gás, marceneira, carpinteira, pedreira e qualquer outra função que exija real e constante esforço físico.  Não estou afirmando que não existam, pois é bem provável que haja, mas tenho certeza que em irrisória proporção se comparado aos homens.
Mudemos também o olhar tendencioso da justiça perante os homens e as mulheres, onde a guarda das crianças raramente fica com o pai e somente quando a mãe é demasiadamente desqualificada ou , e ainda assim, quando normalmente declara desinteresse em ficar com a criança.
Quero ter os mesmos direitos das mulheres e não me importo que elas tenham os mesmos direitos que eu. Mas se não for uma via de mão dupla, essa teoria jamais sairá do que é hoje, apenas uma utopia falha.
Li recentemente uma matéria interessantíssima na Super Interessante abordando o assunto e lá constavam pesquisas testadas na prática sobre como os pais criam diferente filhos e filhas. Recomendo a leitura: http://bit.ly/nL1zx0
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Abaixo a discriminação!

A cada dia que passa tenho mais certeza de que o discriminado sou eu. Branco, homem, classe média, sem filhos e que terminou o segundo grau em colégio particular.
Abrangerei oportunamente alguns temas que citarei aqui, de forma mais aprofundada, pois o que quero enfatizar agora é que, por ser branco, preciso estudar mais que negros e índios cotistas em faculdades. A figura mostra que o melhor candidato cotista ficou abaixo do último candidato normal e o último quotista tirou quase a metade da nota do primeiro candidato da UFRGS 2012. E mais, o número de aprovados declarados negros aumentou 58% esse ano. Antes ao menos a média da prova objetiva precisava ser atingida para que a redação fosse corrigida, agora há um escore diferenciado aos afro-descendentes, num aumento de 375%. Graças a esse tipo de discriminação que pessoas como o americano Colby Bohannan estão criando bolsas de estudos para brancos, onde basta ser 25% caucasiano para ganhar.
Fico pensando como os colegas acabam discriminando os cotistas e como será a discriminação depois no mercado de trabalho, inclusive pelos clientes, empresários e pacientes, quando souberem que a pessoa apenas conseguiu entrar mediante ajuda governamental.
Apenas 7% dos cotistas da primeira leva conseguiram terminar o curso no tempo previsto, o que evidencia a desqualificação dos egressos. No RJ há um apoio pedagógico para estudantes com dificuldade para acompanhar o curso, ou seja, além da faculdade, há um curso para alunos com dificuldade em aprendizagem. É só eu que vejo absurdo nisso?
Tenho um parente que levou 5 anos para passar em medicina. Hoje, formado e terminando especialização, sabe a importância que esse esforço resulta na qualidade de aprendizagem durante o curso.
Pois eu, por ser branco, não tenho esse direito. Preciso concorrer com o restante. Também não tenho o direito a receber auxílio comida, gás, luz, moradia , bolsa escola, bolsa família e mais sei lá eu o que. Apenas por ser trabalhador, capaz, responsável e esforçado.
Como tenho consciência de que não posso proporcionar o conforto que gostaria aos meus filhos, e consequentemente não os fiz, não recebo benefício algum nesse sentido, mas pago mais impostos para sustentar toda a massa inconsequente dos brasileiros que não a tem. Não ter filhos rendeu algumas economias, suficientes para adquirir algo em meu nome, e isso me impossibilita de participar do minha casa minha vida.
Sou classe média, não terminei segundo grau em escola pública, não tenho direito ao PROUNI. Sou homem, não me aposento antes, não tenho direito a licenças especiais, a vagas especiais em eleições, em filas, em naufrágios, em incêndios, em partidos, em empresas. Não sou promovido ou contratado pelo meu corpo ou minha beleza. Não tenho preferência em guarda de filhos. Se tomo um tapa na cara de uma mulher, não posso revidar, aliás, sou eu quem deve dar a cara a tapa em brigas e assaltos, em defesa do sexo frágil.
A pujança patriarcal é muito grande contra as pessoas da minha tribo. Eu e os iguais a mim, sobremaneira toda a classe média, sustentamos uma massa parasita da nação, que faz filhos indiscriminadamente e que não quer saber de responsabilidade alguma.
Agora a pergunta que mais me faço desde que o governo PT ascendeu: Quem é mais discriminado? Eu? Ou os negros? Ou os pobres? Ou as mulheres? Ou... Deixa pra lá, sabemos a resposta.
Que a discriminação contra os brancos, contra a classe média, contra os homens e contra os estudiosos, esforçados, competentes e merecedores, acabe. Chega de eu ter que sustentar filho, casa, escola e família dos outros.  Sustentar a mim mesmo condizentemente com a minha ambição já é bem difícil.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Ilustrado por: Andrey Pietrowski
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Homossexualismo

Sempre tive que aceitar o dia do orgulho gay. Pessoas que não me conhecem, classificam-me como preconceituoso. Não nego, possuo vários, e defendo que todos os têm, entretanto não sou discriminador. Entendo a importância histórica desse dia, desde a data inicial em Nova Iorque quando os homossexuais apanhavam e eram tratados como retardados e doentes mentais, até os dias atuais.

Essas classes definidas pela sociedade como homo, bi e heterossexualidade, são interessantes para orientação. O relacionamento homossexual foi rechaçado por muitas culturas ao longo da história da humanidade, rejeição esta, provocada de maneira mais radical pelo cristianismo com suas punições severas e o capitalismo.

Eu particularmente concordo com Castells que diz: "O patriarcalismo exige heterossexualidade compulsória. A civilização conforme é conhecida historicamente, é baseada em tabus e repressão sexual. Segundo Foucault, a sexualidade é construída socialmente. A regulamentação do desejo está subordinada às instituições sociais, canalizando assim a transgressão e organizando a dominação. Quando a epopéia da História é observada pelo lado oculto da experiência, nota-se a existência de uma espiral infinita entre o desejo, repressão, sublimação, transgressão e castigo, responsável em grande parte, pela paixão, realização e fracasso. Este sistema coerente de dominação, que liga as artérias do Estado à pulsação da libido pela maternidade, paternidade e família, tem seu ponto fraco: a premissa homossexual. Se essa premissa for questionada, todo o sistema desmorona: a relação entre o sexo controlado e a reprodução das espécies é posta em dúvida (...), solapando a coerência cultural das instituições dominadas pelos homens". (Castells, 2000)

Acredito que a proibição faz com que a curiosidade aumente. Considero opção sexual como uma opção e não como muitos defendem alegando que é inato. E digo mais, o atavismo tem papel fundamental.
A orientação sexual indica qual o gênero pelo qual uma pessoa se sente preferencialmente atraída física e/ou emocionalmente. E se há essa preferência e atração, e mais, se há hoje uma normalidade na cabeça dos jovens quanto a indiferença de gênero nos relacionamentos, há uma corroboração com a teoria de que orientados sofrem, sim, influência.
Essa influência em muitos casos acontece desde a gestação até os quatro ou cinco anos, quando a criança está formando sua personalidade. Os fatores são infinitos, desde pais que tem um filho homem e queria uma menina, irmão com personalidade muito forte, pai abusivo, etc. Essa opção quando acontece nessa fase, é inconsciente e por isso defendida como algo inato, o que eu considero o grande ponto fraco antropológico dessas análises.

Perseguir essas orientações sexuais ainda é uma constante exposta no trabalho, no lazer, nas escolas, em locais públicos, etc.. Homossexuais enfrentam, no Brasil, os homofóbicos e suas ideologias ainda muito vivas através da maculada mídia e sua violência simbólica, discriminação profissional, violência, repressão física, marginalidade social, entre tantas outras que denigrem a imagem destas como cidadãos comuns.
Percebo que a discriminação age mais agressivamente em homens do que em mulheres e, minha resposta para o motivo é o fato de que raramente mulheres querem ser, agir e vestir-se como homens. Sendo assim, a sociedade ignora a parte que as desconforta e aceita o resto. Ocorre porém que os homens que tentam ser, agir, vestir-se e portar-se como mulheres invariavelmente recebem o pesado fardo discriminatório.

Tenho um bom punhado de amigos que se consideram homofóbicos apenas com os que eles chamam de “afetados”. Os que, nas palavras deles, cacarejam, cortam os órgãos sexuais fora, se maquiam, fazem fiasco e querem ser o que não são. Então percebi que a grande maioria dos homofóbicos não tem de fato algo contra a opção sexual nem quanto a orientação sexual e sim contra a postura “afrescalhada” conforme o vocabulário ogro.

É tudo muito simples e muito claro para mim. Tenho amigos gays em Porto Alegre que são absolutamente tranquilos, bem resolvidos e que não sofrem discriminação, mas são inteligentes o suficiente a ponto de não precisarem ficar agredindo a sociedade com atitudes que a própria sociedade reprova. E isso, a menos que eu esteja muito errado, é a mais clara prova de civilidade e boas maneiras no convívio social.
Penso que se os homossexuais, agora em tempos de liberdade conquistada, agirem com maior respeito junto aos valores sociais comportamentais, essas besteiras de dia do orgulho gay e dia do orgulho hetero não serão mais necessárias.

Pais que concordam com o Bolsonaro se vêem como minorias e como impotentes numa sociedade onde todos defendem os gays e sua liberdade de expressão, e defendem a proibição da discriminação. Ou seja, na cabeça dos "bolssonaristas", os homossexuais estão agredindo a sociedade e amarrando as mãos dos que pretendiam contrariar, visto que se o fizerem serão classificados como discriminadores. E constitucionalmente falando, eles teriam o direito do dia do orgulho hétero também.
Esse nicho procura uma forma de mostrar que ser hetero também está certo e de poder defender esse ponto de vista e orientar seus filhos sem que sejam crucificados. E se a sociedade continuar discriminando esse tipo de gente, desrespeitando e agredindo, estará agindo exatamente como a policia fez em 1969 com os gays e abrindo a chance para o dia do orgulho hétero. Homossexuais que aceitam a sociedade como é, não pensam em agredi-la, pelo contrário, a respeitam e vivem muito bem. A ideia é tirar o privilégio de ser radical que os homossexuais atualmente possuem, e não devolver aos heteros, tornando a sociedade HOMOgênea. Respeito nunca sai de moda.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Meninas

Há pouco tempo um rapaz foi preso por dar um selinho em uma menina de 12 anos em uma praça. Os boatos eram de que ele já namorava com a menina antes da maioridade, e que uma vizinha apenas esperou que ele aniversariasse para denunciá-lo, alegando que tinha medo dele prospectar sua filha de mesma idade. O nome disso é "estupro de vulnerável", é o estupro por violência presumida. Não houve estupro real. Segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) mesmo que o menor queira, apenas a partir dos 14 anos tem o poder de consentir, pois antes ele é incapaz. Um simples abraço, interpretado de forma errônea, é suficiente para enquadrar nesses termos.
Esse caso ao meu ver foi a gota d’agua. Absolutamente descabido. Mas o que quero trazer à pauta com essa situação é o fato de as meninas de hoje, desde os doze até os dezoito, terem muito pouco de menininhas ingênuas. Saiam para a noite em lugares onde elas frequentam para verificar o que ocorre. Vestem-se libidinosamente, são devassas e atrevidas, tem corpo de mulher, produzem-se como adultas. Aliás, há um mercado fortíssimo e altamente lucrativo que serve apenas para transformar meninas em objetos sexuais mais atrativos aos homens. Esse comércio vai desde maquiagens, passando por books fotográficos eróticos, até roupas desnecessariamente decotadas e/ou pequenas.
A sociedade deveria se preocupar mais em orientar suas filhas e a Justiça deveria expandir sua visão para além da burocrática papelada judiciária e entender que, em uma quantidade inestimável de casos, quem é seduzido é o homem e não a “menininha”. Muitas delas, com treze/quatorze vão, por livre e espontânea vontade, por gostarem e nem sempre por necessidade, como defendem os julgadores, para a prostituição.
Lembro claramente que meu falecido irmão foi indiciado quando eu era pequeno, por abuso de menores. Ele estava permitindo que três “meninas” dos quinze aos dezessete anos morassem na casa dele. Duas delas eram prostitutas, e faziam isso para conseguir dinheiro para festas, drogas e bebedeiras. Não era por necessidade, nem para comer. Eu conversava com elas, para mim aquilo era complicado demais. Elas diziam que ganhavam para fazer o que mais gostavam na vida.
Ledo engano acreditar que elas eram exceções. Conversem com os professores dos adolescentes. Principalmente dos colégios públicos onde a estrutura familiar é falha. É o paraíso dos meninos inconsequentes. Meninas de dez anos, com corpo de quinze, mentindo a idade para seduzir os garotos.
Pais que alegam ignorância são, no mínimo, negligentes. Os meninos nessa idade não tem maturidade suficiente para lidar com os hormônios e a complexidade de um relacionamento claro. Mulheres amadurecem antes que homens, podem perguntar a qualquer psicólogo.
É evidente que não há como proibir que os filhos saiam em festas, que namorem, e até mesmo que iniciem a vida sexual. Mas há sim como orientar, impor limites, refrear esses impulsos adolescentes. Sem a orientação familiar, as meninas perdem o autorespeito e valor.
Não sou, definitivamente, tão conservador quanto pareço. Defendo lascívia e atrevimento. Mas sou veementemente contra a vulgaridade e a pobreza de criatividade. Apelação empobrece a pessoa enquanto indivíduo.
Sei que as novas gerações são difíceis de compreender e acompanhar, mas também sei que existem certos valores que não devem ser descartados. Algumas regras são necessárias para que a sociedade mantenha-se civilizada.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.01.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Leitura dos pés

A linguagem corporal, a PNL e o estudo do comportamento humano estão bastante desenvolvidos hoje em dia. Através da leitura corporal, pode-se auferir muitas informações. Aliás, bem mais do que se possa imaginar.

Poucas pessoas conhecem o maravilhoso segredo dos pés. Na verdade não é um segredo, pois os pés falam conosco o tempo inteiro, apenas não sabemos lê-los.

Na leitura corporal, cada parte do corpo revela algo. Os pés revelam muito, mas a regra simples que vou explicar hoje independe de fatores do meio. Normalmente ao ler uma pessoa precisamos levar em consideração uma série de fatores, como temperatura, outras pessoas, ambiente, costumes, etc... Com os pés, nessa regra especificamente, não há como errar.

Primeiro é preciso verificar qual pé fica a frente do outro. O que fica mais atrás representa a atenção principal e o que fica a frente a atenção secundária. Por exemplo: se você está paquerando uma garota e ela está com o pé da frente apontado para você e o de trás apontado para a pista de dança, ou você a convida para dançar ou esqueça, ela está mais interessada na pista. Ainda há também a possibilidade de ela estar interessada em outra pessoa, que por sua vez está lá na pista.
Se o pé de trás está apontado para você, esqueça o da frente. Você tem a atenção principal.

Imagine-se em uma reunião de trabalho, todos sentados em círculo. Quando alguém fala, todos os que se voltam com a atenção principal viram o pé de trás para o interlocutor. Quando o fazem com a atenção secundária, apenas o pé da frente aponta.
Pensem em uma roda de mulheres com fome, elas estão tomando chimarrão e esperando a comida ficar pronta. Conforme elas conversam, elas cruzam a perna para a direita e para a esquerda, ou seja, o pé da frente, a atenção secundária, é alterado e apontado conforme a atenção.

O pé de trás, que nesse caso é o que fica no chão, apontado para onde está a comida, como uma bússola. O pé de trás sempre aponta para a atenção principal.
Se ao conversar com alguém perceber que ambos os pés da pessoa estão apontados para você, aproveite, a atenção completa está contigo.
É incrível, não há erro e funciona em qualquer lugar. Podem testar e, se puderem, retornem suas experiências para  mim. Sempre há detalhes a acrescentar.
Obviamente existem coisas que acrescentam. Na complexidade do ser humano nada é definitivo e, quanto mais se exercita, mais se aprende sobre. Portanto, faço gosto em trocar este tipo de experiência.






Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.01.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Enlatados

Desde que a internet começou a popularizar-se, mais ainda com a chegada da banda larga, passei a substituir o hábito da televisão pelo do computador. Primeiro porque gosto de escolher a hora e exatamente o que quero ver, sem propaganda, sem ter que esperar o horário da emissora televisiva, sem ter que dobrar-me aos enlatados. Além da vantagem de poder trabalhar multitarefa, como ver um seriado enquanto pesquiso na internet e respondo e-mails. Otimização do tempo é a palavra de ordem.Outro motivo forte é que não gosto de pagar para ter algo que eu posso ter gratuitamente. Então não assino TV. Logo, quando assisto algo - mais para acompanhar meus familiares e inteirar-me do que os humanos estão conversando no dia a dia do que por prazer - acabo frustrado em BBB, Faustão e novelas.
Entendo que em 65% da população brasileira (http://bit.ly/vqnCDH) seja de um nível cultural baixo, que aceita e adora esse tipo de entretenimento e os têm como sendo algo que acrescenta a cultura, mas discordo completamente.
BBB é tido por algumas pessoas como uma excelente maneira de se estudar o comportamento e aprender sobre conduta humana em sociedade. Ok, isso é fato, principalmente quando levado em consideração que os participantes tem caráter questionável e nível cultural raso, causando um sentimento de identificação à nação brasileira que aceita-se como parte da massa rasa. Agora, sendo possível conviver e analisar pessoas com intelecto mais complexo, indubitavelmente é desnecessário conformar-se com pessoas simplórias. Sigo a regra de que se posso estar cercado de pessoas inteligentes e consequentemente permanentemente instigado por elas. Não tenho por que me sujeitar ao pouco.

O Programa do Faustão dispensa comentários e novelas, bem, essas tem algum propósito. Todos sentimos necessidade de um momento no dia para sentar e descansar. Não precisarmos pensar em algo, abrir mão da poluição visual, obesidade mental, excesso de informação, e a novela vem justamente suprir isso.
Minha alegação é a de que poderíamos substituir algo irritantemente alienante como as novelas, por algo que tenha o mesmo efeito relaxante em nosso cérebro, mas que não nos emburreça. Entendo que alguns autores tentam trazer à pauta temas interessantes, passar mensagens, orientar e instruir. Mas percebo também que a maneira como isso é efetuado, o enredo pobre e óbvio, personalidades obtusas, clichês baratos, são de tirar a paciência de qualquer cabeça efervescente. Mesmo que o objetivo seja o descanso e o relaxamento, as histórias das novelas esforçam-se para nos tirar do sério.
Desenhos animados ensinam caricatamente sobre bondade e maldade, o que é certo e errado, e preparam também a cabeça dos infantes para a violência do mundo, pois ao contrario do que muitos pensam, isso já é um mal necessário, afinal de contas, a ignorância não as salva da violência do mundo. Seriados americanos - que são praticamente equivalentes às nossas novelas - ensinam a parte política, as tramas, as articulações e os estratagemas, com uma produção melhorada, atuação rebuscada e contexto globalizado. Então minha regra é, ao invés de ver novelas, assisto a algo mais construtivo que além de descansar minha cabeça, me acrescenta. O ruim? Fico sem ter o que conversar com pessoas cujo único assunto é a discussão da novela, mas, honestamente, sempre dá para tentar trocar o foco da conversa por alguma outra coisa, e se não der, talvez não valha o tempo investido...

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 07.01.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Natal Missioneiro

Tenho uma visão muito particular do natal e devo isto a minha cidade natal, Santo Ângelo. Para muitos essa data traz tristeza, por lembrar algum ente querido que partiu o qual era muito querido. À outros, traz felicidade pela reunião familiar; às crianças pelos presentes; alguns pelas bebedeiras e festividades; e ainda, muitos por motivos religiosos, que precisamos lembrar, é o motivo original da data.
Gosto do natal na capital missioneira, pois só ali algumas coisas acontecem.
Campanhas comunitárias e gestos de solidariedade por parte de clubes como Rotary e Lions se intensificam, famílias e pessoas preocupam-se em colaborar com instituições, que em especial nessa data por ser comemorativa e ter um forte apelo junto às crianças, precisa de uma atenção intensificada. Instituições voltadas para crianças carentes recebem brinquedos, doces, roupas, eletrodomésticos e calor humano, com companhia e brincadeiras.
Não conheço outra cidade dentre as tantas que passei que tenha a mesma quantidade de árvores Ligustre. Quem não é nativo, sofre muito com a alergia provocada pelas mesmas. Quem é, ou não tem alergia ou sofre bem menos. Mas eu gosto dessa árvore em questão, pois ela floresce em dezembro e o perfume abraça envolventemente o município.
O cheiro é maravilhoso, e acumula-se nas camadas de minhas memórias. Então, a cada novo natal, quando o perfume invade meu olfato, minha memória teleporta-se para todos os bons momentos natalinos vividos, fazendo minhas células cerebrais produzirem endorfina por atacado, relembrando cenas, pessoas, emoções e situações.
De acordo com a revista americana "The Scientist", o olfato é o mais direto dos nossos sentidos, seu efeito é imediato e não existe falta de memória em relação aos odores. A memória olfativa reconhece o cheiro e imediatamente comunica ao corpo o seu significado resgatando as emoções que foram associadas a ele no passado e que geraram a memória. Nela armazenamos as informações passadas pelos mais de 10 mil diferentes cheiros.
Além do cheiro há também o efeito do pólen, que ouriça os sentidos, aumenta a libido, desencadeia reações químicas no nosso organismo, atiça os adolescentes; a temperatura, poucas roupas, noites agradáveis; pessoas nas ruas até mais tarde. Sorvetes, passeios... Embora muitos não percebam, o pólen altera o humor, a disposição física e a produção e liberação de hormônios. É como se os humanos entrassem no cio através dessa substância estimulante.
O comércio fica aberto à noite e muitas pessoas saem para passear e aproveitar a brisa noturna, usufruindo dos mesmos prazeres que notívagos inveterados como eu se deleitam em noites de verão. Todos respirando o perfume maravilhoso emanado principalmente pelas árvores, mas também pelas pessoas. As lojas possuem vários "papais noéis" que entregam balas para as criancinhas, outras colocam caixas de som com musicas natalinas. As cigarras entram no clima e catarolam para toda a cidade, em um cadenciado ritmo romântico. Os moradores e a prefeitura enfeitam as casas, as árvores e as ruas com muitas luzes e coloridos.  alegria desfralda companheirismo no ar. Há trenzinho de papai noel levando as crianças para passear pelo centro. Isso faz da minha Santo Ângelo uma cidade especial no natal.
Mesmo não sendo uma cidade turística e estando eras longe de chegar sequer perto disso, como Gramado por exemplo, eu que sou daqui, gosto. Quem é de fora, talvez nem perceba.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.12.2011
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Roupas


 
Passei a vida vestindo-me funcionalmente. A roupa sempre deveria servir-me e não o contrário. Não entendia mulheres sofrendo com sapatos e homens passando calor. Repudiava pessoas que gastavam em uma calça o que eu gastava em dez. As roupas precisavam ser confortáveis, servir para qualquer ocasião, funcionais.
Uma supervisora de um dos meus trabalhos um dia conversou comigo e perguntou-me por que eu não me vestia mais condizentemente. Perguntei a ela: "condizentemente com o quê? Com minha função? Com a temperatura? Cheguei até aqui sendo quem eu sou, por que trocar a roupa agora?". Moletons e camisetas sempre me foram mais adequados do que camisas e coletes. Foi então que troquei de empresa e resolvi experimentar, pois os questionamentos que ela havia plantado em minha cabeça teimavam em florescer. Passei a usar camisa, sapato, calças de marca, camiseta polo, etc.. Abandonei moletons, camisetas, tênis e calças de baixa qualidade.Confesso que depois de experimentar a primeira calça "boa" minha visão mudou, irrevogavelmente. As roupas vestem melhor, sentam e ajustam melhor ao corpo, duram mais, são mais confortáveis. As camisas eu demorei um pouquinho mais, mas o retorno colaborou bastante para que eu acostumasse rápido.
Sapatos para homens não machucam, felizmente, então não houve problema. Mas o grande ponto que quero citar é que empiricamente senti, de forma drástica, como funciona a sociedade no que concerne ao tratamento das pessoas apenas pelas vestimentas. Pessoas que compartilhavam a mesma função, com o mesmo salário, tratavam-me diferente, com reverência, meus chefes dirigiam-se a mim com mais respeito e consideração, colegas de outros setores até hesitavam em ter comigo. O efeito negativo é que afasta um pouco as pessoas, mas profissionalmente, é deveras positivo.
Experimente vestir-se mal e ir às compras em um shopping center. Será atendido com desdém, descaso, e provavelmente nem terá o produto que deseja oferecido pelo vendedor. Espere passar uma semana, vista-se bem e retorne a mesma loja, com o mesmo vendedor e perceba a diferença no tratamento.
Vá a qualquer estabelecimento que trate com o público. Fiz o teste com minha namorada. Fomos intercaladamente, um bem vestido e outro casual. As atenções das pessoas eram sempre para quem estava bem vestido. As saudações tradicionais, as reverências formais, o zelo no trato. Chegou ao cúmulo de darem boa tarde para mim quando estava bem vestido e para ela não, e no mesmo local, quando invertemos, a situação inverteu.

Isso é, no mínimo, revoltante. Nossas roupas não deviam fazer com que as atitudes das pessoas mudassem conosco. Deveriam fazer nos sentirmos melhor e pronto. Porém, se hoje em dia você não se vestir adequadamente, de acordo com certos padrões sociais, será automaticamente deixado de lado, preterido em relação a outras pessoas que talvez não tenham o mesmo conteúdo e potencial seu.
Digo por experiência própria. Depois de, contra as regras, conquistar meu espaço no mercado profissional através da competência, mediante muito esforço, ao reformar o guarda roupa tudo clareou. Não preciso mais ficar uma semana mostrando números e projetos, provando que o que digo é certo. Poucos argumentos são suficientes e as pessoas dão crédito precedentemente.
Faça o teste e confirme. As roupas mudam o tratamento das pessoas com você. 



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 17.12.2011
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Braços e pernas

Dentre as primeiras regras da leitura corporal, o que se aprende é ler os braços e as pernas pois eles denunciam contundentemente como a pessoa está sentindo-se no ambiente. Mas deve-se levar em consideração fatores climáticos. Se estiver frio e a pessoa não estiver bem agasalhada, a leitura pode não ser correta. Pessoas com frio procuram se aquecer e buscar calor no próprio corpo, encolhendo-se e cruzando os braços e/ou pernas.
Muito de leitura corporal se depreende do contexto social. Cada cidade possui suas peculiaridades, desde vestimentas a comportamentos. O que precisamos observar são as características inatas. Há locais onde é normal mulheres cruzarem os braços, elas descansam dessa forma.
É extremamente difícil, por exemplo, que um destro cruze os braços com a mão esquerda sobre a direita. Normalmente o destro deixa a direita por cima. O inverso acontece com o canhoto.
Mas a regra mais básica e universal é: cruzar os braços.
Se uma pessoa está em uma festa, uma janta, uma reunião ou onde quer que seja e está de braços cruzados, existe uma chance quase completa dela não estar a vontade nesse ambiente. Ou estar braba, nervosa, desconfortável, na defensiva. Essa probabilidade só não é de 100% devido às pessoas que tem o hábito de deixar os braços sempre cruzados. E aqui eu acrescento que essas, necessariamente, possuem traumas – normalmente familiares- que precisam ser resolvidos.
A dica fica nas pernas. Se a pessoa estiver com as pernas e os braços cruzados, ela não está a vontade. Pode ate ser por causa de frio, mas a combinação de braços e pernas cruzados denuncia, necessariamente, desconforto, voltando-se para dentro de si.
Muito cuidado, apenas pernas cruzadas podem também denunciar desconforto, mas é necessário conhecer um pouco mais a pessoa para auferir. Existem técnicas para isso, e elas serão paulatinamente postadas aqui.
Deve-se cuidar também o que chamamos de postura espelho. Ao conversar com alguém, quando criamos um vínculo no diálogo, inconscientemente as pessoas acabam assumindo a postura espelho, que nada mais é do que, sem notar, copiar os movimentos do interlocutor. Ocorre muito em casos onde os participantes do diálogo são fumantes. Quando um acende, o outro é inconscientemente compelido a fazê-lo também e sequer percebe que o está fazendo. O mesmo ocorre com a bebida, levando o copo a boca, etc.
Nos casos de postura espelho, pode-se perceber que você está de braços cruzados, voltado para dentro de si e analisando os outros ou o ambiente. Perceber-se analisado faz as pessoas fecharem-se, por outro lado, ver seu interlocutor de braços fechados depois que se criou o vínculo fará a pessoa cruzar os braços.
Homens que querem exibir-se, eventualmente cruzam os braços para mostrarem seus bíceps trabalhados. Pessoas que consideram-se extremamente seguras, também tendem a cruzar os braços.
Nos casos em que não caracteriza desconforto, a dica é verificar expressões faciais, ou o conjunto do corpo. Se a expressão facial não mudar e os braços estiverem cruzados, vale as regras, se não, busque expressões de segurança ou prospecção.

@rjzucco

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O câncer do Lula

    Recentemente foi divulgada na mídia a notícia sobre o câncer do Lula. Muitas pessoas, inclusive eu, sugeriram campanha para que o ex-presidente efetuasse tratamento pelo SUS.
O que me surpreendeu foi que a campanha pró Lula com tratamento particular, foi  vastissimamente maior que a campanha para ele tratar-se pelo SUS.
Não conheço família com histórico de câncer maior que a minha. Minha mãe teve três, e faleceu no terceiro; meu irmão Ricardo teve e faleceu; Minha tia Maria, idem; meu irmão Roberto está lutando contra um e meu pai sobreviveu a um.

Ou seja, posso  falar com bastante propriedade o que é a luta contra o câncer, como é ter parentes com essa doença maldita e quão difícil é vencê-la. Mas principalmente, como é impossível trata-la pelo SUS.
Agora, o que me revolta é, por que diabos os malditos políticos corruptos, incluindo os que dizem que não sabem de nada como o Lula e a Dilma, utilizam o meu dinheiro para efetuar tratamento particular?
O Lula teve oito anos para dar jeito na saúde pública, mas preferiu desviar essa verba para projetos que angariariam mais votos na sua reeleição e para a companheira Dilma.
Eu entendo que a saúde estava sucateada antes do Lula. Mas também entendo que, se ele tivesse direcionado a verba para o que realmente interessa que é saúde e educação e não em projetos hipócritas e demagógicos que visam apenas angariar votos, hoje ele teria condições de tratar-se pelo plano que ele mesmo teria ajudado a melhorar.
Não me interessa se o SUS é um meio melhor que em outros países. Não estou comparando com os piores para iludir que o meu é melhor. O meu é ruim e pronto.
Também não disse que o Lula não teve bons projetos nesses intermináveis oito anos.
O que eu estou dizendo é que se ele é responsável pela saúde, faz parte do povo, então que se trate como o povo. Garanto que rapidinho o SUS melhoraria.
Não quero que o Lula morra, sei a barra que é a luta contra o câncer. Desejo sinceras melhoras. Mas que melhore tratando-se com o que ele não deu atenção. Isso é justiça!
É como se um engenheiro construísse uma casa, mas não fosse morar por não ser segura o suficiente e temer que caia em sua cabeça. Os outros podem?
É ululante, ridículo, revoltante. Acordem os que defendem que o pobrezinho deve sim utilizar uma clínica particular. Não deve! Ele tem que utilizar o que o povo utiliza. Ele não é melhor nem pior que o povo. Se o povo pode, por que ele não?
Devia ser facultado ao contribuinte permitir para onde seu dinheiro iria. O meu, certamente, não pagaria o hospital particular do Lula. E digo isso pensando em todos os brasileiros que dependem do SUS. Isso é solidariedade.

@rjzucco