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terça-feira, 14 de abril de 2015

O problema somos nós



Sabe qual o problema do Brasil? Sabe por que os políticos são corruptos? Sabe qual o problema da falta de tudo por aqui? Somos nós! O povo! Os brasileiros!
O Brasil é um país sem futuro. Acabado! Fadado ao que de pior pode acontecer a qualquer país e a responsabilidade é todinha da grande massa.
E não pense você que essa massa são os outros. Que são apenas os sem estudos e supostos ignorantes os responsáveis. Você é tão culpado disso quanto o político, quanto a Dilma, quanto o Maluf ou qualquer outro.
Você reclama da alta taxa de impostos que o governo cobra, mas sempre que pode evita pagar impostos. Sempre que dá sonega. Mas os culpados são os outros. Os ricos e os políticos que não pagam impostos. Nunca você!
Você bebe e dirige, ou seja, infringe a lei, e culpa os políticos que também o fazem como se eles fossem demônios. Mas se nem a sua pequena parte você faz, por que diabos o outro deve fazer a parte dele? Que direito você acha que tem de cobrar?
Não... o problema do Brasil são os políticos!
E eles vieram de onde? Eles são povo de que meio? Eleitos por quem? Oriundos de que sociedade? De que cultura? Da sua (suposta) perfeita Europa? Ou do seu imundo Brasil?
Você já se perguntou por que existe tanto estelionato? É a maldita mania do brasileiro querer tirar vantagem sobre o sistema ou sobre outra pessoa, e o estelionatário sabendo disso, usa essa ganância a seu favor e enrola o imbecil que se considera malandro.
Aqui, o brasileiro assiste filmes de roubo e assalto e torce para o bandido sair ileso no final.
Então antes de querer falar mal dos políticos, do sistema, dos outros, sugiro que cada um faça sua parte.
É óbvio que muitos fazem a sua parte e esses são realmente injustiçados. São os que pagam o pato inteiro. Agora por exemplo, saiu uma MP que aumenta a responsabilidade do empresário sobre o auxílio doença.
O que isso significa? Resumindo significa que independente do que o funcionário faça, se em horário de trabalho ou não, caso ele se machuque, o empregador arcará com uma grande responsabilidade financeira junto ao mesmo.
Raciocine comigo. Sou empresário, disponibilizo três mil empregos (um exemplo), daí eles bebem e dirigem numa festa no final de semana, ficam lesionados por um bom tempo, e eu, o empresário, preciso auxiliar no custeio disso.
Nem indo tão longe. O funcionário está praticando algum esporte de noite, bem fora de seu horário de trabalho, e fratura algum osso. O empresário mais uma vez vai ficar refém.
Isso é o governo repassando ao empresário custos e responsabilidades que não são do empresário. Na verdade as responsabilidades são do próprio governo em oferecer saúde, educação e segurança de qualidade para todos.
Dinheiro para isso tem de sobra, falta é competência e vontade. E por que falta isso? Pelo motivo citado no início do texto. O problema do Brasil são os brasileiros.

Nós nos representamos e somos os responsáveis por essa balburdia toda. Precisamos fazer melhor a nossa parte e quem sabe assim sirvamos de exemplo a toda a terra.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 21.02.2015
@rjzucco

rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 26 de março de 2015

Geração Z





Processo seletivo, recrutamento e seleção são atividades cada dia mais difíceis para o empresário moderno. Quem não é do ramo não entende os reflexos de uma política de administração pública há mais de 12 anos em uma geração inteira.
Contratar uma pessoa na faixa dos 20 anos hoje em dia é tarefa mais que difícil. Os perfis dos jovens foram moldados à nova realidade.
Eles cresceram aprendendo uma filosofia de vida e de governo absolutamente diferente da realidade mundial (ao menos a parte capitalista dela, que, diga-se de passagem, representa a avassaladora maioria do planeta).
As consequências disso são empregados que não permanecem em seus empregos por muito tempo pois entendem a grande oferta de trabalho e se acham bons demais para ficar em um lugar que não os promove no tempo deles e que na verdade nenhuma empresa é boa o suficiente para eles. De pessoas que cresceram aprendendo que o governo é assistencialista e subsidia tudo e todos, e que se eles ficarem desempregados, vão ganhar seguro desemprego. Que trabalhar é para classe média pois os ricos não precisam e os pobres ganham do governo. Que quem é pobre é coitado e oprimido e precisa receber auxilio para sobreviver. Que empregos simples como faxineira, jardineiro, pedreiro e afins não são dignos e não merecem ser executados (vide caso de mulher na matéria do jornal que falou que se não tivesse bolsa teria que trabalhar de faxineira, como se isso fosse humilhante).
A consequência é uma grande procura por profissionais não qualificados (vulgarmente chamados de subemprego) a um custo alto, e consequente efeito cascata com os qualificados recebendo bem mais. Isso necessariamente acaba gerando inflação, pois se eu pago mais salário, preciso faturar mais para poder honrar o compromisso e ainda auferir lucro (objetivo principal de qualquer negócio).
A falta de mão de obra nesses subempregos ocorre por que hoje há a cultura da preguiça. Famílias de cinco ou mais pessoas que sempre viveram com uma aposentadoria, hoje ganham, além dela, uma série de bolsas e benefícios. Isso os convenceu a não trabalhar, não produzir, e ficar em casa o tempo inteiro vadiando. Não acredita? Então dê uma passeada pelas vilas da cidade a qualquer hora dentro do período comercial e veja a quantidade de gente sentada nas sombras das casas e das árvores tomando mate.
E o pior nem é isso. Os empresários são vistos como vilões. Exploradores e opressores que escravizam e abusam dos empregados. Que não reconhecem e não valorizam seus esforços. Que querem cada vez mais que o pobre coitado produza mais, ganhando menos.
Na verdade o que acontece é que hoje a classe média custeia toda a massa que, além de não trabalhar, ainda abusa de recursos governamentais. Quem faz essa máquina girar é o empresário, afinal de contas eles que geram empregos e pagam os impostos. Aliás, impostos esses que normalmente são cobrados duas ou três vezes, com nomes diferentes e desculpas novas mas para o mesmo fim.
E ainda insistem em tentar crucificar a classe, distorcendo dados e manipulando informações e estatísticas.
É... Ser empresário no Brasil é tarefa de gente realmente diferente. Tem que ter muita coragem e uma boa dose de loucura.
Enquanto esse time faz o país desenvolver, outros tantos só sabem reclamar e falar mal. E alguns parasitam.
Difícil ter orgulho de ser brasileiro em um país assim. Tudo muito errado, valores muito distorcidos...


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.02.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 24 de março de 2015

Consequências



As pessoas que nasceram de 1995 para cá são classificadas como geração Z. Seriam os naturais sucessores da geração Y.
Em outra oportunidade falei sobre o desapego dessas novas gerações e o que isso implica no mercado de trabalho de uma maneira geral.
Ocorre que uma importante análise precisa ser efetuada na atual conjectura política do Brasil. Essa tal geração Y só conheceu o governo petista administrando a nação.
Embora isso pareça algo natural e simples, na verdade é bem drástico e profundo e reflete muitas coisas quanto à atual realidade brasileira.
Pense comigo: Essa geração apenas conheceu o assistencialismo, um governo paternalista que subsidia tudo para a classe “menos favorecida”, consequentemente, cresceu aprendendo que pobre não trabalha, ganha do governo.
Aprendeu também que quem se mata trabalhando é a classe média, que custeia o país e financia a grande massa que languidamente fica em casa quando poderia estar produzindo.
Na prática essa matemática fica difícil de fechar, pois a classe média por si só não consegue custear por tanto tempo tanta gente. As consequências?
Como essas pessoas dos “subempregos” não estão mais disponíveis para o trabalho - pois em muitas famílias quando um integrante recebe um salário mínimo os outros cinco se encostam e todos ficam em casa – houve um aumento na procura por mão de obra. Havendo o aumento, a tradicional lei da oferta e da procura valoriza “o passe” dessa gente, o que reflete necessariamente em um acréscimo nos valores de mercado, e consequentemente inflação (análise rasa, eu sei).
Funciona assim: se o empregador paga mais caro pela mão de obra para produzir a mesma coisa, ele repassa esse custo ao produto final, ou seja, aumenta o salário mas aumenta também os valores.
Voltando ao assunto principal, excesso de vagas fez a nova geração não precisar se qualificar. Temos uma grande leva de gente despreparada e absolutamente incompetente para quase tudo, sobretudo gestão de pessoas. São seres que não aprenderam a relacionarem-se pessoalmente, apenas virtualmente.
E não é só isso. Quando algum empresário oferece uma colocação, depois de tudo, ainda é chamado de explorador, opressor. Ser maléfico e satânico que só pensa em seu próprio benefício e quer que o funcionário morra seco de fome, sede e cansaço de tanto trabalhar, quando na verdade ele está proporcionando uma oportunidade de trabalho, dessa pessoa produzir e colaborar positivamente com a economia e não apenas ser um parasita social.
Cria uma chance para que a pessoa se qualifique – nem que seja na prática – e adquira experiência. Proporcionando que a pessoa entenda que dinheiro não cai sempre do céu do governo, e que é necessário suar pala conquista-lo. Que não se ganha dinheiro, faz-se dinheiro.
Aliás, aqui fica muito claro o choque de culturas. Quando alguém está empregado no Brasil, perguntam quanto ela está GANHANDO. Quando alguém está empregado nos EUA, perguntam quanto ela está fazendo de dinheiro. É o “making money” versus o “ganhando dinheiro”.
Enquanto isso, o governo segue explorando a classe média, subsidiando a classe baixa, e protegendo e jorrando dinheiro para a intocável classe alta.
Continuo e cada vez mais com vergonha de ser brasileiro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 31.01.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2015

Valores errados IV



Certa vez um cliente veio até nós, e explicou que fora sempre bom pagador, que era conhecido na cidade, que era uma pessoa de bem e que há mais de dez anos sendo nosso cliente, nunca deixou de pagar em dia.
Então, justamente por isso, segundo ele era merecido algum tipo de vantagem, afinal de contas tanto tempo sendo cliente necessariamente o dava esse direito.
Queria um desconto, ou isenção de garantias. Quando informei que quem definia o valor não éramos nós e sim o proprietário, e que a isenção não poderia ser concedida pois tínhamos um contrato com o mesmo nos responsabilizando a garanti-la, o cliente se revoltou.
Disse que era inadmissível isso. Ser tão bom cliente por tanto tempo e não conseguir esse tipo de facilidade, só em nosso estabelecimento mesmo. Que iria procurar em outro lugar.
Confesso que me entristeci. Afinal de contas, bons clientes precisam e merecem todo reconhecimento e atenção. Ocorre que justamente nesses quesitos os quais ele precisava de um auxílio, não tínhamos como flexibilizar.
O que me chama a atenção é ver o reflexo do governo atual transpirando em nosso dia a dia agora também com pessoas esclarecidas e com estudo. Esse cliente em questão é uma pessoa inteligente, articulada, pensadora e formadora de opinião.
Agora raciocine comigo. Então, segundo a nova lógica contemporânea, se eu sou um bom cliente e para continuar quem sabe sendo um bom cliente, então preciso que me beneficie de alguma forma, mesmo que isso venha a lhe gerar prejuízo ou ferir termos e garantias assumidos com outrem?!
Então quer dizer que agora o fato de eu ser bom me possibilita quebrar regras das coisas certas? Inclusive torcer valores morais?
Não faz sentido pensar que porque eu fiz o que deveria fazer, que é o mínimo que se espera de uma pessoa honesta, que é pagar certo e em dia e zelar pelas coisas dos outros com o devido respeito, então mereço receber vantagens.
O certo é pagar o que tem que ser pago, em dia, oferecer as garantias e entregar como estava. Mas hoje em dia quando alguém faz isso, se acha no direito de receber benefícios.
É uma cultura muito forte que vem sendo vendida para todo o povo por muito tempo. Tão forte que fazer a coisa certa é visto como algo fora de série e digno de premiação, isenção, bônus ou outra vantagem qualquer. E se isso não for cedido, então não serve.
Onde estão os valores de fazer a coisa certa? De seguir princípios morais corretos? De seguir seus ideais?
Segundo a nova filosofia, o fato de o cliente ter pago corretamente por tanto tempo me obrigaria a quebrar o contrato com outro cliente para beneficiar o primeiro. Ou então deveria abrir mão do lucro da empresa para não perder o cliente e trabalhar de graça. (essa última acredito que seja a opção mais plausível para os defensores do assistencialismo que continuam vendo que os empresários - atuais provedores de recursos financeiros e de oportunidades de trabalho - são na verdade opressores e exploradores nesse mundo cão capitalista).
Venho percebendo que a antiga filosofia de fazer a coisa certa, seguindo os valores corretos, pelo que está escrito, a cada dia que passa existe menos. Hoje o negócio é dar nó, enrolar, fazer errado, e dar o jeitinho.
Nossa grande vantagem em não dar o jeitinho é que os clientes que optam por esse caminho, acabam retornando, pois percebem da pior forma possível o quão ruim é confiar apenas na boa fé em tempos de valores corrompidos .
Continuo acreditando que fazer a coisa certa é o melhor e mais seguro caminho. Afinal de contas, 50 anos de casa nos ensinaram alguma coisa.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 31.01.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 12 de março de 2015

Mal Amada!

Inicio esse texto voltando um pouco às polêmicas, citando um post da Acid Girl:
"Gosto e assumo!
Por: Acid Girl | Em: Acidez Feminina | 28 de janeiro de 2009
Chega de hipocrisia!
Vamos acabar com essa história de que mulher quer um homem romântico, que leve flores e só a trate com carinho.
Mulher gosta mesmo é de cafajeste, de homem que pega com força, que aperta contra a parede, que dá uns tapas na bunda durante o sexo, que, mesmo querendo, não liga no dia seguinte, pelo simples prazer de nos deixar esperando.
Mulher gosta de cara que demonstra sentir tesão, que deseja, que chega junto.
As certinhas que me desculpem, mas essa história de ‘sou romântica e quero um amor pra vida toda’, é balela, é coisa de quem é ruim de cama.
Mulher que sabe o que quer assume querer um amor, mas também assume que quer sexo bom pra vida toda.
Não dêem ouvidos às certinhas, mulher gosta mesmo é de pegador.
Não estou falando de pegador como traidor, estou falando do perfil ‘pegador’: Aquele cara que sabe o que quer, demonstra o que quer, mas sempre deixa um ar misterioso, sempre deixa algo no ar, aquele que faz a gente passar umas raivas de vez enquando, que nos façam sentir seguras, mas que vez ou outra nos tiram o chão, nós gostamos de ter porque implicar, de ter motivo pra brigar só pra fazer as pazes, de sentir ciúmes não ameaçadores.
Mesmo porque quem gosta de rotina é relógio e homem complicado, descarado e safado tem um gostinho mais que especial.
Fica a dica.
See you later, guys."
Esse texto reflete bem uma coisa que as pessoas costumam comentar e brincar no dia a dia: Mulher mal amada é rabugenta e mal humorada.
Muitas vezes ouvi comentar quando alguém passa distribuindo mal humor, coisas do tipo: “Essa é mal amada”.
Isso é reflexo de uma das coisas mais básicas referentes a relacionamento humano: sexo bom e de qualidade é fundamental e extremamente necessário. Quando não existe ou não é satisfatório, reflete no comportamento da pessoa. Uma insatisfação tão forte que se manifesta na maneira como trata as outras pessoas, algo que poderia ser chamado de infelicidade explícita demonstrada na prática da convivência diária.
Esse é um dos motivos (embora com certeza não o único e talvez nem o mais importante) que me leva a encorajar sempre as pessoas a correrem atrás do que as faz feliz.
As pessoas não precisam ficar ouvindo casmurrices e reclamações gratuitas o tempo inteiro simplesmente porque a coitada é mal amada. Ninguém tem nada a ver com isso e esse problema precisa ser resolvido por ela, em casa.
Isso não significa, absolutamente, que devamos virar as costas para essas pessoas e não ajuda-las. Podemos, SE QUISERMOS. Nada forçado. Isso precisa partir de cada um.
Ouvir desaforos de alguém que não consegue ser feliz em sua intimidade e descarrega nos outros é uma cruz que poucos, ou ninguém, está disposto a carregar.
Pense nisso antes de sair destilando suas insatisfações para todo mundo. Afinal de contas, alegrar o dia de outras pessoas é mais simples do que parece, basta um pouco de gentileza, humildade e empatia. Bem pouco!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.01.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Insatisfação



Quando fui morar em Porto Alegre, 
via pessoas na ruas 
- parecidas com as de Santo Ângelo - e achava que as conhecia. Quando voltei, o mesmo ocorreu.
Fui em busca de oportunidades, de novos horizontes, de conhecimento...
Estando lá, percebi que sentia falta de muitas coisas e, principalmente, de pessoas da minha cidade natal. Costumes diferentes, realidade adversa da que estava acostumado.
Fiquei um bom tempo remoendo essa insatisfação por estar em POA, querendo estar em SA. Até que aprendi como funcionava a sociedade na capital, fiz bons novos amigos, adaptei-me mais que satisfatoriamente ao universo profissional e, finalmente, aceitei a nova realidade.
Mas a vida é assim, “quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e bagunça todas as perguntas”.
Logo que isso ocorreu, voltei morar em Santo Ângelo. E, novamente, senti a insatisfação, me remoendo. Estar aqui querendo estar lá. Sentir falta das coisas e das pessoas.
A maioria dos humanos é, naturalmente, insatisfeito. E isso é saudável, quando se trata de ambição; estar em um lugar querendo estar em outro não é legal, no entanto!
Muitas vezes fiz viagens maravilhosas, todavia não eram compartilhadas pela companhia que eu queria, então não as aproveitei.
Em muitas situações estive lá, querendo estar aqui, e vice versa. Perdi a conta da quantidade de vezes que estava com alguém querendo estar com outra pessoa. Estar em uma festa sentindo falta de alguém específico.
Fui a shows e a locais fantásticos e não parava de pensar naquela pessoa cuja saudade não cessa e em como gostaria que ela estivesse ali comigo.
Depois de muito tempo, entendi que isso me gerava dupla frustração. Uma por não estar acompanhado por quem eu queria em um momento tão especial, e outra por não ter aproveitado, sabiamente, o tal momento.
Hoje, entendo que cada instante é único e precisa ser vivido intensamente. E, embora entenda, ainda não consigo me desapegar desses sentimentos de querer estar em um local diferente ou em outra companhia em determinadas situações.
Sei que isso faz parte da natureza dos humanos, entretanto, entre entender e ter a maturidade para lidar com esse desapego e viver o presente precioso, há um "Saara" de diferença. Além disso, isso não é para qualquer um. É necessário um nível altíssimo de desprendimento.
A lição que fica disso tudo é que “... a vida é uma só e é agora, e só se morre uma vez. Viva cada momento como de fato ele é – único!”
Ambicionar é muito importante, mas viver é ainda mais. Procure – mesmo que sem sucesso no início – desapegar-se do que você gostaria que fosse e não é. Do mundo perfeito. E aceite a vida e os maravilhosos momentos que lhe são proporcionados. Cada instante é mágico e é único. Não se prive dele!
Queira sempre mais e melhor, não obstante aceite e aproveite o que tem. Isso fará da sua vida algo fora de série.
E seja bem-vindo ao mundo dos que vivem a vida. Os felizes!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 17.01.2015
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Assassinato



Tenho uma teoria sobre assassinos. Todos os tipos de assassinos. E talvez você se inclua nela!
Já ouvi muita gente falando coisas como: “você morreu para mim”, ou “matei tudo que sentia por ela”.
Considero isso impraticável, impossível e inviável para “pessoas normais”. Não se mata alguém. Não se mata um sentimento. Não se mata. A menos que de fato se esteja disposto a matar, e nesse caso, você é um assassino.
Pensemos pela seguinte ótica: olhe para dentro, esqueça os outros, esqueça sociedade, esqueça as relações, pense apenas em si e no que sente. Mergulhe em seu mais obscuro universo interior.
Avaliando tudo que sente, se realmente pensa que é possível matar uma pessoa dentro de si, estamos falando de morte. E morte é definitiva. Para sempre. Essa pessoa realmente terá morrido para você!
Quando alguém morre dentro da gente não se sente mais nada por ela, nem raiva, nem saudades, nem amor. Ela morreu e para sempre. É como se a tivesse matado na vida real, só que ao invés de não mais a poder ver ou falar, nunca mais poderá sentir. É o fim definitivo.
Se você acredita realmente que poderia matar alguém em seu coração e sua mente, não pensar ou sentir em algum momento algo pela pessoa, então necessariamente assume que a mataria na vida real também.
Se possui a coragem e frieza para matá-la dentro de si, nada o impediria de matá-la realmente. Lembrando que que estamos olhando apenas para dentro de nós e não levando em consideração a sociedade ou relações com outras pessoas.
Acredito que psicopatas sejam assim, realmente matam. E como não poderia deixar de ser, isso ocorre primeiro no mais obscuro interior de cada um.
Acredito piamente que as pessoas levam para sempre consigo um pouco de cada um. Entendo que ninguém mata de fato alguém dentro de si.
É importante frisar aqui que não estou falando de situações impensadas, em acidentes onde uma pessoa tira a vida de outra sem querer. Falo aqui de atos deliberados e conscientes.
Minha teoria aqui tem o propósito único de defender a ideia de que se você realmente acredita que pode matar alguém dentro de si, então é porque seguramente seria capaz de matar uma pessoa no “mundo real”.  Se para você, matar alguém na “realidade”, é algo inconcebível, então tenha certeza, jamais matará dentro de si.
Não se preocupe, a princípio isso é bom. Você está dentro da normalidade. Agora... se você realmente acredita que seria capaz, então peço que por favor me avise e então cuidarei para jamais lhe desapontar profundamente.
E então? Você é um assassino? Ou você é “normal”?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 10.01.2015
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A empresa certa



Não são todas as empresas que possuem seus valores definidos em um quadro e visível a todos os clientes e colaboradores. E independente disso, não significa que eles não existam.
Normalmente esses valores são norteados pelos proprietários ou acionistas.
O que muita gente ainda não faz é certificar-se, antes de trabalhar em algum lugar ou mesmo contratar uma empresa por um longo período, de que esses valores refletem também os seus.
Já trabalhei em uma empresa onde a honestidade não era importante, e isso me fazia mal. Eu estava sempre insatisfeito. Via porém que muitos colegas não se importavam com isso e eram plenamente felizes com o que faziam. Então entendi que aquele não era meu lugar.
Quando fui servidor público, ao menos no que eu trabalhava, a eficiência ficava absolutamente abafada. O que valia era politicagem. Também não durei.
Trabalhei para o Terra, fiquei 4 anos, lá a meritocracia era extremamente valorizada, havia comprometimento com o cliente, a simplicidade nos processos era invocada em todas as reuniões. Adorava! Mas tinha colegas que odiavam. Alegavam que a empresa era honesta demais com o cliente e que estes acabavam abusando.
Isso significa que se você está infeliz onde está, as chances de seus valores serem diferentes dos da instituição são grandes. Se está descontente com algum serviço contratado, confira-os.
Em minha empresa, no processo seletivo e mesmo com as parcerias que fechamos, sempre apresento nossos valores, peço que avaliem e reflitam com cautela e que decidam se compartilham.
Entendo que para dar certo é necessário alinhamento, e isso passa necessariamente pelo que é mais importante: os valores.
No nosso caso: simplicidade, honestidade, inquietação, comprometimento e eficiência. Esses valores norteiam tudo que fazemos. Nenhum colaborador tem dúvida quanto a como agir, basta que olhem para o quadro na parede, nossa espinha dorsal, e entenderão a forma correta de agir.
Obviamente, como em qualquer lugar, um ou outro não compactua de determinado valor. Essa pessoa acaba destoando da equipe e recebe uma atenção especial e uma ação de coaching.
Mas por que estou falando isso justamente em época de ano novo? Porque essa é a data que as pessoas costumam refletir sobre a vida, sobre o ano que passou, o que foi conquistado e o que querem para o ano seguinte.
Trago esse assunto à pauta justamente para instiga-los a pensar sobre o local em que trabalham e as empresas com quem mantém negócios. Isso certamente influencia sua satisfação enquanto cliente e profissional e reflete diretamente em sua felicidade.
Opte sempre por dedicar seu tempo a pessoas que tenham o mesmo ideal. “Diga-me com quem andas...”
Fantástico 2015 a todos, repleto de felicidade e realizações!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 02.01.2015
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Jogos e guerras I

Era uma tarde de quarta feira, ninguém ousaria esquecer uma data tão memorável quanto aquela. O que acontecera nesse dia ainda hoje é contado entre as pessoas e certamente assim será por gerações sem fim, de avô para netos, de copo em copo nos bares e como referência ao que é uma briga feia de fato. Bochincho? Era festa de criança, todos dizem....
Estava ele lá, no meio da cidade, um gigante, o fogo do ódio em seus olhos era tão forte que irradiava calor na direção em que olhasse. Um ser de pura maldade e mágoa. Era tudo tão expressivo que irradiava ânsia, fazendo com que as pessoas conseguissem sentir sua fúria derretendo tudo.
A situação estava cada vez mais ficando tensa, ninguém conseguiria resistir àquela situação por muito tempo. Era tão forte e todos sentiam de forma tão intensa aquela queimação, que havia clareza coletiva de que os limites da cidade já haviam sido cruzados há tempos.
Chegou ao ponto de ninguém mais aguentar. Todos já com a boca seca. O clima passara de pesado fazia dias e ele insistia em permanecer prostrado bem no meio da cidade, aguardando alguém que tivesse coragem de enfrenta-lo.
Os que se achavam fortes, tentaram oferecer algum tipo de resistência - aqueles que acreditavam ter o coração frio ou um olhar gelado -, mas não foram páreos nem para chegar perto. A simples aproximação já os fazia sucumbir deixando todos molhados e impotentes.
Foi quando o Minuanito, proxeneta de plantão daqueles rincões, resolveu dar as caras. Normalmente, quando ele vinha correndo tanto a ponto de levantar terra do chão e fazer folhas e papéis revolverem-se, todos sabiam o que esperar. O tirano faminto se aproximava.
E quando a fome de alguém sem qualquer sentimento bate à sua porta, prepare-se para chuva em prantos, pois a desgraça é grande.
Aliás, falando nisso, esse era o motivo do gigante estar ali. Sabia que cedo ou tarde o mais frio dos guerreiros deveria dar as caras por ali. Já havia espantado nesse pequeno tempo, de cerca de dois meses, todos que se diziam fortes o suficiente para peitá-lo.
Cada passo que o anunciado pelo proxenetinha dava em direção a cidade, era ouvido por todos. Seu coração era tão profundamente tomado pela frieza que nenhum humano em qualquer momento conseguiu ficar sem espasmos de frio, apenas ao aproximar-se.
Ao cruzar os limites da cidade, conhecedor dos meandros das pelejas, sentiu que o estavam aguardando. Conseguia sentir o calor proveniente de um ódio genuíno e de um amante de guerra.
Sorriu trovejantemente. Esses infelizes amantes e adoradores desse tal de inferno quente precisavam sempre de sua lição. Fechou o cenho escurecendo até os limites do horizonte e tomou ar com tanta força que as árvores balançaram e algumas casas foram destelhadas.
Seu prazer em obliterar esse tipo de adversários chamuscava relâmpagos resplandecentes em seus olhos. Tão intensos que transformavam a escuridão de todo o infinito horizonte de seu cenho, antes negro como a noite, agora em claro como o dia.
Dirigiu-se ao encontro de seu rival guiado pelo ódio, até finalmente encontra-lo. A população estava aterrorizada, temendo pela cidade, por suas vidas e até pensando no fim do mundo. O tempo fechou.
A raiva do gigante era agora mais forte do que antes, chegando a esquentar o vento mesmo depois de todo aquele alvoroço do Minuanito. Olhou como de costume a todos os adversários que, apenas por estarem em sua presença, já sucumbiam antecipadamente, regozijando-se por humilhar mais um. Mas foi subitamente surpreendido. O famoso tirano tinha lindos olhos claros. Profundos e envolventes e cabelos delicados e lindos, tal e qual sua face. Sim... era uma guerreira.
Não acreditava que se preparara tanto tempo para enfrentar uma mulher. Não desistiria agora de sua vingança. Veio para um duelo e era isso que teria.
Mas dessa vez a história era diferente. O frio nos olhos de sua oponente era tão inacreditavelmente intenso e profundo que ele sentia como se as nuvens estivessem fechando-se sobre si e o céu escurecesse o ambiente, esfriando suas esperanças.
Mastigou a mágoa juntando todo seu ódio como se ruminasse uma vida de tormenta antes de vomitá-la toda de uma vez só sobre aquela tirana.
Nesse momento, ela sentiu que todo aquele ódio parecia sumir. Sabia no entanto que aquele gigante não era como os demais e não sucumbiria apenas pela sua presença. Posicionou-se preparando-se para briga.
O vento soprou frio e quente, rajando sem direção. O gigante agora parecia apenas um humano grande. Mal dava para sentir toda aquela maldade. Quanto mais a tirana concentrava forças, mais ele segurava seu vômito de ódio.
Foi então que o calor retornou, dessa vez com uma força avassaladora. O gigante colocou para fora tudo o que tinha, partindo colérico em direção a enigmática tirana.
Cada passo que dava, sentia seu fogo arrefecer, não porque seu ódio também o fizesse, mas pela simples presença da oponente. Percebeu que aqueles lindos cabelos esvoaçavam - agora molhados - e que o frio de seu coração era algo sem parâmetros.
Antes de chegar a cinco passos, percebeu que seu calor e fogo já não passavam de uma mera brisa. Seu fôlego outrora forte e contumaz, agora não passava de uma brisa morna que se desfazia facilmente nos pequenos redemoinhos gelados.
Entendeu o que todos sempre falavam. Jamais enfrente ou se envolva, mesmo que seja em uma batalha de vida e morte, com uma mulher com coração frio. Não há como vencer!
A três passos de distância cometeu o erro de a olhar nos olhos e foi então que perdeu-se em um universo ártico, eliminando todo e qualquer resquício de seu fogo. Quando deu por si, estava de joelhos, sem forças para respirar e sequer conseguia levantar. Bradou algumas palavras de ódio, tombando em seguida aos pés de sua algoz.
Não pense você leitor que ela nada fez. Seus olhos estavam acesos, a chuva já havia tomado conta de todas as cidades da região. Seus cabelos incandesciam de poder. E mais uma vez, a tempestade tirana obliterou o calor missioneiro, deixando um rastro de pessoas desabrigadas, muitas crianças sem pai e futuros gigantes cheios de ódio os quais ela teria certeza, um dia voltariam para vingar-se.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.12.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.b

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Saudades




Sempre relutei em escrever sobre saudades... Não sei se porque me provoca nostalgia, se por manifestar sentimentos tão contraditórios como felicidade e tristeza, falta e preenchimento, ou se simplesmente porque é difícil mesmo.
Mas nesses últimos dias - época de final de ano, natal, lembranças de família, fechamento de ano, planejamento de próximos - acabei caindo em suas graças e ela não só me abraçou, mas também segurou forte e apertou firme.
Nesse caso em especial lembrei-me do Maninho (Ricardo, para quem não conhece. Irmão que não resistiu à intensidade que impingiu à vida) e senti uma vontade enorme de poder conversar sobre o que estou passando, os sonhos que estão se realizando, a fase maravilhosa que estou vivendo, trocar ideias sobre planos, pedir conselhos sobre as pessoas que me cercam, comentar sobre músicas, tergiversar sobre o que esperar do futuro – principalmente tecnológico – ir junto a shows, ficar sentado vendo a chuva cair, falar e entender tudo apenas com um olhar e ser surpreendido com ideias criativas e pensamentos absolutamente inusitados sobre quase tudo, entre tantas outras coisas maravilhosas que fazíamos juntos.
É... Saudade é assim... Quando percebemos já estamos nadando em um mar de lembranças de todos os tipos. Somos transportados para lugares e momentos que não gostaríamos que acabassem.
É vontade de viver de novo algo que nunca mais voltará. É sentir o peito apertar e a garganta doer. Querer mais uma vez, pequena e efêmera que seja, fazer algo que nunca mais acontecerá.
Penso que não há saudade boa. Não pode ser bom algo que provoca sentimentos tristes e confusos na maioria das vezes. Sentir falta é doloroso.
Algumas pessoas dizem que é saudável. Já eu prefiro viver intensamente todos os momentos para não ter que ficar utilizando apenas a memória. Se afastar para curtir mais depois? A vida é uma só e é agora. O amanhã eu não sei e o hoje é o que eu posso fazer de melhor.
Sempre que ela me atormenta, não há como não pensar em como poderia ter feito diferente, curtido mais, vivido melhor esse ou aquele momento. E isso me dá mais estímulo para viver intensamente cada instante. Tanto que frequentemente canso as pessoas.
Esse transporte instantâneo para algum momento do passado, essa vontade de estar novamente com alguém, não deveria existir!
O ideal seria lembrarmos das coisas apenas com felicidade, sem vontade de reviver. Pensando que o que fizemos era o que de melhor poderia ter sido e focarmos sempre no agora.
Só que a vida não facilita, e quando percebemos estamos vivendo no passado e no futuro, e esquecemos do agora.
Desconheço alguém que não sinta a tal saudade e por convivermos com ela desde sempre, a consideramos normal e boa. Esse texto é apenas para sugerir a todos que a abandonem, lembrem das coisas boas sem a vontade de que acontecesse de novo, e busquem uma vida de felicidade plena, no agora.
E a minha parte? Bem... Ainda não sou tão maduro emocionalmente para tanto, mas estou no caminho e ao menos venho me esforçando. E você? Está aqui?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 13.06.2014
Revisado por Josiane Brustolin
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