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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

“Tem que matar esse cara!”


 
Essa foi a frase que li nos comentários do face ao ver um vídeo em que um homem espancava um cachorro até a morte.
Não foi o único caso em que vi, ouvi ou li manifestações desse tipo.
É um ódio tão pujante que ultrapassa a sanidade.
Hoje, se alguém faz algo que uma pessoa não concorde, o discordante se acha no direito de vomitar toda sua ira sobre o primeiro.
Pense bem na incoerência. Alguém matou um cachorro, então eu posso matar alguém. Então eu posso espancar, surrar, escaldar em água fervente, deitar em um formigueiro...
Com o cachorro não pode fazer, mas com meu semelhante, um ser humano pode. Independente se ele é “humano” ou não.
Eu fico estarrecido com a falta de coerência dos humanos. Alguém faz mal para um bicho então merece sofrer todos os tipos de torturas imagináveis. Ou seja, com um animal não pode, mas com um semelhante deve.
Ah mas ele fez por merecer. Ele fez o mal a um animal conscientemente então merece receber um belo castigo. Será? Então já que ele fez algo horrível com um bicho podemos justificadamente fazer o mesmo ou pior com ele?
E seguindo essa lógica, será que o bicho não havia feito também algo horrível antes que justificasse as ações de seu algoz?
Mas é diferente, o bicho é irracional.
Então racional é você que pretende descarregar esse monte de raiva acumulada em alguém que fez algo que você não concorda? E não estou nem entrando no mérito de se está errado ou não.
Vejo pessoas com discursos de ódio tão profundo e insanos que nem parecem seres que convivem em sociedade.
As vezes alguém posta algo contra um político ou contra uma causa e vem uma enxurrada de gente metralhando vômito nos comentários.
Basta haver divergência e há os inflamados discursos “talianeses”.
Gente querendo fazer justiça com as próprias mãos. Gente que não acredita mais em justiça pública. Gente cansada de sofrer quieta. Independente, gente ignorante.
Então quando um assaltante é filmado sendo pego no flagra e apanhando, todo mundo fala que o cara tinha que morrer (pena de morte é aceita finalmente então? E olha que sou a favor hein?!), que tinham que cortar os órgãos sexuais dele, amputar as mãos, furar o olho...
Só eu entendo que isso é lei de Talião e que é uma forte incitação a voltarmos aos tempos dos bárbaros onde os mais fortes mandavam e os mais fracos eram obrigados a obedecer? Onde apenas quando grupos se uniram para espancar a minoria forte opressora que iniciou-se o diálogo?
Diálogo, você ainda sabe o que é isso?
Hoje não se discute mais. Se duas pessoas divergem em algo profundamente, elas não conseguem chegar em um consenso mesmo em sua divergência e continuar se dando bem e conversando numa boa. Elas cortam relações.
Tem gente que para de se falar por política, por futebol... Tem gente que para de se falar por uma discussão sobre a novela, pasmem!
Se a situação continuar nesse ritmo, não tardará a nos desentendermos generalizadamente de forma a ninguém conseguir (ou poder) discordar de outrem sob pena de linchamento ou mesmo desqualificação verbal e massiva.
Está na hora de todo mundo pensar mais antes de escrever. Parar de emitir opiniões com o resíduo do que sai após uma boa seção de evacuação intestinal.
Muitas coisas nos irritam sim e isso faz parte, entretanto não nos dá o direito sequer de pensar em agredirmos outras pessoas. Isso não é civilidade.
Por favor, mais cérebro e dedos ao escrever e menos músculos e estrume.
Precisamos aplicar mais o triplo filtro de Sócrates em nossos dias.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.01.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

“Early adopters”

Você sabe o que é um early adopter?
Esse é um termo utilizado para definir pessoas que aderem rapidamente a novidades.
Existe muitos adeptos dessa prática. Cada vez que lançam um Iphone, um Playstation, um jogo, enfim...
Essas pessoas ficam na fila por mais de uma semana. Querem o novo. Há relatos de gente que acampou quase um mês em frente a estabelecimentos comerciais para garantir o lugar na data de lançamento.
Obviamente que nem todos ali o eram, alguns eram protestantes que queriam comprar para quebrar em frente às câmeras.
Isso não ocorre apenas com produtos. Serviços também são muito cobiçados.
Tudo isso é levado em consideração quando efetua-se pesquisa de mercado antes de empreender. Ou ao menos deveria ser.
Obviamente que há muitos aventureiros na praça que simplesmente resolvem abrir negócio sem sequer entender o mercado.
Em Santo Ângelo temos uma população de early adopters. Quem é mais antigo lembra que há bem pouco tempo os empresários de casas noturnas precisavam anualmente abrir outro ponto em outro lugar para chamar público. As pessoas não queriam mais saber do “velho”. Hoje eles ainda mudam, mas apenas reformam, redecoram, mudam alguma coisa para contentar o povo. E funciona.
Cada novo negócio, diferentemente de muitas outras cidades onde o povo é receoso e primeiro espera para ver no que vai dar e como funciona para só então depois experimentar, é visto com gula pelos santo-angelenses.
É uma curiosidade de brilhar os olhos, uma necessidade, uma ansiedade. Algo que reflete fortemente nas expressões das pessoas ao comentarem.
Pense bem, recentemente abriu uma hamburgueria e todos foram conhecer. Então abriu uma loja de uma grande franquia e dá-lhe movimento. Depois uma sorveteria que até hoje tem filas. Por último, uma sanduicheria e o resultado foi o mesmo, chegando a ter mais de 30 minutos de espera para fazer seu pedido.
Todos sabemos que com o tempo as coisas se ajustam, esses fanáticos por novidade se acalmam ou encontram outra inovação para experimentarem.
Eu particularmente nunca havia me identificado como alguém desse time, até ir morar fora. É um traço bem forte nosso.
O ponto importante de toda essa constatação é sobre mercado, comportamento e negócios.
Muitos preferem se aventurar por águas desconhecidas arriscando toda a carga em um pequeno bote – o que justifica os 60% de fechamento de empresas antes dos 5 anos de vida – a fazer seu dever de casa. Pesquisar mercado, definir público alvo, conhecer a cidade e as pessoas, entender comportamentos e preferências pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de um negócio.
O grupo aqui da cidade detentor de muitas casas noturnas faz isso muito bem. Entende que o público demanda novidades e as oferece sistematicamente.
Evidente que cada caso é um caso e há limitadores. Em minha empresa procuro inovar com novas abordagens ao cliente ou projetos que culminem, ao menos em teoria, em incremento da satisfação.
Se as empresas entendessem isso, estariam sempre ajustando e reinventando-se para atender (ou exceder) a expectativa do cliente.
Claro que isso não se aplica a 100% da população. Alguns conservadores remanescem, mas fica a ideia de que sempre antes de querer navegar é necessário dar uma boa estudada nos mapas cartográficos.

Quem manda são os clientes e o mercado, lembre-se disso.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.01.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

São apenas cachorros...!

Um cachorro é um bom amigo do homem, mas não é um homem. Embora muitos afirmem que os cachorros são mais “humanos” que muitos humanos.
Eles provavelmente não se entendam inferiores – e há muita gente que assegure que não são, chamando-os de seres evoluídos – dada a conduta que assumem na família.
Os cachorros são carismáticos, fáceis de se apegar. Reivindicam seu lugar e sua posição. Comunicam-se à sua maneira, e quase sempre são eficazes.
Mas retomo, eles não são humanos.
São animais irracionais, mesmo que digam que eles são fora de série e inteligentes.
São bichos, de outra raça, com outra função nesse mundo.
E nós quando os vemos entendemos a abissal diferença que há entre nossas capacidades e as deles. Os cuidamos, os alimentamos, oferecemos carinho e mais um sem fim de coisas.
Ok, entendido tudo isso, nada de novo, mas qual é o ponto?
O ponto é que quando você se qualifica, estuda, preocupa-se, aprende, dá um pouco mais de si – às vezes o que não se tem -, prepara-se, é empático, treina, traça objetivos, estipula metas, gera riqueza e empregos, entende mais claramente as outras pessoas.
Pense nas pessoas inúteis. Gente mesquinha, que rouba, trapaceia, esconde, vive pensando em vingança, mata, estupra, fofoca, logra, espanca, trai, fala mal, reclama do emprego e da empresa, reclama dos colegas e dos chefes, vê sempre o lado ruim, etc.
Pense bem, quem nunca se deparou com isso? Vemos isso em todos os lugares hoje em dia. A bem da verdade é o mais comum.
Gente infeliz no trabalho e reclamando de tudo, na faculdade, gente querendo ser demitida para ganhar benefício, fazendo corpo mole. Incompetentes em cargos públicos. Políticos corruptos. Roubos, mortes, assassinatos, atrocidades...
E o que isso tem a ver com cachorros?
Tem que esses infelizes estão para os competentes e bem sucedidos, como os cachorros estão para os humanos.
Se um cachorro faz uma coisa errada, você não pensa em se vingar dele. Não o odeia pelo resto da vida. Entende que ele não tem condições de passar daquilo e que não entende a que veio nesse mundo.
Então acaba relevando e aceitando que são condições diferentes.
Quando enxergar esses cachorros defecando onde não deve, latindo incomodativamente, abanando o rabo para conquistar seu carisma e atenção, ou simplesmente se comportando irracionalmente como um cachorro, entenda, não são pessoas, são apenas cachorros.
Seres legais, que convivem conosco e eventualmente nos alegram o dia, que dependem de nós, mas que estão em outro nível.
E digo mais, sou fã do bicho cachorro. Eles são especiais em muitos aspectos.
Você que faz a diferença, que se esforça, que estuda, que ajuda, que faz resultado, quando encontra um cachorro, entende o que estou falando.
Sempre que converso com mentes pensantes chegamos à conclusão de que não tem o que fazer. Que é impossível mudar o Brasil de um século para outro por causa da massa ignorante, entendemos que precisamos cada vez mais gerar adestradores de cães, e transformar o mundo manobrando-os.
Não seja apenas um cachorro!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 19.12.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O relho do vereador




Aconteceu um fato pitoresco no interior do estado do Rio Grande do Sul. Coincidentemente foi aqui ao lado de Santo Ângelo.
Duvido muito que alguém não tenha ficado sabendo visto que houve ampla divulgação, tanto na mídia local quanto na nacional.
Um servidor público jovem, ativista e idealista viu que muitos vereadores estavam sem nenhuma cerimônia infringindo a lei em frente a toda população.
Veja bem, não era apenas um vereador, eram vários. Todos fazendo coisas erradas descaradamente como que afrontando a sociedade dizendo: “olhem, eu estou acima da lei e faço o que bem entender e ousem me repreender para verem o que acontece”.
Pois bem, este rapaz ousou. Começou a tirar fotos denunciando as pequenas coisas. Atitudes óbvias e visíveis a todos mas que ninguém tinha coragem de chamar a atenção a público repreendendo os infratores.
Não bastasse o fato desses “meliantes” fazerem a coisa errada, ainda se deram ao trabalho de se ofender quando foram expostos à mídia. E se isso já não fosse absurdo suficiente, sentiram-se no direito de, além de infringirem a lei e sentirem-se acima dela, tomarem para si e de acordo com suas vontades, fazer “justiça” com as próprias mãos. Ou com o próprio relho.
Agora pense um pouco comigo, eu faço coisas erradas e se alguém me expõe eu pego meu relho e surro. Isso é o que? Tempo das cavernas?
O servidor levou uma surra de relho do vereador por ter postado fotos que denunciavam as irregularidades dos vereadores.
Como pode gente assim se eleger?
Em que mundo estamos vivendo?
Não bastasse o cara estar completamente errado no ato da infração, também estava errado ao sair agredindo outra pessoa.
E como se tudo isso já não fosse suficiente para, no mínimo, prender um maníaco desses, ele ainda sai dando entrevista em rede nacional dizendo que o guri estava precisando de uma lição mesmo. Que o que ele fez foi certo, "onde já se viu sair por aí divulgando na internet as coisas erradas que os políticos fazem".
Pose orgulhosa, dando risada debochadamente, peito estufado sabendo que nada iria acontecer e vendendo a ideia de que o que fez foi certo e que o rapaz estava errado.
Sério isso?! Prestem atenção no absurdo que é isso. Pelo amor de Deus, isso é um ultraje.
Mas tchê, esse tipo de ser não pode conviver em sociedade. Eu não sei em que mundo ele vive, mas certamente não é civilizado.
Agora imagina se todo mundo se achasse no direito de fazer coisas erradas e quando fosse repreendido, surrar. Voltaríamos a época dos bárbaros?
Se eu to armado e um cara desses resolve dar uma de machinho pra cima de mim, não penso duas vezes e passo fogo no cara. O desaforo dum loco desses achar que vai sair surrando todo mundo e ninguém vai reagir.
Será que ele pensa que todo mundo vai ficar quieto?
Muita gente me disse: “melhor não escrever sobre isso, vai que esse cara queira te surrar”. Olha que coisa mais sem cabimento isso.
Então eu não posso falar a verdade, comentar e dar minha opinião sobre um fato público por medo do cara que fez todas essas porcarias vir me bater?
Aliás não sei porque o servidor deixou isso acontecer. O vereador sabia onde estava atando o burro. Pega um cara mais estourado já dá um laço nele de pronto.
Não sei como ficou a situação do servidor. Não sei se há algum tipo de ação na justiça. Mas sei que esse cara errou mais vezes do que poderia para ser perdoado e a sociedade não pode deixar por isso mesmo.
Gente assim precisa ser expurgada do convívio social.
Cadeia no mínimo.

Ou algo acontece, ou cadeirantes continuarão apanhando de motoristas ao reclamarem por terem estacionado na vaga e tudo mais que ocorre nesse sentido.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 12.12.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O perfeito imperfeito



Todo mundo fala que procura perfeição. Que quer um relacionamento perfeito, o emprego perfeito e a vida perfeita.
Será mesmo que é a perfeição que todos buscam?
Aprendi em um casamento que o que buscamos é justamente o contrário. Buscamos o imperfeito. (E só aqui entendi o que o Renato Tobias sempre disse)
A perfeição é chata, entediante. Mas é a busca por ela que é legal e vale a pena.
O imperfeito é o que faz a vida valer a pena. Aprendemos com o imperfeito.
Ele machuca, nos faz evoluir e entender o mundo sob uma perspectiva que não conseguiríamos ler em qualquer livro ou manual.
O cachorro perfeito não ensinaria nossos filhos, ou a nós mesmos, sobre relacionamento incondicional, sobre a dor da perda, sobre perdão, sobre ira por ter estragado um móvel caro.
A mulher perfeita não precisa aprender, não há algo a ser acrescentado pelo par ou mesmo a acrescentar para com esta troca evoluir, ela já é perfeita, está pronta. Não combina com o imperfeito.
A casa perfeita, o carro e qualquer outro bem perfeito matam dentro de nós aquela sede em busca de algo melhor.
A vida perfeita seria o que? O fim? Fazer o que agora que não há mais o que buscar e almejar?
Certamente há aqueles que dirão que a vida perfeita deve ser aproveitada em sua plenitude e eu rebato dizendo que não há como aproveitar na plenitude algo que já está pronto e se basta por si.
As interrelações decorrentes das interações entre as coisas, os fatos, os seres, os tempos e locais são o que tornam o mundo imperfeito.
É a imperfeita chuva em um dia que imperfeitamente eu esqueci de verificar a previsão do tempo e saí sem guarda chuvas pois estava calor, molhando as roupas, o corpo e os cabelos. Essa chuva me ensinou sobre meu corpo, sobre a gripe, sobre sensações, sobre anticorpos, sentir a água molhando meu corpo, correr na sarjeta, abraçar...
É um tropeção dos mais imperfeitos na rua, um salto que se quebra (e isso não pode ser perfeito), um joelho esfolado, uma luxação dolorosa que faz eu conhecer a pobre mulher machucada no chão e ajudá-la até um pronto socorro.
E se eu conseguisse chegar a perfeição? Então tudo que eu tinha e considerava perfeito antes não o era? Sendo assim será que essa perfeição é finalmente a perfeita? O que vem depois?
E se depois de eu chegar a perfeição eu ver que aquilo não é o que eu quero, então o perfeito não é perfeito? Então será perfeito quando for imperfeito?
Sim, na minha concepção o imperfeito é o que colore nossos dias, o que “despenteia meu cabelo ao vento”, o que me emociona.
E se a vida não fosse assim, seria perfeita, ou seja, não está perfeito ainda pois falta ficar imperfeito.
Longa vida à imperfeição das coisas, dos relacionamentos e da convivência entre os humanos.
Ideia roubada de um discurso de casamento do Taio Zucco. Um dos Zuccos que finalmente conseguiu casar. Obviamente não porque não conseguimos candidatas, certamente é porque preferimos ficar solteiros. Todos garantem que chove mulher querendo casar.
Parabéns Taio e Tine! Que a imperfeição desse relacionamento todo errado se perpetue até ficarem bem velhinhos. Parabéns por abraçarem o imperfeito e o aceitarem com toda a alegria e positividade que ele merece.

Parabéns Tine pela coragem de casar com um cara que nem o Taio, com esse calhamaço de defeitos. Parabéns por conquistar alguém tão sensacional quanto ele, um dos nossos melhores.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 05.12.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Empresários e Novos Empreendedores



Reativamos neste ano de 2015 o projeto Miniempresa da Junior Achievement.
Este projeto visa fomentar o empreendedorismo nas escolas, ou seja, mostrar aos jovens que existem alternativas viáveis, que eles podem empreender, como funciona uma empresa, como é o marketing, como é a logística, os impostos, o controle ponto, o rh, o financeiro, etc.
Santo Ângelo tradicionalmente sempre ganhou muitas premiações tanto no regional quanto no estadual, pois há uma competição entre as escolas do Brasil inteiro para identificar o melhor achiever, o melhor vendedor, o produto mais inovador entre outros. Contudo nos últimos 10 anos nossa cidade não participou do projeto.
Acreditem, o fato de nossos jovens ainda na escola não entenderem o que é empreender, saber como funciona a constituição de uma empresa, quão pesadas são as cargas tributárias, ver como é lucrativo, viável e legal, acabou fazendo com que uma “leva” grande de pessoas evadissem.
Muita gente qualificada não viu oportunidade aqui e foi empreender fora, muitos optaram por concurso não por preferência ou vocação mas por acreditar que era o único caminho ou mesmo desconhecer a possibilidade e viabilidade de empreender aqui.
Na verdade se fossemos desmembrar todas as consequências ou oportunidades eu escreveria umas boas páginas.
Nesse texto quero destacar um ponto específico: Como os empresários interferem no desenvolvimento municipal.
Em todos os grupos de discussão fica muito claro que a solução para o Brasil é investirmos em educação e acabarmos com a corrupção antes que ela floresça no coração das crianças e que para isso precisamos não só sermos vigilantes mas ativamente fazermos o que for possível para proporcionar esse acontecimento.
Acontece que Santo Ângelo está no estado em que está não só por culpa dos políticos. Na verdade acho até que eles possuem a menor parcela de culpa nessa novela toda.
Os empresários não fazem sua parte, e faz tempo.
Todos reclamam muito, falam mal da administração pública, mas fazem muito pouco. Na hora que precisam dar a cara a tapa, fazer a diferença, realmente interferir positivamente para que algo aconteça na cidade, quase todos se omitem.
É ridículo ver um bando de demagogos falando muito, cuspindo xingamentos, mas fazendo nada para mudar a situação municipal.
Falo obviamente pelo que vi nesse projeto, mas fui atrás e percebi que nada acontece também em qualquer outro projeto, via de regra.
Os empresários usam influência  e network, mas não desembolsam um tostão para fomentar a evolução da cidade, nem mesmo disponibilizam colaboradores ou eles mesmos para fazerem algo em qualquer projeto.
Entretanto, continuam reclamando cheios de razão.
Em tempos de crise muitos patrocinadores pararam de repassar dinheiro ao projeto. Entrei em contato com os empresários municipais informando inclusive que poderia ser abatido no imposto da empresa (obviamente dependendo da modalidade de arrecadação como eles bem sabem), e muito poucos vieram falar comigo.
Para cada aluno precisamos de R$ 30,00, e são 35 alunos por escola. Este ano serão 9 escolas e mais um projeto piloto em uma única instituição onde atuaremos desde a 5ª série.
Isso dá um investimento insignificante frente a arrecadação de várias empresas.
Os empresários não se importam, preferem que vá para o governo a ter que fazer algo que possa retornar ao município em forma de projeto social.
E mesmo que não fosse abatido, pretendem gerar mudança e transformação fazendo o que sempre foi feito?
As pessoas não fazem a sua parte e continuam hipocritamente com sua fulgas indignação passiva.
Menos teoria e mais prática. Precisamos acreditar na cidade e ter atitudes diferentes para começarmos a ter resultados diferentes.
Em 2015 contamos com o apoio de muitos empresários, muitos voluntários e algumas empresas e tudo isso foi determinante e decisivo para o sucesso do projeto. Todos oportunamente foram reconhecidos e agradecidos e sempre serão. Para 2016 outras pessoas já entraram em contato querendo participar, ou seja, estamos ganhando corpo. As pessoas estão começando a acreditar.
Caso alguém queira saber mais sobre o projeto, queira ser voluntário (apenas 15 encontros por ano) ou principalmente auxiliar financeiramente, me procurem.

O projeto sai! Mesmo que muitos não acreditem ou incentivem, e isso eu garanto. Quem está comigo?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.11.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Cleanskin em Paris



Você sabe o que significa Cleanskin?
Cleanskin são “agentes secretos” ou pessoas “normais”. São gente sem antecedentes criminais, sem qualquer tipo de suspeita ou ficha. Pessoas que moram em qualquer lugar, com hábitos comuns e que passariam facilmente despercebidos por qualquer cidadão.
Pois bem, essas pessoas são, no caso da França, muçulmanos que nasceram na Europa, nunca viveram a realidade e o terror dos conflitos e na maioria dos casos não teriam necessidade alguma de “comprarem a ideia” desse horror todo.
Ocorre que os mais antigos, sobreviventes de muitos conflitos em solo “sagrado” e que não são clenskins, difundem e recrutam jovens para darem continuidade a matança irracional.
Alguns mais esclarecidos resistem um pouco, não aceitando tranquilamente as palavras dos difusores. Esses são enviados à sua “terra mãe” para entenderem o que é sofrimento, verem amigos morrendo, terem seu ódio alimentado e semeado bem fundo em seus corações, receberem treinamento e finalmente voltarem com cérebro lavado, tendo certeza que matar todos os “infiéis” é a única solução para o mundo.
Normalmente não me manifesto sobre religião, mas convenhamos, quantos neurônios precisa ter para entender que matar outro ser humano é errado?
Defender um Deus tirano que quer a vingança?
Se o cara a quem eles devotam toda sua fé é onipotente, então por que não faz todo o mal dos corações humanos desaparecer em um piscar de olhos? Por que criou pessoas de outras raças e outras religiões se só uma é certa e o resto deve sofrer?
Se ele está ao lado dos homens bomba, então como permite que haja rechaçassão de seu povo protegido?
São questionamentos primários que gente ignorante não consegue articular.
Mas eles sofreram e suas famílias foram mortas?!
Desde quando isso justifica fazer o mesmo? Desde quando um erro começou a justificar outro?
E por mais contraditório que pareça, para acabar com isso só quando todos morrerem. Ou se prende todos e impede que se reproduzam até definitivamente acabar com esse tipo de conduta, ou se elimina todos da face da terra, tal e qual Hitler tentou com os judeus.
A diplomacia não funciona, não funcionou e está claro que não funcionará junto a esse tipo.
Dois anos antes dos atentados de 11 de setembro nos estados unidos já haviam alguns “muçulmanos” aqui em Santo Ângelo que profetizavam o acontecido. Diziam: “esperem para ver o que acontecerá com os estados unidos daqui dois anos, eles estão comprando briga com o povo errado”.
Missioneiros, brasileiros, gaúchos. Gente que nasceu aqui e não teria definitivamente o menor propósito em odiar seus conterrâneos/compatriotas ou mesmo pessoas de outras religiões.
Isso significa que o perigo está sim espalhado em todo o mundo. Ninguém está seguro! Espero que o anonymous realmente cumpra o prometido, exponha esses terroristas, roube todo o dinheiro de suas operações e entregue-os para a polícia.
Em meio a esse contexto todo, o ministro das relações exteriores do decide que será facilitada a entrada no Brasil com liberação instantânea para pessoas oriundas do Afeganistão, Paquistão, Síria, Iraque.
O mundo inteiro afastando, temendo, se protegendo e tentando evitar a disseminação desse mal, e o Brasil querendo que eles venham explodir as coisas aqui?
Se a intenção não é explodir os políticos e Brasília, então definitivamente não faz sentido.

Mas se for, confesso que estou ao lado dele.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 21.11.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Sem mercado aos domingos!



Santo Ângelo tinha começado a evoluir neste sentido. Estava tudo muito bom e legal com a população indo aos mercados em massa aos domingos, dias em que alguns tinham tempo e todo mundo estava feliz.
Todo mundo mesmo, tanto a população de uma maneira geral, quanto os proprietários e principalmente os funcionários.
Os empregados ganhavam 100% de hora extra. Nenhum era obrigado a trabalhar aos domingos, entrando na escala quem quisesse. Todos queriam. TODOS!
Com essa sandice sem cabimento, por causa de algumas pessoas que não tem noção do que fazem e não pensam na coletividade, preocupando-se apenas com seu umbigo e negócio, um “acordo” foi firmado.
O sindicato patronal escolheu dentre todas as possibilidades possíveis, a mais danosa para a coletividade. Danos coletivos onde no máximo 100 pessoas foram beneficiadas e mais de 60.000 foram prejudicados.
Isso sem contar todas as demissões oriundas do fechamento do domingo.
É de espumar de brabo de tão óbvio que muita gente seria demitida com isso. Mais óbvio ainda é que esses sindicatos ignorantes preferem que as pessoas fiquem sem emprego a deixa-las trabalhar como e quando bem entendem.
Bolas, se o sindicato acha que o empregado deve ficar em casa que nem eles coçando o domingo inteiro, então que possibilite, pergunte, mas não proíba-os de trabalharem.
E a liberdade tão fortemente defendida na constituição?
Então, quer dizer agora que tenho o meu negócio, quero abrir e atender ao público, meus empregados também querem, todo mundo vai ganhar com isso - principalmente o cliente - mas por causa de alguns representantes que claramente não entendem o que seus representados querem, definem de acordo com suas vontades pela mais imbecil e burra das soluções.
Criem escalas! Adequem-se a realidade. O mundo mudou, evoluiu, e as pessoas e o mercado precisam também fazê-lo.
Os mercados grandes fecharam, os pequenos não. Mas a fiscalização não está em cima deles. Curioso os fiscais do ministério do trabalho não fecharem os pequenos. Fechem tudo então. Vamos ouvir a chiadeira e vamos ver se a coisa continua.
Imaginem todos os estabelecimentos fechados aos domingos? Até os pequenos armazéns?!
Lembro-me ainda das empresas de cinema protestando contra o youtube. Que coisa mais pequena, tacanha, medíocre, ridícula. Coisa de quem pensa pequeno e não tem capacidade de conseguir algo por competência, então precisa que os outros também não façam. Se eu não consigo, então tu não pode fazer também!
Ora, mas que diabos! Em que mundo vivemos? Em que era vivemos? Ateando fogo em “bruxas” apenas porque não entendemos que elas cozinham bem ou o que seja?
Sindicalistas ignorantes que pensam pequeno! Nem um pouco preocupados com as demissões ou o extra que essas pessoas ganhavam ou mesmo com a qualidade de vida da coletividade municipal. Mas seus ideais foram atendidos, então está tudo bem.
Vi ainda no face de uma “socialista de Iphone” falando que os coitadinhos precisam ter um dia para descansar com a família. Pois bem, agora terão meses. Estão na rua.
Mas para esse tipo de gente isso não importa. Pois obviamente trabalham em funções que exploram muito bem toda essa manobra assistencialista. Não são eles que precisam de um extra do domingo para conseguir pagar a conta com muito esforço no final do mês.
Para eles sobra salário enquanto para os empregados dos mercados sobra mês.
Se é dada a opção de trabalhar aos finais de semana, se isso não é imposto, se gera uma importante renda extra, se isso faz com que mais de 150 empregos diretos e no mínimo o triplo de indiretos continuem existindo, então por que diabos cancelar?
Capricho, inveja e incompetência da concorrência? Isso é suficiente em algum lugar do mundo, além daqui?

Enquanto a cidade se curvar a atitudes medíocres de humanos medíocres, seremos sempre um povo medíocre.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.11.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O fim dos ciclos II



Terminar um relacionamento não é fácil, sobretudo quando passa dos 10 anos.
Terminei um relacionamento de 13 anos e ainda estou me adaptando à nova realidade.
São muitas coisas que fazemos durante muito tempo e que acabam moldando nossos hábitos, nossa personalidade, nossos gostos e nossa vida.
É engraçado ver as reações dos amigos, cada um recebe a notícia sob uma ótica muito particular.
Um amigo me parabenizou, disse que era meu fã. Outro só disse: Bora! Uns três me convidaram pra me largar na vida e “mulherear”. Os mais chegados se colocaram ao meu lado para o que eu precisasse e me aconselharam a olhar para dentro e lamber as feridas. Uns dois perguntaram o que poderiam fazer para evitar que ocorresse, mesmo eu tendo dito que já havia ocorrido. E um disse que com o tempo voltaríamos.
Um relacionamento de tantos anos envolve família, amigos, bens e etc. Todo mundo fica perdido. Sempre acaba mal, em briga e desafeto e ninguém sabe para que lado correr, quem amparar ou quem defender.
Felizmente em meu caso ficou tudo bem, acabamos com muita amizade, carinho e respeito. Ambos com uma sincera preocupação em não machucar o outro e preservar de desnecessidades.
Nenhum colaborador meu perguntou uma vírgula, o que evidencia uma maturidade fora do normal. (Se bem que pode significar também que sou um mau gestor e que eles não se sentem à vontade para conversar esse tipo de assunto comigo. Ou que sou um excelente gestor e deixo claro que profissional é profissional.)
Mas enfim, o próprio coaching ensina, não adianta ficarmos remoendo o passado ou nos afligindo com o futuro. Precisamos sim é pensar no agora, focar em projetos imediatos ou de curto prazo, colocar em dia a bagunça, tanto da casa nova quanto mental e emocional.
A melhor solução é tirar algum ensinamento disso, virar a página, almejar o futuro e focar no momento.
Fiquei surpreso e impressionado com a forma como acabou. Realmente continuamos nos dando muito bem, nos respeitando mesmo que a situação seja estranha agora e isso facilita muito a passagem dessa fase tão delicada.
Dizem que a pior parte está por vir, a da solidão, da casa vazia, do apoio nas dificuldades, da companhia e das conversas. Que quando essa fase chega o mundo desaba e o coração aperta tanto, mas tanto que transborda pelos olhos.
Tenho certeza que quando isso acontecer não só meus amigos como os dela estarão de prontidão esperando para nos darem colo e força.
Afinal de contas, não foram 13 dias ou 13 meses e sim 13 anos compartilhando amigos e momentos, e eles fazem uma significativa diferença em momentos de turbulência emocional, sobretudo quando não temos mais o nosso habitual porto seguro.
Fico feliz em ter conseguido encerrar mantendo uma boa relação, pois alguém que ficou tanto tempo comigo, se de uma hora para outra fosse expurgado, seria traumático.
Só tenho a  agradecer pelos 13 anos de muita felicidade e desejar que sejamos muito felizes daqui para frente.

O relacionamento encerra, mas a amizade e o carinho estão fortes como sempre.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 07.11.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O fim dos ciclos



Reza a lenda que tudo na vida das pessoas segue um ciclo de sete anos. De sete em sete anos no mesmo trabalho se revê postura ou troca e/ou almeja promoção, de sete em sete anos no relacionamento se tem as “crises”, de sete em sete anos há uma mudança interna em nós enquanto pessoas (mais drástica do que as quotidianas), etc.
Pode acontecer de eu estar no meio do ciclo no trabalho, no fim em um relacionamento, no início junto a família. Cada ciclo é independente.
Isso explica muita coisa como por exemplo por que depois de tanto tempo em um relacionamento as coisas mudam abruptamente e quando se percebe já não nos vemos mais adequados aquela nova realidade.
Explica também porque depois de tanto tempo em determinada empresa, emprego ou função cansamos e decidimos alçar novos voos.
Explica porque em determinadas fases estamos super bem com a família e em outras estamos brigando sistematicamente por besteiras.
O mais interessante de tudo isso é que mesmo que isso seja trazido à consciência e explique muita coisa, nada arrefece a dor do fim de uma relação, independente se amorosa, familiar, profissional ou mesmo de amizade.
É muito triste quando um ciclo se encerra e entendemos que precisamos virar a página e seguir novos rumos “abandonando” as pessoas que faziam parte de nossa realidade.
É extremamente difícil desprender-se e desapegar-se de antigos hábitos. Sair da zona de conforto e encarar novos desafios sem as mesmas pessoas que nos proviam segurança durante os últimos sete ou quatorze anos. (as vezes mais)
Muito poucas pessoas sabem lidar bem com o desapego, a dor e a metamorfose. Entretanto isso faz parte do mundo adulto.
Obviamente que há muita coisa positiva também nisso. Toda mudança gera resistência, mas também traz novas oportunidades e desafios.
Dale Carnegie já dizia que “O barco da 'segurança' nunca vai muito além da margem”, então para atingir novos patamares, alcançar sonhos e angariar novas conquistas é necessário coragem e desprendimento.
Quando novos horizontes se abrem e estamos dispostos a encará-los com esperança e percebendo que essa oportunidade é boa, começamos a ver o lado positivo de tudo e só então toda a dor e tristeza começa a ser percebida como algo irrelevante frente ao contexto.
Por mais difícil que seja a situação, por pior que seja o final de cada ciclo, qualquer que seja, não permita que seja lá o que for lhe impeça de atingir seus objetivos. Nada pode ficar no caminho de seus sonhos e lhe impedir de ser feliz.
Sonhe grande, vislumbre seu objetivo. Trace a meta de sua vida e agarre-se a esse sonho com todas suas forças.
Você é responsável pelo seu sucesso e pelo seu fracasso. Se algo não deu certo, se um ciclo encerrou sem que você quisesse, veja o que pode fazer diferente daqui para frente.
Quando assumimos a responsabilidade por nossos atos e nossa vida, entendemos que nossa felicidade depende apenas de nós.
Escolha ser feliz e aceite resilientemente as mudanças. Sempre vem com algo positivo.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 31.10.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br