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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Estatística


 Estatística e análises de resultados foram por um longotempo meu trabalho. E eu sempre gostei e continuo gostando. Mas ouvir a mídia manipular as massas com meias informações me irrita tanto que tenho vontade de fundar uma religião só para abrir os olhos das pessoas (ficou meio paradoxal isso...).
A imprensa pega um pedaço da informação, junta com outro pedaço, que não tenha necessariamente algo a ver, faz uma comparação esdrúxula e o povo engole. Pão e circo continuam sendo o vício. O circo tá garantido pela mídia, o pão pelo governo assistencialista.
Trago nesse alguns exemplos. O primeiro se refere às mortes do carnaval. A manchete era algo do tipo: "Apesar dos esforços em fiscalização, mortes aumentam em relação aos últimos dez anos".
Os jornais sequer analisaram todo o fato. O contexto é muito mais complexo. A frota de veículos aumentou muito nos últimos anos devido às reduções de impostos. O número de pessoas em condições de viagem também cresceu. Hoje temos mais veículos de estrangeiros circulando em novas rotas, dentre outras causas que já não são mais necessárias enumerar.
Para qualquer pessoa um pouco mais atenta é fácil deduzir que aumentando o fluxo consideravelmente, o perigo de acidentes acompanha a mesma proporção. E se isso for levado em consideração e então colocarmos o número de acidentes, fica claro que nesse cenário as mortes, proporcionalmente, diminuíram e que as fiscalizações foram, de fato, efetivas.
Outra falácia estatística são as eleições. Mesmo que haja todo um estudo de desvio e que muitas variáveis sejam levadas em consideração, o espaço amostral utilizado é ínfimo frente à população toda. Eu já li manchetes de intenções de voto para presidente, contando como se fosse do Brasil inteiro, mas que havia sido aplicada em 1000 pessoas apenas em São Paulo. Então eu penso: haja algoritmo para calcular as variáveis faltantes, como horário, sexo, faixa etária, faixa de renda, cor, profissão, nível cultural, etc. Então a população acredita naquilo, e como brasileiro "não quer perder o voto", vota "no que vai ganhar".
Morreu mais gente no carnaval desse ano do que nos últimos dez no Brasil, diz a manchete. Não fala se por esfaqueamento, se aumentou o índice de criminalidade, a quantidade de população, se por overdose, se estavam frequentando o carnaval, se morreram em locais alheios a este e bem longe das festas, se foi no trânsito, etc.
O raciocínio é mais ou menos assim: se haviam duas pessoas só no local e uma morre, a manchete é que briga mata metade das pessoas. Então todo mundo fica apavorado.
Outro exemplo vem do futebol. Grêmio não vence Inter há 42 anos. Ao ler isso nos chocamos e imaginamos uma avassaladora soberania ao longo de décadas. Então quando vamos atrás, descobrimos que o Grêmio jogou apenas três vezes nos últimos 42 anos contra o Inter, e que destas foram 2 empates e uma derrota.
Por último cito a que mais me revoltou nos últimos tempos: "Aumenta o nível de alfabetização". Onde? Quando? Em que faixa etária? Em que faixa de renda? Quando li isso não acreditei, irritei-me e fui atrás para apenas confirmar.
Trago dois links apenas para comprovar e endossar o que escrevo. Cada manchete fala o mesmo assunto porém sobre perspectivas diferente se até resultado final absolutamente oposto. Precisamos abandonar aresiliência concernente a mídia.
"Taxa de analfabetismo cai no país, mas ainda atinge 9,1% da população com mais de 18 anos" http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/09/21/taxa-de-analfabetismo-cai-no-pais-mas-ainda-atinge-91-da-populacao-com-mais-de-18-anos.htm
"Analfabetismo: dez anos depois, não saímos do lugar" http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/analfabetismo-dez-anos-depois-nao-saimos-lugar-697865.shtml
Questione as informações enlatadas que lhe empurram goel aabaixo. Seja intransigente com o normal.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.03.2013
Editado/corrigido por Patrick Heinz e @AnaLeticiaSilva
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 13 de março de 2013

Escravo do dinheiro?








 Antes de prosseguir a leitura responda mentalmente as seguintes perguntas:
Se você trabalhasse em um lugar onde sua função dependesse do trabalho dos colegas, e os colegas simplesmente negligenciassem suas partes impedindo que você executasse ao menos razoável e satisfatoriamente sua função, o que faria?
E se nessa função você ganhasse 30 mil reais por mês? Suponha que seus colegas todos sejam servidores públicos da pior espécie, daqueles que não trabalham e que abusam de sua estabilidade, mas você não.
Imagine-se na situação de tentar trabalhar todos os dias, vendo que nenhum de seus colegas trabalha e/ou produz e que ao não fazerem impedem você de fazer o seu.
Digamos que sua função seja digitar multas o dia inteiro, e que existam incontáveis multas a serem digitadas, mas que para isso acontecer seja necessário alguma assinatura de um colega, um cadastramento de outro, e autorização de um terceiro.
Mesmo que você odeie digitar multas, esse é o seu trabalho e lhe rende 30 mil por mês. Gostaria de ficar olhando para a tela sem fazer nada o dia todo? E quando viesse o trabalho, teria que executar uma função que não gosta. Ainda assim valeria a pena?
A resposta da maioria das pessoas é SIM. Todos dizem que por uma fortuna mensal dessas faria sem achar ruim e até gostaria.
Quando eu disse que não, me chamaram de louco. Disseram que sou um visionário e tento mudar o mundo. E já decretaram em seguida que falharei.
Em muitas repartições públicas a morosidade e a má vontade são tantas que são necessárias 20 pessoas para efetuar o que uma poderia tranquilamente fazer. Isso gera mais burocracia e lentidão, além de perda considerável na qualidade do serviço e atendimento.
Bem, primeiro que o dia possui 24 horas. Destas, dormimos 8, onde sobram 16. Das restantes trabalhamos 8, então restam apenas 8 horas.
Das 8 horas restantes, uma é gasta alimentando-se, onde sobram 7. Ao menos uma é gasta em deslocamento (casa-trabalho-restaurante-cinema-o que for), sobram 6. Uma é gasta em banho, banheiro, etc. Sobram 5. Digamos que seja gasto apenas 30 minutos arrumando-se, são 4h30min.
Se a pessoa estuda, acabou o dia e sobra apenas o final de semana para gastar o dinheiro (se não tiver que estudar). Se não estuda, então poderá usufruir a pleno vapor 18,75% de seu dia, levando-se em consideração que uma parte desses possivelmente terão que ser gastas em terapia. Será que ainda vale mesmo a pena?
Se a resposta for sim, vale a pena trabalhar no que não gosta se for para ganhar tanto assim, então informo a todos. Larguem o que estão fazendo e vão prostituir-se em Porto Alegre, pois um programa gira em torno de R$ 150,00 e R$ 300,00. Basta fazer de 4 a 8 programas por dia e o orçamento passará de R$ 30 mil.
Vá, prostitua-se (no sentido que preferir) e seja feliz. Eu não aguentei e pedi exoneração.
Sei que o exemplo é chocante. E é para chocar mesmo. Pois fazer qualquer coisa por dinheiro é prostituir-se ou corromper-se. Botar valores morais no lixo em detrimento de valores materiais não deveria ser moralmente certo.
Não considero que valha a pena desperdiçar 50% do meu tempo útil, para apenas 15% de retorno. É ilógico. Prefiro ganhar menos e ter 75% do meu dia gozados com felicidade e satisfação. Alguns valores até se compram, mas terão que ser beeem bem melhor pagos.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.02.2013 
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 8 de março de 2013

Orgulho de ser brasileiro ?




Andei questionando recentemente algumas pessoas quanto ao orgulho de ser brasileiro e para minha surpresa pouca gente disse que o tinha. Isso é um bom sinal! Ou indica que estou sabendo escolher meus amigos ou que o povo gaúcho é realmente diferenciado.
Os poucos que tinham, exaltaram as belezas naturais e a alegria do povo. Mas pasmem! Isso não é motivo para se ter orgulho de ser brasileiro. O fato de morarmos em um lugar bonito não nos torna pessoas melhores nem transforma nosso sentimento pela nação em algo realmente honesto.
Alguns disseram que tinham mais orgulho em ser gaúcho do que ser brasileiro. Mas depois de mais uns cinco minutos de conversa a conclusão era a de que isso acontecia porque o gaúcho é mais trabalhador e aguerrido e onde quer que vá, produz. Trocando em miúdos, as pessoas têm orgulho do gaúcho por ele ser o burro de carga do Brasil. O peão que produz para a nação, mas isso é para outro texto.
Ato contínuo seguimos as deliberações quanto ao orgulho de ser brasileiro. E se pararmos para analisar, de fato não há motivo. Brasileiro é palhaço, é idiota. É enrolado por todo mundo, paga uma taxa tributária insana e está sempre rindo e fazendo festa. Com o jeitinho brasileiro, tudo acaba em risada e carnaval.
Arcamos com uma das maiores cargas tributárias do mundo e não recebemos o retorno condizente. Saúde, educação, segurança, saneamento básico, pavimentações, atendimento ao público, justiça, políticos, esportes, deficientes, transporte público, tecnologia, etc. Tudo sucateado e incomensuravelmente aquém do que pagamos.
Orgulho de nossa cultura? Que cultura? A herdada de outros países? Ah então é orgulho da cultura dos outros países? Não! A cultura nativa, a indígena. Hummm, os índios marginalizados? A cultura aquela que cuspimos em cima e que não damos bola e sequer sabemos como é?
Ou quem sabe orgulho da nossa música sertaneja, pagode, samba e funk? Sim, pois o Brasil é amplamente dominado por esses quatro estilos, com ritmos e melodias vergonhosos, sem falar da letra. Podem chamar-me de preconceituoso, mas música com pouca informação não me serve, e se tiver dereê ou algo que o valha é sumariamente descartado.
Pagamos cinco vezes o valor de um carro, até doze vezes o valor de um jogo e em alguns componentes eletrônicos chegamos a absurdos muito maiores. Não adianta colocar a culpa só na política, mesmo porque é inegável, queiramos ou não o político É um espaço amostral do povo e sendo assim, nos representa condizentemente.
Está tudo errado, a televisão aberta mostra a cara do Brasil, o Ratinho é a cara, o Faustão também, Silvio Santos e Márcia são. Isso é o que a nação pede, é o que o povo alienado gosta de assistir. O povo clama por programas cerebralmente debilitantes como Big Brother. Essa é a cara da nossa nação!
E você ainda tem a coragem de dizer que tem orgulho de ser brasileiro?
Eu tenho vergonha de ser brasileiro!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.02.2013
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Quando as palavras faltam



Existem alguns momentos em minha vida onde gostaria de ser tão brilhante quanto Einstein, Machado, Drummond, Veríssimo, Moreno ou tantos outros que admiro e respeito. Mentes brilhantes sabem cavar, mesmo em mar de lama, palavras límpidas e reconfortantes. Sabem transformar textos em bálsamos e acalentar com escrita.

Estou tão longe disso quanto um Fusca de uma Ferrari, mas isso não impede o primeiro de levar seus passageiros ao destino guiado pelo condutor. Mesmo que sem o conforto, tecnologia ou velocidade desejados.

Essa teimosa obstinação do Fusca em atender ao menos o básico que é a locomoção de um lugar a outro, por óbvio analogamente, também é exercida por mim quando escrevo sobre uma soma de fatores que desencadeiam na mais improvável tragédia que tive o desprazer de sentir em vida no nosso estado.

Primeiro teve que o governo, após vários mandatos e uma cultura histórica de descaso com o ensino e a educação, pagar mal aos professores e estes revoltarem-se culminando em greve. Esta greve alterou o calendário acadêmico das universidades federais. A alteração do calendário fez com que a grande massa de estudantes de uma cidade universitária situada no coração do Rio Grande estivesse em férias, a exceção apenas dos alunos do ensino federal.

Como é uma cidade principalmente voltada para o estudo, mesmo que as forças armadas sejam também um ponto forte daquele município, em época de férias muitos estabelecimentos reduziram seus turnos, outros tantos sequer abriram, fazendo com que uma grande quantidade de estudantes acabasse superlotando um dos poucos lugares que estava aberto numa fatídica noite.

Também por motivo de férias possivelmente as ofertas de bandas disponíveis para tocar fosse restrita, aumentando a conjectura de acasos e disponibilizando justamente uma que utilizava instrumentos pirotécnicos para animar e iluminar o show.

A fiscalização não é, nem lá nem em qualquer lugar do Brasil, perfeita e rígida a ponto de interditar todo e qualquer estabelecimento que esteja fora dos conformes. Seja por bombeiros, por prefeitura, por vigilância sanitária ou o que for. E ainda em alguns casos, há o jeitinho brasileiro, a molhadinha de mão, as facilitações e os olhos moucos.

Se fosse em outra cidade, se não fosse a greve, se não fosse uma cidade universitária, se não fosse aquela banda, se não fosse naquela casa noturna, se não houvesse tanta gente, se não houvesse descaso, se não houvesse corrupção, se não existisse o jeitinho brasileiro, e se tudo não acontecesse junto, uma tragédia dessa proporção não teria ocorrido.

Mas o acaso teceu o seu plano dessa forma e tudo ocorreu lamentavelmente consternando o mundo.

Procurar culpados agora não resolve. Presidente ir beijar os parentes condoídos não conforta. Religiões pregarem que se estivessem na igreja não estariam mortos não ajuda.

É óbvio que o dono da casa não fez por mal. Evidente que o integrante da banda não tinha ideia de que algo do tipo ocorreria. Líquido e certo que a culpa que essas pessoas fardearão pelo resto de suas vidas é mais forte do que jogá-las em instituições que servirão apenas para ensiná-los o que é errado.

A bem da verdade se as pessoas que erraram o caminho e acabaram no banheiro não tivessem o feito, a proporção seria absurdamente menor. Mas quis o acaso que as portas fossem perto, que não houvesse sinalização adequada ou que ela não pudesse ser vista pela fumaça, que o ser humano quando em desespero pela vida tornasse a agir instintivamente feito bicho atropelando-se e sufocando-se, e que encerrasse a noite na mais triste história da cidade de Santa Maria.

Ainda bem que lá tem muitos hospitais, que existem pessoas solícitas e prontas para ajudar, que estava situada no centro do estado permitindo o escoamento de feridos à todos os lados, que é uma cidade com base aérea e forças armadas em contingente e equipamento pronto e adequado para em caso de pânico poder socorrer e transportar as pessoas com urgência à outros locais. Pois se fosse em 90% das cidades do Brasil (ou mais), muito mais gente teria morrido.

Não costumo me chocar, sentir ou entristecer ao ver barbaridades na televisão, como as guerras e outras fatalidades. Entendo a gravidade e a seriedade, mas não sinto tristeza, não perco o sono ou fico com um nó na garganta e um aperto no estômago. Guardo minha emotividade para coisas boas.

Nesse caso percebi que todas as pessoas que conheço, assim como eu, sem exceção, sentiram. Concordo com Carpinejar quando diz que todos morremos naquele clube.

Deixo meus sinceros pesares com olhos e espírito marejado e com toda empatia que me é permitida a todos os familiares, amigos e conhecidos das vítimas, pois minha mediocridade e falta de competência impedem que eu saiba confortá-los com palavras.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 12.01.2013
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Enjuquecimento




Quanto mais eu estudo e observo os humanos, mais eu percebo como é maravilhosamente desafiador decifrá-los. Nunca se está absolutamente certo a respeito de algo. Novos fatores sempre acabam ameaçando convicções obtidas.
Um bom exemplo são as mulheres que fazem uma via sacra martirizante de embelezamento para botar tudo fora no final.
Por exemplo: fazem sobrancelhas, cutículas e depilam-se, o que na minha visão é uma tortura. Gastam fortunas em maquiagens, batons, rimeis e pintam os olhos. Controlam, pintam e cuidam suas unhas mais do que eu cuido de um gato. Deixam o cabelo crescer, cuidam dele, lavam, alisam, fazem chapinha, passam creme, fazem regime, operam-se, malham, fazem lipo, usam espartilho e se torturam em frente a doces e guloseimas.
Compram as roupas que valorizam mais seu corpo, colocam silicone, sutiã com enchimento, meia calça que aumenta o bumbum. Combinam adereços, tomam o cuidado na escolha do cinto, da bolsa, com a estampa e os calçados. Sofrem com sapatos a ponto de esfolar e fazer bolhas.
Entendem o poder sedutor que possuem nas mãos, sabem tirar proveito de decotes e cortes insinuantes. Treinam gestos e movimentos, aprendem postura e etiqueta. Criam um network para atingir seus objetivos
sociais, e, afinal, tudo isso para quê?
Para no final de tudo colocar a porcaria de uma flor, que remete sempre a um girassol na cabeça. Porque então se sujeitar a tanto esforço e sacrifício se no final vai colocar o instrumento mais enjuquecedor que
existe? O lugar de uma flor para um homem, certamente não será no cabelo da mulher. O cabelo ele quer acariciar, puxar, cheirar...Então o que passa na cabeça de um homem, automaticamente quando vê uma - perdoem-me o termo mas é minha opinião - sem noção, quem coloca uma flor na cabeça?
Ele pensa numa menininha, sua filha ou de algum amigo. A não ser que o cara seja pedófilo e/ou tenha problemas, a flor no cabelo não é estimulante, tampouco excitante.
Bom, isso tudo é apenas para dizer: Tire a flor da cabeça, ela enjuquece.  E aos defensores de mulheres que portam beleza infantil, e que gostam de meiguice, e que acham lindo uma mulher portar-se como uma criança pois alegam ser meigo, romântico e bonito, deixo minha preocupação. Eu entendo – e que fique clara que essa é minha visão do quadro – que essas pessoas são potenciais pedófilos e/ou enrustidos. Pois olhar para uma mulher procurando traços infantis e lúdicos não pode ser outra coisa.
Pessoas normais tendem a procurar parceiras de mesmo nível intelectual e saúde mental, ou seja, homens saudáveis querem mulher e não criança.

 
 
 
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 12.01.2013
Editado/corrigido por @AnaLeticiaSilva
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nerds II



   


Já acostumei-me a ouvir as mulheres proferirem o famoso jargão “ô lá em casa” ou qualquer coisa que o valha, ao ver um homem sarado na televisão ou em outro lugar.
Uma conhecida minha recentemente ficou solteira e sempre que tem oportunidade fala dos que ela considera “tchutchucos”, sempre ressaltando a beleza, o charme, a gostosura e os demais pontos positivos do físico dos galãs.
Mas quem entende um pouco de comportamento sabe que na verdade, essas mulheres querem no máximo -  e ainda assim olhe lá - sexo com esse tipo de homem.
Os motivos são óbvios. Enquanto um nerd estuda, se qualifica, alimenta seu cérebro, é comprometido, fiel, bem sucedido, focado, atencioso, carinhoso, pensa no relacionamento, no casal, na consorte e segundo pesquisas tem um desempenho sexual até 80% superior aos marombados, estes outros costumam pensar em si, nos suplementos alimentares, na academia, ...(ok, existem exceções, e em toda minha vida só conheci um, que realmente pudesse ser considerado massaranduba e que entremeia o cérebro com conteúdo, e este, é gay – abraço Marco)
Então eu observo sempre que alguma menina fala uma boçalidade dessas e reflito: Certamente isso é falta de sexo ou tesão acumulado, pois é impossível que alguém que tenha algo na cabeça – estou desconsiderando nessa teoria as mulheres de cabeça vazia – queira estabelecer algum tipo de relacionamento com alguém que impossibilite até um simples diálogo depois da transa.
Ora, se a mulher quer sexo casual, então qualquer pedaço de músculo definido serve, mas é fato que são raras as mulheres que transam sem envolvimento. E mulheres não costumam se envolver com pessoas que elas não considerem agradáveis. E elas não costumam achar agradáveis homens acéfalos.
Então segundo esse raciocínio, está justificado porque os nerds estão tão bem cotados no “mercado”. Eles oferecem muito mais para a realidade atual do que os massarandubas. As mulheres já entenderam que a segurança que elas precisam e tanto almejam não é a física e sim a financeira, emocional e profissional. Coisa que os nerds propiciam em larga vantagem.
Fico revoltado, pois ao falarem isso elas sugerem aos solteiros e candidatos que exercitem os músculos e não o cérebro. A informação colocada no mercado é a de que há muito mais demanda por beleza e músculo do que por cérebro e estabilidades, mas quando na prática apenas o que foi solicitado é oferecido, as mulheres consideram insuficiente e frustram muitos homens.
Então os caras tidos como cachorros, que são os pegadores, bonitões e que possuem a malícia necessária, acabam não conseguindo estabelecer um relacionamento estável e viram homens-objeto.
Depois essas “frescas” – como diria minha mãe – dizem que os homens não são confiáveis, que são todos iguais, que são os culpados pela falência da instituição dos relacionamentos duráveis e honestos.
Humanos...!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 05.01.2013
Editado/corrigido por @AnaLeticiaSilva
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Nerds I


Antigamente os nerds eram excluídos. Viviam à margem da sociedade. Não eram convidados a participar de eventos sociais e tinham sua vida sexual tão improfícua que era inclusive motivo de piada.

Na mesma época existiam os Bullies, os armarinhos com muito músculo e pouco cérebro, muita beleza física e nenhum conteúdo intelectual, mas que comandavam as festas e eram o furor da mulherada.

Durante um bom tempo esses Bullies se deram bem mesmo após o colégio por uma série de motivos que vão desde pais ricos até modelos sociais que privilegiam a beleza na contratação de pessoas.


Só que agora a coisa mudou e os nerds viraram finalmente o jogo. Hoje um nerd é visto como profissional bem sucedido, competente, comprometido, inteligente, esforçado, capaz, trabalhador e principalmente produtivo e apto a entregar um bom resultado.

Enquanto antigamente os nerds eram vistos como disléxicos sociais na maneira mais ampla possível da interpretação, hoje eles definem tendências, apontam o caminho do nosso futuro, ditam até como nos comportaremos.

Essa revolução aconteceu gradualmente, bem debaixo de nossos olhos, mas a sociedade arrogante continuou sumariamente ignorando todos os acontecimentos oriundos dessa trupe e como consequência não percebeu seu espaço ser tomado rápida, voraz e gradualmente.

Hoje os bem sucedidos nerds ditam as regras de comportamento, de moda, de mercado, de tendências e até de beleza. São os novos players financeiros de um mercado onde o intelecto e a inteligência valem mais do que os anos de experiência, visto que a dinâmica é efêmera e mutante, fazendo com que a experiência não sirva mais e que a adaptabilidade seja a nova palavra de ordem.

E de adaptação e ajustes os nerds entendem bem, prova disso é que o mundo está cada vez mais rápido, exigindo que as pessoas estejam permanentemente preparadas e tenham competência para acompanhar tudo isso, tanto que eles estão atualmente no topo dessa cadeia.

Deixo meus parabéns aos nerds modernos, mais socializados que os antigos e principalmente mais bem sucedidos tanto profissional quanto conjugalmente.

E para os que não tiveram o privilégio de conversar com pessoas desse nicho, deixo a dica: quem gosta de piadas e brincadeiras inteligentes, raciocínio rápido, conversas embasadas, argumentos sólidos, assuntos atuais e com conteúdo, acossem-se, pois estão perdendo um tempo valioso.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 29.12.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Josiane Brustolin
@rjzucco

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um dia após o fim do mundo

Estamos aqui falando diretamente do final do mundo. Um dia após o apocalipse, sobraram apenas sentimentos fortemente consolidados e certezas diluídas em boatos rasos.
Depois de sentir na pele a tristeza de uma escova solteira no porta treco, de não ter a quem dar bom dia, não ver a pessoa amada online no MSN, não ter como ligar ou mandar mensagens por infinitas e incontáveis horas que se arrastavam ao longo de um dos dias mais pesarosos da história de minha memória recente, percebi que o mundo poderia ter acabado antes da data e que eu não seria feliz de outra forma.
Mas hoje, dia 22.12.2012, no dia seguinte ao final do mundo, tenho um motivo a mais para comemorar além da sobrevivência da raça humana e da continuidade da vida na Terra.
Entendi que quando a gente gosta realmente de alguma companhia, quer voar, mas a sinergia é tanta que acabamos abandonando uma de nossas asas e voamos agora apenas bem agarradinhos, fazendo par com a asa de quem escolhemos para compartilhar a vida conosco.
O voo é viciante e inebriante, e depois de voar não se pensa mais em caminhar. Quer-se apenas estar cada vez mais junto, varrendo regiões novas, sentindo as emoções efervescerem em nosso peito e o vento no rosto.
Poder comemorar depois do cataclisma com a minha metade de voo, a metade que eu escolhi para bailar no céu da vida, dando piruetas nas sinuosas e perigosas curvas da estrada de nossos caminhos, dez anos de sincronismo aéreo, é algo digno de celebração e felicidade.
Para o pássaro que voa, ter uma asa retirada é tão ruim quanto proibir o chimarrão ao gaúcho. E quem possui duas asas e a companhia perfeita para alçar-se aos céus, precisa publicar em jornais e o que mais estiver ao seu alcance, pois todas as conquistas devem ser celebradas condizentemente.
Hoje completo 10 anos de namoro. E mesmo que digam que esse status já foi alterado ratifico que serei eternamente namorado, até nossas bodas de diamante.
E se hoje sorrio e contagio as pessoas que me cercam com alegria e descontração, é porque aprendi com a melhor professora do mundo o que é um sentimento sólido, honesto e verdadeiro. É porque hoje eu consigo assimilar a estrutura emocional mais formidável que jamais terei, da minha cara metade. Porque aprendo com quem admiro e convivo todos os dias o que é reciprocidade e estabilidade conjugal.
Hoje comemoro dez, mas já encomendei mais uns 9 lotes da mesma quantidade deste produto, para nunca faltar.
Josi, feliz aniversário de namoro! Eu te amo!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 22.12.2012
Corrigido/editado por Patrick Heinz

@rjzucco

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Olhos claros




Pessoas de olhos claros são normalmente admiradas por todos. Olhos verdes ou azuis costumam ser sinônimo de beleza. Não lembro algum dia ter ouvido "aquela loira de olhos castanhos", mas "aquela loira de olhos azuis" sim.
As pessoas gostam de olhos claros, pois acreditam que são escassos. Só que isso não é de todo verdade. Algumas cidades têm mais de 90% da população com olhos claros, e nem por isso eles preferem olhos escuros ou acham o castanho mais belo.
Mas então por que a preferência pelos olhos claros?
Olhos claros são melhores de ler! Eles são "claros" aos leitores.
Nossa pupila se contrai e se dilata de acordo com nossas emoções, reagindo a alguns estímulos. Ocorre que olhos castanhos, principalmente os escuros, mas mesmo os claros, tem uma coloração bem mais próxima a da pupila que olhos claros, fazendo que não enxerguemos facilmente as microalterações.
Essas manifestações acontecem bem rápido e muitas vezes apenas absorvemos a mensagem subliminar emitida. Mas com o olho claro fica passível de conscientemente percebermos, então automaticamente preferimos os claros.
Os olhos sempre foram a principal janela de comunicação, mesmo entre homens e animais há contato e comunicação visual. Naturalmente desenvolvemos as percepções.
Embora seja incrivelmente sutil, a comunicação ocular nos passa incontáveis informações, como por exemplo:
Pessoas entusiasmadas chegam a ter suas pupilas dilatadas em até quatro vezes o tamanho natural. Ao passo que pessoas brabas ou mal humoradas tem as pupilas contraídas.
Mal sabem os de olhos escuros o quanto nós, os de olhos claros, sofremos em dias bem iluminados, motivo pelo qual normalmente portamos mais rugas faciais que os outros.
Voltando às microexpressões, profissionais do poker valem-se de óculos escuros para esconder os olhos.
Em relacionamentos, pupila dilatada indica excitação e retraída, mentira.
Bom, agora já sabe que possui uma vantagem bem grande sobre os portadores de olhos claros, então use e abuse. Leia-os e esconda-se, jogue para vencer, porque na guerra da sedução vale tudo.

Agradecimentos: Meninas do Boticário de Santo Ângelo que se prestaram a posar para fotos mesmo ao final de um dia de trabalho, e também a Giana Matte e Krissie Soares que prontamente atenderam ao pedido de tirar uma foto no dia e me mandar.
Ao Chico e a Miriam que tiveram que ser convencidos mediante muito argumento e nenhum dinheiro.
Agradeço também ao "mala" do Giolima que editou algumas fotos, não sem brigar comigo primeiro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 08.12.2012
Corrigido/editado por Patrick Heinz



@rjzucco

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Boca cheia

Ainda tergiversando sobre o assunto falar e acrescentando uma opinião sobre o condenável ato de fazê-lo de boca cheia, vou fazer uso do exemplo de uma afilhada da minha namorada.
Estávamos passando alguns dias em companhia da vívida presença dessa menininha sapeca, que como boa curiosa e observadora criança, perguntava sobre tudo e acreditava em respostas bem fundamentadas, pois as superficiais não eram suficientes.
Então durante as refeições, sempre que alguém falava com comida na boca, ela abria o bocão de jacaré e soltava um repreensor “óoo” para a pessoa, apontando para a boca.
Esse hábito é algo tão simples e necessário que não entendo o que leva as pessoas a abandoná-lo.
Talvez eu seja um estressado inveterado, mas me irrita gente que leva comida à boca e então começa falar, com os alimentos vertendo boca afora e prato adentro, vezes na mesa, ou no colo e até nos outros.
Tem gente que está sem comida na boca, faz a chamada de atenção para o diálogo e daí então leva o talher com comida, fazendo todos terem que presenciar aquele desagradável momento de luta entre respirar, falar, mastigar e engolir. Obviamente tudo ao mesmo tempo, por vezes com engasgues, outras com silabas incompreensíveis ou mesmo aquelas que não engolem depois de mastigar deixando o alimento na garganta e falando, angustiando quem está ouvindo.
Normalmente esse começa com algo do tipo: "olha só o que me aconteceu"
Sou tão chato com isso que peço para as pessoas pararem de falar, engolir, para então depois continuar a conversa, ou ainda, quando fazem isso e estão levando o talher à boca, seguro o braço e digo, fala primeiro.
O exemplo vem da televisão, das novelas e afins.  Desafio apontarem uma novela onde haja refeição e diálogo e não tenha alguém falando com a boca cheia. Motivo pelo qual comecei a me irritar com elas 15 anos atrás e parar de assisti-las há 10.
O fato de colocar a mão na frente ou um guardanapo não torna mais educado ou menos grotesco o gesto de falar durante a mastigação.
Acontece que somos diária e permanentemente exemplos para toda e qualquer pessoa com quem convivamos. O semeio da postura de hoje será o fruto educação colhido amanhã. Precisamos ser o exemplo para nossos filhos, netos, crianças em geral, bem como para os adultos que nos admiram e que buscam em nós algum tipo de referência.
Ou seja, educação parte de nós, começa conosco. Eu faço a minha parte, mas ainda não está resolvendo, pois continuo me revoltando sempre que vejo os outros não fazendo a sua.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 01.12.2012

Corrigido/editado por Patrick Heinz
@rjzucco





rodrigo.zucco@terra.com.br