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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Grêmio punido por racismo!






Inadmissível, inaceitável, inacreditável, ultrajante, revoltante, e sei lá eu mais que outros adjetivos utilizarei para definir a decisão do STJD referente ao crime de racismo cometido por meia dúzia de torcedores.
Primeiro que agora abriu um precedente gravíssimo: torcedores de times adversários, certamente, fardar-se-ão com camisas da torcida rival, irão aos estádios e farão a maior anarquia racista só para desclassificarem o time. Esperem, isso irá acontecer com certeza!
Já estou até vendo algum corintiano fardado de santista e indo no meio da torcida deles, ofendendo o goleiro do Corintians só para ver o Santos desqualificado. Líquido e certo.
Outro ponto a mencionar nessa palhaçada toda é o depoimento do goleiro ao final do jogo. Reclamou que o chamaram de preto. Preto nojento. Preto fedido. Reclamou também de o chamarem de macaco.
Vamos pensar um pouco a respeito dessas reclamações. Chamaram ele de preto. E daí? Isso é ofensa desde quando? Até onde me lembro houve uma campanha nacional orientando os negros a responderem que sua cor era preto e não marrom. Se me chamam de branco, eu não me ofendo.
Nojento e fedido, em se tratando de xingamento de futebol, é enfeite e elogio. A torcida xinga coisas muito piores e o pobre coitadinho foi se ofender justamente com o nojento e fedido? Só eu estou vendo intenção de prejudicar um clube aqui?
Então sigamos nesse raciocínio: a torcida gremista é formada por nada menos do que 6,7 milhões de torcedores. Isso significa dizer, necessariamente, que pelo menos 6.699.990 torcedores foram prejudicados e estão sendo punidos pelos atos de... 9 torcedores racistas acéfalos imbecis.
O ato desses ignorantes foi muito além do infeliz, condeno e fomento justiça. Por mim que coloquem esses desqualificados na cadeia (já que racismo é um dos crimes mais “graves” nesse país de vergonha, mais que assassinato ou roubo de dinheiro público), mas que seja punido quem de fato praticou alguma coisa e não todo o restante da torcida e principalmente seu clube. Ora, pensar que agora um retardado qualquer faz alguma coisa e o clube que não tem nada a ver com isso sofre a pena? Quem disse que esses animais eram realmente gremistas?
Nem entro aqui no mérito da ofensa por associar a animal, pois se entrarmos nessa seara, então que seja abolida toda e qualquer analogia. Ele é uma águia. Defendeu como um tigre. Pit bull, etc.
Entendo que chamar um negro de macaco, devido a toda carga cultural que isso traz, ofende. E pensando nisso acho certo que os discriminadores sejam penalizados exemplarmente.
Agora, usar um time de futebol como exemplo? Punir 6,7 MILHÕES de torcedores inocentes? Isso está certo desde quando?
Depois as pessoas não veem relação entre política, futebol e nação. A impunidade na política gerou consequências no futebol, que é o circo e agora está pegando fogo, e serve para ludibriar e iludir a nação. O pão está acabando, o circo está pegando fogo, e o povo, que está acostumado a ver seus representantes políticos fazerem de tudo um muito e nada acontecer, queria sangue. E quem derramou foi o sangue azul tricolor. Sangue nobre.
Não poderia ser diferente, apenas um nobre para servir de exemplo.

“perdoai-vos, não sabem o que fazem” Autor conhecido pelo mundo inteiro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.09.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Despedida




 “Mastiguei a fala, negaciei a mágoa, só para ver a lágrima feliz”

Este trecho de um dos meus Chamamés preferidos resume, magistralmente, um dos mais paradoxais sentimentos que existem quando a felicidade e a alegria confundem-se, transformando em um turbilhão de pensamentos e sentimentos, algo que, de tão corriqueiro, deveria ser trivial: a Despedida.
Quando um bom colaborador sai da empresa, quando um fantástico colega troca de emprego, quando bons amigos precisam seguir outros caminhos em outras cidades, ou quando pessoas que amamos precisam quebrar os vínculos emocionais que nos prendiam a algo que não era mais apenas pura felicidade, ficamos com essa sensação de não sabermos direito em que pensar ou como agir.
Quando alguém precisa partir e, mesmo ao sabermos que o melhor para todos é que isso aconteça, relutamos em aceitar o convencional caminho da resiliência. Normalmente, sofremos, choramos, “mastigamos” a fala antes de uma despedida. Enxergamos apenas a escuridão do adeus e não a luz das novas oportunidades. Negaciamos a mágoa, para não sentirmos por completo o torpor da despedida.
Aperto no estômago e nó na garganta são os mais tradicionais sintomas da dualidade, quando precisamos nos despedir e queremos continuar perto.
Infelizmente, a vida nem sempre é clara e fácil, e nos força a aprendermos da maneira mais dolorosa e difícil. Escolher, conscientemente, algo que, emocionalmente, fere-nos é ilógico.
Afastar-se, por ser melhor, profissionalmente, mesmo querendo continuar perto por afinidades ou mesmo acomodação, não parece certo.
Romper um relacionamento, por saber que não fará a pessoa feliz, como ela merece, mesmo querendo continuar, ou até levar um “pé na bunda” (que, segundo o Renato Tobias, “ te empurra para frente”), por a pessoa não gostar mais de nós é muito mais sábio e verdadeiro do que continuar anos a fio em algo que nunca será pleno.
E, ainda assim, é difícil aceitar essa realidade cruel. Às vezes, entendemos que é o certo e o melhor, mas não conseguimos explicar ao coração, que teima em sofrer.
Lembro-me ainda dos longos anos, quando namorei a distância. Cada despedida era um tormento, e a experiência não fazia arrefecer a angústia de ter que partir querendo ficar e ter que deixar quem gostaria de levar junto.
As lembranças vão no peito e na bagagem, bem como o aprendizado e a experiência; um pedaço do coração quebrado, entretanto, sempre fica... ...na mão.
Muitos consideram a despedida uma perda; Não levam em conta, todavia, algumas perdas como ganho completo, afinal, quando se perde o que não soma, não se perde, ganha-se.
Somos crianças obliterando a racionalidade, quando se trata de sentimentos. Engatinhamos, contudo, ao encontro de maturidade e de realização, e isso torna tudo, fantasticamente, novo e desafiador, a cada instante. Feliz daquele que sabe chorar sorrindo e sorrir chorando, com a ingenuidade pura e genuína de uma criança!
PS: Chamamecero, é um chamamé de Mauro Moraes.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.08.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Felicidade explícita





A felicidade é algo que não pode ser escondido!
Por mais controlada que a pessoa seja, não há como mascarar uma alegria genuína. É um “vulcão” inconveniente com uma força hercúlea e insolente que se manifesta sem pedir licença. Entra em erupção com tanta violência e vigor que faísca através dos olhos na forma de um radiante brilho, denunciando, mesmo a quem não quer ver, o torpor interno que não pode ser confinado.
Essa felicidade também é percebida na postura altiva e lépida, no sorriso fácil que escapa por toda a face, da boca aos olhos. Nos gestos, na escolha das palavras, no cotidiano.
No mundo da corretagem, existe um jargão muito utilizado que diz: “bom negócio só deve ser anunciado depois de concluso”. Isso ocorre, pois, como esse universo é bastante hostil, quem divulga pode perdê-lo à concorrência.
O problema, nessa situação, é que, quando estamos sincera e profundamente felizes com algo, queremos espalhar aos “quatro cantos”, compartilhar com quem queremos bem, verbalizar a alegria por algo que nos alimenta a alma. E nem sempre podemos.
Lembro-me bem de um episódio que comecei a namorar com uma professora de informática. Era proibido. Se alguém soubesse, eu colocaria em risco seu cargo. Todavia, estávamos apaixonados. A vontade que eu tinha era de apresentar para meus amigos, para minha família, para meus conhecidos, para os colegas de aula e de trabalho dela. Queria, com toda a empolgação que me é característica, comentar com todo mundo, contando vantagem de que estava “pegando” a professora e que havia conquistado-a, a ponto de transformar isso em um relacionamento sério; Não podia, entretanto.
Evidente que os colegas sentiram um “clima” diferente no ar. Afinal de contas, fui aluno dela em uns cinco cursos diferentes; Alguns segredos, entretanto, precisavam continuar em segredo. E convenhamos: o que é proibido tem um sabor diferente!
Curtir aquela sensação de ter e não poder falar; de não poder e, mesmo assim, fazer; e de, sobretudo, gostar de estar cometendo uma pequena transgressão que não faz mal para ninguém e que nos faz um bem incomensurável, não tem preço.
O segredo durou até uma noite que minha mãe ficou esperando acordada até as cinco horas da manhã. Preocupadíssima! Ela achando que eu estava tendo um caso com uma prostituta. Então, para tranquilizá-la, falei a verdade, e assumimos o namoro. Nessa fase, já não era mais aluno. Confesso que não ser mais proibido tirou um pouco do encanto, porém, como ainda era início, a alegria de poder “vomitar” aquele bolo de sentimentos guardados na boca do estômago, por tanto tempo, para todos que notavam, dia após dia, minha mudança de comportamento e minha transbordante melhora de humor, obliterou qualquer tipo de arrependimento.
Um sentimento tão forte quanto esse não deveria ser privado de compartilhamento por quem quer que seja. Independente da situação, deveria ser possível manifestar a todos, repetidas vezes, para que, abobadamente, os apaixonados pudessem “alugar” os ouvidos dos “pobres” amigos (o que de fato acontece em muitos casos) com suas peripécias.
E nisso me refiro não apenas ao âmbito de relacionamentos, contudo a grandes negócios, a conquistas, a um casal que queria muito ter um filho e recebe o teste positivo, a uma nova aquisição, a uma nova empreitada, e assim por diante. Coisas que, normalmente, precisamos guardar em segredo, por um tempo que seja. Que é curto, mas, extremamente, desesperador e intenso.
Ainda assim, estar feliz com alguma coisa, mesmo que não possa ser compartilhada, é o que torna a vida tão satisfatória. É o que nos faz seguir em frente e nos abastece para seguirmos firmes em frente. Sendo assim, deixo aqui o meu “call to action”: “Faz aquilo que te faz feliz. Busca a felicidade, a qualquer custo. Faz, até não teres mais energia. Curte perder o sono. Goza! Só assim terás o brilho no teu olho, para encantares teus netos, contando sobre tua vida. E guarda segredo, quando for preciso, ao menos até encerrar o negócio.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.08.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Gatos pretos



Você já ouviu falar em TED?¹
Ouvindo uma palestra do TEDx Braga de Miguel Gonçalves, falando sobre empreendedorismo (entre outras coisas), fui surpreendido ao perceber que uma das coisas que mais demorava para explicar foi facilmente sintetizada pelo palestrante.
Ele usou o fabuloso exemplo de gatos pretos, que, como foi muito feliz, reproduzo trazendo minha visão do assunto.
Começa citando que a ciência procura gatos pretos em quartos pretos. E aqui podemos definir ciência como a parte racional e lógica. É quando ficamos pensando a respeito das coisas e tentamos encontrar soluções para qualquer tipo de problema. Mas, veja, gatos pretos em quartos pretos são difíceis de encontrar, embora não impossível. Essa dificuldade serve justamente para enfatizar que o problema não é simples de ser resolvido. Afinal de contas, procurar um gato escuro em um ambiente onde não se enxerga nada não é algo que qualquer pessoa se disponha a fazer.
Depois vem a psicologia que procura gatos pretos, em quartos pretos, onde não há gatos pretos. Ou seja, procura coisas onde elas não existem. Tenta criar algum tipo de relação que normalmente a pessoa não sabia que existia e, muitas vezes, necessidades que nem sabia que existiam. Não estou falando mal da psicologia, pelo contrário. Procurar um gato preto, em um quarto preto, onde não há gatos pretos, é sem dúvida uma tarefa para quem tem vocação e persistência. Chega a transformar o tradicional exemplo de agulha no palheiro em algo risível.
Mas o principal de tudo que é o motivador deste texto é PROCURAR GATOS PRETOS, EM QUARTOS PRETOS, ONDE NÃO HÁ GATOS PRETOS, E ENCONTRÁ-LOS!
Veja, procurar um gato preto em uma sala escura já é difícil. Não havendo gatos pretos nessa sala é impossível encontrá-lo, certo? E quando o gato não está lá e se encontra? Milagre?
Não. Isso é gerar oportunidades de negócios. Isso é ser empreendedor! É pensar fora da caixa. É não ficar reclamando das dificuldades.
Qual o grande diferencial dos empresários de sucesso? Além de todos serem meio loucos, eles costumam enxergar oportunidades onde os outros vêem dificuldades. Eles conseguem ver em um mercado onde ninguém vislumbra possibilidade de inovação, alguma alternativa inovadora. Uns chamam de tirar leite de pedra. Outros chamam de tino comercial. Ainda tem gente que chama de sorte. Na verdade essa característica não é tida apenas por empreendedores. Ocorre que normalmente é mais bem remunerada nessa área.
Profissionais do marketing/publicidade, os conhecidos como panfleteiros ou os caras do banner, são excelentes exemplos de quem pensa fora da caixa e costuma encontrar soluções e pensar em ideias onde ninguém mais acredita. Eles fazem crescer uma flor no deserto ou no asfalto, sem semente nem água. Conheci em Santo Ângelo três pessoas que exemplificam bem essa raça. O primeiro e principal foi o meu irmão Ricardo Zucco. Todos que o conheceram sabem o que quero dizer quando falo em potencial criativo sem fins lucrativos e sem responsabilidade. De longe a mente mais criativa que já tive a oportunidade de conviver. Cito também Renato Tobias, da agência T+T, louco. E para finalizar, Jeferson da Buenas, dos três o mais competente em rentabilizar ideias.
Claro que além do marketing e do empreendedorismo existem muitos outros tipos de pessoas e de perfis que conseguem enxergar oportunidades onde teoricamente elas não existem, ou mesmo criá-las e é isso que defendo. Não se dê por vencido frente a qualquer dificuldade que seja. Algum tipo de solução existe, mesmo que tenha que ser inventada.

1 - TED (acrônimo para Technology, Entertainment, Design; em português: Tecnologia, Entretenimento, Design) é uma fundação privada sem fins lucrativos dos Estados Unidos mais conhecida por suas conferências na Europa, Ásia e Estados Unidos destinadas à disseminação de ideias. Segundo as palavras da própria organização, "ideias que merecem ser disseminadas". Suas apresentações são limitadas a dezoito minutos, e os vídeos são amplamente divulgados na Internet.
O grupo foi fundado em 1984, e a primeira conferência aconteceu em 1990. Originalmente influenciada pelo Vale do Silício, sua ênfase era tecnologia e design, mas com o aumento da popularidade, os temas abordados passaram a ser mais amplos, abrangendo quase todos os aspectos de ciência e cultura. Entre os palestrantes das conferências estão Bill Clinton, Al Gore, Gordon Brown, Richard Dawkins, Bill Gates, os fundadores da Google, Billy Graham e diversos ganhadores do Prêmio Nobel.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.08.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Das crianças nos adultos


Lendo um livro clássico e tido por muitos como infantil e superficial, mas que na verdade é um dos mais simbólicos, complexos, profundos e subjetivos que existem no mundo, sendo o terceiro mais traduzido perdendo apenas para bíblia e mais um, percebi algumas frases que fazem um sentido imenso em minha vida, e que certamente explica muitas coisas.
Hoje compartilharei apenas um pedaço, mas em outras oportunidades trarei a pauta outros trechos. O livro? O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry. Tenho certeza que haverá identificação de sua parte também!
Quem me conhece sabe que estou sempre brincando, fazendo trocadalhos, exercitando a criatividade, falando coisas subjetivas e com duplo significado. Gosto disso e sempre acreditei que era por exercitar o cérebro, por forçá-lo a funcionar o tempo inteiro, por me desafiar um pouquinho em cada coisa.
Hoje, depois de reler esta obra prima, percebi que esse até pode ser um dos motivos, mas o fato é que minha criança interior sempre falou mais alto.
Eu brinco o tempo inteiro, mesmo em assuntos sérios, e isso não faz com que eu trate a situação com menos seriedade ou que considere o assunto fútil. Os adultos não entendem que não precisa ter hora para brincar depois que se cresce. E ainda dizem que não é hora de brincar ou que o assunto é sério. Como assim? E criança adulta tem hora para brincar e ser feliz? Principalmente as crianças que tem um universo inteirinho só para elas, nosso infinito particular interior.
Dia desses minha cunhada disse que “eu não sou de Deus” pois em meio a um assunto sério onde todos estavam com aquele tom grave, eu larguei uma brincadeira. Fiquei feliz em constatar que a criança dela ainda está viva, pois sorriu.
É triste notar que quanto mais “adultas” e ocupadas, quanto mais responsáveis e atarefadas, mais as pessoas deixam sua criança interior morrer... E morre de inanição.
Muitos já nascem com crianças doentes dentro de si, mas a grande maioria vai a matando à míngua. No meu caso, tenho uma criança morbidamente obesa. Muita gente cansa, se irrita, se afasta, não entende e faria muita coisa para calar essa cria infernal que não para.
Os exemplos mais clássicos que tenho quanto a diálogos entre minha criança interna e os outros são as piadas e os trocadilhos gerados na hora, provocados por algum acontecimento do momento. Os adultos simplesmente não entendem. Nunca entendem. “Eles tem sempre necessidade de explicações” e ainda assim, os que estão com suas crianças interiores doentes, não acham graça. Nem se permitem desfrutar.
“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando”. Eu sempre achei frustrante contar uma piada, explicar a piada, desenhar a piada e no final a pessoa ainda não achar graça, o que é natural devido a toda explicação. A piada mais interessante é aquela que com apenas 20% e os outros já entenderam e todos riem juntos. Nesse ponto não conheço gente melhor que os bebezões do TI. Essa trupe tem um raciocínio preparado para entender as coisas rapidamente e poucos não tem uma criança bem arteira dentro de si. Programar e desenvolver normalmente está relacionado com curiosidade e atrevimento, coisa que as crianças tem de sobra.
Divertir-se com pequenas coisas, com muitas coisas, consigo mesmo, divagar, brincar, interagir, imergir-se num mundo fantástico só seu e ainda assim ser feliz.
E para concluir reforço, alimente sua criança, fique velho sem envelhecer, não julgue nem condene ou critique as crianças nos outros. Quando alguém que possui sua criança bem ativa se aproximar, redobre a atenção e se permita aproveitar. Não os faça explicar, seja criativo, viaje.
E para quem não leu o livro, a imagem acima está explicada abaixo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 02.08.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Atirando aos Leões II




Os cativos leitores de meus textos sabem que um dos principais propósitos na escolha dos assuntos é justamente instigar e provocar o leitor a redarguir. A possibilidade de ser desafiado por alguém que pensa diferente, de contrapor, de argumentar e, oxalá, de convencer-me que determinado ponto de vista é falho, definitivamente, excita-me.
Um dos textos por mim escritos - “Atirando aos Leões” - foi contraposto por uma das minhas mais fiéis leitoras. E o foi feito de maneira magistral. Tanto que, em um espaço aonde tradicionalmente traço continuações, hoje venho para voltar atrás.
Em “Atirando aos Leões”, fomentei que as pessoas enfrentassem seus medos, que se atirassem aos leões, para que pudessem experimentar-se, conhecer-se, enfrentar-se e, finalmente, atingir um resultado positivo e diferenciado em suas vidas.
Depois da conversa com a leitora que se sentiu preocupada e incomodada, a ponto de se prontificar em passar um bom tempo redarguindo comigo, mudei de opinião.
Ser atirado aos leões exige uma grande quantidade de pré-requisitos que a avassaladora maioria dos humanos não os possui. Conversando com essa iluminada e paciente mente, entendi que é impossível querer que todas as pessoas permitam-se agir dessa forma e ter a tal atitude.
Um humano convencional possui uma determinada base emocional suficiente para que todas as suas escolhas sejam suportadas e administradas. Caso algo extrapole essa base, aparecem doenças psicossomáticas, alterações no apetite, estresse, insegurança, ...
Esse nem é o principal problema. Para ser atirado aos leões, é necessário que se tenha uma forte estrutura e organização mental. É basilar que tudo, nessa seara, seja bem sólido e firme.
Caso um humano seja atirado aos leões contra sua vontade e não tenha a estrutura mental necessária para enfrentar algo desse nível, o resultado pode ser extremamente danoso.
Isso é tão sério que, se alguém que não tenha estrutura para enfrentar-se, permitir-se, conhecer-se, desafiar-se, seja atirado aos leões, pode ser devorado por eles.  E, quando digo ser devorado, refiro-me a gente que, quando colocada a prova (provas internas e profundas), desorganiza-se tão profunda, tão drástica e tão complexamente em sua base mental, bagunça tanto suas ideias e seus pensamentos, que não terá condições de reorganizar-se.
São pessoas que se suicidam, que rompem o elo com a realidade e enlouquecem, que viram drogados, alcoólatras, etc. O choque é tão forte e poderoso que, quem não tem estrutura para agüentar, desorganiza-se a ponto de não conseguir reestruturar-se novamente: Jamais!
Até escrever o primeiro texto, ficava indignado com as pessoas “mornas” que passavam a vida inteira em suas zonas de conforto e tinha comichões por atirá-las. Em toda e qualquer oportunidade, fomentava que o fizessem por si e quando não acontecia – a maioria dos casos, diga-se de passagem – eu ficava ainda mais revoltado.
Continuo não me conformando com pessoas acomodadas e mornas, mas agora não pretendo mais jogá-las, por saber que muitas realmente não conseguiriam. Hoje, entendo que, se fizesse o que havia proposto no primeiro texto, mais de 80% dos humanos ou morreriam ou enlouqueceriam.
O que não significa que devamos nos aceitar resilientemente. Precisamos sim buscar melhoria contínua e testar nossos limites até o máximo. Ocorre que agora entendo que há um limite e que ele é individual. Meu limite é diferente do seu.
Aquelas pessoas que não querem melhorar, que não querem conhecer-se, nem se experimentar, continuam tendo meu desrespeito. Afinal de contas, quem está acostumado a caçar leões jamais convidará quem sequer tenha coragem de caçar ovelhas para passar uns dias em seu habitat.

“Pior do que você querer fazer e não poder é você poder fazer e não querer.” Autor desconhecido.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 26.07.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Reflexo do governo




Eventualmente alguns vídeos, chamados virais, se destacam mais que outros nas redes. Essa semana vi um onde um rapaz, bem vestido, bem nutrido (pançudinho), com fone de ouvido e tatuagens, abordou uma série de pessoas em um Shopping Center e pediu um pedaço da comida delas.
Alegou que estava com fome e pediu um pedaço do que estavam comendo. O resultado foi o mais óbvio, eles não deram.
O processo se repetiu várias vezes e o resultado se manteve inalterado. Depois a equipe que estava filmando foi até um mendigo e perguntou se ele estava com fome. Ele respondeu que sim. Então lhe deram uma caixa cheia de esfihas. Enquanto o mendigo comia, o mesmo cara com fone o abordou perguntando se podia pegar uma esfiha, que ele estava com fome. O mendigo assentiu.
Este gesto do mendigo, que não tinha nada e ainda assim deu de comer a um estranho fez todo mundo achar o máximo e compartilhar aos montes o tal vídeo.
Percebam que isso é reflexo do governo assistencialista. Agora, depois de tantos anos, as pessoas acham que o certo é dar. Se alguém pediu é porque tem fome. Negar é errado. Tem que dar ao pobre playboyzinho que disse estar com fome. Afinal de contas, se você trabalhou e tem dinheiro para compartilhar com quem não trabalha e “precisa” é seu dever fazê-lo. É o certo. Imoral não dar.
Mendigos - quem já viu sabe - quando recebem mais comida do que querem, dão uma ou duas bocadas e abandonam o resto. Não guardam para comer depois ou dizem que não precisam. Colocam fora com o maior desdém. E ainda pessoas manipuladoras de opinião e tendenciosas ousam me dizer que aquele parasita social tem mais moral e valores do que eu?
O cara que não está aí para nada, que não quer trabalhar, não quer tomar banho, não quer responsabilidades, não quer nada de nada (testem oferecer trabalho por comida e verão que digo a verdade) é o certo e eu que corro atrás dos resultados sou o errado?
Percebem que há aqui uma profunda e grave inversão de valores oriunda dessa podridão assistencialista provocada pelo governo PT desde que Lula assumiu a presidência?
Isso é mais do que grave. São duas gerações influenciadas pelo mau exemplo. São valores que se impregnaram no DNA e que não serão corrigidos com facilidade. Se é que um dia serão.
Por que, afinal de contas, eu, que trabalho, estudo, produzo, gero riqueza e faço a máquina econômica girar, TENHO que dar comida a qualquer vagabundo que venha me pedir?
Prefiro infinitamente auxiliar pessoas que queiram fazer algo, que queiram produzir e se ajudar. Prefiro dar o exemplo a crianças, carentes ou não. Prefiro acreditar com esperança que algumas pessoas têm salvação e que meu exemplo pode servir como modelo para algum infante, quem sabe um dia, escolher o caminho do esforço e não o da preguiça.
Uma vez fiz um projeto em Porto Alegre chamado “Semeando Diversão” onde o objetivo era proporcionar um dia de alegria para as crianças de alguma comunidade.
A proposta era diferente do convencional. Normalmente as instituições ou grupos adotam determinada comunidade e sempre levam ou comida ou agasalhos, mas dificilmente levam algum tipo de lazer, conforto emocional, diversão, etc.
Juntamos um grupo que pensava parecido, conseguimos arrecadar fundos com rifas para comprar brinquedinhos, mais algumas doações, ganhamos também umas 3 centenas de cachorros quentes – afinal de contas festa de criança tem que ter – e mais balões e insumos para “tatuagens” e maquiagens na pele.
Demoramos bastante tempo para encontrar uma comunidade onde os próprios membros dissessem que ali valia a pena e que o pessoal ainda tinha chance de enxergar o lado bom das coisas. Então fomos com a esperança de pelo fuzuê e felicidade provocar esperança nas crianças e quem sabe até ser exemplo.
Voltando ao assunto, não demos apenas comida, passamos o dia com eles, convivemos com eles, brincamos, conversamos, entendemos, ensinamos, aprendemos, nos divertimos e semeamos a diversão e a esperança nos corações de alguns, que certamente não esquecerão esse dia tão cedo.
E daí vem algum demagogo hipócrita me dizer que os valores daquele playboyzinho do vídeo são mais corretos? Baseado em que? Em não alimentar parasitas sociais que coagem as pessoas por dinheiro?
Muito cuidado com seus filtros, pois possivelmente você está entrando na onda petista de pensar antes nesse bando de sanguessuga do que em você e na sociedade ideal que gostaria que existisse, ou seja, a que beneficia o mérito.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 19.07.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Whatsapp

Antigamente havia comunidades no Orkut, depois grupos e chats com várias pessoas no face. Agora a febre é dos grupos no whats.
Vejo que esses grupos evidenciam o que há de pior nas pessoas. Mostra o lado vazio, o sarcasmo, a falta de inteligência, a falta de atenção, falta de cultura, falta de raciocínio, falta de companhia para conversar, falta de vocabulário, falta de noção...
Época de copa, muitas pessoas com a família e/ou amigos assistindo ao jogo, mas o celular “bombando”. Apito a cada segundo informando um novo comentário super descolado e engraçado a respeito do jogo. Se não for do jogo, é sobre novela, ou sobre a chuva, o frio, o calor, a xuxa, o que quer que seja desde que superficial, é comentado.
O que me frustra e me chama atenção é que as pessoas integrantes desses grupos, de fato gostam desses comentários vazios e superficiais. São os que falam do bumbum do hulk no jogo da seleção, ou do gol perdido pelo Fred que até a vó do fulano faria, ou mesmo aqueles vídeos (suuper) engraçados e cultos que muitos compartilham e sorriem e divertem-se.
Ora, alguém da minha turma que passa o dia em função desse tipo de troca de “informações”, absolutamente vazias e rasas, num pseudo-autismo social, definitivamente não me serve como amigo. No máximo conhecido com convivência eventual. (sim, nesse ponto sou terrorista. Não passou no crivo, abandono sem remorso)
Amigo é aquele que está ali para interagir comigo, conversar, jogar alguma coisa e principalmente, trocar ideias, formar opiniões, pensar junto, debater, instigar, desafiar, aprofundar, acrescentar de alguma forma qualquer que seja.
Esse tipo de relacionamento sim vale a pena investir.
Um dos hábitos mais débeis da atualidade é ficar replicando, rindo, comentando e gostando, durante o dia todo, sobre as mais fúteis atrações. Acompanhe o raciocínio comigo. Você está dando mais atenção às mais banais atualizações de seu grupo, de assuntos absolutamente pobres? Então significa que sua vida e tudo que a preenche, necessariamente é menor que isso.
Fosse de outra forma, certamente a atenção estaria focada em coisas mais enriquecedoras. A dica que fica é: será que sua vida é tão preenchida quanto você pensa que é? Será que seus amigos são bons como você sempre acreditou? Será que VOCÊ não está bem abaixo do nível intelectual que julga estar? Será que você, quem sabe, não esteja na mesma linha de pessoas com baixíssimo nível cultural e intelectual que invariavelmente já se pegou criticando?
Pessoas que se contentam com mesquinharias e conteúdo abaixo da mediocridade, necessariamente precisam estar inseridas nesse nível. Alguém de nível intelectual positivamente diferenciado, jamais se conformaria em coexistir social e intelectualmente com pessoas sem estudo, sem educação, sem conteúdo, sem raciocínio, sem algo para ser trocado.
Pense bem, seu grupo lhe instiga? Provoca? Acrescenta? Ou apenas vomita em seu mural um monte de bobagens que atrofiam seu raciocínio?
Reflita sabiamente a respeito do resultado final desse tipo de influência sobre você. Ela existe e é bem latente.
Sua postura frente a um simples grupo reflete bastante sobre você (comportamento se repete). Está buscando ascensão? Pretende ficar estagnado? Não se importa em regredir como desculpa para descansar?
Olhe para seus grupos e o tempo que despende em cada um deles com mais atenção a partir de hoje.
E para encerrar, antes que me crucifiquem, quero dizer que não sou contra o Whatsapp, nem seus grupos ou conversas. Sou absolutamente a favor de caminhos que facilitem a aproximação entre as pessoas, mesmo que virtual. Sei que muitos grupos são fantásticos e acrescentam bastante, diminuem distancias e provocam debates extremamente produtivos. Esse tipo de prática é válida e recebe meu apoio. Tenho certeza, no entanto, que essas pessoas que passam o dia trocando mensagens em grupos, não acrescentam. É impossível ser tão produtivo e criativo por tanto tempo, além do que, enquanto estão no celular, não estão produzindo profissionalmente, o que consequentemente evidencia falta de comprometimento e irresponsabilidade.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 05.07.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Filosofia de copo





Você tem algum amigo irritantemente animado e empolgado? Alguém que se empolgue com chuva, com sol, com tempo nublado, com comida, com junção, com qualquer tipo de jogo, ficar sozinho, em turma...
Conhece alguém que consiga achar pontos positivos em tudo que faz? Em todas as situações? Até quando alguém morre pensa em algo positivo, como parar de sofrer ou algo que o valha?
Pois é, esse cara sou eu. Sou tão empolgado, entusiasmado e animado que as vezes meus amigos reclamam e mandam eu ficar quieto, diminuir o ritmo. Chegam a falar que é tanta energia que chego a cansar as pessoas. Pode isso?
Resultado disso é que tenho várias turmas, e estou sempre providenciando algum tipo de função com uma ou outra.
A vida inteira me considerei um otimista, alguém que vê o copo sempre meio cheio. Mesmo com tanta gente vendo o copo sempre meio vazio. Ficar cercado por gente negativa é algo que cansa até o mais empolgado.
Mas filosofando sobre uma frase que aprendi em um dos cursos que fiz, que casualmente saiu de alguém que não sei exatamente quem, fiquei pensando... Será mesmo que sou eu que vejo o copo meio cheio e os outros que o veem meio vazio? E se na verdade a quantidade de água seja a suficiente para preencher o copo independente de como o vejamos?
Hoje já me questiono se quem sabe não seja o copo que esteja no tamanho errado, afinal de contas erro de avaliação é muito mais comum do que imaginamos.
E se o copo for exatamente na medida ideal para caber toda a água que precisamos? E se achamos que precisamos de um copo muito maior do que na verdade precisamos para satisfazer nossa necessidade? Já ouviu alguém reclamar ter agua demais para copo pequeno? Ou muita agua para pouca sede?
Reforço aqui que na verdade é tudo uma questão de perspectiva. Pelo meu ponto de vista hoje, a água é a mesma para todos, mesma medida e tudo, bem como a sede. O que muda na verdade é a maneira como enxergamos  necessidade de copos maiores.
Quem entende de eneagrama, sou tipo 7 com galho 1. Para mim tudo vai dar certo no final. Tudo está na medida. Realmente não fazia sentido ter a metade do copo vazio e ficar glorificando metade, independente se ela seria suficiente.
Hoje entendo que tudo pode ser tão bom quanto precisamos, precisamos é ajustar nossa percepção para ver tudo de forma positiva e não de forma negativa. Depois que comecei, é só alegria. E quando penso que não pode melhorar, me surpreendo. Acredite, sempre fica melhor.
Sem pontos negativos? Sem coisas ruins? Claro que não. Infelicidade faz parte da vida. Nem toda água tem a temperatura que desejaria, ou o sabor exatamente esperado, mas isso não significa que não seja tão boa quanto precisava que fosse.
Entenda que o copo é do tamanho ideal para a agua e que sempre está cheio. Foco na água e bola pra frente!


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.06.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O tempo não cura!

O tempo cura tudo! Nada como o tempo para acalentar a dor e curar as feridas! Certo?
Será?
Sempre ouvi em variadas situações as pessoas falarem do tempo como se fosse um remédio milagroso. Um bálsamo que cura as intempéries do corpo, da mente e da alma.
Acontece que o tempo é o maior exemplo de democracia que existe no universo. Ele é o mesmo para todos e passa da mesma forma. Todos possuem as mesmas 24 horas no dia. O sol nasce para todos.
Então o que muda?
Atitudes mudam o curso de sua vida! E o fazem de maneira radical.
Fico pensando que se o tempo fosse uma entidade consciente, estaria absolutamente revoltado com toda a população que coloca sobre seus ombros a responsabilidade de fazer algo que elas mesmas deveriam.
Sei que alguns demoram mais para digerir certas intempéries que outros, e isso faz parte da maravilhosa massa viva chamada humanidade. Muitos ficam esperando que o tempo as cure durante... uma vida inteira(!), para no fim morrerem tristes. E o tempo?! Não curou.
Falando não do tempo cronológico, mas do filosófico agora. Citando o exemplo da morte. Algumas pessoas alegam precisar de mais “tempo” para superar algo. Tempo? Esse espaço existente entre o início e o fim do sofrimento, que para alguns pode ser absolutamente intenso e até infinito, é só o período necessário para que as influências de outras pessoas, casualidades, coincidências e tudo mais que faz parte da vida AJAM de forma a arrefecer esse sentimento profundo de vazio. Tanto é verdade que se o tempo realmente curasse, não existiriam pessoas que ficam até o fim da vida em luto, na inércia atormentadora do sofrimento. O “tempo” não entra dentro de você e faz algo mágico acontecer. São ações.
Outros tem um pouco mais de sorte ou competência, e aceitam ajuda ou mesmo resolvem agir para mudar seu estado lânguido de sofrimento e autopiedade.
É consenso que não há como seguirmos sempre em frente no mesmo ritmo, com empolgação e otimismo, mesmo quando coisas realmente ruins acontecem. Mas daí até o ponto de ficarmos esperando que o tempo cure enquanto passivamente assistimos a vida passar perante nossos olhos não é uma opção inteligente.
Quem acredita realmente que o tempo cura, não está considerando todas as pessoas envolvidas na vida de quem está sofrendo.
Esse agir de quem compartilha nossas vidas muda necessariamente o curso de nossos dias, fazendo com que novos resultados sejam apresentados. Esses novos resultados acabam transformando nossos pensamentos e sentimentos e quando isso acontece, pronto! As pessoas dizem que o tempo curou.
Pena não curar cegueira também. O tempo não cura! Se algo precisava ser superado, se alguma página precisava ser virada, algum novo passo tomado, alguma nova decisão enfrentada, isso foi porque alguém teve a atitude de fazer. Mesmo os indolentes precisam ter a atitude de aceitar as ações de outras pessoas. Mesmo para a resiliência a atitude é evocada.
Quantos casos conhecemos de filhos que herdaram as mesmas coisas dos pais, com o mesmo tipo de criação e condições, e um prosperou e outro não? Quantas pessoas saíram do nada e se tornaram exemplos a serem seguidos? Ao passo que outros tinham tudo e acabaram na infelicidade/miséria? Uns souberam usar sábia e produtivamente o tempo, outros o desperdiçaram debilmente.
Enquanto alguns se consideram cansados demais para fazer algo diferente de assistir tv e novela, outros se qualificam, leem, estudam e correm atrás.
Então daqui para frente, lembre-se sempre de que o tempo é igual para todos e que sua atitude é o que define quanto tempo demorará para conseguir algo. E que aguardar que algo suma ou passe com o tempo pode acabar lhe matando... à míngua.
A vida é uma só, é agora e só depende de você. Sua felicidade depende de suas atitudes. Faça por merecer, pare de colocar suas responsabilidades em coisas abstratas e seja feliz!
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 21.06.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br