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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Voto democrático

Época de eleição e a propaganda eleitoral fazendo o possível para convencer a população a “exercer o seu direito” de votar. Ocorre que isso não é um direito, é uma obrigação! Uma imposição! Algo que eu sou obrigado a fazer independente de querer ou não, e sob pena de ser multado, ou mesmo ter alguns direitos cerceados, caso não exerça esse “direito”.
Entendo a importância do voto e sei que esse é o melhor caminho para iniciarmos a mudança tão necessitada por essa nação de valores deturpados.
Pela maneira como as coisas são hoje, quem não vota e/ou não o faz conscientemente não tem direito (ao menos não moralmente falando) a reclamar do que quer que seja de quem foi eleito para ser representante do povo.
E se formos parar para pensar, mesmo que o voto fosse facultativo, o raciocínio seria o mesmo. A única diferença é que teríamos o direito de protestar, não votando. E os políticos iriam ter que se esforçar um bocado mais para conseguir o voto da população.
Aliás, o voto é, na minha opinião, o grande calcanhar de Aquiles de todo o nosso sistema eleitoral. Os políticos se corrompem por ele, corrompem seus eleitores em troca dele, fazem o possível para manterem-se no poder, e acabam distorcendo tudo de bom que isso poderia proporcionar, que é colocar um representante do povo no governo.
Falando nisso, colocar pessoas que mal sabem ler ou escrever, que não tem qualquer formação e que sobretudo não entendem porcaria nenhuma de leis, para – PASMEM – fazer leis, é uma das coisas mais insanas que já vi.
Depois ainda têm a hipocrisia de não entender por que o Brasil não vai pra frente, por que há tanta impunidade e corrupção e tanta coisa errada.
O povo não tem preparo, nem estudo, nem discernimento e muito menos qualificação para colocar em cargos tão importantes que definirão o futuro da nação pessoas qualificadas. Então elegem qualquer um e tudo fica cada vez pior.
Estamos chegando a um ponto onde a ignorância impera mesmo nos mais esclarecidos. E como uma coisa alimenta outra, cada vez escolhem pior os representantes (e aqui reforço, os legisladores) que não colaboram com o povo, não investem em leis ou programas de incentivo à educação, que acarreta em povo mais ignorante e menos esclarecido, que novamente vota com a barriga ou qualquer outra parte do corpo que não o cérebro.
Bom, como somos OBRIGADOS a votar, então que façamos de forma consciente e pensando no melhor para todos. Sempre deixei claro em muitos textos minha posição contrária a atual situação e não vou nesse caso servir de cabo eleitoral para ninguém. Só acho que alguém que acha que o Brasil está bom como está precisa de tratamento psicológico severo. O nosso país precisa mudar e urgente.
Vote consciente, pense no futuro, escolha seu candidato de acordo com seus ideais e vamos transformar o mundo fazendo a nossa parte no que nos cabe, mesmo que nas pequenas coisas, desde a simplicidade de votar até a magnitude de dar um exemplo correto ao mundo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.10.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Mamangava




“Não se trata do quão forte você é e sim do quão forte e capaz você se considera frente as adversidades e desafios”
Li essa frase em um filme que citava muitos escritores, e infelizmente não encontrei o autor, mas a utilizo para iniciar o texto introduzindo um dos assuntos que mais insisto em defender: ATITUDE.
Vi muita gente nessa vida que mesmo sendo fisicamente forte, acovardava-se para uns mais magrinhos. Vi pessoas capazes, competentes e inteligentes que se apequenavam frente a alguma adversidade.
Vi colegas franzinos baterem em grandões fortes, vi garotos desprovidos de beleza conquistando a mais bonita da festa, vi o mais esforçado vencer o mais inteligente, vi a equipe mais capaz sucumbir a mais empenhada e aguerrida, e vi também muita gente boa desistir antes de sequer tentar.
Pessoas que não se consideram capazes de conseguir alguma coisa, às vezes nem tentam, quando em muitos casos era apenas o que precisavam. Quantas vezes me chamaram de sortudo e na verdade apenas o que tive que fazer foi tentar.
Um bom exemplo é a fábula da Mamangava. “Foi estabelecido cientificamente que a mamangava não pode voar. Sua cabeça é grande demais e suas asas pequenas demais para sustentar o corpo. Segundo as leis da aerodinâmica, ela simplesmente não poderia voar. Mas ninguém disse isso à mamangava. E assim ela voa”.
Acreditar em si mesmo, considerar-se forte e capaz, não é apenas um passo qualquer, é o passo mais importante. O primeiro passo! Não há como conquistar algo sem sequer tentar. Sem acreditar-se capaz. Sem visualizar-se conseguindo. Obviamente que nem sempre se consegue o que se deseja, mas certamente nunca se consegue quando não se tenta.
É preciso ter espírito inquieto para angariar conquistas nessa vida e quando penso nisso sempre me lembro de uma das mais ousadas versões de Rádio Blá do Lobão (um dos roqueiros com espírito mais inquieto que conheço) que diz:
“Cercada de KLB, Luan Santana e outras drogas
Quem pensaria que ela só quer F****
Reconheço que ela me deixa de P** D***
Sou louco por ela e não sei o que falar
O que eu quero é que ela quebre a minha rotina
Que fique comigo e deseje me amar”

A letra reflete bem a decepção com as modas contemporâneas, a surpresa do inusitado, o prazer pelo que se gosta, a vontade de conquistar, o desafio de conseguir algo que não se sabe como, a clareza do que se quer e a sinceridade frágil de um sentimento genuíno. Ser consciente de toda essa informação e não fazer algo a respeito, mata. O que justifica a necessidade da ação.
Ter tudo isso claro, entender todos os processos do que é importante e o que lhe move, saber aonde quer chegar, percebendo agora a necessidade de agarrar a felicidade com as próprias mãos, de ir atrás com a gula de um obeso e o desespero de uma criança perdida, praticamente lhe expulsam da zona de conforto fazendo ter ATITUDE.
Afinal de contas, imagem não é nada, ATITUDE é tudo. Enquanto não houver uma imagem clara e consciente de que independente de o resultado real ser o ideal, a maneira como nos enxergamos seja, a montanha já viajou metade do caminho até Maomé.
Agigante-se frente às adversidades. Sempre dá tempo, há como fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, é possível acumular tarefas, sua mente aguenta muito mais do que você imagina. Antes de pensar derrotistamente, mesmo sabendo que é difícil, experimente acreditar ser capaz e compartilhe no final o resultado.
Sei de pessoas que como eu fizeram coisas que nem sabiam ter condições de fazer. Funciona.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.09.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Empresários



Venho conversando com algumas pessoas a respeito da “classe” de empresários.
Como é frustrante perceber que as pessoas não têm a menor ideia de como é a vida de quem administra uma empresa e empreende.
Aos olhos de quem sequer se presta ao trabalho de um mero exercício mental de raciocínio básico, os empresários são opressores, exploradores, seres malignos os quais utilizam de todo o seu poder financeiro e de toda a sua força coercitiva para sugar até a última gota de suor dos pobres trabalhadores que pagam o sustento do luciférico proprietário.
Na verdade, o que ocorre é o contrário. Quem paga as contas dos colaboradores é o empresário que, mediante o lucro da sua empresa, arranja meios de expandir seu negócio e contratar mais gente. Esse processo faz a roda girar, aquecendo o mercado. Gente empregada, necessariamente, implica mais injeção de dinheiro circulando no mercado, o que faz aquecer a economia e fomentar o consumo.
Experimente viver em uma cidade apenas com servidores públicos, sem empreendedores para ver o que acontece. Consegue imaginar uma cidade sem padarias ou mercados? Essa classe é a responsável pelas evoluções. Uma sociedade sem empresários e sem empreendedores é uma massa estagnada fadada ao fracasso.
Sem empresários não há investimento, e sem investimento não há renovação, nem melhoria, tampouco acréscimo em qualidade e em conforto.
A vida desse povo não é fácil. Quando tenta auxiliar algum colaborador, acaba sendo alvo de algum processo trabalhista. Se não tenta ajudar, arca com um custo de “turn-over” alto.
A maioria recebe um rótulo de pessoa de sorte, ou de alguém que não se esforçou e ganhou tudo dos pais. Quem fala isso não sabe quanto um empresário trabalha. Principalmente os bem sucedidos. Manchas na pele de stress, olheiras, doenças por causa de estafa física, no mínimo 18 horas por dia ininterruptas de trabalho, pesado investimento em cursos de atualização e de capacitação, para depois vir alguém sem o mínimo perfil, a mínima inteligência, a mínima energia, a mínima determinação e mínima competência falar mal do que é feito.
Se acha que está mal feito, então por que não faz melhor? Se é tão fácil, por que não foi lá e fez? Apontar e falar mal é muito simples, entretanto fazer melhor, ou mesmo, fazer, é bem diferente.
O empreendedor é quem faz até o fim, é o que tem coragem de tentar, aquele que erra e não desiste, vê as oportunidades onde outros veem problemas e dificuldades, sabe ler as tendências de mercado, faz com paixão, sonha e faz brilhar.
Enquanto muita gente perde tempo falando mal, descredibilizando a classe que mais alavanca o desenvolvimento, outros tentam fazer a sua parte para tornar a realidade, positivamente, diferente.
Sugiro a quem sempre viu os empresários com maus olhos que pensem antes de apontar defeitos nas próximas vezes. Reflitam e tenham a ínfima capacidade cognitiva para entender que aquela proposta, certamente, trará algum tipo de retorno à população. Chega de falar mal do que está sendo feito, por achar que outra coisa mereceria maior atenção. As prioridades de quem picha e fala mal, certamente, não são as mesmas de quem está fazendo algo para melhorar. Ao invés de boicotar o que está sendo feito – o que não só não ajuda, como atrapalha – colabore, produtivamente, para fazer as coisas acontecerem e seja competente em convencer quem está fazendo algo de que a próxima causa deveria ser a sua ideia.

PS.: Considera - se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. (art. 966)
“Empresário é a pessoa que toma a iniciativa de organizar uma atividade econômica de produção ou de circulação de bens e serviços.”
“Empreendedorismo é o principal fator promotor do desenvolvimento econômico e social de um país. Identificar oportunidades, agarrá-las e buscar os recursos para transformá-las em negócio lucrativo. Esse é o papel do empreendedor.

Empreendedorismo é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto (técnico, científico, empresarial). Tem origem no termo empreender que significa realizar, fazer ou executar.

O empreendedor tem como característica básica o espírito criativo e pesquisador. Ele está constantemente buscando novos caminhos e novas soluções, sempre tendo em vista as necessidades das pessoas. A essência do empresário de sucesso é a busca de novos negócios e oportunidades, além da preocupação com a melhoria do produto.”
fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Empreendedorismo

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.09.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Boa Sorte?





As pessoas costumam desejar boa sorte a quem vai fazer alguma prova, aventurar-se em um novo emprego, experimentar novos caminhos, empreender, fazer mestrado, começar uma nova empreitada. Isso está certo?
Acredito que um pouco disso é costume, cultural. Daquelas coisas que ouvimos desde pequenos e acabamos repetindo por hábito.
Claro que há também aquelas pessoas que realmente desejam que os outros tenham sorte.
Aí pergunto: Sorte?
Poxa vida! De tantas coisas que poderiam ser desejadas a qualquer pessoa no vasto mundo da língua portuguesa, você escolhe justamente sorte?
É para acabar com a moral da pessoa ou é para, realmente, incentivá-la a ser bem sucedida?
Porque, se for uma frase de motivação e apoio, é uma escolha, sem dúvidas, no mínimo infeliz.
Ora, alguém que está preparado para algo, que é competente, que estudou, que é qualificado, que possui o perfil, sem dúvidas o que menos gostaria de ouvir é um desqualificante “boa sorte”.
Na minha opinião, sorte é para os incompetentes!
Quem é bom no que faz é preparado, é perspicaz, é capaz e é competente, ou seja, não precisa de sorte. Suas habilidades garantem o sucesso do que quer que seja. Houve preparação, houve treino e houve qualificação para o desafio em questão.
Não estudou? Bom, aí, então, precisará contar com a sorte. Quem estuda precisa de um desejo de “boa prova ou sucesso”.
Vai fechar um negócio? “Boa sorte” o caramba! Deseje “bom fechamento”! “Sucesso”!
Quem precisa de sorte precisa de preparo e de qualificação. Quem não precisa, além de não gostar, ofende-se.
Pessoas competentes querem ouvir algo do tipo: Sucesso! Boas vendas! Boa Prova! Vai lá e confirma! Assine seu nome na lista dos aprovados, e não apenas na prova!
Essas coisas são muito mais coerentes para quem se dedicou durante muito tempo do que depender de fatores aleatórios.
Então, em uma próxima oportunidade, deseje “SUCESSO”! Pois, não há dificuldade que resista a determinação e ao trabalho.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 13.09.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Grêmio punido por racismo!






Inadmissível, inaceitável, inacreditável, ultrajante, revoltante, e sei lá eu mais que outros adjetivos utilizarei para definir a decisão do STJD referente ao crime de racismo cometido por meia dúzia de torcedores.
Primeiro que agora abriu um precedente gravíssimo: torcedores de times adversários, certamente, fardar-se-ão com camisas da torcida rival, irão aos estádios e farão a maior anarquia racista só para desclassificarem o time. Esperem, isso irá acontecer com certeza!
Já estou até vendo algum corintiano fardado de santista e indo no meio da torcida deles, ofendendo o goleiro do Corintians só para ver o Santos desqualificado. Líquido e certo.
Outro ponto a mencionar nessa palhaçada toda é o depoimento do goleiro ao final do jogo. Reclamou que o chamaram de preto. Preto nojento. Preto fedido. Reclamou também de o chamarem de macaco.
Vamos pensar um pouco a respeito dessas reclamações. Chamaram ele de preto. E daí? Isso é ofensa desde quando? Até onde me lembro houve uma campanha nacional orientando os negros a responderem que sua cor era preto e não marrom. Se me chamam de branco, eu não me ofendo.
Nojento e fedido, em se tratando de xingamento de futebol, é enfeite e elogio. A torcida xinga coisas muito piores e o pobre coitadinho foi se ofender justamente com o nojento e fedido? Só eu estou vendo intenção de prejudicar um clube aqui?
Então sigamos nesse raciocínio: a torcida gremista é formada por nada menos do que 6,7 milhões de torcedores. Isso significa dizer, necessariamente, que pelo menos 6.699.990 torcedores foram prejudicados e estão sendo punidos pelos atos de... 9 torcedores racistas acéfalos imbecis.
O ato desses ignorantes foi muito além do infeliz, condeno e fomento justiça. Por mim que coloquem esses desqualificados na cadeia (já que racismo é um dos crimes mais “graves” nesse país de vergonha, mais que assassinato ou roubo de dinheiro público), mas que seja punido quem de fato praticou alguma coisa e não todo o restante da torcida e principalmente seu clube. Ora, pensar que agora um retardado qualquer faz alguma coisa e o clube que não tem nada a ver com isso sofre a pena? Quem disse que esses animais eram realmente gremistas?
Nem entro aqui no mérito da ofensa por associar a animal, pois se entrarmos nessa seara, então que seja abolida toda e qualquer analogia. Ele é uma águia. Defendeu como um tigre. Pit bull, etc.
Entendo que chamar um negro de macaco, devido a toda carga cultural que isso traz, ofende. E pensando nisso acho certo que os discriminadores sejam penalizados exemplarmente.
Agora, usar um time de futebol como exemplo? Punir 6,7 MILHÕES de torcedores inocentes? Isso está certo desde quando?
Depois as pessoas não veem relação entre política, futebol e nação. A impunidade na política gerou consequências no futebol, que é o circo e agora está pegando fogo, e serve para ludibriar e iludir a nação. O pão está acabando, o circo está pegando fogo, e o povo, que está acostumado a ver seus representantes políticos fazerem de tudo um muito e nada acontecer, queria sangue. E quem derramou foi o sangue azul tricolor. Sangue nobre.
Não poderia ser diferente, apenas um nobre para servir de exemplo.

“perdoai-vos, não sabem o que fazem” Autor conhecido pelo mundo inteiro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.09.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Despedida




 “Mastiguei a fala, negaciei a mágoa, só para ver a lágrima feliz”

Este trecho de um dos meus Chamamés preferidos resume, magistralmente, um dos mais paradoxais sentimentos que existem quando a felicidade e a alegria confundem-se, transformando em um turbilhão de pensamentos e sentimentos, algo que, de tão corriqueiro, deveria ser trivial: a Despedida.
Quando um bom colaborador sai da empresa, quando um fantástico colega troca de emprego, quando bons amigos precisam seguir outros caminhos em outras cidades, ou quando pessoas que amamos precisam quebrar os vínculos emocionais que nos prendiam a algo que não era mais apenas pura felicidade, ficamos com essa sensação de não sabermos direito em que pensar ou como agir.
Quando alguém precisa partir e, mesmo ao sabermos que o melhor para todos é que isso aconteça, relutamos em aceitar o convencional caminho da resiliência. Normalmente, sofremos, choramos, “mastigamos” a fala antes de uma despedida. Enxergamos apenas a escuridão do adeus e não a luz das novas oportunidades. Negaciamos a mágoa, para não sentirmos por completo o torpor da despedida.
Aperto no estômago e nó na garganta são os mais tradicionais sintomas da dualidade, quando precisamos nos despedir e queremos continuar perto.
Infelizmente, a vida nem sempre é clara e fácil, e nos força a aprendermos da maneira mais dolorosa e difícil. Escolher, conscientemente, algo que, emocionalmente, fere-nos é ilógico.
Afastar-se, por ser melhor, profissionalmente, mesmo querendo continuar perto por afinidades ou mesmo acomodação, não parece certo.
Romper um relacionamento, por saber que não fará a pessoa feliz, como ela merece, mesmo querendo continuar, ou até levar um “pé na bunda” (que, segundo o Renato Tobias, “ te empurra para frente”), por a pessoa não gostar mais de nós é muito mais sábio e verdadeiro do que continuar anos a fio em algo que nunca será pleno.
E, ainda assim, é difícil aceitar essa realidade cruel. Às vezes, entendemos que é o certo e o melhor, mas não conseguimos explicar ao coração, que teima em sofrer.
Lembro-me ainda dos longos anos, quando namorei a distância. Cada despedida era um tormento, e a experiência não fazia arrefecer a angústia de ter que partir querendo ficar e ter que deixar quem gostaria de levar junto.
As lembranças vão no peito e na bagagem, bem como o aprendizado e a experiência; um pedaço do coração quebrado, entretanto, sempre fica... ...na mão.
Muitos consideram a despedida uma perda; Não levam em conta, todavia, algumas perdas como ganho completo, afinal, quando se perde o que não soma, não se perde, ganha-se.
Somos crianças obliterando a racionalidade, quando se trata de sentimentos. Engatinhamos, contudo, ao encontro de maturidade e de realização, e isso torna tudo, fantasticamente, novo e desafiador, a cada instante. Feliz daquele que sabe chorar sorrindo e sorrir chorando, com a ingenuidade pura e genuína de uma criança!
PS: Chamamecero, é um chamamé de Mauro Moraes.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.08.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Felicidade explícita





A felicidade é algo que não pode ser escondido!
Por mais controlada que a pessoa seja, não há como mascarar uma alegria genuína. É um “vulcão” inconveniente com uma força hercúlea e insolente que se manifesta sem pedir licença. Entra em erupção com tanta violência e vigor que faísca através dos olhos na forma de um radiante brilho, denunciando, mesmo a quem não quer ver, o torpor interno que não pode ser confinado.
Essa felicidade também é percebida na postura altiva e lépida, no sorriso fácil que escapa por toda a face, da boca aos olhos. Nos gestos, na escolha das palavras, no cotidiano.
No mundo da corretagem, existe um jargão muito utilizado que diz: “bom negócio só deve ser anunciado depois de concluso”. Isso ocorre, pois, como esse universo é bastante hostil, quem divulga pode perdê-lo à concorrência.
O problema, nessa situação, é que, quando estamos sincera e profundamente felizes com algo, queremos espalhar aos “quatro cantos”, compartilhar com quem queremos bem, verbalizar a alegria por algo que nos alimenta a alma. E nem sempre podemos.
Lembro-me bem de um episódio que comecei a namorar com uma professora de informática. Era proibido. Se alguém soubesse, eu colocaria em risco seu cargo. Todavia, estávamos apaixonados. A vontade que eu tinha era de apresentar para meus amigos, para minha família, para meus conhecidos, para os colegas de aula e de trabalho dela. Queria, com toda a empolgação que me é característica, comentar com todo mundo, contando vantagem de que estava “pegando” a professora e que havia conquistado-a, a ponto de transformar isso em um relacionamento sério; Não podia, entretanto.
Evidente que os colegas sentiram um “clima” diferente no ar. Afinal de contas, fui aluno dela em uns cinco cursos diferentes; Alguns segredos, entretanto, precisavam continuar em segredo. E convenhamos: o que é proibido tem um sabor diferente!
Curtir aquela sensação de ter e não poder falar; de não poder e, mesmo assim, fazer; e de, sobretudo, gostar de estar cometendo uma pequena transgressão que não faz mal para ninguém e que nos faz um bem incomensurável, não tem preço.
O segredo durou até uma noite que minha mãe ficou esperando acordada até as cinco horas da manhã. Preocupadíssima! Ela achando que eu estava tendo um caso com uma prostituta. Então, para tranquilizá-la, falei a verdade, e assumimos o namoro. Nessa fase, já não era mais aluno. Confesso que não ser mais proibido tirou um pouco do encanto, porém, como ainda era início, a alegria de poder “vomitar” aquele bolo de sentimentos guardados na boca do estômago, por tanto tempo, para todos que notavam, dia após dia, minha mudança de comportamento e minha transbordante melhora de humor, obliterou qualquer tipo de arrependimento.
Um sentimento tão forte quanto esse não deveria ser privado de compartilhamento por quem quer que seja. Independente da situação, deveria ser possível manifestar a todos, repetidas vezes, para que, abobadamente, os apaixonados pudessem “alugar” os ouvidos dos “pobres” amigos (o que de fato acontece em muitos casos) com suas peripécias.
E nisso me refiro não apenas ao âmbito de relacionamentos, contudo a grandes negócios, a conquistas, a um casal que queria muito ter um filho e recebe o teste positivo, a uma nova aquisição, a uma nova empreitada, e assim por diante. Coisas que, normalmente, precisamos guardar em segredo, por um tempo que seja. Que é curto, mas, extremamente, desesperador e intenso.
Ainda assim, estar feliz com alguma coisa, mesmo que não possa ser compartilhada, é o que torna a vida tão satisfatória. É o que nos faz seguir em frente e nos abastece para seguirmos firmes em frente. Sendo assim, deixo aqui o meu “call to action”: “Faz aquilo que te faz feliz. Busca a felicidade, a qualquer custo. Faz, até não teres mais energia. Curte perder o sono. Goza! Só assim terás o brilho no teu olho, para encantares teus netos, contando sobre tua vida. E guarda segredo, quando for preciso, ao menos até encerrar o negócio.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.08.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Gatos pretos



Você já ouviu falar em TED?¹
Ouvindo uma palestra do TEDx Braga de Miguel Gonçalves, falando sobre empreendedorismo (entre outras coisas), fui surpreendido ao perceber que uma das coisas que mais demorava para explicar foi facilmente sintetizada pelo palestrante.
Ele usou o fabuloso exemplo de gatos pretos, que, como foi muito feliz, reproduzo trazendo minha visão do assunto.
Começa citando que a ciência procura gatos pretos em quartos pretos. E aqui podemos definir ciência como a parte racional e lógica. É quando ficamos pensando a respeito das coisas e tentamos encontrar soluções para qualquer tipo de problema. Mas, veja, gatos pretos em quartos pretos são difíceis de encontrar, embora não impossível. Essa dificuldade serve justamente para enfatizar que o problema não é simples de ser resolvido. Afinal de contas, procurar um gato escuro em um ambiente onde não se enxerga nada não é algo que qualquer pessoa se disponha a fazer.
Depois vem a psicologia que procura gatos pretos, em quartos pretos, onde não há gatos pretos. Ou seja, procura coisas onde elas não existem. Tenta criar algum tipo de relação que normalmente a pessoa não sabia que existia e, muitas vezes, necessidades que nem sabia que existiam. Não estou falando mal da psicologia, pelo contrário. Procurar um gato preto, em um quarto preto, onde não há gatos pretos, é sem dúvida uma tarefa para quem tem vocação e persistência. Chega a transformar o tradicional exemplo de agulha no palheiro em algo risível.
Mas o principal de tudo que é o motivador deste texto é PROCURAR GATOS PRETOS, EM QUARTOS PRETOS, ONDE NÃO HÁ GATOS PRETOS, E ENCONTRÁ-LOS!
Veja, procurar um gato preto em uma sala escura já é difícil. Não havendo gatos pretos nessa sala é impossível encontrá-lo, certo? E quando o gato não está lá e se encontra? Milagre?
Não. Isso é gerar oportunidades de negócios. Isso é ser empreendedor! É pensar fora da caixa. É não ficar reclamando das dificuldades.
Qual o grande diferencial dos empresários de sucesso? Além de todos serem meio loucos, eles costumam enxergar oportunidades onde os outros vêem dificuldades. Eles conseguem ver em um mercado onde ninguém vislumbra possibilidade de inovação, alguma alternativa inovadora. Uns chamam de tirar leite de pedra. Outros chamam de tino comercial. Ainda tem gente que chama de sorte. Na verdade essa característica não é tida apenas por empreendedores. Ocorre que normalmente é mais bem remunerada nessa área.
Profissionais do marketing/publicidade, os conhecidos como panfleteiros ou os caras do banner, são excelentes exemplos de quem pensa fora da caixa e costuma encontrar soluções e pensar em ideias onde ninguém mais acredita. Eles fazem crescer uma flor no deserto ou no asfalto, sem semente nem água. Conheci em Santo Ângelo três pessoas que exemplificam bem essa raça. O primeiro e principal foi o meu irmão Ricardo Zucco. Todos que o conheceram sabem o que quero dizer quando falo em potencial criativo sem fins lucrativos e sem responsabilidade. De longe a mente mais criativa que já tive a oportunidade de conviver. Cito também Renato Tobias, da agência T+T, louco. E para finalizar, Jeferson da Buenas, dos três o mais competente em rentabilizar ideias.
Claro que além do marketing e do empreendedorismo existem muitos outros tipos de pessoas e de perfis que conseguem enxergar oportunidades onde teoricamente elas não existem, ou mesmo criá-las e é isso que defendo. Não se dê por vencido frente a qualquer dificuldade que seja. Algum tipo de solução existe, mesmo que tenha que ser inventada.

1 - TED (acrônimo para Technology, Entertainment, Design; em português: Tecnologia, Entretenimento, Design) é uma fundação privada sem fins lucrativos dos Estados Unidos mais conhecida por suas conferências na Europa, Ásia e Estados Unidos destinadas à disseminação de ideias. Segundo as palavras da própria organização, "ideias que merecem ser disseminadas". Suas apresentações são limitadas a dezoito minutos, e os vídeos são amplamente divulgados na Internet.
O grupo foi fundado em 1984, e a primeira conferência aconteceu em 1990. Originalmente influenciada pelo Vale do Silício, sua ênfase era tecnologia e design, mas com o aumento da popularidade, os temas abordados passaram a ser mais amplos, abrangendo quase todos os aspectos de ciência e cultura. Entre os palestrantes das conferências estão Bill Clinton, Al Gore, Gordon Brown, Richard Dawkins, Bill Gates, os fundadores da Google, Billy Graham e diversos ganhadores do Prêmio Nobel.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.08.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Das crianças nos adultos


Lendo um livro clássico e tido por muitos como infantil e superficial, mas que na verdade é um dos mais simbólicos, complexos, profundos e subjetivos que existem no mundo, sendo o terceiro mais traduzido perdendo apenas para bíblia e mais um, percebi algumas frases que fazem um sentido imenso em minha vida, e que certamente explica muitas coisas.
Hoje compartilharei apenas um pedaço, mas em outras oportunidades trarei a pauta outros trechos. O livro? O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry. Tenho certeza que haverá identificação de sua parte também!
Quem me conhece sabe que estou sempre brincando, fazendo trocadalhos, exercitando a criatividade, falando coisas subjetivas e com duplo significado. Gosto disso e sempre acreditei que era por exercitar o cérebro, por forçá-lo a funcionar o tempo inteiro, por me desafiar um pouquinho em cada coisa.
Hoje, depois de reler esta obra prima, percebi que esse até pode ser um dos motivos, mas o fato é que minha criança interior sempre falou mais alto.
Eu brinco o tempo inteiro, mesmo em assuntos sérios, e isso não faz com que eu trate a situação com menos seriedade ou que considere o assunto fútil. Os adultos não entendem que não precisa ter hora para brincar depois que se cresce. E ainda dizem que não é hora de brincar ou que o assunto é sério. Como assim? E criança adulta tem hora para brincar e ser feliz? Principalmente as crianças que tem um universo inteirinho só para elas, nosso infinito particular interior.
Dia desses minha cunhada disse que “eu não sou de Deus” pois em meio a um assunto sério onde todos estavam com aquele tom grave, eu larguei uma brincadeira. Fiquei feliz em constatar que a criança dela ainda está viva, pois sorriu.
É triste notar que quanto mais “adultas” e ocupadas, quanto mais responsáveis e atarefadas, mais as pessoas deixam sua criança interior morrer... E morre de inanição.
Muitos já nascem com crianças doentes dentro de si, mas a grande maioria vai a matando à míngua. No meu caso, tenho uma criança morbidamente obesa. Muita gente cansa, se irrita, se afasta, não entende e faria muita coisa para calar essa cria infernal que não para.
Os exemplos mais clássicos que tenho quanto a diálogos entre minha criança interna e os outros são as piadas e os trocadilhos gerados na hora, provocados por algum acontecimento do momento. Os adultos simplesmente não entendem. Nunca entendem. “Eles tem sempre necessidade de explicações” e ainda assim, os que estão com suas crianças interiores doentes, não acham graça. Nem se permitem desfrutar.
“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando”. Eu sempre achei frustrante contar uma piada, explicar a piada, desenhar a piada e no final a pessoa ainda não achar graça, o que é natural devido a toda explicação. A piada mais interessante é aquela que com apenas 20% e os outros já entenderam e todos riem juntos. Nesse ponto não conheço gente melhor que os bebezões do TI. Essa trupe tem um raciocínio preparado para entender as coisas rapidamente e poucos não tem uma criança bem arteira dentro de si. Programar e desenvolver normalmente está relacionado com curiosidade e atrevimento, coisa que as crianças tem de sobra.
Divertir-se com pequenas coisas, com muitas coisas, consigo mesmo, divagar, brincar, interagir, imergir-se num mundo fantástico só seu e ainda assim ser feliz.
E para concluir reforço, alimente sua criança, fique velho sem envelhecer, não julgue nem condene ou critique as crianças nos outros. Quando alguém que possui sua criança bem ativa se aproximar, redobre a atenção e se permita aproveitar. Não os faça explicar, seja criativo, viaje.
E para quem não leu o livro, a imagem acima está explicada abaixo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 02.08.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Atirando aos Leões II




Os cativos leitores de meus textos sabem que um dos principais propósitos na escolha dos assuntos é justamente instigar e provocar o leitor a redarguir. A possibilidade de ser desafiado por alguém que pensa diferente, de contrapor, de argumentar e, oxalá, de convencer-me que determinado ponto de vista é falho, definitivamente, excita-me.
Um dos textos por mim escritos - “Atirando aos Leões” - foi contraposto por uma das minhas mais fiéis leitoras. E o foi feito de maneira magistral. Tanto que, em um espaço aonde tradicionalmente traço continuações, hoje venho para voltar atrás.
Em “Atirando aos Leões”, fomentei que as pessoas enfrentassem seus medos, que se atirassem aos leões, para que pudessem experimentar-se, conhecer-se, enfrentar-se e, finalmente, atingir um resultado positivo e diferenciado em suas vidas.
Depois da conversa com a leitora que se sentiu preocupada e incomodada, a ponto de se prontificar em passar um bom tempo redarguindo comigo, mudei de opinião.
Ser atirado aos leões exige uma grande quantidade de pré-requisitos que a avassaladora maioria dos humanos não os possui. Conversando com essa iluminada e paciente mente, entendi que é impossível querer que todas as pessoas permitam-se agir dessa forma e ter a tal atitude.
Um humano convencional possui uma determinada base emocional suficiente para que todas as suas escolhas sejam suportadas e administradas. Caso algo extrapole essa base, aparecem doenças psicossomáticas, alterações no apetite, estresse, insegurança, ...
Esse nem é o principal problema. Para ser atirado aos leões, é necessário que se tenha uma forte estrutura e organização mental. É basilar que tudo, nessa seara, seja bem sólido e firme.
Caso um humano seja atirado aos leões contra sua vontade e não tenha a estrutura mental necessária para enfrentar algo desse nível, o resultado pode ser extremamente danoso.
Isso é tão sério que, se alguém que não tenha estrutura para enfrentar-se, permitir-se, conhecer-se, desafiar-se, seja atirado aos leões, pode ser devorado por eles.  E, quando digo ser devorado, refiro-me a gente que, quando colocada a prova (provas internas e profundas), desorganiza-se tão profunda, tão drástica e tão complexamente em sua base mental, bagunça tanto suas ideias e seus pensamentos, que não terá condições de reorganizar-se.
São pessoas que se suicidam, que rompem o elo com a realidade e enlouquecem, que viram drogados, alcoólatras, etc. O choque é tão forte e poderoso que, quem não tem estrutura para agüentar, desorganiza-se a ponto de não conseguir reestruturar-se novamente: Jamais!
Até escrever o primeiro texto, ficava indignado com as pessoas “mornas” que passavam a vida inteira em suas zonas de conforto e tinha comichões por atirá-las. Em toda e qualquer oportunidade, fomentava que o fizessem por si e quando não acontecia – a maioria dos casos, diga-se de passagem – eu ficava ainda mais revoltado.
Continuo não me conformando com pessoas acomodadas e mornas, mas agora não pretendo mais jogá-las, por saber que muitas realmente não conseguiriam. Hoje, entendo que, se fizesse o que havia proposto no primeiro texto, mais de 80% dos humanos ou morreriam ou enlouqueceriam.
O que não significa que devamos nos aceitar resilientemente. Precisamos sim buscar melhoria contínua e testar nossos limites até o máximo. Ocorre que agora entendo que há um limite e que ele é individual. Meu limite é diferente do seu.
Aquelas pessoas que não querem melhorar, que não querem conhecer-se, nem se experimentar, continuam tendo meu desrespeito. Afinal de contas, quem está acostumado a caçar leões jamais convidará quem sequer tenha coragem de caçar ovelhas para passar uns dias em seu habitat.

“Pior do que você querer fazer e não poder é você poder fazer e não querer.” Autor desconhecido.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 26.07.2014
Revisado por Cristiano Zucco
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