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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Odeio desistir!




Odeio é uma das palavras que menos costumo proferir. Praticamente extinta do meu vocabulário. Inclusive sempre que vejo alguém a utilizando, aconselho não fazê-lo pois carrega consigo uma carga negativa extremamente pesada.
Como bom descendente de alemães e italianos, confesso sem cerimônia que sou um “pouquinho” teimoso, afinal de contas teimoso mesmo é quem teima comigo.
Pois com essas características, habituei-me a concluir todos meus projetos de vida. Quando início algo, vou até o fim. Dou um jeito, articulo, flexibilizo, penso em alternativas, mas nunca desisto. Desistir, na minha opinião é fracassar, e se entro em algo, obviamente é para ganhar.
Ninguém em sã consciência entra em algum tipo de desafio pensando em perder.
Investir tempo, energia, pensamento, dedicação, atenção, envolver pessoas, investir dinheiro em algo e ter que desistir, consome comigo. Fico mal. Fico triste!
Percebo que a maioria das pessoas não se preocupa, sobretudo a nova geração, em virar as costas para algo ou alguém. Já citei aqui, inclusive falando sobre o desapego.
Isso tem muitos pontos negativos. Hoje possuímos um mar de gente que não está nem aí para o comprometimento e para responsabilidade. São pessoas que estão “curtindo” a vida. Gente que quando não quer mais, larga e vai fazer outra coisa.
Só que o mundo não para até que as pessoas amadureçam e decidam brincar de ser adultas. Enquanto isso, os que estão como adultos veem e catalogam...
Gente sem garra, sem persistência, incapaz de levar algo adiante por causa de alguma dificuldade ou contratempo, é descartada pelos players - os competentes - assim como as novas gerações descartam o que não lhes serve mais, sem cerimônia.
É mais ou menos uma vingança do mercado com a má postura inicial desses jovens de hoje.
Mas isso não se resume apenas aos mais novos. Tem muita gente com experiência que não quer saber e vira as costas para os desafios, por não estar disposto a enfrentar as dificuldades.
Justamente esses desafios que me deixam vivo. Sou um inveterado apaixonado por causas impossíveis (e quem não é?!), embora isso seja contraditório, eu sei. Afinal de contas, ser obstinado por algo impossível não faz sentido para a maioria das pessoas. Só quem sabe brigar entende que quanto maior o desafio, maior a vitória. Quanto mais preparado e difícil for o adversário, mais precisará de treino e mais terá que se esforçar, superar-se e ser melhor. E quando há a conquista... ah essa vale a pena!
Mas voltando a falar em desistir. Treinar muito, preparar-me, pensar, sentir, viver, dedicar-me a algo, visualizar realizado, concretizar mentalmente, e depois ter que desistir, entristece-me profundamente. Como um dia inteiro de chuva!
Reluto, repenso, reavalio, procuro outra forma, às vezes rastejo e me humilho para não ter que desistir de um objetivo, que quando alcançado, compensa qualquer esforço.
Entretanto infelizmente em algumas situações não há o que fazer. Não há escolhas ou alternativas. Não há volta. Desistir é a única opção. Os humanos possuem vocação para limitar suas possibilidades e enclausurar quem precisa decidir. E desistir me frustra, mesmo que seja a única opção.
Entristeço-me mais ao desistir de pessoas do que quando desisto de projetos, pois pessoas são agentes vivos e retroalimentadores.
Se houver qualquer alternativa que seja, não desista. Desistir é para fracos e amadores. Enquanto ainda tiver condições, tente. E quando desistir, desista de vez! Quando tomar finalmente a decisão, pense bem, decida e não volte atrás. Faz parte de ser maduro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.12.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Para abraçar?!

Tem uma menininha chamada Raissa que possui uma doença raríssima e não pode abraçar. Imagino como deve estar sendo ruim para a família dela. Muito legal ver a movimentação das pessoas para angariar fundos para o tratamento.
São empresas, palestrantes, universidades, entidades de classe e mais um monte de gente trabalhando em prol das arrecadações de fundos para custear o tratamento - que diga-se de passagem não é garantido, é experimental - para que a criança consiga abraçar as pessoas.
Honestamente acho o máximo essa união e movimentação das pessoas que abraçaram a causa e a dor da situação, mas... pasmem! A quantia de dinheiro levantada para tratar apenas uma criança, fora do Brasil, e ainda sem garantias de sucesso é absurda. Entendo até como ofensivo.
Não vejo a comunidade reunida para falar sobre os votos da última eleição e como cobrar seus representantes por um sistema de saúde melhor. Também não os vejo articulando por maior investimento em educação. Ou pior, não vejo todo esse furor e boa vontade para angariar fundos para comprar comida a quem morre de fome todos os dias.
Será que ninguém parou para pensar a respeito disso? Que esse dinheiro todo poderia ser melhor direcionado de forma a abranger mais pessoas, ajudar mais gente e resolver mais problemas de uma vez só ao invés de ficar tentando salvar uma causa semi perdida?
Eu sei que faz parte dos humanos apaixonarem-se por uma boa causa perdida, mas então que seja com algo que possa “abraçar” muito mais gente e que tenha resultado garantido.
Não faz sentido direcionar tanto dinheiro para alguém que pode não sobreviver, sendo que muito mais pessoas poderiam se beneficiar desses recursos. E veja, estou sendo prático, afinal de contas nenhuma decisão importante deve ser tomada com emoção.
Não, eu não sou um monstro desalmado e sem coração. Eu me preocupo com a Raíssa, sou empático com sua família, tento me colocar no lugar e entender a situação, mas alguém precisa fazer o papel de enxergar todo o cenário e mostrar as pessoas que talvez não estejam direcionando seus esforços da melhor maneira.
É cruel com a menina querer abandoná-la? Sim e não. Sim se formos egoístas e pensarmos só nela, mas não se formos práticos e pensarmos em todas as outras pessoas que, assim como ela, precisam muito ser assistidas e não tem a menor condição.
Em alguns países, certas doenças terminais (como câncer) não são assistidas como aqui, eles subsidiam acompanhamento psicológico para o enfermo e seus familiares a fim de não ocupar a máquina pública com causas perdidas e abreviar o sofrimento do paciente e dos seus, proporcionando assim que outras pessoas com condições de melhora possam receber atendimento.
Reforço. Não sou contra a campanha dela. Meu intuito aqui é apenas trazer a discussão uma outra visão a respeito de algo que, pelo que tenho percebido – ou melhor, não tenho percebido – as pessoas não se atentaram.
Na prática seria mais ou menos como se o governo disponibilizasse atendimento apenas para pessoas com determinada doença por não ter dinheiro para atender a todos. Onde fica a justiça com os demais?
Certamente virão alguns argumentar que os outros poderiam ter feito o mesmo movimento e tentado angariar fundos também. E de fato poderiam! Assim como as pessoas que recebem bolsa e recusam empregos poderiam trabalhar ao invés de ficar em casa. Poderiam! Mas a vida não funciona tão logicamente assim, e por isso existem esses movimentos sociais.
Eu os entendo como uma forma de manifestação ativa contra a omissão do Estado em relação a coisas que deveriam ser por ele providas e não são.
Então entendo que cabe a nós, enquanto sociedade, cobrar nossos representantes, eleitos ou natos no meio em que vivemos, uma política e raciocínio menos específico e mais generalista. Só assim conseguiremos alinhar essa torta e podre matemática financeira que existe entre pessoas, políticos e Estado.
Boa sorte Raíssa. E se dependesse de mim, esse dinheiro ia para o lar da menina e do menino, na pior das hipóteses, e na melhor em projetos de melhoria na educação.
Parabéns aos pais da menina que conseguiram articular e mover mundos e fundos para ajuda-la. Eles são exemplo do que força de vontade pode fazer.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 29.11.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Intolerantes



As pessoas estão cada vez mais sendo intolerantes com tudo quanto é tipo de assunto. E de uma maneira assombrosa.
Escrevi uma vez sobre amamentação em público e falaram em me linchar em praça pública. Na época das eleições um amigo me excluiu do facebook e parou de falar comigo. Fiquei sabendo de casos de pessoas que se agrediram fisicamente. Teve um episódio em que um vizinho maltratou um cachorrinho e falaram em torturá-lo com requintes de crueldade e psicopatia.
Esse final de semana alguém postou sobre um acidente que ocorreu na RS com alguns jovens que estavam voltando de uma festa e acarretou em morte.
Ninguém pensa que, independente da atrocidade, da negligencia e da irresponsabilidade de quem praticou, é óbvio que eles não tinham intenção de matar alguém?
É evidente que eu entendo que gerou uma morte e não estou entrando no mérito de se o cara estava certo ou não, – mesmo que eu tenha opinião formada a respeito e já citei em outros textos bem explicitamente qual é. O que quero aqui é chamar a atenção para a sede de vingança de todo mundo.
Uma pessoa postou no facebook que deviam pegar o condutor, deitá-lo no chão e passar com o carro por cima até quebrar todos os seus ossos. Outro, que deveriam pegar seu rosto e esfregar no asfalto até sangrar. Outro, em pendurar pelo saco e tocar fogo. Só eu vejo o absurdo que é isso? Isso é crime! Incitar a violência nesse nível é uma das coisas mais insanas que tenho visto nos últimos tempos.
Ninguém mais acredita na justiça. De tanto verem os representantes roubando e nada acontecer, querem fazer vingança com as próprias mãos. Sim, porque justiça é algo totalmente diferente do que é reivindicado pela massa raivosa.
Hoje em dia se eu falo algo que alguém não concorda, não há diálogo. Os outros já vem com um mandato de execução por fuzilamento, sem direito a... pensar!?
Ninguém pode pensar diferente. Se eu penso, preciso ser apedrejado, fuzilado, esfolado vivo, molestado.
Eu espero, honestamente, que as pessoas não sintam isso lá no fundo. Pois se sentirem, temos uma geração de psicopatas maníacos como nunca antes visto na história da humanidade. Alias... Humanidade?!
Será que realmente essas pessoas se veem atropelando alguém infinitas vezes? Ou esfaqueando? Ou surrando? Ou violentando? Ou torturando? Isso realmente me preocupa.
Ao menos verbalmente voltamos a lei de Talião então, é isso?
É tudo muito sem sentido, sem medida. Uma reação extremamente desproporcional. Onde está a justiça? Onde está o juízo das pessoas? Onde está a fé no sistema? (ok, essa eu peguei pesado, confesso!)
Essas pessoas precisam de terapia urgente, ou parar de falar bobagens descabidas. Precisam aprender a conversar e respeitar a opinião alheia. Ou então, precisam ser indiciadas, pois incitar assassinato, incitar violência e fomentar suicídio até onde sei é crime.
Na verdade, pessoas felizes, de bem com a vida, sem recalque e resolvidas dificilmente se prestam a esse tipo de comentário. Principalmente esses baixos. Sequer pensam em coisas assim. O que significa que o nível intelectual e/ou seus valores estão cada vez piores em nossa sociedade. O que chamam de medíocre, é o topo. Essas pessoas estão abaixo disso, são muito menos que medíocres. São tão fracas, baixas, mesquinhas e vazias que acabam sintonizando com a própria pessoa que estão ofendendo em nível sociocultural.
As pessoas desaprenderam a dialogar. “Existe sempre apenas uma verdade e se não for a minha eu te espanco”.
É muita falta de discernimento, de cultura, de esclarecimento e de educação pra pouco Facebook.
Aprendam a viver em sociedade, Humanos! Existe todo um sistema criado justamente para prover freios e contrapesos aos que não se comportam como deveriam. E segue o baile... Ou como diz sempre o amigo Luciano: “Em Frente!”

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 22.11.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O novo e o velho mundo

Trabalhei no Terra, na Dell, no Matone, e essa experiência em “call centers” me propicia hoje fazer coisas que muita gente considera impossível. Eu atendia seis clientes ao mesmo tempo via chat, enquanto falava com mais um pelo telefone e respondia um dos 150 e-mails que precisavam ser respondidos, ainda no mesmo dia. Em outra empresa, tinham dois telefones e dois monitores, e conseguia falar com duas pessoas diferentes, sobre assuntos diferentes, ao mesmo tempo, enquanto monitorava duas telas e ainda passava orientações para uma colega. Também cheguei a monitorar cinco andares, com uma média de 1200 pessoas por andar para saber escala, absenteísmo, nível de serviço de atendimento, etc.
Hoje, estava conversando com uma amiga que me disse que, se ela vai a um bar com amigas ou quem quer que seja, e alguém da mesa dá atenção ao celular, ela levanta e vai embora, pois considera inadmissível que as pessoas sentem para confraternizar e interagir, quando, na verdade, acabam interagindo com outras.
Confesso que isso me incomodou. Eu me sinto como num limbo etário, visto que não me encaixo completamente na “geração X”, entretanto tenho muitas características dela, e também não me encaixo, totalmente na “Y”, apesar de, também, ter muitas características desta.
Se eu saio com uma turma e converso ao celular, é porque sei que consigo fazer tudo ao mesmo tempo, além do que meu perfil (“tipo 7” para quem entende) demanda que eu interaja com vários grupos e de várias formas, tudo ao mesmo tempo. Além disso, eu nunca prometi exclusividade de minha atenção a qualquer amigo. Ninguém promete!
Pode acontecer de saírem, sentarem em um bar, e uma amiga conhecer um cara bonitão em outra mesa e dar atenção só para ele. E daí? Levanta e vai embora?
Sei lá! Essas pessoas que são resistentes a conviver com quem utiliza o mundo virtual e o mundo real concomitantemente são, além de carentes, egoístas. Acham que apenas um dos mundos deva ser acessado por vez. Não admitem a nova realidade multifunção e multitarefa - agora multi-mundo também.
Lembrei de quando era novo, e tentavam criar patologias para crianças e adolescentes que ficavam muito tempo em frente ao computador. Pensei, também, na geração do meu pai, quando as pessoas ignorantes (no bom sentido) acreditavam que o conhecimento que tinham era suficiente. “Fazer faculdade pra que? Os dotorzinho não entendem nada da vida. Na prática é tudo diferente”.
Hoje, ninguém, nas suas condições mentais plenas, concebe a falta de graduação, quando há oportunidade. Ou seja, os tempos mudaram e os conceitos com ele. E isso sempre vai acontecer. A sociedade adapta-se. Tudo está sempre em uma mutação constante. É preciso que estejamos prontos para encarar as novidades que as novas gerações trazem e que os tempos atuais demandam.
Ficar enclausurado, em um pensamento que se considera certo, calcado em valores outrora seguramente corretos, não, necessariamente hoje, seja bom.
Qual o problema em aceitar que as interações mudaram, a sociedade mudou, as pessoas mudaram e que é necessário adaptar-se? O que se ganha fechando-se no que se acha que é certo e indo de encontro ao coletivo? Por que não flexibilizar e até mesmo aderir aos novos comportamentos?
Ficar preso a conceitos antigos com a dinâmica atual é visto, por mim, como uma afronta social. O mesmo que discriminar a todos.
No fim das contas, todo mundo perde. Quem está no celular “surfando” na nova “onda” tecnológica perde uma amiga, a amiga perde uma pessoa legal e cada vez mais vai restringindo seu círculo entre poucos que, subservientemente, sujeitam-se às regras melancólicas de alguém que age, tiranamente, dentro nele.
O mundo é muito mais próspero e amistoso, quando aceitamos as mudanças. Adapte-se, ou veja a realidade lhe oprimir!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 15.11.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Cuidado com o que desejas!

Esses dias, estava conversando com uma amiga, enquanto caminhava pela rua. Ela viu um casal passar de carro com a mulher dirigindo e o cara no banco do carona. Ao ver aquilo minha amiga disse: “nossa, queria muito estar no lugar dela”.
Na hora, achei melhor não comentar, mas fiquei pensando muito a respeito. As pessoas não sabem o que querem. Não têm noção do que pedem.
Fiquei pensando, por conhecer o casal: será que ela se sujeitaria a tudo o que aquela mulher se sujeita? Será que seria tão competente quanto aquela mulher - profissionalmente falando – para construir e manter aquele patrimônio? Será que realmente aquele cara era tudo aquilo? Será que ela conseguiria atender as expectativas daquele cara? Será que aquele tipo de vida a faria feliz? Será que ele vale a pena? Será que ele seria suficiente para ela? Será que ele atenderia suas expectativas? Será que ele daria conta? Será? São tantas condicionais que não temos como saber e, ainda assim, as pessoas desejam sedentas, por algo que às vezes não podem ter. Conforme o dito popular, “roubar e não conseguir carregar”.
Um amigo me disse uma vez que queria muito ganhar uma Ferrari numa promoção, sabe-se lá do que. Então, eu comecei a questioná-lo: Queria mesmo? Para quê? Você tem carteira de motorista? (não) Você tem, ao menos, um emprego? (não) Quem vai pagar o IPVA? E o emplacamento? E a gasolina? E o Seguro? Você ao menos sabe dirigir? (não) Você deseja o carro para ficar parado exposto, estragando? (não) Você quer o carro para vendê-lo? (não)
Ou seja, ele achava que queria o carro, quando, na verdade, ele sequer havia pensado a respeito. Por isso, mulher muito bonita e gostosa tem que ficar com homem malandro e experiente. O cara que quer muito e não parou para pensar nos problemas que vem com algo tão bom, pode não estar preparado para bancar...
Não vou citar quem, no terceiro exemplo, por ser parente, mas ela, sempre que vê um cara saradinho na televisão, larga alguma expressão do tipo “ô lá em casa”, ou “esse é meu tipo de homem”. Eu sempre contorço o pâncreas com os rins num esforço para manter silêncio e não me expressar, pois, ao fazê-lo, estaria, necessariamente, destilando bile corrosiva sobre uma auto-imagem, absolutamente, falha.
Oras, a guria preza família, preza amigos, preza valores retos, preza transparência e preza honestidade. Gosta de ler – normalmente romance e dramas mela cueca – assiste a comédias românticas, gosta de conversar “papo cabeça” e vem me dizer que quer um cara que só pensa em músculos? Para conversar sobre supino e suplementos? Para malhar junto? São mundos e realidades diferentes. Enquanto os “saradinhos” malham o corpo, outros malham o cérebro. Claro que algumas pessoas conseguem fazer os dois, mas quem foca num, acaba dedicando menos tempo ao outro.
É preciso que as pessoas entendam o peso de uma escolha e de um desejo. Costuma-se desejar o que não se tem. Um pouco fomentado pelo consumismo, outro pouco pela cultura da inveja, mas é certo que nada disso tem sentido, se o que deseja não foi realmente avaliado antes.
É necessário que se faça uma análise profunda e reflexiva antes de se desejar algo. A exemplo de Midas, que desejou que em tudo que tocasse virasse ouro e acabou morrendo por isso.
Mais do que escolher o que se quer (para não querer apenas por querer e depois não querer mais), para evitar que se consiga algo que se quer e depois não saiba como lidar ou o que fazer com o que se consegue, há ainda outro ponto. Depois que desejamos algo e não conseguimos administrar as consequências disso, desorganizamos nossa vida e, quem sabe, até a de outras pessoas, numa sanha por satisfação e conseguimos apenas frustração.
Tem gente que define errado o que acha que a fará feliz. Foca no futuro, trilha um caminho que deixa um “rastro de sangue” e caos e, depois que chega onde havia imaginado, entende que a epopeia não valeu a pena, não justificou o esforço, ou nem mesmo trouxe metade da alegria e felicidade esperados.
Fiquei anos estudando para concursos, só depois que passei e trabalhei em um cargo público entendi o quanto não tenho perfil para a função. Isso, depois de estudar anos, de abrir mão de muita coisa e de me estressar muito. Hoje, estou recuperando o tempo perdido. Alguns não têm a segunda chance.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 08.11.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Duro golpe!

No final de semana do dia 26 de outubro de 2014, uma das maiores catástrofes ocorreu nessa lambança que chamam de nação.
Nada foi suficiente para arrancar um povo ignorante de sua estupidez e burrice, muito bem articulada pela situação.
Nem todos os aliados são expostos como corruptos. Mesmo com a inacreditável impunidade brasileira foram presos, ou seja, fizeram um estrago sem precedentes, por crimes contra a administração pública, por corrupção ativa e passiva, contra o patrimônio, etc.
Ou a corrupção sem precedentes instaurada no país. (vide Petrobrás, mensalão e outros tantos escândalos que, obviamente, todos sabiam, e não sejamos hipócritas em repetir que o Lula e a Dilma não estavam cientes ou lucraram com isso. Não é, Friboi?)
- A volta da inflação, devido a um governo sem preparo, para administrar ou entender geopolítica e economia mundial.
- O roubo descarado e superfaturamento na Copa do Mundo, gastando até 7 vezes mais do que precisaria, para um evento que nem deveria ter acontecido em solo tupiniquim.
- A perpetuação da pobreza, dando o peixe e não ensinando a pescar. Fomentando o assistencialismo, sem oferecer alguma opção aos “famigerados” para saírem da tal situação.
O que foi feito pelo povo? A saúde melhorou? A segurança aumentou? Os impostos reduziram? As infraestruturas estão com melhor qualidade? As ruas estão sem buracos? As escolas estão com mais qualidade? Não, para todas as perguntas anteriores!
Pegam dinheiro de uns para custear a preguiça e o parasitismo de outros. Você acha certo isso? Se sim, proponho que pegue o seu dinheiro e dos outros que concordam com você e custeiem esse bolsismo todo. Deixe quem produz e quem pretende levar o Brasil a um patamar melhor aplicar seu dinheiro em algo com mais retorno.
Tiram dinheiro do nosso bolso, do nosso povo, dos nossos hospitais, dos nossos aeroportos e dos portos, para investir em Cuba e Venezuela? E a nação acéfala acha isso bonito ou certo? Meu Deus, o que é isso? Que se abram os céus e desçam os 4 cavaleiros do apocalipse, porque isso não tem cabimento. Tem que explodir tudo e começar de novo! Oremos por outro asteroide?
Estagnação econômica, desde que Dilma assumiu. Compare com os países vizinhos que cresceram muito mais com muito menos. A época era fantástica! Deveríamos ter crescido muito, mas não aconteceu.
Um governo que demite integrantes por suspeitas de roubo e não manda investigar é cumplice.
Um governo que chama médicos de fora sem condições de atender aos pacientes e não incentiva ou não auxilia aos médicos internos.
Por exemplo, o vídeo da Dilma e Michel Temer que foi exposto em dois escândalos de corrupção. E quem vai assumir, quando o câncer da Dilma voltar e ela não conseguir mais trabalhar? Porque vai voltar.
É muito ódio contra uma pessoa que está acabando com muita coisa, com muita gente, com muitos negócios, com muitas famílias, com muita história, para ser reeleita e não sofrer com isso. A doença volta!
Nosso povo idolatra os ladrões. Nosso povo é preguiçoso. Nosso povo quer ser malandro e quer passar a perna em alguém sempre. Prezam mais pelo bolsa família do que pela moralidade, pois é melhor viver às custas de quem trabalha do que trabalhar.
Sugiro seguir a linha de uma corrente do “Whatsapp”, já que esse povo quer tanto viver do governo. Vivam APENAS do governo. Chega de doações, já que elegeram o “querido” governo que faz tudo pelo social; recorram a ele, portanto. Chega de ajudar as instituições comandadas por quem “mama nas tetas” do governo, os que elegem o “bolsismo”, mas, na hora de pedir dinheiro, veem recorrer aos empresários. Chega de auxiliar classes de trabalhadores que elegeram esse tipo de governança, se é o que querem mesmo, mesmo sabendo que prejudicam quem produz. Então, quem produz parará de ajudar quem não os auxilia. Chega de contratar gente que segue a filosofia do ganhar sem esforço. Chega de esmola e gorjeta. Abandonemos e boicotemos as empresas que apoiam o “bolsismo”, façamos um acordo com a concorrência.
Preparem-se para a maior recessão que vocês já viram nesse país no primeiro semestre de 2015 e não se espantem, se as pessoas que produzem cansem de sustentar a parte vadia do Brasil e comecem a patrocinar uma revolução ou algo que o valha. Desde o “impeachment” até o golpe militar. Tudo pela sobrevivência!
E digo mais. Se for para acabar com essa lavagem cerebral pseudo-comunista-socialista, chamem a mim.
Alguém mais vem comigo? Ou você pretende continuar tomando tapa na cara quietinho, no canto, feito um guri “bundão” de apartamento? Chega de indignação passiva!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 01.11.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ignorância

Estava passando os olhos pela minha “timeline”, no face, enquanto aguardava algo terminar e vi a foto de um conhecido com uma criança negra de olhos azuis: azul cristalino e transparente.
Quando os vi, estupefato pela singularidade daquela criança, exclamei: “coitada, vai sofrer!”
Nisso me falaram: “que isso, deixa de ser pessimista, você não sabe o que pode acontecer com o menino, vai que ele seja super feliz”.
Com toda paciência do mundo, insisti: “Ele é negro. Em um país onde o racismo impera - e só por isso já teria uma vida difícil -, ele está em um Estado onde o preconceito é ainda maior. Não fosse isso suficiente, carrega o estigma de ter olhos claros e todo o fardo que isso traz, o que comungado em uma só pessoa, exponencializa os efeitos.”
Como a pessoa insistiu, citando o exemplo de um Ser que houvera passado em toda a sua vida e que era quase negro (mas tinha cabelo pixaim, ainda insistiu) e que parecia feliz, fui forçado a surtar.
Não é um exemplo meu ou uma forma singular minha de pensar a respeito dos negros. O país é racista sim, queiram ou não. Os negros sofrem, diariamente, discriminação e preconceito apenas por terem pele escura, antes mesmo de poderem manifestar sua capacidade para o que quer que seja. E isso é, por si só, uma horrenda desvantagem, em um mundo que preza pela brancura.
Olhos claros (a exceção de cidades, eminentemente, alemãs como Santa Cruz e afins) são exceção. Logo, pessoas que os tenham sofrem, simplesmente, por existirem. Há muita inveja nesse mundo, muito ciúme, muita ganância, muita gente querendo ter o que não pode e por isso prefere que os outros também não tenham. Se uma menina de olhos claros começa em uma nova turma, em uma nova escola, em uma nova cidade, onde não conhece ninguém, a primeira coisa a receber ao entrar na sala de aula é o ódio das coleguinhas. Acreditem, é assim que funciona. Perguntem às pessoas de olhos claros, que já refletiram a respeito, se nunca sofreram apenas pela cor dos olhos.
Ainda que aqui não estou entrando no mérito das rugas, da maior propensão à dor de cabeça, da maior exposição à claridade, do menor filtro ocular...
Quem tem olhos claros acaba recebendo mais atenção aos olhos; ou aprende, portanto, a não transparecer sentimentos pelo rosto (o que é extremamente difícil e raro), ou sofre na mão dos outros que sabem, exatamente, o que está pensando ou sentindo. Quando consegue esconder, sofre as consequências, ao ser classificada como falsa, metida, arrogante, prepotente...
E, mesmo que a avassaladora maioria da sociedade não agisse feito uma tribo de forma, coercitivamente, utilitarista e pregando o egoísmo acima de todas as coisas, seguindo os mesmos costumes e tradições (independente se correta ou não), ainda assim haveria as exceções que seriam suficientes para introjetar sofrimento no coração de seres como os supracitados.
Comportamento repete-se, e o mundo, em via de regra, segue a mesma linha de raciocínio e comportamento. Não vou aprofundar-me muito sobre essa parte antropológica, psicológica e comportamental, apenas encerro falando que, ser negro é difícil, ter olhos claros também, ser exótico e diferente mais ainda e os três juntos então é uma cruz que apenas quem tem uma estrutura mental fora de série tem condições de carregar, sob pena de se desorganizar mentalmente, morrer ou até se suicidar.
Ignorar fatos, argumentos sustentados e verdades sociais recorrentes é ignorar a realidade, o que, na minha opinião, é uma das piores formas de ignorância existentes.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.10.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

“Menas" mediocracia




No interstício de tempo entre o período do primeiro e do segundo turno das eleições de 2014, a atual presidente (auto intitulada presidenta), durante um discurso onde a “massa inflamada” gritava “Te cuida! Te cuida! Te cuida, imperialista! A América Latina vai ser toda socialista!”, tentou contemporizar, utilizando, novamente, o péssimo português que lhe é folclórico e atribuiu, ainda, ao Rio Grande do Sul a paternidade do mau hábito, falando ‘’MENAS”.
Claro que essa não foi a primeira vez e, certamente, não será a última, afinal é sabido, de muitos, que os políticos utilizam, propositalmente, alguns desvios verbais para se “aproximarem” de seus eleitores.
Independente, o que fica claro, novamente, é que a nação é nivelada por baixo. Vimemos em uma cultura de mediocracia. Pessoas que falam “seje”, “teje”, “menas”, “peguemo”, “fizemo”, independente, se por cultura local, ou por falta de estudo. São, automaticamente, mergulhados em um chorume lodoso do qual, tal qual caranguejos, ninguém escapa e ainda puxam a parte de cima para ela.
Essa cultura do voto preza sempre pela “maioria”, nivelando todos, ou seja, a maioria, e isso quando se nivela, jamais é feito pelos melhores, ou pelos mais qualificados. Nivela-se, pegando a maior quantidade de gente e, normalmente, aí ficam os mais desprovidos de condições, tanto intelectuais, quanto financeiras ou culturais. Isso faz com que se cultuem as falácias de inserção de pessoas.
Ninguém para, para pensar a respeito disso, com profundidade.  É ululante demais, para que não se entenda. E, se não há entendimento, é por que não foi refletido ainda.
Como pode querermos uma nação de futuro investindo e fomentando os incapazes e investindo em quem não quer produzir? Abraçando apenas a massa que não se ressalta, que não desponta, que não é exemplo em algo positivo, que não tem interesse em qualificação ou pretende devolver, com resultado, todo o tempo e o subsídio governamental investidos nela?
Pegue o exemplo do colégio. Precisamos estar com a nota na média. Nossos pais não cobram que tiremos 10, (alguns sim, e parabéns a esses, eles quebraram o ciclo e entenderam) mas apenas que passemos de ano, atingindo a média, ou seja, que sejamos.
Nossa cultura prega a mediocridade.
Você sabia que agora as escolas estão proibidas de reprovar os alunos, para que o índice junto a ONU melhore? ”Menas” reprovações significa maior índice de aprovação. Maior o índice de aprovação significa que melhor ficamos nos conceitos globais.
Na prática, cada vez mais puxamos nossa nação para baixo. Cada vez mais, a massa medíocre vai aumentando e, cada dia, a mediocridade aumenta um pouquinho.
O reflexo disso está em nossos representantes eleitos, em nossa economia que vai bem quando a política global favorece e empurra e quando ainda se aproveita de recursos oriundos de tempos remotos. Quando a inércia inicia o freio, nada sabem fazer para manter em movimento.
Está em toda a nação cega, analfabeta funcional (a cara de seu representante), cada vez “menas” instruída, com “menas” educação, “meia” cega a todo tipo de atrocidade. Feliz com o “pão e circo”. Lembram-me aquelas crianças africanas que enchiam a barriga de água e se entendiam satisfeitas contra a fome.
Onde fica a meritocracia nisso tudo? Onde fica o valorizar de quem produz? Onde estão as pessoas que gostam de fazer as coisas e as fazem bem? Sem esse tipo de gente coisa alguma vai para frente.
Por isso, defendo e gosto tanto de empresários e empreendedores. Essas pessoas estudam, qualificam-se, produzem, retornam algo para a nação. Não ficam parasitando, “mamando no seio” da pátria.
Façamos a tal façanha de sermos diferenciados, para que possamos usá-la de exemplo a toda a Terra. Chega de cultuar o coitado e o medíocre. Chega de “passar a mão e dar o peixe”. Vamos valorizar quem ensina a pescar (principalmente, os professores que deveriam ter os melhores salários do Brasil). Valorizemos os que pescam, e, principalmente, os que praticam piscicultura.
E, com isso, início minha caminhada, para fomentar o empreendedorismo nas escolas. Posso não mudar o mundo, entretanto forçarei a realidade que me cerca a trocar de rumo por influência positiva.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.10.2014
Revisado por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Lavagem Sutil

Estava assistindo ao jornal “Bom dia Brasil” de manhã cedo, na Globo. Jornal que sempre respeitei, e um dos últimos poucos programas de TV aberta que ainda assistia. Ultimamente (último ano pelo menos) tenho percebido a sutil maneira como os apresentadores e a globo manipulam as notícias e conduzem a opinião da massa ignorante.
Mesmo nesse caso, onde os apresentadores fazem uma análise da notícia, tecendo opiniões normalmente ácidas a respeito dos fatos.
Antigamente eu apoiava as opiniões coerentes dos âncoras, mas hoje trocaram - e trocam com relativa frequência - as mentes “pensantes” que são a cara da emissora. Talvez até por serem genuinamente coerentes, os antigos âncoras tenham sido substituídos.
Cito aqui um exemplo simples da manipulação. Na época dos protestos, bem no início, quando as pessoas começaram a depredar e quebrar, imediatamente os jornalistas repreenderam veementemente a polícia alegando que eles eram opressores e truculentos, e que estavam maltratando os pobrezinhos dos cidadãos.
Isso gerou uma onda de manifestações contra a polícia com reflexos até hoje. Logo depois, viu-se que esses coitadinhos não eram tão santinhos ou pobrezinhos como a imprensa toda divulgava. Eles saqueavam, depredavam, incineravam, e causavam prejuízos incalculáveis. Mas daí a porcaria estava feita e o circo armado. Inês já tinha sido até enterrada.
Bem, mas esse é apenas um exemplo entre tantos. Eles falam de transporte, de impostos, de saúde, de médicos, de cotas, tudo de maneira absolutamente direcionada e parcial. Alguém acompanhou o IBOPE nas campanhas agora? A mídia acompanhou, e de pertinho dizendo sim a tudo.
Mas a gota d’água para mim nem foi isso. Segunda-feira no fim do jornal supracitado, o jornalista teve a imbecil e infeliz atitude de encerrar o programa com a seguinte frase: “Coragem! Porque hoje é Segunda-Feira”.
Meu Deus, se um dos maiores formadores de opinião do Brasil, mente pensante, num dos meios mais direcionados que é o canal de notícias, sutilmente mediante matérias, opiniões e comentários enfadonhos, incute na mente da massa ignorante que a segunda é um dia ruim, pois há a semana inteira pela frente, com muito trabalho desprazeroso e desvantajoso, como o Brasil enquanto nação vai evoluir? Se nem quem, teoricamente, faz o que gosta e ganha bem, gosta do início da semana e a começa animado? Se as pessoas tem a cultura de multiplicar o ostracismo, a insatisfação e a reclamação?
E ainda há quem diga que não há reflexos negativos do governo bolsista do PT?  Que o assistencialismo todo não fomenta a vadiagem, o menor esforço, a falta de vontade de trabalhar, o desrespeito pelo formalismo e pelo emprego digno.
Tá aí o resultado: um bando de gente que não quer saber de trabalho, não gosta do que faz, independente do que seja – mesmo que em outra realidade essa pessoa adorasse a profissão – sendo improdutiva para a nação, gerando retrabalho e gastos infrutíferos para a sociedade como um todo. Uma massa lânguida profissionalmente e um povo ineficiente e improdutivo. A cara do Brasil!
Na sexta-feira é praxe do mesmo apresentador dizer: “Graças a Deus, é sexta-feira!”. O que é isso? Subjetivamente um incentivo a vadiagem? Encorajamento às pessoas não gostarem de seus trabalhos? De serem felizes apenas quando a semana acaba por não ter que trabalhar?
Oito em cada dez servidores públicos que conheço são infelizes na profissão, reclamam dos colegas, do sistema, da falta de ânimo e vontade de todo mundo, dos apadrinhamentos, do crescimento de quem não merece e me dizem sempre que conversamos que estão estudando para outro tipo de cargo, pois não aguentam mais onde estão, e, para continuar no meio desse nicho apenas ganhando muito bem. Ou seja, pessoas infelizes e acomodadas, que se sujeitam a trabalhar em coisas que não gostam pela estabilidade e pelo dinheiro. Como acidamente costumo dizer, prostituem-se e se corrompem por dinheiro, vendendo sua saúde e até mesmo sua felicidade por um comodismo conformista. E baseado nisso que digo que o perfil do funcionário público é absolutamente contrário ao perfil do empreendedor. Nada contra os servidores, mesmo porque felizmente muitos fazem a coisa andar, merecem o que recebem, honram sua função. Todavia estes mesmos sabem que a maioria não está nem aí.
Enquanto isso, na sexta, alguns empresários começam a ficar tristes por não poderem produzir ou ter contato com a maravilhosa energia viva de seu ambiente de trabalho.
Não aceitem lavagem cerebral, sutil ou não.
Felicidade não se compra nem se ganha, mas se conquista com muita competência. Mais uma vez parabéns aos empresários, aos empreendedores e principalmente aos colaboradores, públicos ou não, que produzem e são felizes no que fazem. Vocês fazem a diferença!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.10.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Voto democrático

Época de eleição e a propaganda eleitoral fazendo o possível para convencer a população a “exercer o seu direito” de votar. Ocorre que isso não é um direito, é uma obrigação! Uma imposição! Algo que eu sou obrigado a fazer independente de querer ou não, e sob pena de ser multado, ou mesmo ter alguns direitos cerceados, caso não exerça esse “direito”.
Entendo a importância do voto e sei que esse é o melhor caminho para iniciarmos a mudança tão necessitada por essa nação de valores deturpados.
Pela maneira como as coisas são hoje, quem não vota e/ou não o faz conscientemente não tem direito (ao menos não moralmente falando) a reclamar do que quer que seja de quem foi eleito para ser representante do povo.
E se formos parar para pensar, mesmo que o voto fosse facultativo, o raciocínio seria o mesmo. A única diferença é que teríamos o direito de protestar, não votando. E os políticos iriam ter que se esforçar um bocado mais para conseguir o voto da população.
Aliás, o voto é, na minha opinião, o grande calcanhar de Aquiles de todo o nosso sistema eleitoral. Os políticos se corrompem por ele, corrompem seus eleitores em troca dele, fazem o possível para manterem-se no poder, e acabam distorcendo tudo de bom que isso poderia proporcionar, que é colocar um representante do povo no governo.
Falando nisso, colocar pessoas que mal sabem ler ou escrever, que não tem qualquer formação e que sobretudo não entendem porcaria nenhuma de leis, para – PASMEM – fazer leis, é uma das coisas mais insanas que já vi.
Depois ainda têm a hipocrisia de não entender por que o Brasil não vai pra frente, por que há tanta impunidade e corrupção e tanta coisa errada.
O povo não tem preparo, nem estudo, nem discernimento e muito menos qualificação para colocar em cargos tão importantes que definirão o futuro da nação pessoas qualificadas. Então elegem qualquer um e tudo fica cada vez pior.
Estamos chegando a um ponto onde a ignorância impera mesmo nos mais esclarecidos. E como uma coisa alimenta outra, cada vez escolhem pior os representantes (e aqui reforço, os legisladores) que não colaboram com o povo, não investem em leis ou programas de incentivo à educação, que acarreta em povo mais ignorante e menos esclarecido, que novamente vota com a barriga ou qualquer outra parte do corpo que não o cérebro.
Bom, como somos OBRIGADOS a votar, então que façamos de forma consciente e pensando no melhor para todos. Sempre deixei claro em muitos textos minha posição contrária a atual situação e não vou nesse caso servir de cabo eleitoral para ninguém. Só acho que alguém que acha que o Brasil está bom como está precisa de tratamento psicológico severo. O nosso país precisa mudar e urgente.
Vote consciente, pense no futuro, escolha seu candidato de acordo com seus ideais e vamos transformar o mundo fazendo a nossa parte no que nos cabe, mesmo que nas pequenas coisas, desde a simplicidade de votar até a magnitude de dar um exemplo correto ao mundo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.10.2014
Revisado por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br