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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Boca cheia

Ainda tergiversando sobre o assunto falar e acrescentando uma opinião sobre o condenável ato de fazê-lo de boca cheia, vou fazer uso do exemplo de uma afilhada da minha namorada.
Estávamos passando alguns dias em companhia da vívida presença dessa menininha sapeca, que como boa curiosa e observadora criança, perguntava sobre tudo e acreditava em respostas bem fundamentadas, pois as superficiais não eram suficientes.
Então durante as refeições, sempre que alguém falava com comida na boca, ela abria o bocão de jacaré e soltava um repreensor “óoo” para a pessoa, apontando para a boca.
Esse hábito é algo tão simples e necessário que não entendo o que leva as pessoas a abandoná-lo.
Talvez eu seja um estressado inveterado, mas me irrita gente que leva comida à boca e então começa falar, com os alimentos vertendo boca afora e prato adentro, vezes na mesa, ou no colo e até nos outros.
Tem gente que está sem comida na boca, faz a chamada de atenção para o diálogo e daí então leva o talher com comida, fazendo todos terem que presenciar aquele desagradável momento de luta entre respirar, falar, mastigar e engolir. Obviamente tudo ao mesmo tempo, por vezes com engasgues, outras com silabas incompreensíveis ou mesmo aquelas que não engolem depois de mastigar deixando o alimento na garganta e falando, angustiando quem está ouvindo.
Normalmente esse começa com algo do tipo: "olha só o que me aconteceu"
Sou tão chato com isso que peço para as pessoas pararem de falar, engolir, para então depois continuar a conversa, ou ainda, quando fazem isso e estão levando o talher à boca, seguro o braço e digo, fala primeiro.
O exemplo vem da televisão, das novelas e afins.  Desafio apontarem uma novela onde haja refeição e diálogo e não tenha alguém falando com a boca cheia. Motivo pelo qual comecei a me irritar com elas 15 anos atrás e parar de assisti-las há 10.
O fato de colocar a mão na frente ou um guardanapo não torna mais educado ou menos grotesco o gesto de falar durante a mastigação.
Acontece que somos diária e permanentemente exemplos para toda e qualquer pessoa com quem convivamos. O semeio da postura de hoje será o fruto educação colhido amanhã. Precisamos ser o exemplo para nossos filhos, netos, crianças em geral, bem como para os adultos que nos admiram e que buscam em nós algum tipo de referência.
Ou seja, educação parte de nós, começa conosco. Eu faço a minha parte, mas ainda não está resolvendo, pois continuo me revoltando sempre que vejo os outros não fazendo a sua.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 01.12.2012

Corrigido/editado por Patrick Heinz
@rjzucco





rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Quem muito fala



Não tenho paciência para pessoas que falam incansavelmente sem parar. E não é por cansar meus ouvidos, mas por cansar minha paciência. Ficar muito tempo ouvindo uma grande quantidade de conteúdo descartável que não me acrescenta ou faz refletir, me tira do sério.Preciso de diálogos com interação, onde quem conversa comigo traga uma nova luz sobre determinada ideia, e que tenha argumentos embasados e fundamentados a ponto de me fazer não só trocar de opinião, mas também defendê-la em outra discussão.
Para minha tristeza o mundo está infestado de pessoas que só querem falar, e isso faz delas pessoas que não ouvem, e consequentemente não absorvem novos conteúdos nem formam novas opiniões. Esse tipo de gente é o que eu chamo de tiro curto, pois o assunto acaba logo e o restante é apenas engodo.
Conheço gente que senta para conversar, e todos ao mesmo tempo ficam vomitando futilidades e superficialidades, coisas vazias, crendo que estão distribuindo conteúdo, mas ninguém recebendo ou escutando, menos ainda refletindo.

Parafraseando Maria Rita digo "Temos duas orelhas e uma só boca, justamente para escutar mais e falar menos".
Que triste gastar tempo conversando com uma ou mais pessoas e quando encerrar perceber que não compartilhou algo de bom. Essa gente de ego inflado é tão arrogante e presunçosa que costumam nem dar a oportunidade aos outros.
Sábia reflexão, mas tragicamente seguida por quase ninguém, embora todos concordem que é preciso ouvir mais do que falar.
As pessoas possuem uma necessidade tão grande de falar, que acabam atropelando coisas importantes e basilares. "Os que mais falam geralmente são os que menos dizem, pois são estes os mesmos que menos ouvem.", "Mesmo estando sempre falando "aos quatro cantos", isto não quer dizer que estamos acrescentando alguma coisa alem de ruídos e inconveniências." (Ivan Teorilang).
Cansei de frequentar cafeterias justamente por ver fontes inesgotáveis de ego querendo falar e saber mais que o restante dos presentes.
Essa gula ansiosa por falar é tanta que as pessoas não param nem enquanto comem, com a boca cheia de comida, por vezes caindo para o colo ou prato. Na própria televisão verificamos o exemplo de gente que falando, coloca comida na boca e continua, sem uma das mais básicas regras de bom costume.
Vejo também o exemplo de pessoas que não aguardam o interlocutor terminar a frase e começam a falar junto, atravessando-se. E para piorar, quando nesse exemplo, ambos não param, então o tom de voz aumenta, e acaba que literalmente um não ouve o outro, ambos falam juntos, quase aos berros, com uma profunda e completa demonstração de boçalidade.
Dessa boçalidade não me vejo livre, infelizmente, pois possuo três pessoas que sabem qual a cartilha de passos para me tirar do sério.
E elas o fazem na maioria das discussões e depois ainda me irritam mais alegando que eu perco a paciência toda hora. Falta de respeito, burrice e falta de consideração me fazem sair do sério quando combinadas com outros pequenos gatilhos.
A regrinha de um ouvir enquanto o outro fala só é quebrada quando a necessidade de falar é maior que o respeito pelo interlocutor e/ou acredita-se que o que há para ser dito é seguramente mais importante do que está recebendo. Presunção em alta dose.
Em algum dos meus textos eu já disse que felizes são os ignorantes, e nessas horas, como eu gostaria que esse fosse eu.
"A fala as vezes me cala, parece burra toda a inteligente preocupação com o que é dito." (Bethoven Jasmim)


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.11.2012

Corrigido/editado por Patrick Heinz
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Grama do vizinho



Certa vez efetuei uma pesquisa com conhecidos perguntando basicamente sobre o trabalho e a satisfação pessoal e profissional de cada um. Para não direcioná-la, comecei perguntando qual o melhor país do mundo para se viver, depois estado, região, cidade e finalmente empresa.
Normalmente o Brasil é o melhor país para todos, tanto que a maioria da massa quando imagina-se ganhando na mega-sena acumulada planeja ficar por aqui. Normalmente por ignorância, por não conhecer outros países, por resistência a mudança de costumes, enfim...
Mas os humanos são risivelmente lineares, e quando seguindo a pesquisa, eles optam pelo estado em que moram, ou no máximo onde nasceram e se criaram. A mesma coisa com a região e a cidade.
Quando alguém respondia diferente eu aprofundava e tentava entender o porquê. Uma das pessoas disse que não sabia, mas que achava legal os EUA. Perguntei o que havia de legal? Perguntei se já tinha conversado com algum norte-americano, se já havia ao menos visitado para saber que prefere aquele país ao Brasil, se entendia como eles tratavam os estrangeiros, se sabia da frieza no contato entre as pessoas, as diferenças climáticas e mais um monte de pontos. A resposta, como eu imaginava, foi negativa.
Mas o que eu esperava dessa pesquisa de fato ocorreu, a grande maioria respondeu que o melhor lugar para se trabalhar era outro. Empresas que eles nunca trabalharam ou imaginam como seja a realidade interna.
Muitos falaram em Dell, e com esses eu tinha como continuar aprofundando os questionamentos. Sondei para confirmar até onde eles entendiam o que realmente significa trabalhar lá. Ninguém dessas pessoas tinha noção do nível de cobrança, comprometimento e qualificação que esses lugares dos sonhos exigem. Após eu expor a eles como era, todos recuaram e repensaram.
Passamos a maior parte de nossas vidas em nosso trabalho, e é um absurdo não gostarmos do que fazemos ou não estarmos satisfeitos.
Não entendo como podem as pessoas acordar todos os dias e irem a um lugar onde não aguentam mais, ou que seja preterido em relação a qualquer outro.
Ambição é fundamental, como já citei anteriormente, mas a satisfação é mais ainda. Ou aprendemos a nos contentar com o que temos enquanto temos, e sermos felizes com o que estamos fazendo, mesmo que almejando mais e buscando mais, ou sempre estaremos frustrados.
Tem gente que afirma ser o melhor emprego do mundo aquele que paga absurdamente bem, mesmo que não satisfaça. Mas se pensarmos, mesmo que ganhássemos muitíssimo bem, se formos infelizes no local onde gastamos um terço de nossas vidas, e levando-se em consideração que outro terço dormimos e que sobra apenas um último terço para fazer todo o resto, é seguro afirmar que seremos frustrados e infelizes.
Torno a falar a célebre: ame seu trabalho e você nunca mais trabalhará!
Enquanto as pessoas não perderem a mania de achar a grama do vizinho mais verde, não saberão apreciar sua própria grama.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 2.11.2012

Corrigido/editado por Patrick Heinz

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cápsula da invulnerabilidade

Esses dias um fato veio a corroborar e endossar o que sempre defendo no trânsito, e infelizmente foi logo comigo, que sou o Joãozinho do passo certo quando dirijo.
Estava na carona, mas mesmo que não estivesse não havia muito o que fazer. Estávamos indo para casa, e a distância de onde estávamos até nosso destino era de quatro quadras. Quatro míseras e insignificantes quadras.
Pois foi nessa distância miserável e desprezível que, sem a cautela óbvia e mínima necessária, um condutor abre a porta do seu veículo já estacionado, sem chance de manobras à quem estava conduzindo o carro em que eu confortavelmente passeava.
O resultado foi um lado inteiro do nosso auto, lanhado e amassado, e a porta do outro entortada.
Por conjectura do destino e sorte ninguém se machucou e foi apenas um acidente bobo e com danos materiais. Mas e se uma criança tivesse aberto a porta e saltado para fora? Imaginem quantos “e se” poderíamos colocar nessa situação? Nessa mesma medíocre distância de reles quatro quadras, um carro poderia se atravessar perpendicularmente ao meu percurso e levar meu carro por metros, arremessar-me contra uma árvore, etc.
Então aqui vem a minha pergunta: Por que as pessoas acreditam debilmente que pelo fato de ser uma curta distância nada vai acontecer? Por que motivos uma invisível cápsula superprotetora cobriria as pessoas?
Por acaso quando a distância é resumida entramos numa outra dimensão pela janela do cotinuum espaço/tempo que nos torna invulneráveis a qualquer tipo de acidente que possa vir a ser provocado por todo e qualquer condutor próximo a nós? E ainda todas as pessoas que poderiam sofrer com uma fatalidade e imprudência nossa?
Se a resposta é não, então por que afinal de contas as pessoas não colocam o bendito cinto de segurança?
Eu ouvi de dois parentes no final de semana o seguinte: “Não vamos colocar o cinto porque confiamos no motorista”. Isso me revoltou tanto quanto ouvir alguém dizer que pularia de um penhasco confiando na camada de ar que se formaria embaixo dele ao se aproximar do chão amortecendo a queda.
As pessoas tem o costume de preocupar-se apenas com longas distâncias. Aliás, esse é o motivo de a maioria dos acidentes acontecer próximo ao destino final, pois quando a distância começa a minguar, acontece o mesmo com a atenção e o zelo.
Todo esse discurso é apenas para, mais uma vez, cobrar das pessoas que utilizem o que elas já deveriam estar utilizando: o cinto de segurança, mesmo que estejam no banco traseiro ou que seja uma pequena distância.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado em quem bebe e dirige acreditando que ir devagar evitará possiveis batidas. Evita mesmo que outra pessoa não o veja e bata em seu carro? Evita que a falta de rapidez no raciocínio característica da bebida poupe uma vida?
Vejo muita gente reclamando que a polícia não deveria fazer blitz e controlar o cinto e a bebida, que deveriam prender bandido, mas a pessoa que utiliza o carro como arma independente se com dolo ou com culpa, é tão criminosa quanto.
Recomendo a leitura de outro texto que fala também sobre isso, mas de forma menos abrangente, pelo link abaixo:
HTTP://rodrigozucco.blogspot.com.br/2011/03/teoria-dos-superpoderes-sindrome-do.html

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.10.2012
Corrigido/editado por @analeticiasilva 
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Para bom entendedor

Como eventualmente releio meus textos, um dia desses retomei a leitura de um que falava sobre tomates. Então pensei que se colocarmos os tomates na tomada, certamente levaremos choque. Mas como saber enquanto não tentarmos? Que adianta todos dizerem que colocar tomates na tomada provoca choque se eu ainda nem cheguei perto disso. Ora, tomada dar choque, se o metal fica lá para dentro...
Mas ainda falando dos tomates e do choque, isso acontece porque a energia, que é a mesma que provoca faíscas nas antenas das pipocas dos micro-ondas, faz o micro explodir, quebra os pratos de vidro, é conduzida por qualquer coisa com matéria emocional.
E se a velocidade do liquidificador ficar armazenada com a mesma energia motor enquanto for ao copo e depois ao estômago? Fica aquela sensação de que tudo está girando, como se tivessem pássaros se afogando ali. Mais ou menos como ocorre quando se mexe uma panela com comida.
Interessante não acha? Tanto quanto o fuço do porco, o rabo, os olhos, as patas e o que mais interessar aos mais peculiares paladares enquanto boiam num bom e empanzinante banquete de feijoada.
O chifres não vão aí, mas precisam ser citados. Porco não tem chifre? Hum... creio que todos tenham ao menos propensão a tal fatalidade. Mas mesmo que não entrem em um bom e farto prato caseiro, quem sabe em alguma confraria aparece um ou dois. Mesmo porque é tempero certo para muitos comilões.
E a melancia grande que ninguém come sozinho é o principal alimento utilizado com esta especiaria oriunda mais de comerciantes de coração, moral e índole duvidosa do que de camponeses que plantam e semeiam com carinho suas modestas hortas.
Pode ser chamado perfeitamente até de uma faca de três gumes, que como todos conhecem possui três fios, e corta em todos, e machuca sempre no final das contas.
Porque o pinhão tem casca grossa e é difícil tirar a semente de dentro, e mesmo que o faça, se não estiver assado ou cozido, não poderá ser consumido. Ao contrário da frágil pitanga cujo vento mais assanhado já força seu despencar da árvore. O primeiro embora saboroso, é trabalhoso e estufa; a segunda é delicada, frágil, macia e doce.
Cada um usa a tática que melhor lhe favorece, a pitanga bem colorida e doce; e o pinhão bem rijo e com casca, mas com uma semente de sabor incomparável.
Nada é tão óbvio quanto a cocacante refrescóla dos adolescentes apaixonados, nem tão complexo quanto a estratégia Kasparoviana dos adultos.
Tudo faz o maior sentido e falar muito, falando nada e dizendo tudo é, incomensuravelmente mais difícil do que simplesmente falar o que pensa em claro português.
Parafraseando o Chaves, só os inteligentes podem ver. Ou quem sabe os loucos que nem eu. Pois como diria um velho deitado, um dia é da calça e outro do calçador, e há malas que vão para Belém. Ou seja, para o bom entendedor, meia pa ba.
E tudo foi dito claramente como água, mas os porcos nunca entenderam o valor das pérolas.
Quem não entendeu, é porque não leu com malícia suficiente.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.10.2012
Corrigido/editado por @analeticiasilva 
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ninguém é uma Ilha

Segundo o poeta John Donne, do século 16, nenhum homem é uma ilha, e eu concordo. Tudo bem que somos todos produtos do meio e como tal sofremos influências sociais, as quais moldam nosso caráter, mas também somos inteligentes o suficiente para sabermos que todo ser humano é lapidável e pode aprender, crescer, mudar e evoluir quando achar que deve.
Ocorre que vivemos em uma época de insatisfação e infelicidade, pois fomos ensinados a consumir, a ter, a ir pelo mais fácil e quando não conseguimos isso em alguma instância, nos deprimimos. Aliás, este é um dos motivos pelo qual a depressão é a doença da moda.
Quantas pessoas que você conhece são felizes? Quantas levam a vida em plena alegria? Quantas lhe contagiam com alto astral e raramente ou nunca falam de problemas e coisas ruins? Quantas encaram adversidades como estímulo e desafio? É... hoje em dia as pessoas estão acostumadas a viver a margem da realização, sempre esperando o carnaval chegar. Conheço pessoas que estufam o feito para falar "sou eternamente insatisfeita!", mas e daí? Daí que pessoas assim assistem a vida passar e depois de um tempo, olham para trás com arrependimento. As que se flagraram e resolveram tomar atitudes agora vivem a vida, se arriscam mais, dão a cara a tapa, se aventuram, tentam, fazem, enfim... têm atitude. Algumas apenas se deprimem por não ter uma vida como gostariam e colocam a culpa nisso ou naquilo, mas não entendem que são as verdadeiras responsáveis por seu estado de inércia emocional. Há também as pessoas que sequer enxergam que têm esse problema, vivem uma vida inteira - que já é extremamente breve - crendo que estão certas, mas de fato não vivem.
Não lhe parece inteligente que quando algo não está certo deva ser mudado? A pergunta que deve lhe ter insurgido a cabeça agora é: "Acha que é fácil?" Em momento algum eu disse que atingir a felicidade era algo fácil, mas, convenhamos, o que é mais difícil, atravessar uma vida toda assistindo os cavalos da oportunidade passarem diante dos seus olhos sempre pensando no "e se" e por fim conformando-se num trono de infelicidade quase que permanente com apenas instantes de efêmera felicidade ou arregaçar as mangas e ir a luta?
Perceba que simplesmente ao assumir a atitude de correr atrás da felicidade já fará com que a pessoa encare os momentos com outra postura e isso trará, de imediato, algum resultado positivo. O passado é nostalgia e o futuro uma incógnita, e você não tem nada além do presente para desfrutar. Encare o presente como um presente. Não espere ter dinheiro, ter emprego, se formar, casar, ter filhos, etc., para aí então ser feliz. Quem lhe garante que amanhã terá a mesma saúde? O que vai contar para seus netos? Terá netos sendo uma pessoa vazia?
Bom, voltando ao assunto da ilha, é certo que todos gostam de alguém ao seu lado e eventualmente atrelam a felicidade a isso. Faz sentido e não creio que de fato, uma pessoa se realize se não conseguir compartilhar bons momentos ao lado de alguém que possa amar e se entregar - ninguém é uma ilha. Mas deve-se ser feliz sempre, mesmo antes de encontrar o que chamam de alma gêmea. Só que o "mercado" oferece muita fartura e é mais fácil desistir da pessoa que tem algum defeito e procurar a perfeição em outra do que insistir naquela que, apesar de ter defeitos, tem cumplicidade. Vejo pessoas que são apaixonadas por outras, com uma química que possibilita a quem está perto enxergar faíscas, que se entendem bem com pele, que conversam por horas a fio, que se gostam, mas que acabam se desistindo por não querer ceder, por não saber aceitar ou relevar aquela(s) característica(s) especifica(s), depois acabam procurando as tais qualidades em outras pessoas.
Todo relacionamento é único e tem pontos positivos e negativos, a minha pergunta é: Por que as pessoas não investem nas outras? Por que não insistem? Por que preferem abrir mão a tentar? Por que têm medo de se expor, de sentir, de se entregar, de saírem da casca? Por que enxergam e valorizam mais os defeitos nos outros do que as qualidades? Por que se pseudo-envolvem? Tenho um primo que namorou uns 10 anos, e sempre foi uma bagunça de volta e acaba. Uma pessoa infeliz diria, por que não acaba logo se já viu que não dá certo? Por que não procura outra pessoa? Vejam, esse é o pensamento do ir pelo mais fácil, do mercado com muita oferta. Essas pessoas não entendem que um olhar da pessoa que se gosta é único, que eles estão permanentemente se ajustando, perfeitas metamorfoses ambulantes, e enquanto isso eles vão vivendo felizes. Mas se são felizes, por que acabam? Todo relacionamento tem problemas e a maturidade vem com a experiência. Certamente os problemas resolvidos no passado não tornam a ocorrer. Uma música pra eles significa mais do que para outras pessoas, eles têm a música que toca, um sorvete, um filme, um lugar, um beijo, um cheiro, um momento, um sorriso, um hábito, um apelido... Isso é algo que não tem preço, não pode ser substituído. Percebe que eles possuem "momentos mastercard" a todo instante?
Enfim... quero apenas deixar registrado que se você está com alguém, se entregue, se envolva, faça valer, viva, aproveite, ceda, releve, aceite, beije, cheire, sorria, seja feliz! Não tenha medo de sair da casca e de mostrar quem você realmente é, pois no fim a pessoa que está com você - e aqui se incluem também os amigos - na verdade gosta de quem você realmente é e não de quem diz que é, afinal, você é o que você faz e não o que você fala. Não perca a oportunidade de ser feliz ao lado de alguém que pode lhe fazer feliz por acreditar que algo melhor está por vir, pois pode não vir e você acabar esperando tanto por essa pessoa ideal que vai chegar um momento que você acabará pegando a primeira que aparecer na frente, aceitando todos os defeitos, só pra não ficar mais nesse inferno de solidão.

 Publicado em: A Tribuna Regional no dia 12.10.2012
Corrigido/editado por @analeticiasilva 
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Casamento


Tenho um primo que foi tocado pelo amor. Mas daqueles verdadeiros e arrebatadores onde a paixão não lhe abandona. O relacionamento findou e ele ainda não se curou. Ele não acredita no matrimonio. Vê o copo meio vazio em uniões. Argumenta que é uma instituição falida. Primeiro que não podemos comparar os relacionamentos atuais com os antigos. Os tempos mudaram, as pessoas mudaram, os relacionamentos mudaram e consequentemente as uniões também. A todas as pessoas que apedrejam o casamento e a esse primo que amo muito e que possui um coração tão grande e forte, com tanta gente e sentimentos dentro que literalmente mal dá conta do recado, tenho algumas considerações a fazer. Estou casando, juntando as escovas de dente, ou no vocabulário dele, me enforcando. Estou no que ele chama de corredor da morte, e estou feliz. Ok, sou louco, doido varrido como todos asseguram, mas não por isso. Estou aqui para assegurar que o amor existe ainda, a paixão também, os bons sentimentos idem. Valores e caráter não se extinguiram. Respeito é utilizado por quem sabe de sua importância. Dizer que todos os seres da face da terra negligenciaram seus valores mais caros em detrimento de uma causa superficial é, no mínimo, um ultraje. Os humanos ainda sentem, acreditam, têm fé e esperança. Querem ter uma família feliz com filhos e amor. Uma das pessoas que mais admiro, meu pai, ainda quando eu era pequeno ensinou-me que um relacionamento dura apenas se o casal for inteligente. E eu aprendi quando eles se separaram depois de 50 anos de casados que além da inteligência é necessário Q.E. (quociente emocional), para conseguir dialogar. Há algumas situações as quais eu chamo de momento Mastercard como deitar na cama e encaixar os corpos, aquecer-se mutuamente no inverno, sorrir de besteiras, poder ser sincero e honesto em coisas delicadas, achar belo o rosto inchado pela manhã, esfregar os pés automaticamente ao mesmo tempo, sintonizar-se, conhecer a frequência de tudo, entender que aquele tipo de respiração é nervosismo e que a outra é tristeza, ganhar um upa carinhoso, ouvir palavras de gratidão e carinho, ser presenteado com um sorriso sincero e irradiante que contagia e alegra seu dia e espírito, sentir o cheiro da outra pessoa em você durante o dia, vê-la usando suas roupas, sendo criança, brincalhona, feliz apenas por estar contigo fazendo nada de especial e isso ser recíproco, passear junto, conviver, conversar, trocar ideias, mudar de opinião, ceder, ousar, conquistar, apresentar aos amigos, entre muitas outras, que não tem preço e pesaram para eu decidir pela aliança. Acontece que precisamos encontrar alguém que consiga manter-se calma enquanto estamos brabos, que aceite como somos mesmo que para isso precise ceder em alguma coisa, pois ceder faz parte. Que saiba conversar na nossa linguagem, que respeite nossos princípios, que compartilhe ao menos da maioria de nossos valores, que nos incentive, nos acompanhe, nos apoie, nos auxilie, nos encoraje e principalmente, que tudo isso seja recíproco. Ninguém sai de um relacionamento como entrou, sempre mudamos, evoluímos, aprendemos, melhoramos. Isso faz parte do processo evolutivo individual. Levamos coisas da pessoa conosco e deixamos coisas nossas. Os condicionais existem sim, não é uma fusão de personalidade e de dois corpos em um, a individualidade permanece. Se não fumar é importante para mim e ela fuma, ou eu não namoro com ela, ou se já o faço, negocio. Fumei durante 6 anos de namoro, ela aceitou e eu parei apenas por escolha pessoal. Óbvio que é necessário ultrapassar dificuldades por amor. Mas isso não significa que certas condições inexistam. Eu amo minha futura esposa, mas ela que experimente fazer greve de sexo para ver o que ocorre. Ou seja, sexo é uma condição. Não há como testar antes de casar. O que fica subentendido do casamento só é somatizado quando de fato acontece. E é quando se sente isso na pele que as coisas ocorrem. Sair testando os limites dos outros é suicídio matrimonial. O amor cresce com a convivência e ao longo disso aprendemos a zelar. Não há como evitar meter-se na vida do outro pois as vidas nesta etapa são compartilhadas, bem como finanças e decisões. Não é necessário dinheiro e estudo para estabelecer uma união. Tem gente que vive bem na miséria, que não precisa ter para ser, que aceita mesmo e de cara limpa novos desafios por amor, que faz de sua inteligência o suficiente para um diálogo e um bom entendimento. Não há imposição, isso é falácia. Quando um não quer, dois não casam. E a culpa do insucesso não é do casamento e sim das pessoas que não são capazes de permanecer como estavam antes de fazê-lo. Reforço, o que muda é o que fica subentendido. Minha dica é que casem, mas permaneçam eternamente namorados. Fazer-se ouvir faz parte da receita do sucesso. O grande segredo é: Depois de casados, não mudem! Não esperem que o marido mude. Ele não vai mudar. Se você namorou com ele e decidiu casar é porque gostava de como era. Então mudar agora sob que argumento? Não pense que agora pode mandar, que agora ganhou um certificado de autoridade. Não mude! A pessoa gostava de você como vinha sendo e casar não significa que novos direitos são conquistados. A diferença mais importante é que muita gente hoje se respeita demais para continuar com algo que já acabou. E antigamente as aparências importavam mais. Hoje pensamos em nós tanto quanto na pessoa que amamos e temos coragem de encerrar algo que não nos completa. Talvez o casamento hoje seja até mais verdadeiro, claro e saudável que antigamente. Talvez até as pessoas hoje se separem e continuem amigas, coisa que não ocorria no passado. São muitas variáveis a serem levadas em consideração e pesam demais para uma sustentação tão frágil como um comparativo com o que era no passado. Meu conselho: CASE-SE, atreva-se, dê a cara a tapa, esforce-se e de o melhor de si para que dê certo, acredite e só então opine. Poucos vencem, pois poucos tentam até o fim.





 Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.10.2012
Corrigido/editado por @analeticiasilva 
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Campanha

Podem me chamar de louco, mas prestei-me a ficar provocando muitas pessoas que convivem comigo, questionando-as, aplicando a teoria de provocar choque emocional para ler o que seu semblante manifestava espontaneamente.
Comecei questionando todos sobre Steve Jobs, se o admiravam e quantos se identificavam com ele. Depois perguntei se possuíam algo de inovador em si, se consideravam que ao menos uma fagulha do espírito de inovação do guru da Apple fluía em suas veias.
Segundo o dicionário, inovação significa introduzir novidades, renovar, inventar, criar... Ou seja, há uma classe a qual classificamos como normal, e o que foge disso é novidade, novo, inovador.
Quando começou a ser “descoberto” pelas massas, o terceiro sexo era algo inovador. Assim como gêneros musicais, roupas, tecnologias, comidas, nomes... Embora o bom senso não imperasse nessa época.
Importante salientarmos que bom senso é necessário e que cada um tem um gosto. Mas algumas coisas são senso comum. Por exemplo, nomes como Ricardo, Roberto, Rafael, Rodrigo, Daniel, Mario...
Bem, o gênio que criou a saga dos “is” como iMac, iPod, iTunes, iPad e iPhone, optou por atribuir o i de inovação às suas criações e todo mundo achou legal. Mesmo que muitos apenas tenham descoberto agora para que servia essa letra nos nomes.
Quando Jobs iniciou na Apple, muitas ideias suas foram tidas como afrontas, o chamaram de louco, de inadequado e até o afastaram de sua empresa. Depois tiveram que ceder e reaceitá-lo. Imagina o que seria da Apple sem ele? Ou melhor, o que seria se não o tivessem escorraçado durante tantos anos? (ele pediu demissão, mas não poderia ter ficado) Importante ressaltar que esses anos foram cruciais para as empresas de tecnologia.
Fico imaginando ele em sua casa, com sua esposa, e penso se ela agiu com ele da mesma forma como a Apple fez. Fico pensando se ela tinha a competência e o discernimento de enxergar tão longe quanto ele, ou se foi mesquinha, pequena e limitada como os acionistas da inventora do Macintosh. A mãe da primeira filha provavelmente não, pois não ficaram juntos.
E nesse exercício de imaginação vou além e tento desenhar o enredo da cena dessa mente incomparável tentando convencer seus colegas de trabalho de que uma ideia maravilhosa valia a pena assim como discutia com sua esposa em casa quanto a algo que só ele poderia ter pensado.
Então me acompanhem nesse exercício imaginativo e pensem que a esposa dele o abandonou assim como a Maçã por não aguentar mais suas tentativas a frente do tempo, inadmissíveis para alguém tão limitada quanto ela. Quem saiu perdendo no fim das contas? A Apple que ficou sem “o cara” durante uma das melhores épocas da tecnologia? Ou a Pixar que foi inovadora na indústria cinematográfica desbancando na época a tradicional Disney? Ou a esposa que preferiu ficar com alguém que se resigna aos limites tradicionais e ao rotineiro conformismo nada criativo do quotidiano? Será que o grande criador de inovação aguentaria muito tempo com alguém que, ao invés de impulsioná-lo, enraizava-o nas terras duras, secas e inférteis da rotina?
Gosto de acreditar que ele não se prenderia ao que quer que fosse que o limitasse em sua caminhada inovadora. Que ele seguiria tal e qual um paladino em busca de finalmente concluir sua jornada. Empanzino-me de satisfação ao projetar em minha cabeça a cena dele escolhendo um nome inovador para seus filhos e principiando uma guerra que poderia culminar em desquite.
Primeiro veio Roberto, então alguém inovador resolveu ter a coragem de colocar o nome de Roberta em sua filha e todos se chocaram. Falaram que ela sofreria bulling, que seria motivo de chacota no colégio, que fariam piadinhas, que era feio, estranho, que não gostavam. Mas a esposa dessa pessoa provavelmente teve a coragem de perseverar junto com seu consorte e seguiram em frente, abrindo as portas para que hoje lindas Robertas existam e ninguém mais ache estranho, posto que todos acostumaram.
O mesmo aconteceu com Rafaela que veio de Rafael, ou com Daniela que veio de Daniel. O inverso também acontece, como Mario que veio de Maria. Agora pergunto, e se o pai dessas crianças fosse um Steve Jobs que estivesse tentando fazer uma pequena diferença em sua realidade pessoal, tentando mudar o mundo, mesmo que uma pequena parte, no que lhe é possível, e então fosse tolhido?
Ora, Ricarda, que vem de Ricardo, embora ainda soe estranho aos nossos ouvidos, já está virando normal. Mas Ricardo não é um nome feio, já estamos acostumados com ele. Então qual o problema? Por que muitos dizem que não gostam de Ricarda?
Eu respondo. Porque são pessoas que não estão preparadas para mudança, gente que não gosta de inovação, que quer que esse tipo de “coisa” ocorra com os outros. São os que esperam para ver o que acontecerá para então tentarem, experimentarem. São os que nunca serão os primeiros, pois temem o desconhecido, hesitam arriscar-se. São os que vivem na sombra de Drummond.
Então, venho, por meio deste, rogar-lhes apoio para a campanha por Rodrigas. O nome é, antes de mais nada, inovador. Rodrigo não pode, definitivamente, ser considerado agressivo, já que é algo ao qual todos estamos acostumados já de muito. Principalmente, que me socorram e reforcem junto a minha família a qual está tentando fazer tal e qual a cúpula da Apple com o Steve.
Não permitam que essas pessoas de pouca visão inovadora (vou apanhar) me impeçam de manifestar minhas melhores intenções de legado para as gerações vindouras.
E para aqueles que concordam com meus familiares que alegam que Rodriga é esdrúxulo, redarguo que não é, pois é apenas o feminino de um dos nomes mais comuns no Brasil. Apenas não é normal aos seus ouvidos ainda e por isso parece feio. Pura falta de costume, mas esdrúxulo, definitivamente, é uma qualificação errada. Esdrúxulo é Facebuquison, ou Létisgou.
Para Rodriga como nome de minha filha.  :)


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 10.10.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Efeito Borboleta

Frequentemente me pego imaginando em como seria minha vida se determinadas decisões tivessem sido tomadas de outra forma, mais ou menos como o filme Efeito Borboleta.
Estava lembrando da minha infância e de tudo que compartimentalizei ou apaguei da memória e não consigo mais ver quando passo o filme da minha vida na tela da mente.
Quando penso nisso, divago quanto ao que teria sido de minha personalidade hoje se eu tivesse sido mais corajoso com as coleguinhas por quem eu era apaixonadinho ou se eu tivesse entendido que estudar a sério realmente me daria um bom futuro.
Como seria se cada decisão tomada e os consequentes aprendizados acumulados que moldam nossos valores, personalidade e caráter tivessem sido diferentes?
Penso que muito do que sou, e também do que deixei de ser, é por influência do mau exemplo que meus irmãos mais velhos, na época ainda pós-adolescentes, me davam. E, consequentemente, eles tiveram o exemplo de alguém que moldou suas personalidades. Assim como meu pai e minha mãe e por aí vai...
E se eu tivesse como voltar no tempo e mostrar uma foto ou vídeo aos meus irmãos e mãe ainda saudáveis deles definhando em uma cama nos últimos dias de vida, ainda jovens e com câncer? E se eles pudessem optar por largar os vícios e cuidar de si a tempo? E se hoje fôssemos uma família unida e completa, todos saudáveis e todos trabalhando juntos em busca de um objetivo comum?
Como seria a influência da vida deles em minha vida? Em minha personalidade? Em meu futuro? E como seria a influência de minha vida na das pessoas com quem convivo?
Todo esse exercício é apenas pra expor que toda e qualquer decisão que tomamos, gera uma consequência não só na nossa própria vida, como na de todos que fazem parte dela, e que é necessário zelo e coerência. Precisamos ser consequentes quanto a qualquer ato, desde dobrar uma esquina para direita ou esquerda até abordar ou não o amor de sua vida numa ocasião inusitada.
Só que isso não é simples assim, pois tem o lado de não deixar a vida passar, de dar a cara a tapa, de permitir as coisas acontecerem e arriscar-se, empreender, autodescobrir-se, enfrentar os medos, ser concupiscente...
A vida é complexa, mas não é tão difícil como muitos pintam. Ocorre que nós a complicamos às vezes. É tudo muito claro para quem tem o coração leve e a mente aberta.
Para dizer também que não devemos desperdiçar as oportunidades da vida, que precisamos tomar cuidado quanto às escolhas que tomamos e principalmente, que devemos cuidar de quem queremos bem.
Por sorte li a tempo -e sensibilizei-me ao fazê-lo- um e-mail que dizia que devemos verbalizar os bons sentimentos aos que amamos, pois nunca sabemos o dia de amanhã. Graças a isso, comecei demonstrar meus sentimentos de forma mais profícua e cobrir minha falecida mãe de "eu te amos", o que me foi muito resignante dois anos depois quando ela faleceu. Tentei fazer o mesmo com meus irmãos, mas como nem tudo depende apenas de nós, consegui apenas com um.
Faço isso com amigos o tempo inteiro, mesmo que uns me olhem atravessado ou sem jeito. Abraço, beijo, cuido, demonstro, xingo, dou lição de moral, aconselho, invado a sala da intimidade sentando bem no meio, cevo um mate e fico pitaquiando. Ainda estou aprendendo a ter a mesma desenvoltura com a família e considero-me mais maduro agora do que jamais fui, e considero-me recém no começo da caminhada.
Então a dica é: ame, demonstre, e exponha-se, pois um pequeno gesto desses pode mudar sua vida completamente, assim como a das pessoas que você ama. Talvez se eu soubesse disso quando criança, eu tivesse conseguido mudar meus irmãos e mãe, né? Vai saber...


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 07.09.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Não Julgar

Uma das minhas colegas de trabalho sempre briga comigo alegando que eu julgo as pessoas. Ela defende que não devemos julgar, pois não sabemos qual a realidade de cada um e que o que percebemos necessariamente não é o completo. Eu discordo e explico o motivo.
Estávamos deliberando sobre uma conhecida em comum que, de uma hora para outra começou a maquiar-se, envaideceu, começou a sorrir mais, a vestir-se melhor, etc. O detalhe é que ela é casada. Foi então que eu comentei: "Ela deve estar traindo o marido, pois uma mudança radical assim não acontece sem um motivo".
Pronto, minha colega surtou. Disse que eu venho com essa balela de ler pessoas, que esses estudos neurolinguísticos não tem fundamento e que eu não posso pegar apenas um fato isolado como esse e alegar que a coitada é promíscua. Que eu fico julgando as pessoas e que isso é errado. Que ela não julga e que não devemos julgar. Resumindo, tentou repreender-me como se eu fosse uma criança.
Ofendi-me e redargui. Primeiro que uma mudança brusca em coisas importantes como o comportamento, a autoestima, a vaidade e afins, necessariamente, são desencadeados por algo, quer ela queira reconhecer ou não, ninguém muda sem um motivo. Segundo que todo e qualquer ser consciente julga, faz parte do instinto de sobrevivência.
Estamos permanentemente julgando tudo e todos. Se eu estou andando na rua de noite e vem alguém em minha direção, eu olharei para a pessoa e efetuarei uma avaliação. Isso é automático, líquido e certo. Ou então eu darei a oportunidade para que um marginal me assalte, esfaqueie e assassine simplesmente porque não devo julgar aquele ser mal vestido, mal encarado e com claros sinais de más intenções que avança contra mim?
Avaliamos os comportamentos constantemente. Eu gosto de pessoas inteligentes, logo, sempre avalio os que me cercam e se as considero abaixo de normalidade, já não classifico como potencial companheiro de tergiversação. Notem, isso é um julgamento. Conversei com a pessoa e a julguei burra ou inteligente, seguindo meu próprio critério e parâmetro. E é assim mesmo que acontece em nossa vida.
Eu julgo a empresa em que trabalho, meus parentes, minha consorte, meus amigos, os famosos, os desconhecidos... Quem consegue abstrair e não julgar ao ver outra pessoa praticando um ato reprovável?
Julgar é necessário ou então sofrerei as consequências dessa negligência, que vão desde sofrimento emocional proveniente de pessoas inescrupulosas que estão sempre prontas para tirar algum tipo de vantagem dos imprecatados, passando por falta de zelo na escolha por ambientes salubres e chegando até os amigos ou cônjuges.
Naturalmente selecionamos em nossa vida e isso é essencial. Somos o resultado de um acúmulo de experiências. Se eu sei que maionese estragada provoca dor de barriga, eu tomo mais cuidado quando for comer maionese novamente. Se eu já apanhei por provocar alguém, certamente não mais provocarei pessoas do mesmo tipo. Se eu sei que botar o dedo na tomada dá choque, não mais o farei. Isso diferencia seres conscientes de coisas que não pensam.
Se eu sei que garotas que vestem-se libertinamente, de acordo com minha experiência, não são emocionalmente confiáveis por não saberem o real sentido de fidelidade, e eu quero um relacionamento sério, fundamentado em reciprocidade, lealdade e integridade, certamente quando estiver avaliando potenciais candidatas a namoradas, desconsiderarei esse nicho. E isso é um julgamento escancarado. E não está errado.
Aliás, nem precisamos ir tão longe. Se eu não gosto de pessoas que vestem-se da forma supracitada e vejo uma garota que se porta como alguém que vestir-se-ia assim, certamente eu nem me atreveria.
Assim como homens que gostam de mulheres desbocadas, seguras, decididas e taradas, ao verem uma mocinha encabulada e toda certinha, falando manso e vestindo branco e rosa, sem decotes e com uma "chuquinha" no cabelo, nem perdem tempo.
Julgar faz parte e não está errado, o que precisamos, isso sim, é darmos oportunidade às pessoas e aprendermos a aceitar as diferenças e as pessoas como são. Talvez a pessoa lá do início não estivesse traindo, tudo bem, chega a ser um absurdo, mas não significa que eu estivesse errado. Significa que eu fiz um julgamento pejorativo que servia apenas para denegrir a imagem dela e não para algo produtivo a mim.
No final, talvez essa minha colega apenas queria dizer para julgar apenas quando necessário e quando tiver um propósito produtivo. Mas depois que aprendemos a fazer, pisar no freio é complicado, e isso fica para quem sabe outro texto...


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 1.09.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco