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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O cético e o crente



Há um bom tempo li o texto abaixo por acaso na internet e fiquei fascinado. É incrível como limitamos nossa visão a respeito de coisas tão claras, simples e óbvias.
Esse texto em especial, embora curto e tergiverso, fala sobre religião e a visão dos humanos a respeito de Deus, de vida após a morte e de como vemos o mundo a nossa volta.
Não pretendo, absolutamente, tocar no assunto religião. Mas quero trazer à pauta a forma como percebemos a vida.
De uma forma muito inteligente alguém conseguiu reproduzir em texto um questionamento claro e profundo, forçando-nos a refletir a respeito da existência.
Em algum eventual futuro retomarei o assunto com o habitual questionamento, mas por agora a ideia é provocar reflexão.
Segue...
“No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...”
Autoria desconhecida...)

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 05.10.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Estelionato

Recorrentemente fico sabendo de alguém que caiu em algum golpe aplicado por estelionatários. São golpes toscos e que me deixam profundamente irritado, não por lesar a vítima, mas por terem acreditado em algo tão ridiculamente burro.
Vamos pegar como exemplo os velhinhos. Do nada aparece alguém, que sabe de algum negócio e não pode esperar até a semana que vem para consolidá-lo e felizmente por um milagre divino está ali ao lado um sujeito que tenha um pouco de dinheiro, o suficiente, justamente para fechar esse negócio.
Primeiro que se fosse algo garantido, honesto e sério, essas pessoas pegariam empréstimo em banco ou mesmo com agiotas, afinal de contas não há o que errar. Segundo que se esses “velhinhos” realmente acreditassem que isso estava certo e que não haveria problema algum, eles não teriam motivos para esconder dos familiares. No entanto todos eles escondem, sacam o dinheiro, e repassam aos estelionatários à surdina.
E o pior não é isso. O pior mesmo é que ainda tem a cara de pau de aparecerem na TV ou em qualquer outro lugar chorando e falando que foram enganados e enrolados por algum vigarista que se aproveitou da sua pobre inocência.
Minha inocência eu perdi antes dos dezoito, será que esses senhores ainda mantinham as suas incólumes? Ou malandro é o pato que nasceu com os dedos juntos?
O que revolta é pensar que esses seres desprovidos de capacidade cognitiva (e sim, é para ofender mesmo esse bando de ganancioso corrupto) independente da idade, acham que ganhar dinheiro fácil acontece assim... Virou Disneylândia agora?
Todo mundo que toma esse tipo de golpe é apenas porque se acha mais esperto que os outros, quer dar um jeito de lograr alguém, quer ganhar dinheiro fácil. Na verdade estão é sendo passados para trás tal e qual imaginam fazerem no momento do estelionato, e ainda tem a petulância de reclamarem depois e dar parte na polícia.
Ora tenha santa paciência! Se eles fossem pessoas honestas, de bem, boa índole e costumes, isso jamais teria acontecido, pois teriam colocado a mão em suas consciências e entendido que aquele tipo de negócio proposto não estava certo e que seguramente acabaria onerando outrem.
Quando me perguntam se eu sinto pena de quem toma esse tipo de golpe, a minha resposta é rápida e segura: Independente da idade, posição social, poder financeiro ou o que quer que seja, torço para que essas pessoas que querem sempre dar o jeitinho e passar por cima das outras acabem sempre se dando mal ou tomando o golpe de alguém mais rápido.
Errar é humano, mas querer lograr o próximo é digno de repúdio. Quem faz a coisa como tem que ser, não cai nesse tipo de conto do vigário.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.09.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Todo mundo é corruptível!



Já conversei com muita gente que fala mal dos políticos ou de pessoas gananciosas com uma indignação preocupante. O discurso é sempre o mesmo: dizem que eles são corruptos, que praticam ultrajes por dinheiro, que são mercenários, etc.
Quando a conversa desenvolve, começo a questionar essas pessoas quanto as suas convicções concernentes a valor e caráter e todos sucumbem, sem exceção!
Os questionamentos na verdade são bem simples e objetivos. A pergunta é uma só. Se você fala mal dos corruptos com tanta voracidade e sede de punição então significa que não é corrupto também? A resposta é sempre afirmativa.
Isso significa que as pessoas não se corrompem pelo que quer que seja. Seguindo o raciocínio normal dos interlocutores, se são sedentamente contra corruptos é porque condenam toda e qualquer prática de corrupção.
Vou citar dois exemplos clássicos de conhecidos que se diziam incorruptíveis e que foram desmascarados:

O primeiro exemplo disse que jamais se venderia pelo que quer que fosse. Perguntei quanto pagaria por uma garrafa de água em um show do rock in rio. Respondeu-me que até R$ 10,00. E se fosse à Disney? R$ 15,00. E se fosse a uma excursão no Egito? R$ 20,00. Em Dubai? R$ 25,00.
Depois de construir todo esse raciocínio de precificação na cabeça desse meu amigo, perguntei se em uma situação hipotética em que ele estivesse perdido há um dia e meio no deserto do Saara, sozinho, sem água nem comida, desesperado de
fome e sede, e aparecesse um brutamontes sádico oferecendo água em troca de favores sexuais, o que ele,       enquanto heterossexual convicto e defensor ferrenho da bandeira machista, faria?
Ele baixou os olhos e disse: “Eu faria o que ele pedisse, você venceu, eu me corrompo por uma garrafa d’água, me prostituo até se for preciso!”
O segundo exemplo, era de uma amiga. Fiz os mesmos questionamentos da água, seguindo os mesmos raciocínios, e ela disse que preferiria morrer a ter que ceder às vontades do hipotético brutamonte.
Nessa hora perguntei como estava o irmão dela que estudava no colégio X, que saía todos os dias na hora tal de casa e chegava toda segunda-feira na mesma banca de revistas Y comprar figurinhas do álbum Z. Antes de eu terminar ela disse: “ok, faço o que tu pedir, mas deixa minha família fora disso!”

Quero dizer com isso que as pessoas, todas, têm seu preço. Uns corrompem-se por ganância, outros por necessidade e ainda uns poucos por falta de opção. E se os políticos não derem alternativa aos que querem se manter honestos?
Se você fosse juiz e lhe oferecessem uma maleta com R$ 100.000,00 para decidir a favor de um traficante e você dissesse não, certamente não
chegaram em seu preço ainda. E se aumentassem a proposta para R$ 500.000,00? E se na recusa aumentassem para um milhão?
Ora, sejamos francos, alguém que se presta a oferecer um milhão para comprar você, pagaria 50 mil para mandar matá-lo ou sequestrar um ente querido seu.
Quero apenas fazer pensar as pessoas que acham que são intocáveis e inatingíveis. Todos temos um ponto fraco, um preço, um motivo, uma necessidade...
Antes de condenar alguém, tente entender se essa pessoa fez por escolha e má índole ou se forçado pelas circunstâncias. Sempre existem três pontos de vista: O seu, o da outra pessoa, e o certo!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.09.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Demissão

 
Para muitos empresários e chefes demitir é uma tarefa simples e fácil. Inclusive alguns até gostam por se sentirem mais poderosos.
Quando trabalhei em Call Center participei do processo demissional de mais de 300 pessoas em um único dia. Confesso que não foi nem um pouco traumatizante.
Ocorre, porém, que quando o desligamento acontece em um universo menor, em empresas de pequeno porte com menos de 30 funcionários, por exemplo, a situação é extremamente delicada.
Não gosto de demitir! Normalmente o funcionário depende dessa renda para subsistir e quando a perde, se desespera.
Quando preciso abrir mão de alguém, pondero muito considerando o fator humano, a necessidade e o valor que essa pessoa dá ao que tem. Converso por muito tempo, pontualmente, tentando orientar quanto a como gostaria que o resultado fosse entregue, os pontos que não me satisfazem e as qualidades a serem reforçadas.
Há um ditado que diz: “Bom funcionário não é demitido”. Será? E se ele não for bom para minha empresa naquele momento? Ou se simplesmente não se adaptou a metodologia de trabalho atual? Quem garante que o mesmo não será extremamente produtivo em outro lugar ou ramo?
Mas é fato que chega um momento em que, ou por custo elevado ou por insatisfação com o resultado, não resta alternativa a não ser o fim do vínculo.
Mesmo nesses casos, fico triste. Preocupo-me ao pensar em como essa pessoa se recolocará no mercado e como se sentirá perante mim e minha empresa.
Sei que tentei conversar, mudar, adequar e melhorar para que não fosse necessário chegar a algo tão drástico, mas a tristeza e preocupação teimam em me açoitar.
É bem verdade que alguns aproveitam o “chacoalhão” para melhorar, mudar e finalmente enveredar por áreas onde de fato se ajustem, mas isso não chega a alentar.
Talvez, enquanto administrador devesse ser mais frio e considerar apenas que se um funcionário não está de acordo com as expectativas e que, apesar das tentativas, não deu certo e não havendo outro caminho senão a demissão. Atuando de forma normal e natural.
Só que desvincular-se de alguém que se convive por muito tempo, onde sonhos; planos; intimidades; brincadeiras; rotinas e lugares comuns são compartilhados é pesaroso para mim.
Não fujo da responsabilidade por ser difícil, mas seria tão bom se todo funcionário demitido soubesse o quanto eu e certamente muitos outros se preocupam com o futuro das pessoas que estão saindo...
Ossos do ofício, ônus da função. Enquanto muitos pedem para sair mediante atitudes inadmissíveis, outros apenas não se adéquam mais a filosofia ou necessidade. A verdade é que sempre espero o melhor para os que estão e para os que já não fazem mais parte da equipe.
Ao mesmo tempo, outra oportunidade se abre para alguém ser recolocado e continuar a roda. O universo é sempre matemático. Enfim... Quem disse que administrar e empreender é fácil?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.09.2013 
Editado/corrigido por Julio Puglia
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rotina – Um mal necessário!

Hoje em dia a rotina é vendida pela mídia como vilã. As propagandas falam em fugir, sair e quebrá-la. Palestras motivacionais, cursos e treinamentos incentivam esse comércio aproveitando-se de pessoas que estão insatisfeitas em seus empregos ou relacionamentos.
A rotina não é a culpada. Pelo contrário, é extremamente necessária. Ocorre que os humanos nutrem o triste hábito de perceber o copo sempre meio vazio.
O segredo é bem simples e está apenas na mudança de ótica de toda e qualquer situação. Enquanto alguns entendem como algo pesaroso, basta que se olhe como produtivo e necessário.
Escovar os dentes diariamente, por exemplo, é uma rotina. Necessária para a saúde bucal e higiene pessoal. Crianças fazem malabarismos para não ter que fazê-lo, entretanto muitos adultos sentem-se mal ao ficarem apenas algumas horas sem.
Muitos falam mal da rotina dos relacionamentos, mas se tornassem isso algo prazeroso, reveriam seus conceitos. E se a rotina for ser feliz todos os dias? E se for divertir-se enquanto trabalha? E se for ser reconquistado, amado, cuidado, mimado, e agradado? Será que ainda reclamariam? Então será que é ela o problema?
Comer faz parte do ritual diário da maioria das pessoas e ainda assim muita gente o faz com regozijo.
Conheci muitos estudantes que criaram uma rotina dura de estudos para atingirem determinado objetivo, e conseguiram. Nesse ponto cito inclusive dois casos em especial. Um deles era meu colega de cursinho. Dizia que sempre que sentava para estudar ficava com sono e resolveu ficar das 14h às 20h sentado na frente dos livros até conseguir aprender durante 6 horas ininterruptas.
Acompanhava semanalmente sua evolução e sua determinação surpreendeu. Na primeira semana ele conseguia manter sua concentração por no máximo uma hora, mas continuava lá na frente dos livros para, segundo ele, que seu corpo e cérebro entendessem a nova rotina e que dali ele não sairia antes das 20h. Na segunda semana ele já estava conseguindo manter a concentração por quase meia hora a mais.
Depois de um mês, essa rotina estava dando frutos fantásticos, ele já estava estudando as 6 horas ininterruptas sem dormir sobre as apostilas. Até o final do ano ele não só ficava todo esse tempo sem sono como cada vez mais aumentava sua capacidade de assimilação. Ou seja, a rotina foi extremamente proveitosa.
O outro exemplo é de um primo que queria entrar em medicina na federal e não saia da frente dos livros nem para pegar um copo de água para não perder tempo, literalmente. Hoje ele é médico.
Outras pessoas criam a rotina de chegar em casa e assistir televisão ou então arrumar a bagunça. Tem até os que seguem a ordem certa de preparar um pão no café da manhã.
Para encurtar a história e fechar o assunto, o problema não é ela, é você que não sabe aproveitar as coisas boas que dela provém. Se todo mundo encarasse isso como aliado e produtivo, de imediato aumentariam a satisfação diária com a própria vida, a produtividade e principalmente a qualidade de vida devido a felicidade que sempre esteve entremeada nessas constantes e perenes tarefas do dia a dia.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 07.09.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini de Sousa
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pena de Morte



Nossa constituição é clara quando o assunto é a pena de morte e posiciona-se veementemente contra permitindo-a apenas em épocas de guerra declarada.
Ocorre, porém, que essa mesma constituição que é ferrenha defensora da vida, está ultrapassada e precisa de uma atualização urgente.
Basta levar em consideração que se o bem maior é a vida, e que quando negligenciamos ou nos omitimos quanto a uma punição mais severa frente a marginais irrecuperáveis estamos colocando em risco muito mais vidas que apenas a daqueles que declaradamente reincidirão nos mesmos delitos.
Não raro tenho o desprazer de ouvir ou ler alguma notícia falando que determinado criminoso foi preso novamente por, mais uma vez, assassinar outrem. E o pior não é isso. O mais nojento disso tudo é que essa escória fala abertamente que voltará a matar assim que for solto.
É muita incoerência libertar alguém que declaradamente irá novamente matar, alguém que mesmo preso continua cometendo atrocidades nas instituições que deveriam, ao menos em teoria, ressocializar e capacitar essas pessoas para convivência em sociedade.
Eu sei que essas instituições estão muito aquém do que deveriam e que servem mais para ensinar os detidos como ser um marginal mais competente do que em torna-lo um cidadão decente. Esse é um ponto que inegavelmente precisa ser trabalhado.
Mas enquanto isso não ocorre, soltar esses “elementos” que já estão absolutamente perdidos não é uma opção já há muito tempo.
É óbvio que inocentes morrerão devido a justiça falha, morosa, burocrática e burra. Entretanto muitos mais morrem do jeito que está atualmente.
Quero dizer com isso que a pena de morte na verdade além de coibir muitos que pensarão bem antes de praticarem atos nefastos sabendo que não sairão impunes, salvará muito mais vidas do que ceifará.
O raciocínio é o mesmo. Se deixar um assassino solto desencadeia mortes, então mate o assassino antes e impeça-o de cometê-las.
Enquanto nossa justiça não funcionar no sentido de limpar os incorrigíveis do mapa, a sociedade continuará sendo vítima e colecionando baixas, além de pagar – e pagar caro – para manter estes em instituições que ao invés de ajudar, só pioram a situação.
Sou a favor da pena de morte e concordo com a fala do Capitão Nascimento no filme tropa de elite que diz: “Bandido bom é bandido morto!”.
Por uma constituição adequada a atual realidade brasileira.
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 31.08.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Maioridade Penal


A justiça está muito atrasada no Brasil. Muita coisa precisa mudar, aliás, já deveria ter mudado há anos.
Um exemplo? Maioridade penal.
Diariamente noticia-se em todas as mídias sobre algum menor infrator que matou, roubou, quebrou, espancou, estuprou e... nada vai acontecer.
Porque está no Estatuto da Criança e do Adolescente. Menor de idade não comete crime, mas ato infracional. Então ele é encaminhado a uma instituição própria para os menores de 18 anos, cumpre um prazo curto de detenção e é liberado novamente.
Não raros são os casos de delinquentes reincidentes em tudo que é tipo de crime, inclusive os mais atrozes. E o final não melhora, depois de completarem 18 anos sua ficha é apagada. Fica limpa como se fosse um cidadão de bem que nunca aprontou algo.
O que eu não entendo é o motivo de haver alguma forma de proteção a criminosos re-re-reincidentes. Oras, providenciem pena de morte ou toquem na cadeia como se adulto fosse. Afinal de contas, para cometer crime de adulto ele tinha capacidade, mas para cumprir a pena não?
Daí sempre aparecem demagogos e a turma dos direitos humanos para zelarem pelo lados dos coitadinhos que precisam ter isso e aquilo.
É óbvio que o ideal seria que as nossas instituições reeducassem e ressocializassem esse bando de desocupados. Mas na prática, a realidade é bem diferente da teoria.
Então vêm as pessoas e dizem que muitos inocentes pagarão pelos realmente ruins, e nesse caso me presto a dar então duas sugestões.
Primeira: sejamos severos com os reincidentes. Se ele está fazendo novamente, não é inocente nem santo e precisa é de corretivo.
Segunda, ajustemos as penas de acordo com a infração, o que ridiculamente não acontece na prática. Ou está correto matar e ser solto para matar novamente e ser liberado outra vez?
Vou além, sou mais radical. Acho que a lei deveria ser aplicada a partir do momento em que uma criança tenha condições de infringi-la. Se puder roubar, que seja punida. Estou cansado de ver mini monstros se criarem.
Bandos de marginais reúnem-se para cometer todo tipo de crime, e ardilosamente prospectam um menor para assumir a autoria de tudo. Caso algo dê errado, ele leva a culpa e em pouco tempo está disponível para continuar agindo.
Nem entro no mérito da pena de morte nesse caso, pois isso é assunto para outro texto, embora já adiante que sou defensor dessa prática. O que defendo aqui é que parem de considerar pessoas absolutamente capazes e conscientes de seus atos como crianças ingênuas e coitadinhas que não tem noção do que fazem.
A lei precisa se adequar a nova realidade. Precisamos ajustar nosso sistema de forma a corrigir ou excluir esse tipo de parasita da convivência com pessoas de bem. Eles estão mostrando com exemplos práticos como a impunidade impera e como outros da mesma laia devem agir.
Esse é um dos grandes motivos de nossa insegurança enquanto membros sociais, e é papel de cada um de nós reivindicarmos uma justiça coerente.
Por uma justiça onde menores sejam responsáveis pelos seus atos e assumam as consequências de suas ações.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.08.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Trabalho Infantil

Esses dias enquanto passava da sala à cozinha ouvi uma propaganda na televisão que posicionava-se contra o trabalho infantil.
Curioso que não ouço campanhas publicitárias contra os mini atores das novelas das televisões brasileiras. Também não há manifestações quanto aos comunicadores de programas de auditório ou de pequenos pastores de grandes igrejas.
Então o quê? Trabalho infantil é permitido apenas para quem não precisa de dinheiro? Aqueles que passam necessidade em casa, que não tem dinheiro para comprar comida, que passam frio, pois nem roupa podem adquirir, também não podem trabalhar?

E a ajuda extra na renda familiar? E as crianças que sequer conseguem ir ao colégio porque falta de tudo um muito em casa?
Só eu penso que o dinheiro que essas crianças trazem para casa é fundamental para manter a saúde desse seio como um todo?
O que está errado não é o trabalho. O errado é trabalhar e não aproveitar esta curta fase. Deveria existir, então, uma lei que proíba crianças de trabalharem em tempo integral, que ocupe  todo o tempo que a impeça de brincar e estudar, por ser fundamental para seu desenvolvimento enquanto pessoas.
Além do quê, esse trabalho não só encaminhará esses infantes a algum tipo de profissionalização como ampliará seu senso político e de relacionamento interpessoal. Fará as crianças entenderem como o mundo funciona, como a máquina gira, obrigará a conviverem em sociedade e construir network.
Criança pode estudar, trabalhar e ainda brincar. Filhos de pais ricos estudam, fazem natação, ballet, tênis, judô, caratê, futebol e ainda arranjam tempo para brincarem com seus videogames, assistirem desenhos e aprontar artes com os amigos, além das aulas. Por que não incluir trabalho nisso? Os fará aprender muito também e principalmente angariará um grande ganho à renda de todos e aumentará a qualidade de vida.
Segundo o estatuto da criança e do adolescente (ECA), é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. Sendo que o mesmo considera aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor.
Alguém pode me dizer onde grande quantidade de gente desqualificada e sem maturidade consegue emprego desse tipo?
Ah mas o trabalho educativo é diferente. Trabalho educativo? No ECA diz que entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo. Traduzindo, produz menos e aprende mais. Isso é sala de aula e não trabalho. Por que eu enquanto empresa vou custear alguém que dá menos retorno que outro?
Até na remuneração há pormenores. “A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo.” Ou seja, ao menos isso, pode receber para aprender.
Tudo bem, eu quero ajudar a criança a dar uma qualidade de vida melhor para todos de sua casa. Dou oportunidade ao “menor aprendiz”, pago para ele... aprender? Então minha empresa agora acaba de mudar de status? De empresa para instituição de caridade sem fins lucrativos?
Sei da realidade das crianças exploradas pelos pais e não estou me referindo a esse nicho. Preocupo-me em separar esse joio de todo o trigo que realmente precisa do trabalho e pode aproveitá-lo produtivamente.
Sou a favor do trabalho infantil! Acredito que beneficia a criança de muitas formas. Sou contra hipocrisia e demagogia. Antes uma criança trabalhando e aprendendo do que passando necessidade e apanhando em casa.
Trabalho infantil é uma coisa, trabalho escravo é outra bem diferente!
Quem não tem condições de dar manutenção ao básico, certamente também não terá condições de uma infância digna. Então que ao menos busque melhor qualidade de vida.
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 10.08.2013 
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A ilusão do Pseudo-poder

Em duas oportunidades percebi de maneira quase caricata como as pessoas se transformam quando acham que conquistaram algum tipo de poder. Independente se esse for de influência, status, hierárquico ou econômico.
A primeira foi quando trabalhava em call center, como tele atendente. Sempre que um operador destacava-se, assumia a função de supervisão nas férias do titular ou em momentos de ausência deste (almoço, reuniões e afins).
Importante frisar o quanto ficava claro a todos que essa função era apenas temporária e servia como apoio ao supervisor, que no retorno devolvia o cargo original à pessoa que estava cobrindo.
Nesse período era líquido e certo que no mínimo metade dos apoios começavam a considerarem-se superiores. Em seus limitados entendimentos risivelmente acreditavam deter algum tipo de poder e começavam a agir de forma arrogante. Muitos humilhavam, xingavam e até ameaçavam os colegas de função, mesmo sabendo que alguns minutos depois estariam novamente sentados em suas antigas posições de atendimento, ao lado dos xingados.
Meu pai desde criança repetiu a célebre frase: “quer conhecer uma pessoa, dê-lhe poder”. E sempre que isso acontecia, eu me lembrava. As pessoas abrupta e afoitamente desmascaram-se mostrando seu verdadeiro lado egoísta e arrogante.
Não é pela falta de maturidade, pois tem muita gente nova que sabe o valor da humildade. É uma questão de caráter. Muitos se corrompem antes mesmo de receber o bônus, e na maioria dos casos ficam apenas com o ônus.
Eram despreparados profissional e emocionalmente para exercer qualquer tipo de poder, pois com uma pseudo oportunidade já pecaram.
O segundo caso foi na última empresa em que trabalhei como funcionário, também voltada à prestação de serviços, mas com um viés totalmente diferente.
Entrei na empresa para efetuar uma tarefa, mas devido à experiência que trazia de empregos anteriores, acabei ajudando muita gente em outras áreas. Dentre elas uma colega que já tinha alguns anos de casa.
Através de trabalho conjunto orientei como deveria proceder em muitas situações, articulamos para desenvolver a produtividade de muitas áreas e onde envolveríamos muita gente. Quando alguns resultados começaram a ser vislumbrados a possibilidade de uma promoção se desenhou.
Nesse momento sentamos e conversamos. Eu disse que pretendia sair em pouco tempo para trabalhar no negócio da família e que daria total apoio à ela, inclusive recomendando-a à promoção.
Depois de poucos meses foi promovida. Ela não tinha competência para tal, mas enquanto colega demonstrava-se esforçada, humilde e comprometida. No dia seguinte a promoção suas unhas cresceram, virou as costas para mim e os demais que a haviam auxiliado, tomando para si todo e qualquer mérito e despejando a culpa de todos os fracassos em nós.
Como havia me programado para sair, não me preocupei. Ela tomou o cuidado de manter-me sempre sobre sua tutela até ter carta branca e me demitir (ao menos no final fez o que havia prometido). Mas continuou sua devastadora trilha de pseudo poder, achando que podia mais que o dono do negócio.
A consequência é que quando a pressão apertou, ela tirou uma desculpa da manga e foi embora trocando até de cidade.
Fato é a mediocridade de pessoas que pelo simples acontecimento de ganharem algum tipo de poder, ilusório ou real, entendem-se superiores e no direito de pisar ou tentar minimizar alguém. Isso é bem comum no universo corporativo e existem muitos casos onde quem pratica não recebe a pena merecida por um tempo, até que o mercado caprichosamente coloque um chefe perspicaz que sumariamente faça o favor de colocar esses seres detestáveis em seus respectivos lugares.
Morte profissional aos mascarados sem humildade!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 03.08.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin

@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Administrando fatores aleatórios

Quando vou de casa ao trabalho ou o contrário, o faço por trajetos variados de acordo com algumas circunstâncias. Se estiver chovendo, vou pelo caminho com maior quantidade de marquises. Em caso de calor, por onde há mais sombra. Caso esteja com frio vou pelo trajeto mais ensolarado, e se estou com pressa pelo caminho mais curto. Sigo essa rotina salvo algumas exceções onde preciso alterar o rotineiro curso, como passar na casa de alguém ou em algum estabelecimento comercial.
Estava eu voltando para casa em um dos dias mais frios do ano, não chovia, mas também não havia mais sol, quando optei pelo percurso mais curto para que pudesse chegar rapidamente ao confortável destino quentinho - minha casa. No início do caminho lembrei que precisava pegar pão e então decidi que o faria na padaria a qual passo diariamente em frente.
Absorto em meus pensamentos fui pego de surpresa quando no afã de chegar logo em casa com passo apressado deparei-me com um cachorro rengo no meio da quadra. Não sei se estava rengo de frio, pois devia estar negativa a temperatura, ou se estava rengo de fome ou raiva. 
De certeza tenho apenas minha convicção de que eu não tinha motivo algum para tentar a sorte junto ao cusco. Quando vislumbrei aquela cena de duelo em velho oeste onde de um lado estava eu, parado, encarando o guaipeca e de outro ele, meio rengo, com aquele olhos malévolos que prometiam arrancar com os dentes o precioso pedaço de calça que me protegia do frio. Atravessei a rua!
Quando estava a meia quadra de casa, lembrei do pão. "Saco, logo em um dia tão frio!" Mas por que logo nesse dia esqueci de comprá-lo se passo em frente a padaria diariamente e sempre lembro?
Aí está. Não passei em frente à padaria. Havia um cachorro lá.
O simples fato de haver um guaipeca parado em frente à padaria foi o suficiente para que eu não só não comprasse no mesmo habitual local, como acabou proporcionando-me conhecer um pão de um concorrente também próximo a minha residência, com a vantagem de estar quentinho, pois esta última foi esperta o suficiente para ajustar sua fornada à hora do encerramento do expediente comercial. Resultado: Agora sou cliente do outro estabelecimento.

É claro que no interior do estado do Rio Grande do Sul as empresas não levam em consideração esse tipo de fator aleatório que pode gerar perda de clientes, como um cachorro parado em frente a uma padaria. Possivelmente a proprietária quando viu o pobrezinho ficou com pena e não o enxotou. Certamente não vislumbrou a possibilidade de perder seus clientes. E se por acaso algum outro cliente não entrou naquele horário, muito possivelmente a culpa tenha sido do frio, e não do cusco. Ao menos na visão dela.
Grandes tubarões do mercado prestam atenção em tudo, inclusive no bichinho que eventualmente para em frente ao seu estabelecimento. Todos os fatores aleatórios são ponderados e evitados quando necessário. Isso faz com que mantenham-se no topo da cadeia alimentar mercadológica, devorando vorazmente os peixinhos que não cuidam de eventualidades ou previnem-se quanto a todas as possibilidades.

Justamente estar atento a tudo, aproveitar oportunidades, tirar vantagens da concorrência, prestar um serviço de melhor forma que os outros é o que faz uma empresa virar gigante de mercado e manter-se lá.
Quando que uma pessoa sem noções de empreendedorismo ou administração poderia pensar em um fator tão aleatório quanto esse? Eu respondo: Quando o dono dessa empresa tiver visão o suficiente para transformar sua empresa em um Google, e nesse caso, terá que saber desenvolver as noções faltantes, necessariamente.
Jamais a padaria saberá os motivos que fizeram eu ou os outros clientes conhecermos a concorrência e acabarmos preferindo pão quentinho.
E assim explica-se porque 80% das empresas quebram nos primeiros dois anos de existência. A culpa nem sempre é das pesadas taxas ou da burocracia, muitas vezes a culpa é do proprietário que não tem capacidade de enxergar a quantidade absurda de possibilidades que as pequenas causas geram.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.07.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
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