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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Uber




Você ouviu falar “nesse tal” de Uber?
“O Uber é um aplicativo que liga pessoas à motoristas profissionais para fazer corridas de carro. É semelhante aos táxis, mas oferece conforto e facilidades que têm agradado muitos clientes.”
Então agora os taxistas estão protestando revoltados com o software que está, segundo eles, roubando seus clientes e prejudicando seu mercado.
Façamos então um pequeno exercício reflexivo: Todo mundo reclama nos grandes centros (e as vezes até no interior) da escassez de táxis. Então o mercado desenvolve uma forma de suprir uma carência e alguns se acham no direito de proibir a livre concorrência.
Os taxistas alegam ser injusto pois eles precisam pagar uma licença cara, precisam de alvará e são submetidos a constantes fiscalizações.
Essas licenças não são mais disponibilizadas pela maioria das prefeituras faz anos então o próprio mercado arranjou uma forma de se adequar oferecendo alternativas à falta desse tipo de transporte.
A aquisição de carro para finalidade de transporte (táxi) tem um desconto considerável, além de utilizarem GLP que barateia significativamente o valor do KM rodado.
Ninguém proibiu os taxistas de utilizarem o Uber. Se estão descontentes e achando caro e injusto, vendam sua licença e seu veículo e adquiram outro dentro dos moldes requisitados pelo aplicativo.
Para se cadastrar e poder oferecer o serviço é necessário seguir algumas normas.
“Os modelos dos carros: os carros dos motoristas profissionais cadastrados tem pré-requisitos para se filiarem ao aplicativo. É preciso que o carro seja novo e em excelentes condições, modelo mínimo 2009 – sendo que a maioria dos usados no Brasil são de 2012 a 2015 – ter ar condicionado ligado (item obrigatório), e ter água mineral disponível a vontade para o passageiro. Os utilizadores do Uber Black tem à disposição modelos mais sofisticados como o Toyota Corolla, Honda City e Ford Fusion, com banco de couro.
Os motoristas: Para trabalhar para o Uber, os motoristas precisam ter carteira de motorista profissional e seguros pessoal, para o carro e passageiros. Os selecionados passam por um treinamento curto sobre o padrão de atendimento, onde são orientados a serem o mais educado possível, abrir a porta para que o passageiro entre e saia do veículo. O motorista coloca a música que você desejar e oferece água. Tratamento especial para o usuário do aplicativo é pré-requisito.”
Você vê isso em táxis? Eu não!
Então vejo essa iniciativa dos taxistas como todas as outras porcas iniciativas e movimentos obtusos que visam refrear a evolução das relações comerciais, querendo judicialmente ancorar caminhos que invariavelmente vieram para ficar, transformando o atual cenário da economia e de como as relações são feitas.
Imagina se cada inovação revolucionária fosse vista assim, e aqui cito o exemplos do Netflix, youtube, napster, torrent, superplayer e spotify. Em todos houve resistência, e todos vieram para ficar, revolucionaram e hoje muita gente não vive sem.
Reforço o que sempre digo: as pessoas precisam se qualificar e se adaptar as mudanças do mundo. Se o público comprou a ideia, então precisa ser visto como oportunidade de negócios e não como algo a ser boicotado e extirpado.

Em apoio ao Uber!


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 01.08.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Discriminação pós moderna



Por acaso acabei assistindo a um episódio de um seriado que encontrei num site de resenhas e, para a minha feliz surpresa, não só a resenha ou mesmo o trailer, mas também e principalmente a série se mostrou deveras interessante.
Acabei me dando a oportunidade de assistir ao menos dois episódios para ver se seria mesmo bom. O nome não era muito convidativo e o trailer era “maisomédio”. O nome é Resurrection.
Conta a história de um menino que acorda em meio a uma plantação, na China, e não sabe o que aconteceu. Acaba parando na imigração americana que o leva aos EUA. Chegando lá explica ao policial encarregado de sua custódia sobre sua cidade de origem.
O policial o leva até sua suposta casa e ao chegar é recebido por um senhor, já idoso, que não gosta da “brincadeira”, pois, quando o policial informa que encontrou seu filho, o senhor fica bastante irritado e informa que seu filho faleceu há 32 anos.
porém, quando o senhor e sua esposa veem o menino percebem que ele é realmente seu filho. Fazem teste de DNA e dá positivo.
Ocorre que um tempo depois mais pessoas começam a surgir, todas ressuscitadas. Gente que morreu há 100 anos, outros que morreram há 50, alguns que morreram no ano anterior...
O legal é que o seriado mostra o que passa na cabeça dos retornados. Para eles, foi um piscar de olhos e acordaram anos depois. Não entendem o que aconteceu.
Eles não mudaram, continuam pensando da mesma forma e sendo as mesmas pessoas. O mundo mudou. E o mundo não os aceita. Não aceita eles do jeito que são. Não os entende.
Simplesmente por serem diferentes eles começam a sofrer todo tipo de discriminação e preconceito. Querem isolá-los, mata-los, queimá-los na fogueira, etc., os enxergam como demônios.
Depois de assistir fui dormir pensando, chocado, quanto à semelhança com o mundo atual. Não que pessoas voltem à vida, mas com certeza muita gente nasce de um jeito que não escolheu ser, e apenas por ter nascido, tal e qual os ressuscitados, começa a sofrer todo tipo de preconceito e discriminação.
Eles não escolheram voltar anos depois, eles não se sentem diferentes. Eles se entendem normais e as pessoas os tratam como se não devessem existir.
Pensem, hoje o que acontece com negros e homossexuais é exatamente isso. Pessoas que simplesmente por nascerem de uma forma que para a limitada cabeça de muitos é anormal, precisam ser extirpados da sociedade.
Não acho que quem quer que seja possa ou deva forçar uma sociedade a aceitá-lo contra sua vontade. Se quer ser aceito por uma determinada sociedade, então deve se adequar aquela realidade. Agora querer ser aceito agredindo, não funciona.
Mas não é o caso da maioria. Negros apenas por terem pele escura são tratados como se fossem “menos gente”. Como se fossem inferiores e devessem ser tratados diferenciadamente.
Homossexuais sofrem diariamente em todos os lugares apenas por pensarem diferente e optarem por uma conduta diversa do que a maioria.
Fico pensando... tá mas e daí? O que o povo tem a ver com o que cada um faz com seu corpo (desde que não perturbe a liberdade alheia e as normas sociais que estão inseridos)?
Por que motivo as pessoas simplesmente não cuidam de suas vidas e insistem em preocupar-se com outras pessoas que não mudarão em nada seu dia a dia, sua vida, sua realidade?
Penso que esse povo todo deveria se preocupar mais em como ser feliz, em como atingir seus objetivos, em como ocupar melhor seu tempo e seu cérebro do que ficar querendo influenciar a vida dos outros. E sim, isto também vale para negros e homossexuais, afinal de contas, são todos iguais.

O que muda é cor da pele e comportamento e isso não deveria influenciar o mundo moderno que se intitula esclarecido e livre.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.07.2015
@rjzucco

rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2015

Você é honesto? (parte II)


Continuando a reflexão sobre ética, corrupção e honestidade.
Quando você bebe, dirige? Mas você sabe que é errado e ainda assim dirige, afinal de contas não faz mal para ninguém. Ninguém ficará sabendo. Faz diferença realmente se alguém vai ficar sabendo?
Então quer dizer que se você matar ou estuprar alguém e ninguém ficar sabendo pode? Isso é ético e legal?
Se você sabe que não pode dirigir e beber, então por que faz? Sabe que está errado.
Novamente fazendo o vínculo com a política. Falar mal deles e apontar o dedo é muito fácil, mas se na sua realidade quando lhe cabe você não é honesto e ético, como pode hipocritamente querer que os políticos não furtem e aprontem na realidade deles?
A situação é a mesma, independente do que diga.
Esses dias uma amiga estacionou seu carro em frente a uma garagem, alegando que seria bem rapidinho, e que tinha certeza que o outro carro não sairia nos próximos 15 minutos (clarividência?).
Perguntei a ela se sabia que estava errado colocar o carro na garagem. Ela disse que sim. Então argui: se sabe que está errado então porque fez? No que ela respondeu: porque era rapidinho e não faria mal a qualquer pessoa.
Eu aleguei que ela não sabia se não faria mal e que independente disso, o que é errado é errado, não importa o que seja. Como pode ela falar mal dos que fazem as coisas erradas se quando é a vez de ela dar o exemplo em seu dia a dia fazendo a coisa certa, ela peca?
Perguntei se um “estuprinho” rápido ela também fazia. Ou se um “furtinho” de pouca coisa ela fazia. Ela ficou ofendida e disse que óbvio que não. Isso ia contra os seus valores.
Então perguntei: Quais são os seus valores? Como você define que até certo ponto você é ética e faz a coisa certa e depois daquilo é errada? Acredita mesmo que exista isso? Ou você possui os valores e eles não são negociáveis, ou você não os possui e então está se corrompendo diariamente por qualquer bobagem.
É chocante começar a pensar assim, pois entendemos quantas coisas erradas fazemos o tempo inteiro pensando que os fins justificam os meios, ou mesmo que por que não vai fazer mal para alguém então não tem problema.  Ainda pior, como ninguém está vendo então pode.
Se você está cruzando um semáforo de noite, e ele fica vermelho, não tem movimento, ninguém está vendo, é perigoso ficar parado sozinha a noite no sinal vermelho pois podem lhe assaltar, o que você faz?
Você aguarda o semáforo ficar verde pois é a coisa certa a fazer? Ou os fins justificam os meios, você se corrompe e passa, afinal de contas sua incolumidade física, seus bens e sua saúde são mais importantes que esse reles valor de fazer a coisa certa e ficar aguardando o semáforo abrir novamente?
Eu particularmente não vejo carros parados no semáforo vermelho à noite. Mas vejo essas pessoas reclamarem dos políticos corruptos, vejo reclamarem dos estelionatários, falarem mal dos estupradores e dos assaltantes. Não os vejo fazendo sua parte.
Embora me policie arduamente e sempre tente fazer a coisa certa o tempo inteiro, sei que em vários momentos acabo fazendo a coisa errada, arranjando as mais variadas justificativas. E isso me coloca no mesmo balde de todos. Ok, não sou perfeito e nunca disse que era.
A diferença é que me policio, tanto a mente quanto atitude e quem convive comigo chega a irritar-se com essa história de fazer a coisa certa, não tirar o cinto, não estacionar em garagens alheias, não beber e dirigir, não fechar negócios que prejudiquem alguma das partes.
Não é à toa que temos praticamente 50 anos de casa. Muitas empresas surgiram e desapareceram nesse período. Muita gente pensa no agora. No lucro a curto prazo. Em vender por vender e não em política ganha-ganha. Não em satisfazer o cliente. Não em relacionamentos duradouros. Tanto isso é fato que quem pensava assim não trabalha mais conosco. Perdemos negócios e dinheiro DIARIAMENTE, mas fazemos a coisa certa. Os valores não são negociáveis.
Você está fazendo sua parte? Está dando exemplos saudáveis aos seus filhos? Está seguindo o caminho correto para poder reclamar dos políticos corruptos?

Pense bem antes de estufar o peito e reclamar dos outros. O famoso telhado de vidro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.07.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Você é honesto? (parte I)


Fazendo um curso sobre negociações onde conversamos bastante sobre a política do ganha-ganha, chegamos no impasse da ética.
Honestamente, a ética é uma qualidade quase extinta no mundo hoje em dia. As pessoas simplesmente não se importam com os outros, querem sempre tirar vantagem sobre alguém.
Cito aqui três exemplos bem claros e simples. Começando pelo mais básico até o mais chocante.
Uma das dinâmicas do curso era negociar determinado produto um a um, de forma a concluir o negócio e ambos ganharem. Depois de conclusa a compra, ambos conversavam sobre as condições que poderiam ter flexibilizado. E o mais comum em todos os casos era as pessoas arrependerem-se por não ter espremido mais, não ter tirado mais vantagens ou auferido mais lucro. Mas se a negociação ocorreu, e foi bom para ambos os lados, então por que eu deveria ter espremido mais? Por que preciso ganhar mais e tirar mais vantagens? Por que não posso ficar satisfeito com o que foi atingido, sendo que estava dentro das expectativas?
Outra dinâmica falava sobre a negociação e a livre concorrência, onde não há qualquer tipo de conversa ou combinação prévia entre os participantes e cada um precisa escolher uma cor. São 4 grupos/empresas. Se 3 empresas escolherem azul (A) e uma escolher vermelho (V), a que tirou vermelho ganha 30 pontos e as que escolheram azul perdem 10 cada. Se 2 empresas escolherem A e 2 escolherem V, as que tiraram V ganham 20 pontos e as que escolheram A perdem 20 cada. Se 1 empresa escolher A e 3 escolherem V, as que tiraram V ganham 10 pontos e a que escolheu A perdem 30 cada. Se todas escolherem A, todos ganham 10. Se todos escolherem V, todos perdem 10.
O que se percebe nesse caso é que a única possibilidade onde todos ganham é todos apostarem A. Percebe-se também que a chance de ganhar é muito maior apostando no V, pois qualquer combinação que não for 4V, os V ganham e mesmo que não ganhem, ao menos todos perdem a mesma coisa.
Pensando em ganhar e esquecendo a política ganha-ganha, quase todos apostaram no vermelho.
Não quero ser hipócrita ou demagogo, mas o único grupo que apostou do início ao fim no azul foi o meu. Daí os colegas disseram: “Mas você perdeu! Todos apostaram no vermelho! Sua empresa quebrou e você foi o responsável”. Concordo, está certo. Até pode ser mesmo, mas tenho outra perspectiva para situação. Digamos que o V significasse roubar. Você roubaria porque todas as outras estão roubando? Justifica roubar para manter a empresa operante? Ou prefere quebrar? E se fosse ao invés de roubo, assassinato ou estupro? Você estupraria junto com as outras 3 empresas para se manter vivo e operante? Mataria para não falir?
Repare que não há uma resposta certa ou errada para tais questionamentos, embora eticamente falando a única escolha válida é fazer o que todos sabem que é certo, escolher o A. Mesmo que os outros escolham o V, o A é o que todo mundo ganha. E todos sabem disso.
O correto é apostar na política onde todos ganhem, mesmo que os outros não escolham A, a sua parte está sendo feita.
Um pai tinha um filho pequeno e o amava. Amava muito e ele sabia que era o exemplo para seu filho. Ele era o herói e o grande cara. Sua função era elevar e baixar uma ponte. Ele elevava a ponte para passar os navios e baixava para passar um trem cujos trilhos ficavam na ponte. Elevava, passava o navio, baixava e passava o trem. Um dia elevou e seu filho caiu, se ele baixasse a ponte, mataria seu amado filho, mas salvaria todas as pessoas no trem, em torno de 300. Se não baixasse, salvaria seu filho, mas mataria 300 pessoas. O que é certo?
No fundo todos entendemos que o que deveria ser feito é salvar as 300 pessoas, as mães grávidas que estavam lá, os bandidos que mereciam uma segunda chance, as crianças, os avós. E se neste trem estivesse viajando o cientista que descobriria a cura do câncer e salvaria a humanidade?
Se você fosse essa pessoa, confesse, salvaria seu filho.
Isso significa que você é corrupto, pois pensaria em você e em seu filho e não nas 300 pessoas e dane-se o mundo.
Quando fala dos políticos corruptos, eles são monstros malvados. Se você estivesse lá não se corromperia. Será? Acabou de provar que na primeira oportunidade não hesitaria em pensar em si frente a outras pessoas.
Hipocrisia e demagogia.
Faça a sua parte antes de reclamar e falar mal dos outros.
O certo é o certo mesmo que ninguém faça e o errado é errado mesmo que todos façam. Nosso grupo continuou colocando o A mesmo que ninguém mais estivesse fazendo, porque era o certo. Os outros grupos continuaram colocando o V mesmo sabendo que era o errado, pois pensaram em ganhar, pensaram em si. E acreditaram que para ganhar alguém teria que perder.
Nós consideramos que todos deveriam ganhar.
Reflita. Você ainda se acha honesto e que os políticos láaaaa longe é que são os corruptos?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.07.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 21 de julho de 2015

Grupos de extermínio



Assistindo ao jornal da manhã, que como todos os demais reserva boa parte de seu tempo para falar de sensacionalismo, fui acometido por um recorrente sentimento de revolta contra a torta justiça brasileira.
É sabido por toda a nação que não temos mais espaço em presídios e/ou cadeias para tanto bandido. Também é de conhecimento comum que essa marginalia toda quando é pega, nunca aprende ou se redime. Quase na totalidade dos casos voltam a reincidir com crimes piores, aprendidos na escola da prisão. E com os melhores e mais graduados professores.
Muitos sequer dão-se ao trabalho de esconder ou omitir que quando forem soltos, tornarão a matar. E a justiça? E a polícia?
Sei que a maioria dos policiais é honesta, está na profissão por acreditar que pode proteger o povo e limpar as ruas dessa corja. Mas sei também que eles sentem-se cada vez mais de mãos atadas.
Eles sabem que os meliantes serão libertos em pouco tempo, e que podem acabar sofrendo rechaças, inclusive familiares.
Todos temos consciência, lá no fundo, que essas pessoas não tem correção e que independente da quantidade  de oportunidade que for oferecida, valores e caráter não se mudam.
A sociedade, formada também por policiais tanto da ativa quanto da reserva, entendendo essa triste realidade e inconformada com a falta de justiça e com a impunidade, resolveu agir por conta própria.
Foi preso recentemente um grupo de extermínio. A imprensa noticiou como se eles fossem os bandidos. A polícia federal estava atrás deles e conseguiu pegá-los. (PF que por sinal está entrando para história no que se refere a prisões de políticos, corruptos e etc. Nunca vi o Brasil prender tanto)
Então eu pergunto: Por que não deixaram esse pessoal continuar a limpeza? Esse bando de assassino e estuprador continuará parasitando a sociedade e eles estão fazendo nada mais do que uma higiene social a qual a polícia não pode.
Isso significa que eles estão fazendo um trabalho comunitário na verdade.
Ironias à parte, o que revolta a nós, cidadãos, é que para pender esses caras há lugar na cadeia, há contingente policial federal e a justiça funciona. E para proteção do cidadão que é assaltado, violentado e humilhado nunca há contingente suficiente. Para prender políticos corruptos não há polícia federal nem nada.
Então quando uma parcela da população resolve fazer justiça/vingança com as próprias mãos, considero completamente compreensível.
E digo mais, essas pessoas que estão tentando fazer o papel de batmans modernos – texto que diga-se de passagem também já escrevi – não estão erradas sob sua perspectiva. Mesmo que a vida seja o bem maior defendido constitucionalmente, a coletividade e o bem comum se sobrepõe.
Matar marginal, assaltante, assassino, estuprador e tirá-los do convívio social é visto por pessoas que costumam ser açoitadas como uma higienização social.
Mesmo que seja completamente ilegal esse tipo de milícia, eu gostaria que grupos assim existissem onde moro.
Em tempo. Entendo que o dever de punição justamente foi transferida ao estado para que não houvessem mais vinganças pessoais, eis que estas são infinitas. Entendo também que a lei de talião não cabe mais na sociedade atual e que a lei e a justiça estão aí para isso. Sei que com cidadãos mantando outros cidadãos, ainda que estes últimos sejam meliantes, temos a equiparação dos dois grupos: matam por motivação diversa, mas tiram a vida de outrem sem que lhe seja dado este direito e que bem nenhum se sobrepõe à vida. Ocorre que na pratica a teoria não funciona e o povo está buscando alternativas.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.07.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Privatização



Há duas linhas de posicionamento quanto à privatização e, via de regra, ninguém opta pelo caminho do meio. Ou se é a favor ou se é contra e fim de papo.
Na maioria dos lugares do mundo atualmente há uma coabitação entre setor privado e estatal. O que se discute é o tamanho e o papel de cada um.
Pois bem, os que são contra a privatização defendem que ficamos dependentes de tecnologia e da economia de outros países pois todo o lucro vai para os donos das empresas. Que precisamos manter a soberania nacional não colocando na mão de empresas estrangeiras partes estratégicas para o desenvolvimento nacional; que seria um roubo à nação que pagou impostos para que fosse instituída determinada empresa pública e isso seria “dado” a empresários; que geraria desemprego em massa; que constitucionalmente o governo precisa prover sem custo determinados serviços e, se for privatizado, isso será cobrado. E por aí vai...
Na verdade a grande questão não é sobre privatizar ou não, embora eu já deixe bem claro que sou um acalorado defensor desta, e sim sobre gestão e gerência. Tem a ver com interesse público.
Eu, enquanto cidadão pagante de impostos, gostaria de ter a contrapartida de tudo que pago, como saúde de fundamento, educação de qualidade, estradas descentes para se trafegar, professores com salários honestos, etc.
Na verdade, as pequenas partes de asfalto que prestam são as de concessionários de pedágio. Quando a iniciativa privada colocou a mão, o trecho foi duplicado e qualidade foi incrementada sensivelmente. Antes de privatizarem a telefonia, um telefone custava um absurdo e ficávamos dois anos na fila para conseguir uma linha. Hoje temos livre concorrência, habilitamos novas linhas na hora e ainda ganhamos aparelhos grátis.
Tudo que está na iniciativa privada funciona. Nada do que está na mão do governo vai bem. A última instituição que era o último exemplo de quem defende estatização caiu, que é a Petrobras. Tanto que os próprios funcionários e auditores reconhecem que para ajustar, só privatizando.
Hoje as empresas públicas são cabides de empregos. Um monte de gente encostada, languida, fazendo serviço porco e preguiçosamente. Na iniciativa privada ou se produz ou está na rua.
Pegue o exemplo de hospitais. Os particulares estão crescendo cada vez mais, enquanto os públicos estão cada dia mais sucateados. Os médicos não querem trabalhar em SUS, ou o que seja, devido à falta de condições.
Escolas e universidades particulares crescem a uma velocidade espantosa enquanto as públicas mal tem bibliotecas decentes. Nem mesmo estrutura física básica eles possuem. Salas com goteiras, classes caindo aos pedaços.
Se não sabe gerir o negócio, pare de possibilitar que corruptos coloquem a mão e deixe quem sabe administrar fazê-lo. Antes ter a maior parte do lucro indo para outro país e ter um serviço de qualidade do que botar privada abaixo todo o dinheiro de impostos direto na conta de políticos corruptos.
Ainda que o lucro vá para fora, uma gigantesca parte de dinheiro fica aqui pois toneladas de impostos seriam pagas. Outra, além de não termos que pagar os salários de uma tropa de gente, isso seria custeado pela respectiva iniciativa privada.
E quanto a quem não tem condições de pagar? Pois bem, esses teriam livre acesso mediante comprovação de falta de condições.
Obviamente que tudo que fosse privatizado seria abatido de nossos impostos, senão não haveria sentido algum.
Chega de sustentar ladrões, corruptos e preguiçosos. Chega de ficar parado no tempo. Chega de aceitar quieto péssimo atendimento e serviços. Privatizemos!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2015

Não tem medo que nasça assim?



Estava aguardando em uma fila e ouvindo as conversas das pessoas que trabalhavam na instituição enquanto falavam sobre comportamento alheio.
Não paro de me surpreender com a pequenez dos valores humanos, ou de suas “almas”.
Comentavam sobre alguém que tripudiou uma criança com problemas motores e não quis aceita-lo como aluno pois o mesmo não ouvia nem falava e estava em uma cadeira de rodas. Pelo que comentavam o tal “maléfico” gestor/professor disse que se quisessem deixa-lo, poderiam, mas que ficaria em um canto da sala sem assistência. Que a instituição não tinha estrutura nem qualificação e que não podia dar atenção diferenciada a um aluno.
Depois do relato do fato, horrorizadas com a atitude do “monstro”, sem em qualquer momento tentar um exercício empático ou entender as limitações e regras da instituição, ou mesmo os motivos para tal conduta (e absolutamente não estou dizendo que ele estava certo, pois a princípio, da forma como foi colocado, realmente é chocante), já o condenaram.
Primeiro que as pessoas não querem justiça nesse mundo. Querem vingança, o que é bem diferente. E isso por sinal é um dos maiores combustíveis da falta de diplomacia, compaixão e articulação da atualidade.
Mas voltando ao assunto. Encerrado o relato, começaram então a falar coisas do tipo: “Ele não tem medo que o filho dele nasça assim?”, “Um dia vai acontecer com ele”, etc.
Nesse exercício de prever o mal e desejar mentalmente que agruras ocorram a terceiros, os humanos não percebem o quão baixo é o ponto em que se colocam na escala evolutiva.
O que esse tipo de gente pensa, não faz sentido. É algo como: “Ou ele deseja o bem de todos, ou Deus vai vir e fazer com que o mesmo aconteça com ele causando dor e sofrimento, huaaaaaaahahahahaha”
Não faz sentido esse tipo de raciocínio. Porque pense comigo: Eu estou analisando uma situação, que é crítica, que eu condeno, considero errada e defendo que não deveria ocorrer, e qual é a minha palavra final?
Um pensamento negativo de vingança e de sincero e profundo desejo de infelicidade a quem o praticou.
Só um pouquinho?! Como pode, incoerente humano, que você cobre de outra pessoa que seja feito algo certo, bom e positivo, se, ato contínuo, você próprio na mesma observação da situação, age tão mesquinhamente quanto?
Possivelmente seja devido a esse tipo de pensamento e conduta que surgiram tantos ditados até hoje amplamente multiplicados como: “cuide do seu rabo”, ou “suas crenças não fazem de você uma pessoa melhor, suas atitudes sim” e “antes calar que mal falar”.
Com isso, concluo deixando um pensamento que tem tudo a ver com o assunto e que fala, resumidamente, o que penso e como tento me portar dia-a-dia:
 
"Tudo o que somos é o resultado do que temos pensado.
Se uma pessoa fala ou age com pensamento ruim, a dor a segue, tal como a roda segue a pata do boi que puxa a carroça...

Se uma pessoa fala ou age com um pensamento puro, a felicidade a segue, como uma sombra que nunca a abandona." (Pensamento budista)

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Mundo Melhor


Estamos acostumados demais a reclamar do mundo. Sempre falando sobre guerras, crises, recessões, violência, abandono, religiões, regimes de governo, novas doenças, novas práticas prejudiciais como internet e redes sociais, videogames, obesidade, bitolação, geração sem quoeficiente emocional, desapego exagerado, e por aí vai...
Mas será mesmo que o mundo está pior? Sim, pois da forma como pintam o que fica claro para mim é que a depressão e o suicídio são as únicas opções nesse mundo doente e caótico, quando na verdade a história não é bem assim.
A impressão que tenho é que há uma lavagem cerebral generalizada tentando convencer o mundo de que os tempos atuais não são bons nem saudáveis. Talvez as pessoas não estejam sabendo lidar com a quantidade de informação diária ou a forma como ela é multiplicada.
Então vamos fazer um pequeno exercício de otimismo e “tentar” olhas as coisas sob uma nova perspectiva.
A mídia vende o atual cenário geopolítico como pré-apocalíptico, com guerras, mortes e destruição, quando na verdade estamos em um momento histórico onde nunca morreu tão pouca gente. Hoje a diplomacia impera, os governos dialogam e se entendem. Guerras são evitadas. Aliás, muito pouca guerra existe no mundo hoje se comparado a décadas passadas, e quanto mais passadas maior a diferença.
Crises existem sim, mas nada igual ao que aconteceu após o holocausto ou a grande crise de 29. Com certeza que alguns países não vão bem, mas isso faz parte do mercado. Via de regra, e de uma maneira geral, a economia mundial está muito bem. Cuba voltou a negociar com o mundo, Europa com juros próximos a zero, países emergentes como China, México, Chile e Brasil estão tendo seus lugares no cenário mundial. Dinamarca é potência... Tudo coisa boa.
Quanto mais evoluído o país é e melhor desenvolvido social, cultural, tecnológica e economicamente, menor seu índice de violência. Com a supracitada evolução dos países de uma maneira geral,  e com a redução drástica nas guerras, a criminalidade diminuiu. Principalmente se formos considerar percentualmente, visto que a quantidade de gente no mundo aumentou sensivelmente.
Nunca houve tanta gente querendo adotar. Nunca houve tanta humanização e preocupação com as pessoas, a natureza e os animais.
Salvo algumas exceções, as religiões estão se respeitando hoje mais do que em qualquer época.
A expectativa de vida hoje é de 100 anos, os remédios funcionam, as doenças são combatidas quando não erradicadas. Curas são descobertas em pouco tempo.
As redes sociais aproximam cada vez mais pessoas, possibilitam reencontro e manutenção de contato, novas experiências e acesso à liberdade de expressão em massa.
Os videogames são uma forma de interação que além de segura, desenvolve capacidades específicas como coordenação motora, foco, atenção, raciocínio lógico, etc.
Obesidade? Então significa que há comida em abundância, há conforto, há praticidade.
Hoje as pessoas não se apegam a pequenas coisas, não se preocupam em perder tempo com fofoquinhas e picuinhas. Se não gostam de algo, se desapegam, viram as costas e esquecem. Simplesmente desligam. Antigamente, as pessoas da minha geração e mais velhos, ficavam remoendo, falando mal, articulando.
Ou seja, na verdade tudo é uma questão de perspectiva. Se você olhar para as coisas procurando sempre algo ruim, algum defeito, algo negativo, certamente ficará frustrado, pois encontrará apenas coisas ruins em tudo que observar.
Entretanto se você procurar sempre o que de bom há em cada pequena coisa, perceberá que na verdade tudo está cada dia melhor e terá inclusive vontade de fazer sua parte nessa maravilhosa transformação pela qual o mundo está constantemente sofrendo.
Comece a observar o mundo com melhores olhos e enxergará mais coisas positivas que jamais imaginou. E faça a sua parte nessa transformação.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 13.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 30 de junho de 2015

Meritocracia II

O que é meritocracia nas empresas?
Se você me disser que meritocracia é beneficiar o mais competente/produtivo, terei que lhe contrariar.
Para falarmos em meritocracia nas empresas precisamos entrar em outra esfera: os valores.
Uma pessoa pode ser qualificada, extremamente inteligente e portar um colossal conhecimento, ser esforçada e entregar um resultado significativamente positivo. E de uma hora para outra o Joãozinho, preguiçoso e desleixado, tem uma ideia que faz a empresa lucrar muito e que gere valor para muita gente. Clientes, colegas e acionistas.
Quem será promovido? O Joãozinho que conseguiu gerar valor para muito mais gente, mesmo sendo menos competente e qualificado, ou mesmo esforçado.
E então, onde fica a meritocracia nesse caso? O cara que merecia mais, que vem trabalhando sério a mais tempo e entregando um melhor resultando não foi reconhecido e o Joãozinho sim.
Bem-vindo ao mundo real!
Quem entrega mais valor é reconhecido, quem entrega menos, mesmo que seja mais esforçado e qualificado, recebe menos.
Basicamente é a filosofia da Seicho-No-Ie que prega que quanto mais pessoas eu fizer feliz, mais feliz serei em retorno.
Não estou aqui fazendo apologia a nada, mas na prática mercadológica é assim. Tem aquele funcionário que fica atirado o mês inteiro mas que em um dia de trabalho entrega mais resultado que todos os outros juntos. Coisas do mundo corporativo...
Por que jogador de futebol ganha tanto mais do que um administrador? Um professor? Um médico?
Porque ele gera valor para mais gente ao mesmo tempo. Independente se esses valores são os que você concorda ou não. Esses valores são gerados e muita gente está satisfeita com eles.
Então voltamos a colocar em xeque a tal meritocracia.
Se independe de postura, esforço, conhecimento, genética, origem social ou realidade, então depende de que?
Depende de uma série de fatores e variáveis como a realidade em que a pessoa se encontra e quais são seus limitadores, ou seja, até onde pode chegar. Depende de esforço, conhecimento e dedicação. E principalmente, depende de geração de valor.
Trabalhar, gerar valor e querer que isso seja distribuído para quem não faz nada alegando falta de condições é revoltante. Isso é um ultraje aos que produzem e aos competentes.
Prejudicar os melhores de alguma forma com a desculpa de beneficiar os piores, independente de que realidade ou em que contexto, apenas gera maior revolta e aumenta as diferenças entre todos.
Cada um tem que fazer a sua parte da melhor forma possível e não esperar que as coisas aconteçam de graça e/ou por acontecer. O mundo perfeito, ao meu ver, é aquele em que cada um expande positivamente um pouco mais a cada geração, sua realidade, forçando assim uma melhora em seu status quo.
Meritocracia é transformar sua realidade dentro de suas condições e limites e não querer que utopicamente o mundo seja justo. A linha de saída não é igual, as condições também não. Então pare de ver os entraves e os “poréns” e comece a perceber as oportunidades. Seja bem vindo ao mundo meritocrático de quem faz por merecer e não espera que caia no colo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2015

Meritocracia I



Assistindo uma aula do Sandler (professor de Harvard) sobre meritocracia e lendo alguns comentários recentes sobre uma tirinha publicada na internet, reacendeu minha revolta quanto à falta de capacidade reflexiva da massa ignorante.
Mesmo as pessoas mais capazes e inteligentes estão destreinadas e desacostumadas a pensar reflexivamente.
A tirinha falava sobre um rapaz oriundo de família com boas condições financeiras, que frequentava as melhores escolas. Tinha o carinho e atenção dos pais que tinham tempo para lhe assistir. Quando tirava notas baixas tinha condições de fazer reforço com professor particular. Não precisava trabalhar. Depois de adulto conseguiu, mediante contatos de sua família, uma boa colocação profissional. Por ser conhecido, os chefes no trabalho ficavam lhe monitorando, aguardando uma oportunidade de crescimento. Depois de adulto e médico diz que tudo que conseguiu foi por mérito de seu esforço.
A menina morava em uma casa úmida, família humilde cujos pais precisavam de dois empregos para conseguirem se manter e desta forma estavam sempre ausentes. A menina não podia dedicar-se exclusivamente aos estudos pois frequentemente os pais estavam doentes e ela precisava cuidá-los, ou então tinha que cuidar da casa ao invés de estudar. Ou ainda, trabalhar fora para ajudar nas despesas domésticas.
A tirinha defendia que não existe meritocracia pois nesses casos cada um saiu de uma realidade diferente, logo já partiram de condições desiguais e sendo assim jamais conseguirão competir em pé de igualdade, e que visto sob a ótica meritocrática não há igualdade de condições.
Bom, para haver igualdade real as pessoas para começar precisariam nascer todas com o mesmo código genético. Ou seja, geneticamente competitivas levando-se em consideração o físico e o intelecto.
Então essa utópica “justiça” não existe. Aliás, nem justiça divina existe, como querem que exista uma social? Jurídica nem se fala.
Voltando à meritocracia. Voltemos as realidades familiares. A família com melhores condições financeiras não precisa se sentir culpada ou muito menos ser penalizada entregando boa parte do que conseguiu para custear melhores condições para a família pobre (o que ocorre com a classe média hoje que paga 70% do que ganha em impostos para que o povo possa comer sem trabalhar).
Meritocracia não pode ser avaliada como confronto de classes sociais. Precisa ser avaliada dentro do contexto de cada um.
Uma pessoa com grandes capacidades, muita inteligência, extremo conhecimento pode se esforçar muito e conseguir piores resultados do que uma pessoa relapsa que com pouco esforço entregou um fantástico resultado.
E onde fica a meritocracia nisso? (Pauta de um próximo texto).
Agora raciocine comigo. Se sou pobre, não tenho condições de estudar condizentemente, sei que não serei tão bem sucedido quanto alguém de classe média ou alta, e isso não tira meu mérito. Obviamente interfere no meu resultado final. Interfere onde chegarei ao longo da minha jornada de vida. Mas não significa, absolutamente, que terei que me conformar em ser medíocre e não possa fazer algo para melhorar.
Então se sou extremamente pobre e me esforçar, melhorarei minha realidade particular em alguma coisa mediante esforço e dedicação. Mérito meu. Meritocracia.
Claro que alguém oriundo da famigeração muito dificilmente chegará à riqueza. Mas pode chegar a uma realidade bem melhor e diferente da qual se encontrava no início da jornada. Isso fará com que meu filho tenha uma realidade melhor. E se eu conseguir passar os mesmos valores, ele vai continuar essa caminhada e meu neto terá uma realidade melhor e assim por diante, até que vai chegar o momento que um dia vão dizer que meu tataraneto conseguiu as coisas de graça, e não por meritocracia. Quando na verdade foi uma construção de várias gerações.
Então o mérito imediatista é melhor que o atávico e construído ao longo das décadas?
Mesmo aquela pessoa oriunda da classe média/alta sabe que jamais terá a mesma realidade do príncipe William, por exemplo. Isso não a impede de se esforçar e dar o melhor de si para transformar sua realidade em algo o mais próximo possível de seu limite atingível, de acordo com suas condições gerais (sociais, financeiras, intelectuais e genéticas), ou mesmo seus sonhos, para quem sabe suas gerações seguintes possam dar continuidade à sua busca por crescimento.
Falta de mérito é aquela pessoa que tem tudo e perde por não fazer por merecer. Por ser desleixado e relapso. Preguiçoso e incompetente. É aquele que dentro de sua realidade poderia ter muito e retroage evolutivamente não forçando seus limites particulares para conseguir novos horizontes.
Então antes de falar em meritocracia, comece pesando sempre mais de uma variável. Trarei outras e continuarei o exercício reflexivo e espero que ao final possamos debater a respeito e que eu tenha ao menos lhe feito pensar um pouco.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.05.2015
@rjzucco
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