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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Demonização do dinheiro


Quanto você gosta de dinheiro?
Dinheiro não compra saúde, muita gente rica morre e dessa vida não se leva nada.
Dinheiro não compra felicidade, tem muito rico que é triste.
Dinheiro não compra amigos, muitas pessoas com muito dinheiro são extremamente solitárias.
Pobre é humilde, rico é arrogante.
O dinheiro estraga as pessoas.
Dinheiro corrompe.
Dinheiro destrói casamentos.
Rico só arranja mulher bonita pelo dinheiro.
Só eu percebo o absurdo de todas essas crenças limitantes que estão na mente da gente desde criança e que são repetidas de geração em geração?
Desde muito cedo somos doutrinados, orientados, recebemos uma lavagem cerebral profunda sobre como ter vergonha do dinheiro. Sobre não querer ser rico.
Pergunte a uma pessoa que ganha bem quanto ela ganha e veja ela se constranger.
É vergonhoso ganhar bem no Brasil.
Aqui, para começar, não se faz dinheiro, se ganha. Triste verdade sobre nós, um povo sub-educado.
Somos moldados para sermos peões, para não termos dinheiro. Para desejarmos o dinheiro como algo de outro plano, inatingível.
E quando alguém consegue, por ser inatingível, é apedrejado verbalmente pela massa.
Se você gosta de dinheiro, diga! Não há vergonha alguma nisso. Hipócrita, cínico e mentiroso quem ousa afirmar que não gosta.
Claro que dinheiro não compra saúde, ainda, mas compra remédios, paga os melhores médicos e os melhores hospitais e possibilita os melhores exames. Sem dinheiro nada disso ocorre.
Não compra felicidade, mas quero ver você ser feliz sem dinheiro. Sem um tostão furado no bolso, passando fome, frio e necessidades, venha me falar que dinheiro não compra felicidade.
Você pode me dizer que isso é conforto e que conforto não é felicidade. Ok. Mas todas essas ferramentas que lhe fazem feliz, são compradas com dinheiro.
Amigos. Se você nunca pode fazer nada com seus amigos, nem mesmo comer um pão com mortadela por não ter dinheiro, dificilmente os terá. Amigos não são interesseiros, absolutamente, entretanto eles também não são Madre Teresa de Calcutá. Ninguém quer uma provação diária e contínua. Ninguém quer ficar pagando coisas para amigos e ninguém gosta de ouvir nãos toda hora.
Nem todo pobre é humilde ou gente boa e nem todo rico é arrogante. Humildade não é efêmera.
O dinheiro só estraga as pessoas que já tinham seus valores corrompidos e não tinham preparo. De resto dinheiro não muda nada. Então coloque a culpa em si mesmo.
Dinheiro não corrompe, pessoas se corrompem por falta de valores. Isso não tem nada a ver com ter ou não dinheiro, e sim em ter ou não valores.
Quem destrói casamentos são as pessoas. A falta de inteligência emocional, de autocontrole e de autoconhecimento, somados a imaturidade e despreparo fazem com que algumas pessoas subvertam princípios e foquem apenas em benefícios rasos.
Um cara rico que conquista uma mulher bonita, já possui um patrimônio que lhe dá uma segurança maior, isso muda sua postura e atitude, para começar. Como conversa com uma classe de pessoas de nível intelectual diferenciado, acaba tendo mais assuntos e sendo mais atraente e interessante. Tem condições de vestir-se bem e sabe se portar em qualquer situação.
Então ele não pagou para a mulher, ele investiu em si, estudou, fez cursos, se qualificou, aprendeu e agora está colhendo os benefícios de toda essa soma de atitudes.
Eu quero cada vez mais todo sucesso financeiro possível. Se puder, um dia terei a soma do Bill Gates e do Lary Page. Estou me esforçando para isso e não tenho vergonha em dizer que quero sim ser rico e desfrutar em vida e com saúde de tudo isso.

E você, prefere ser podre de rico ou um famigerado?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.04.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 19 de julho de 2016

Prender ou não prender?



 
Eis a questão. 
Lembra daquele casal que atirou o filho pela janela? Lembra que muitas evidências incriminaram, mas que prova mesmo a perícia não tinha até que convenceram (sabe-se lá com que subterfúgio) os réus a confessarem? 
Se fosse hoje, seria golpe? Ou melhor deixar os criminosos livres afinal de contas outros casais também já mataram seus filhos e nada aconteceu? Não é justo prender logo esses. 
E mais, prendendo eles seus outros filhos iriam para adoção e crianças em idade avançada não são adotadas, então ficariam em um sistema falido e seriam criados por pessoas despreparadas. Ou seja, trocar seria pior. Seriam criados por pessoas que não os amam. Então, não deveríamos prendê-los, deveríamos deixar como está. 
Tipo não prender os corruptos do PT nem depor a Dilma pois o Temer é pior. 
Ah mas o casal não tinha outros filhos. E daí? Isso é hipotético! 
Lembra do maníaco do parque? Ele foi o primeiro serial killer preso do Brasil. Não foi o único. Não prenderam nem pegaram os outros. Todos sempre souberam o que os outros faziam, mas como não havia confissão, acabavam impunes. 
Como todos esses outros não foram presos, não é justo que o maníaco do parque seja preso. Tipo Lula e Dilma e todos os outros corruptos políticos antes deles. 
Ah mas o maníaco do parque chutou o balde, ele matou e estuprou dezenas. Então o escândalo de corrupção envolvendo a Dilma desde a Petrobrás e durante toda a sua gestão no governo não foram os maiores já registrados na história da humanidade? 
Trilhões! Alguém tem noção do que significa isso? Um trilhão são mil bilhões. Um bilhão são mil milhões. Então um trilhão são mil mil milhões, ou 1000 000 000 000. Isso representa um prédio de 100 andares em notas de cem reais, segundo o sketchup. 
Mas aí nada foi provado. Tipo o casal que atirou o filho pela janela, ou o goleiro que retalhou a namorada ou mesmo o maníaco do parque. Nada foi provado, mas todo mundo sabe quem fez o ato criminoso. No caso da Dilma é a mesma coisa. E aí dizem: "Não tem prova!" e "os anteriores roubaram mais". Justifica? 
Todos os jornais, sites, revistas e analistas de economia, governo, política e mercado são enfáticos e unânimes quanto a incompetência do atual governo e do reflexo disso no Brasil. 
Está claro que enfrentamos e enfrentaremos a maior crise que a nação já teve. Maior crise da história, sabe o que é isso? 
Fiquei sabendo essa semana do relato de um RH que teve que demitir 1.800 pessoas. Que houve muito choro. Você tem noção do que é isso para quem está demitindo? 1800 famílias, 1800 desempregados, 1800 demissões. Haja culhões. 
Segundo os maiores especialistas não nos recuperaremos até 2023. Isso não é golpe, não é crise, é depressão. Isso se chama corrupção somada a incompetência e má gestão. 
Isso é o que acontece quando gente irresponsável faz o que quer com o meu e o seu dinheiro, e mente para o povo que devolve com isso ou aquilo quando na verdade devolve migalhas. 
Fomos muito furtados e o povo ainda não enxerga. A depressão está aí. Todo esse povo que defende o atual governo, invariavelmente vai sentir os reflexos e as consequências dessa insanidade. 
A fonte secou. Os favorecimentos políticos acabarão. Só se manterá empregado quem entregar resultado. Quem pensa "coitadistamente", quem se vitimisa e quem quer mamar sem produzir será o primeiro a ir para rua. Talvez os sindicalizados se mantenham, por obrigação, pois de acordo com as empresas quase a totalidade dos sindicalizados usam isso como cabide de manutenção do emprego, sem trabalhar nem produzir. 
Isso não é uma ameaça, é uma garantia. Todos os que hoje pensam pró governo ainda, amargurarão longos anos de fome, recessão, depressão e desemprego. 
O semeio é livre, mas a colheita é certa. 
Quando todos estão errados e apenas eu estou certo, o errado sou eu. Se todos os países do mundo veem a gestão do atual governo como fracassada e corrupta e só alguns brasileiros não, certamente não são todas as pessoas do mundo as erradas e apenas você e mais alguns os certos. Reveja, em algum ponto você deixou algo importante passar. 

PS: Cuba e outros regimes totalitários e ditadores não contam. Perguntem ao povo desses países e terão a resposta correta. Comparem Coreia do Norte e do Sul. Questionem por que Alemanha comunista não vingou. Questione por que milhares de pessoas tentam fugir a nado, de bote ou do jeito que der de Cuba todos os meses. Questione por que os atletas de cuba não querem voltar para lá nas olimpíadas.     


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.04.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 8 de julho de 2016

“Penso, logo existo!”


A célebre frase de René Descartes fala muito, mas pouca gente entende de fato.
Pedra não pensa, então pedra não existe? Esse é o raciocínio certo seguindo a lógica?
Claro que não! Não é porque pedra não pensa que pedra não existe.
Não é porque penso que existo, mas se penso, então existo. Se tenho a condição de pensar é porque para isso precisei antes existir. Não significa que para existir eu precise pensar.
Verbo que por sinal não é muito utilizado na prática, sobretudo quando se trata de debates político-partidários.
Para os defensores do governo e consequentemente militantes do PT - salvo algumas exceções - se você é a favor do impeachment então é a favor da corrupção de todos os outros políticos que vieram antes do PT e também milita por outros partidos e ainda crê que tudo que o governo faz é errado.
Será mesmo que é tão difícil entender que o problema não é só o PT? Claro que ele é a bola da vez, mas queremos que todos do PT e de todos os outros partidos que forem corruptos sejam presos.
Então vem pessoas mal intencionadas querendo ganhar o apoio de desavisados e de gente que engole enlatado dizer que se o PT sair quem entrará é pior, mais corrupto e que sendo assim, melhor deixar como está.
Como assim?
Se o que vai entrar também é corrupto então deixemos impunes as coisas erradas?
E o exemplo como fica?
Então quando você vai ao banheiro não se limpa pois amanhã irá novamente e ficará sujo de novo? Para que limpar se vai sujar outra vez? Para que tirar um corrupto do poder se vai entrar outro?
Ah, mas o que vai entrar é muito pior. Isso é o mesmo que dizer que amanhã estarei com diarreia e então fará muito mais sujeira. O que é isso?
Vai entrar gente corrupta. Ok. Sabemos disso e não gostamos dessa ideia. E tão logo entre – e mesmo antes de entrar – haverá articulação para colocar o próximo na cadeia. Será a próxima bola da vez. E assim será sucessivamente daqui para frente.
O Brasil acordou e não descansaremos mais! Não temos corrupto de estimação.
Não queremos saber de políticos anteriores, queremos justiça!
Há muitas coisas que o atual governo continuou de governos anteriores, e vendeu como sendo seu.
Não é porque somos contra corruptos e corrupção, nem porque defendemos um estado mínimo, que não entendemos que há algo que preste do que vem do atual governo. Nada é 100% ruim.
Não é porque somos contra um governo inflado e paternalista que viramos anarquistas. (ANARQUISMO = 1.fil hist pol teoria social e movimento político, presente na história ocidental do sXIX e da primeira metade do sXX, que sustenta a ideia de que a sociedade existe de forma independente e antagônica ao poder exercido pelo Estado, sendo este considerado dispensável e até mesmo nocivo ao estabelecimento de uma autêntica comunidade humana.
2. p.ext. qualquer ataque ou afronta à ordem social estabelecida ou aos costumes reinantes.)
Entendemos que o governo age errado e sabemos como precisaria ser. Entretanto não significa que porque ele o faz eu deva me penalizar e não mais gozar de meus direitos oriundos dos meus impostos.
De acordo com os defensores do atual governo, se eu sou contra o PT, não posso fazer FIES, nem utilizar MCMV, nem receber qualquer outro tipo de auxílio governamental.
Revoltante pensar que nessa lógica torta eu pago impostos abusivos que custeiam uma máquina governamental inchada e ineficiente, não tenho serviços públicos de qualidade (como educação, saúde, segurança, infraestrutura, saneamento, pavimentação, etc.) e ainda não tenho o direito a aceitar benefícios que todas as pessoas que não pagam impostos tem – e ainda muitas que os pagam.
Devo, segundo os “pelegos”, pagar muito imposto, não receber nada em troca caso eu reclame ou reivindique ou ache ruim, e ainda pagar por fora particularmente por tudo que deveria receber do governo e não recebo.
Se eu falar que o caos “A” não vai acontecer devido a determinada conjectura política, é graças ao maravilhoso e salvador governo que competentemente previu e não devido a outras administrações ou fatores geopolíticos externos.

Pedra não existe, segundo alguns...

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.04.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A morte pede ação




Digamos que a pessoa que você mais ama tenha sido atingida pela radiação de urânio, e vai morrer. Morrerá em no máximo um mês.
A menos que...
Você consiga pagar pela cura. Mas o preço da cura além de dinheiro é sucesso e felicidade. Se o seu nível de sucesso não for 100% e de felicidade também não, então a pessoa que você mais ama morrerá.
O que você faria nessa situação?
Deixaria a pessoa que ama morrer?
O que faria para salvar quem ama? Faria tudo que estivesse ao seu alcance?
Certamente suas prioridades transformar-se-iam feito mágica, certo? Coisas que hoje são importantes deixariam de ser e coisas que não são hoje, passariam a ser.
E seu senso de urgência visto que o prazo é apenas um mês? O tempo seria gasto da mesma forma e com as mesmas coisas?
Saúde e lazer são sim importantes, mas você está dedicando a quantia certa de seu tempo para outras coisas de mesma importância?
Como está sua determinação?
O que está faltando para que deixe as coisas acontecerem e comece a finalmente fazer o que tem que ser feito e do jeito que precisa.
As pessoas vão empurrando com a barriga, procrastinando seus objetivos, seus sonhos, suas felicidades e nem percebem que enquanto fazem isso a vida está passando diante de seus olhos. Não estão sendo felizes.
Estão perdendo manadas e mais manadas de cavalos encilhados o tempo todo.
O que você está esperando para dar um gás em seu sonho? Em seu objetivo? Em seu projeto?
Não se sente seguro? Entende que ainda não é a hora?
E qual seria a hora certa? Como saber a hora certa?
Como saber?
Quem sabe esteja esperando algo tão drástico quanto a pessoa que mais ama estar à beira da morte e que isso sirva como uma catapulta impulsionadora que lhe arremessará da zona de conforto bem para o trono do sucesso, não é?
Não precisa ser assim.
A vida é uma só e é agora. Vá em busca de seus sonhos. Lute pelo que acredita.
Batalhe pelos seus ideais. Enfrente seus medos. Desafie-se.
Não espere alguma doença grave lhe mostrar que não tem mais tempo.
Não aguarde que alguém que ama lhe abandone por não querer fazer o que sempre soube que precisa ser feito e que pode ser iniciado a qualquer momento.
Faça agora!
Busque seus objetivos com gula, com garra, com paixão e energia. Entusiasme-se com sua vida.
Não espere a morte. Não contente-se com o meia boca.
Se você esperar por uma coisa para fazer outra, não fará nenhuma das duas.
Não há o que protelar.
Não permita que morra dentro de si o sonho do sucesso, a explosão da felicidade e a vontade de fazer dinheiro.
Você tem as mesmas 24 horas de todo mundo. Como as está usando?

Largue este jornal e vá agora fazer o que já deveria estar fazendo há tempos!
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.04.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Invasões


Os conceitos de hoje em dia estão tão distorcidos que não há mais limite para o certo e o errado. 
Pessoas estão assumindo posturas que excedem o ridículo e não querem nem saber, é mais importante lograr algum tipo de vantagem. 
Se é bom para elas, então tudo bem. O restante do mundo que dê seu jeito. Mais ou menos a cultura de que o mais esperto vence. 
Poderíamos chamar algumas pessoas do tempo atual de Vikings modernos. 
Um bando de bárbaros, liderados por alguém que só pensa em si e quer cada vez mais aumentar seu patrimônio as custas de seus guerreiros, que bem obedientes fazem todo tipo de baderna e só se preocupam em ganhar seu quinhão de migalhas para comer e um muquifo qualquer para morar. 
Enquanto esses bárbaros tiverem onde morar e o que comer, o resto que se exploda, mesmo que destruam tudo por onde passem. Mesmo que tornem o solo infértil e destruam a economia do povo. 
Hoje, pessoas que não tem onde morar e não tem condições de alugar ou comprar, ganham um imóvel subsidiado pelo governo. 
Na prática esse tipo de subsídio deveria ser para quem realmente não tem condições. 
A triagem é feita pela renda familiar que não pode ultrapassar R$ 1.600,00. Quem se enquadrar entra em um sorteio. Os contemplados recebem o imóvel e pagam parcelas de até R$ 100,00 (sendo que em média é entre R$ 20,00 e R$ 50,00). 
Explicada a situação, trago o caso: 
Segunda-feira em torno de 100 casas desse tipo foram invadidas por famílias. 
O que me deixa perplexo são os argumentos desse povo. 
Alguns disseram, com peito estufado e tudo, como se estivessem não só cobertos mas preenchidos de razão, que como não tinham onde morar nem condições de pagar aluguel ou comprar seu imóvel, invadiram. 
As casas deveriam ser deles mesmo, já que eles é que precisam. Não querem saber se outra família também em mesmas ou piores condições havia sido sorteada. Não querem saber se o imóvel é deles ou não. Simplesmente por não poderem pagar aluguel, acharam-se no direito de invadir a casa de outra pessoa. 
Ainda argumentam que a casa foi construída com dinheiro do governo, então eles poderiam invadir. 
Repare a cultura que já está enraizada na mente do povo brasileiro. Se é do governo eu não pago. O governo tem obrigação de fornecer tudo para todos e de graça. 
Eu não tenho trabalho, não tenho dinheiro, não tenho condições de nada, então o governo me sustenta. 
Enquanto isso alguns pagam impostos e geram empregos para custear tudo isso que mais serve para gerar voto do que efetivamente proporcionar teto para alguns. Tanto que muitos desses moradores questionam o critério de sorteio. E não estou entrando nesse mérito, apenas trago que a insatisfação é com tudo que não cai de graça no colo deles. 
A cultura assistencialista, paternalista, do subsídio para tudo, deformou o caráter da nação que hoje quer receber tudo do Estado, fazer muito pouco ou nada, viver bem e reclamar quando algo falta. 
Mesmo quando descobrem que o dinheiro que poderia estar custeando tudo isso e muito mais está sendo generosamente desviado para fins particulares de uma enorme quantia de políticos corruptos (e não falo só do PT, falo de todos os partidos), devido ao que ganham (R$ 30,00, mortadela e pão) aceitam fácil. 
Ou seja, valores corrompidos, conceitos distorcidos para tudo, não apenas por se venderem por migalhas, mas por acharem-se no direto de invadir casas alheias por não ter dinheiro. 
Imagine você, que alguém entrasse em sua casa e a ocupasse por entender que ela não tem condições então você deve pagar isso para ela. Absurdo?


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 02.04.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Mordaça branca



No final de semana dos protestos contra a corrupção manifestei uma opinião nas redes sociais que é senso comum entre a classe empregadora, os empresários, os empreendedores e uma gigantesca fatia de empregados.
Quando o fiz, um militante pró PT (e vejam, minha afirmação não era contra o partido e sim referente a conduta de pessoas que defendiam a postura de uma linha de raciocínio que é absolutamente contrária aos ideais empresariais que visam lucro; lucro este necessário para pagar e elevar o salário dos empregados) não só ficou indignado comigo como se prestou a articular junto a muitas pessoas de mesma linha de pensamento para boicotarem meu posicionamento.
Primeiro que eu não entendo. Essas pessoas não tem argumentos para debater ideias então combatem o emissor, tentando o desqualificar enquanto pessoa. Isso não leva a nada.
Segundo que elas tentam convencer seu interlocutor xingando-o e ofendendo-o? Nem no fantástico mundo de Alice isso daria certo.
Mas o principal é que hoje não podemos mais falar o que pensamos mesmo que isso seja certo.
Teve gente que ameaçou me processar, alegando ilegalidade, citando Constituição e o escambau. Apelando para todo tipo de coerção moral na explícita intenção de me oprimir, boicotar e fazer com que me arrependesse e recuasse no comentário.
Muitos colegas de profissão, formadores de opinião, empregadores, empresários e gente pública vieram falar comigo dizendo que concordavam com o que escrevi, que me apoiavam em gênero, número e grau, mas que não podiam fazê-lo publicamente. Que não era bom para os seus negócios.
Que os militantes do PT, na primeira oportunidade, ao menor sinal de manifestação, criticam corrosivamente, unidos, e maculam a imagem da empresa.
Não se pode mais ter opinião, ou melhor, não se pode sequer falar o que se pensa.
Os manifestantes pró governo manifestam e sempre manifestaram tudo que quiseram, eles não têm emprego, não têm clientes, não têm o que perder. São terroristas sociais e morais.
Ficam à espreita apenas aguardando alguém ter coragem de se posicionar para, unidos, acoitarem de todas as formas.
E são muito bem organizados e articulados, tanto que funciona.
Quantas pessoas você vê hoje assumindo firmemente uma posição que fale verdades desconfortáveis e que seriam “politicamente incorretas”?
Hoje somos amordaçados. Se gostamos de assar uma carne e carnear, vem os direitos dos animais nos chamar de assassinos e nos mandar matar nosso filho que também é um ser vivo. Se falamos mal dos corruptos, reclamam que os outros partidos também são e que este partido ao menos tirou gente da pobreza e deu escola. Se falamos sobre os médicos, chove gente alegando que antes um cubano açougueiro do que ninguém.
E com isso cada vez mais quem deveria falar vai se acadelando, se achicando, se acovardando e emudecendo.
Enquanto isso quem defende a corrupção vai se multiplicando feito vírus, expande seu domínio nas escolas, nas faculdades, nas ruas e nas empresas.
Com o silêncio, empresas quebram, pois os empregados fazem o que bem entendem e isso é prejudicial em um nível tão profundo e extremo que não há saída.
Alunos na faculdade não podem ter opinião própria, senão o professor manda sair das sala, reprova e ainda humilha. Obviamente que isso se a posição for firmemente contra o PT, o atual governo e o MST.
O assistencialismo, conforme falei neste mesmo canal há mais de dois anos, chegou a um ponto insustentável e o país entrou em colapso.
Gente que defende corrupto, que defende bandido, é bandida também.
Gente que defende ganhar sem trabalhar, receber sem merecer, não merece emprego em empresa que visa lucro e produtividade.
São filosofias antagônicas, isso é absolutamente contraproducente e deve sim ser explícito.
Eu não tenho a obrigação de contratar em minha empresa gente que quer ganhar sem merecer, que quer um emprego sem precisar ser competente, gente que não quer estudar nem se qualificar para cada vez mais ser bom no que faz.
Eu não tenho obrigação de contratar pessoas que defendam assistencialismo, o ganhar por coitadismo, o receber mesmo sem trabalhar. Isso levaria minha empresa à bancarrota.
Precisamos SIM ficar de olho no mercado e no que acontece e contratarmos gente alinhada com a ideologia e filosofia da empresa, inclusive nas manifestações.
Precisamos ter coragem para falar o que todo mundo pensa mas ninguém quer.

A coragem não é que nem poeira que se agarra em qualquer pelo. Mostremos que os bons e os certos cansaram de se calar e estão começando o revide contra pelegos.
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 26.03.2016

@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2016

Estupro político


Fomos estuprados nos dias 16 e 17 de março de 2016.
Chutaram nosso cachorro, passaram a mão em nossa bunda, cuspiram em nós, bateram em nossa cara, espancaram nossa mãe, atearam fogo na moralidade e com cachaça.
Não tem cabimento o que está acontecendo no Brasil.
As passeatas, camisetas amarelas, vestir preto, panelaços, isso não chega aos ouvidos do Lula e da Dilma.
Tenho certeza que eles não tem a menor ideia do que está acontecendo em Santo Ângelo, uma ilha localizada no noroeste do estado do Rio Grande do Sul.
Entretanto entendo claramente a importância desses levantes populares. Todos os networks são acionados e funcionam como uma onda.
As pessoas aqui em nossa cidade saem para protestar, manifestam sua indignação nas redes sociais, formam opiniões, influenciam conhecidos.
Essa ação invariavelmente respinga na área jurídica, ou seja, OAB, juízes, advogados e todos aqueles que hoje são os únicos que poderiam dar um fim nessa palhaçada toda. Eles começam a entender que precisam dar jeito na coisa.
As classes influenciadoras como proprietários, médicos, empresários e afins também começam a sofrer e manifestar ativamente seu descontentamento, utilizando suas conexões, apoiando a revolta do povo e as decisões judiciais.
O jornal só divulga a manifestação em POA ou em São Paulo porque sabe que isso está acontecendo em POA, em Passo Fundo, em Erexim, Santo Ângelo...
Se não estivesse acontecendo em todo Brasil, nas cidades pequenas inclusive, entenderiam como eventos isolados em capitais e sem representatividade significativa.
Quando o movimento ganha corpo, ganha escala, quando a notícia chega aos salafrários lá em cima, a mídia é OBRIGADA a se manifestar.
Quando o povo reivindica algo, a mídia divulga e tudo estremece, necessariamente os representantes da justiça acabam entendendo a importância de se posicionarem.
Quando toda uma nação está posicionada de forma firme e segura contra corrupção e não a favor de partidos ou ideologias partidárias, ou seja, pró justiça, não há como advogados e juízes irem contra. Eles precisam seguir as leis.
Você pode argumentar que sempre tem como, e de fato, sempre tem. Mas some-se a tudo isso os políticos e a coerção social que todo esse movimento representa.
Sim, os políticos, eles querem votos e o povo não quer mais saber da pujança, então eles articulam para que os juízes façam o que o povo pede e assim se reelejam.
Outra coisa que fica, independente do resultado, é o exemplo para as gerações atuais. Jovens que sabem sobre política, entendem sobre justiça (ou a falta dela), sabem o poder que tem nas mãos, veem a consequência de um péssimo voto.
Ao menos em teoria nossos jovens serão empreendedores, focarão em conhecimento e estudo, serão mais qualificados e mais preparados para o futuro.
A parte boa de tudo isso é, o Lula caindo ou não, mantendo ou não a suspensão desse ministério, os jovens entenderam que PT é do mal e que comunistas continuam comendo criancinhas como ouvíamos quando éramos crianças.
E sabendo disso, revolucionarão nosso país em 10 anos.

Façamos com que todos sempre lembrem desse dia, dessa raça, desse mar de lama de corrupção, do maior escândalo de roubo já registrado na história da humanidade que é o PT no governo roubando do BNDES e da Petrobrás.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 19.03.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Incompatibilidade profissional


Muita gente fala que eu falo mal dos servidores públicos.
Ok, reconheço que pego pesado generalizando e fazendo parecer que todo mundo está no mesmo cesto. Entretanto, isso não é verdade. Conheço uma boa quantia de profissionais que realmente servem o público.
São pessoas que passaram em concurso porque queriam fazer a diferença. Gente que quer acabar com essa barbaridade toda que impera hoje no mundo público.
Na iniciativa privada a coisa é diferente. Quem não está satisfeito, não fica no trabalho.
Via de regra, ou as pessoas pedem demissão ou fazem de tudo para serem demitidas.
Fato é que na iniciativa privada quem não entrega resultado não dura.
Entretanto, como vivemos em uma cidade eminentemente de servidores públicos, onde há, infelizmente, uma cultura do ganhar por um emprego e não pelo trabalho efetuado. Do ganhar pelo título e pela prova, e não por competência, experiência, conhecimento ou eficiência.
Aqui, invariavelmente, muita gente que não quer trabalho e quer apenas um emprego acaba caindo na iniciativa privada e declinando a curva de produtividade de onde entraram.
Reparem, reforço que não sou, absolutamente, contra o serviço público e principalmente contra servidores públicos. São eles que fazem a nação andar.
Sou natural de Santo Ângelo e cresci aqui convivendo com muita gente que hoje é concursada; converso com muita gente em função pública e sei das mazelas e das frustrações de quem quer fazer a diferença, quem quer trabalhar, quem quer mudar o mundo e entregar resultado e não consegue porque ou o sistema não permite ou porque os colegas impedem.
Essas pessoas são dignas de troféu, porque eu no lugar delas teria pedido as contas e ido trabalhar na iniciativa privada, como de fato fiz.
Me irrita ver gente trabalhando e reclamando da função, do salário, do chefe, das tarefas, dos colegas e do que mais aparecer na frente.
Que peça demissão, pelo amor de Deus, e vá procurar algo que esteja de acordo com suas expectativas então, bolas! Isso, claro, se tiver competência para isso.
Greve por salário? Cara... Troca de emprego!
Há também aqui muita gente empreendedora e batalhadora, que dá o sangue pelo que faz, que realmente se esforça e faz a diferença. Essas pessoas são as mais indignadas com improdutividade e incompetência. Elas tendem a não saberem se relacionar com quem quer apenas bater o ponto e fazer o básico.
Recentemente entramos em contato com uma certa funcionária pública, que tem feito um excelente trabalho. De pronto, a elogiamos e comunicamos a todos do louvável trabalho no desempenho de suas funções. Infelizemente, ainda não tive a oportunidade de falar isso pessoalmente, mas certamente o farei.
Vejo conflitos de casais onde uma das partes se vitimiza e quer apenas a estabilidade e um emprego com bom salário e a outra parte quer mudar o mundo, quer entregar resultado, quer iniciativa privada, quer colocar ideias em prática e empreender, mesmo que isso envolva grandes riscos. Nesse fogo cruzado entre uma grande carreira profissional, com superação de si próprio  versus um  emprego razoável que ofereça uma certa garantia sem riscos, fica a formação de uma família, com os filhos e seus sonhos particulares e até mesmo animais de estimação, e um desejo incontrolável de acomodação.
Normalmente, não há compatibilidade entre ambas. Enquanto uma quer apenas trabalhar em horário comercial (ou menos que isso) e ganhar seu dinheirinho fixo no final do mês, a outra quer dar vazão à insaciável sede por desafios, conhecimento, superação.
Via de regra, alguém que tem sucesso na iniciativa privada precisa dedicar muito mais tempo para o lado  profissional do que para o pessoal. Estuda muito, está sempre em treinamentos e qualificações, dorme menos, trabalha de madrugada, finais de semana e feriados. Faz a coisa acontecer.
Não conheci nem um executivo de sucesso durante os quase 15 anos que morei em Porto Alegre que tivesse chegado ao topo sem muito esforço, dedicação, finais de semana, feriados e noites em claro.
Para ser melhor que os outros é necessário fazer o que os outros não fazem. Se você faz o que todo mundo faz, será na melhor das hipóteses igual a todo mundo.
Quem pensa assim não tolera ganhar a mesma coisa que o colega ao lado sendo que é mais qualificado e entrega maior resultado.
Quem não pensa assim prefere a tranquilidade da estabilidade, o conforto do tempo para desfrutar o dinheiro do mês viajando ou comprando o que bem entende. Prefere priorizar uma vida tradicional, com família e pets.
Perceba, não há certo e errado nisso. Há pontos de vista e opiniões. Claro que, invariavelmente, eu vou puxar a brasa mais para um lado por ser o que eu mais gosto, mas trago aqui a luz do contraponto.
Há também que se ressaltar a parte mais importante disso tudo. O meio termo.
Sim, ele existe e é possível!
Obviamente que no meio termo o meio termo precisa ser utilizado. Não se é um executivo top sendo meio termo. Se é um bom executivo, se é um executivo. Mas não o top. Para ser top é necessário abrir mão de algumas coisas que o meio termo não admite.
O mesmo serve para o que busca apenas estabilidade e horas a menos de trabalho ou apenas aquele horário de trabalho. Para se conviver com alguém que ambiciona um mundo e uma realidade diferente, é necessário flexibilizar quanto a filosofia de vida.
Para manter uma união em meio a esse conflito de filosofias é necessário o mais precioso dos ingredientes em relacionamentos. Não, não é o amor. É a inteligência!
Alguns chamam de bom senso. Eu chamo de tentar encantar o outro todos os dias. Sobretudo nesse tipo de relação, quando uma parte se acomoda, o relacionamento desanda.
Não desistir, cada um fazer sempre a sua parte sem esperar que o outro também faça, por quanto tempo aguentar, faz com que a união sempre se fortaleça e eventualmente os cônjuges se apaixonem novamente de tempos em tempos.
Escolha seu caminho, e para fazê-lo, é necessário saber exatamente o que se quer da vida e para seu futuro.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 05.03.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Camisa de força verbal



Estou revoltado e sinto necessidade de escrever.
Hoje em dia não se pode mais ter opinião. Quando alguém tem, é linchado publicamente, independente se verbal, moral ou fisicamente.
Não se pode mais manifestar o que se pensa. Os valores são relativizados. Se sou heterossexual convicto, não posso manifestar pois serei enquadrado como homofóbico.
Se tenho algum tipo de preconceito (e todos têm) preciso negar e dizer que não tenho sob pena de ser processado.
Ter opinião própria hoje em dia é crime.
Muitas pessoas quando leem meus textos antes de eu publicar perguntam: "Vai mesmo publicar isso?"; "Tem certeza que quer comprar essa briga?". Ou ainda: "Acho que você não deve publicar isso, vai perder clientes".
Prestem atenção nisso gente. Eu não posso ter opinião. Sim, pois, afinal de contas, ter opinião e não poder manifestá-la, amarrando-a com uma camisa de força verbal, é o mesmo que não poder tê-las.
A alegação é de que se eu manifestar publicamente o que penso, certamente divulgarei ideia adversa a de alguns clientes. E segundo uma forte linha de raciocínio, isso os afastará.
Isso é um absurdo. É uma afronta, um ultraje, um estupro moral.
Então quer dizer agora que, se eu penso diferente de você, não podemos fazer negócios?
Então significa que você prefere que eu seja hipócrita e demagogo a saber o que penso de fato?
Então você prefere que eu minta para você ou omita, senão vai fazer negócios com outra pessoa, que possivelmente vai lhe mentir ou omitir?
Sim, porque afinal de contas, a pratica hoje em dia é não falar o que se pensa e quem fala é imediatamente punido.
Quando manifesto algo "polêmico" ou mesmo diferente, muita gente me chama de corajoso, de kamikaze, de irresponsável, louco...
Não é mais permitido pensar fora da caixa. Não podemos ser uma vírgula diferente da maioria e da massa, pois do contrário estamos colocando nosso negócio em risco, estamos sendo preconceituosos e politicamente incorretos.
Se eu escrevesse um texto falando da concorrência certamente não seria publicado pois atrapalharia os negócios de quem o publica. Se falasse mal de alguma religião então, nunca mais esses fieis viriam a mim. Se escrevo sobre política, os defensores desse ou daquele partido ficariam tão ofendidos que não me olhariam mais na cara.
Isso que nem estou considerando a incoerência disso. Aceitar a opinião alheia está fora de cogitação. Argumentar sem ofender ou sem tem um acesso de raiva também não.
Onde está a educação do povo? Onde está o meio termo? Onde está o respeito pela opinião alheia?
E meu direito de falar o que bem entendo onde fica?
A censura impera em todos os canais e com todas as pessoas. Um dos poucos locais onde posso publicar o que bem entendo é em meu blog, e ainda assim não sobre observações "haters" de muita gente.
Aceitar a opinião alheia deveria ser regra social. O "politicamente correto" está matando as opiniões e desencorajando mentes pensantes. Estamos atrofiando nossas ideias e nossas sociedades.
Se inventassem uma máquina de ler pensamentos com punição de prisão para quem pensasse o politicamente incorreto, não sobraria uma pessoa livre.
Por um mundo livre! Pela manifestação livre do livre pensamento!
Pelo fim do politicamente correto!
Quero poder falar o que penso, manifestando minhas ideias sem que ninguém tome como pessoal e me odeie ou se manifeste como se eu houvesse desferido um soco. Quero poder voltar a debater com pessoas que pensam diferente e que me façam enxergar o contraponto, que me façam mudar de opinião, e que para isso eu não precise ser censurado, preso ou mesmo espancado.
Longa vida aos blogs.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.02.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Inadimplência


Muitos clientes nos questionam por que cobramos tanta documentação. Por que somos tão inflexíveis quanto a garantias. Por que assinamos um contrato com os proprietários se isso nos gera insatisfação.
Muitos clientes ao saberem que precisam fazer a coisa certa, tentam a sorte na concorrência.
Muita gente que não possui fiador ou não quer oferecer garantias, opta por outra empresa.
Muitos de nossos proprietários ou são exclusivos conosco, ou estão gradativamente voltando. Sobretudo em tempos de crise.
Quando determinado imóvel está conosco e com outra empresa do ramo, muita gente acaba alugando da outra empresa que “dá o jeitinho” e isenta alguma garantia, quando não toda.
Isso a princípio é percebido pelo proprietário como eficiência e competência, afinal de contas alugou mais rápido que as outras imobiliárias. Mas, após, torna-se uma interminável dor de cabeça quando o cliente fica inadimplente.
Recentemente um dos proprietários que mais admiro nos visitou questionando quanto a um de seus imóveis que estava em atraso já em fase de ingresso na justiça.
Neste ponto informamos o quão doloroso é um processo judicial, quão insatisfeitos ficam todas as partes envolvidas, quão moroso é, etc.
Nesta oportunidade me foi questionado como poderia demorar tanto um despejo, visto que o cliente já está inadimplente a mais de seis meses, e a lei do inquilinato é clara: despejo em 15 dias.
Expliquei que na prática a teoria não funciona.
Quando um cliente não paga seu aluguel, cobramos de várias formas extrajudiciais. Não havendo sucesso, judicializamos.
Ao fazê-lo, penhoramos os bens dos fiadores, os inserimos, bem como os inquilinos, no processo. Buscamos todo e qualquer bem que estiver em nome das partes afim de encerrar o débito.
Quando se ajuíza um processo desses ele vai para uma pilha na mesa do juiz que, sobrecarregado, demora na melhor das hipóteses 90 dias para ver e dar encaminhamento mandando informar as partes de que foram acionadas.
Depois de acionadas elas se defendem, mais 90 dias. A imobiliária argumenta, mais 90 dias. E essa função segue por mais de dois anos, necessariamente, até que o despejo ocorra.
Enquanto isso a dívida do inquilino só aumenta chegando num ponto onde ele não tem mais condições de pagar sem ter seu bem leiloado, e/ou de seus fiadores.
O proprietário fica insatisfeito, o inquilino também e a imobiliária mais ainda.
Isso que pegamos todas as garantias necessárias com documentações e assinaturas, logo conseguimos fazer a cobrança e forçar o pagamento.
As imobiliárias que não o fazem, e que são maioria na cidade, quando da inadimplência, não conseguem cobrar.
Todos esses clientes que foram lesados em outros locais acabam voltando para imobiliárias como a nossa tida como caxias.
O que não me entra na cabeça e nem na dos proprietários é, se está com dívidas, se não consegue arcar com o custo do aluguel e esse montante só tende a aumentar então por que afinal de contas não entrega o imóvel e deixa as contas a serem negociadas futuramente?
As pessoas tem o hábito de esperar que alguém resolva tudo magicamente para elas, quando na verdade em casos de inadimplência junto à empresa séria, a consequência vem, mais cedo ou mais tarde.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.02.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br