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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Trabalho Infantil

Esses dias enquanto passava da sala à cozinha ouvi uma propaganda na televisão que posicionava-se contra o trabalho infantil.
Curioso que não ouço campanhas publicitárias contra os mini atores das novelas das televisões brasileiras. Também não há manifestações quanto aos comunicadores de programas de auditório ou de pequenos pastores de grandes igrejas.
Então o quê? Trabalho infantil é permitido apenas para quem não precisa de dinheiro? Aqueles que passam necessidade em casa, que não tem dinheiro para comprar comida, que passam frio, pois nem roupa podem adquirir, também não podem trabalhar?

E a ajuda extra na renda familiar? E as crianças que sequer conseguem ir ao colégio porque falta de tudo um muito em casa?
Só eu penso que o dinheiro que essas crianças trazem para casa é fundamental para manter a saúde desse seio como um todo?
O que está errado não é o trabalho. O errado é trabalhar e não aproveitar esta curta fase. Deveria existir, então, uma lei que proíba crianças de trabalharem em tempo integral, que ocupe  todo o tempo que a impeça de brincar e estudar, por ser fundamental para seu desenvolvimento enquanto pessoas.
Além do quê, esse trabalho não só encaminhará esses infantes a algum tipo de profissionalização como ampliará seu senso político e de relacionamento interpessoal. Fará as crianças entenderem como o mundo funciona, como a máquina gira, obrigará a conviverem em sociedade e construir network.
Criança pode estudar, trabalhar e ainda brincar. Filhos de pais ricos estudam, fazem natação, ballet, tênis, judô, caratê, futebol e ainda arranjam tempo para brincarem com seus videogames, assistirem desenhos e aprontar artes com os amigos, além das aulas. Por que não incluir trabalho nisso? Os fará aprender muito também e principalmente angariará um grande ganho à renda de todos e aumentará a qualidade de vida.
Segundo o estatuto da criança e do adolescente (ECA), é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. Sendo que o mesmo considera aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor.
Alguém pode me dizer onde grande quantidade de gente desqualificada e sem maturidade consegue emprego desse tipo?
Ah mas o trabalho educativo é diferente. Trabalho educativo? No ECA diz que entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo. Traduzindo, produz menos e aprende mais. Isso é sala de aula e não trabalho. Por que eu enquanto empresa vou custear alguém que dá menos retorno que outro?
Até na remuneração há pormenores. “A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo.” Ou seja, ao menos isso, pode receber para aprender.
Tudo bem, eu quero ajudar a criança a dar uma qualidade de vida melhor para todos de sua casa. Dou oportunidade ao “menor aprendiz”, pago para ele... aprender? Então minha empresa agora acaba de mudar de status? De empresa para instituição de caridade sem fins lucrativos?
Sei da realidade das crianças exploradas pelos pais e não estou me referindo a esse nicho. Preocupo-me em separar esse joio de todo o trigo que realmente precisa do trabalho e pode aproveitá-lo produtivamente.
Sou a favor do trabalho infantil! Acredito que beneficia a criança de muitas formas. Sou contra hipocrisia e demagogia. Antes uma criança trabalhando e aprendendo do que passando necessidade e apanhando em casa.
Trabalho infantil é uma coisa, trabalho escravo é outra bem diferente!
Quem não tem condições de dar manutenção ao básico, certamente também não terá condições de uma infância digna. Então que ao menos busque melhor qualidade de vida.
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 10.08.2013 
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A ilusão do Pseudo-poder

Em duas oportunidades percebi de maneira quase caricata como as pessoas se transformam quando acham que conquistaram algum tipo de poder. Independente se esse for de influência, status, hierárquico ou econômico.
A primeira foi quando trabalhava em call center, como tele atendente. Sempre que um operador destacava-se, assumia a função de supervisão nas férias do titular ou em momentos de ausência deste (almoço, reuniões e afins).
Importante frisar o quanto ficava claro a todos que essa função era apenas temporária e servia como apoio ao supervisor, que no retorno devolvia o cargo original à pessoa que estava cobrindo.
Nesse período era líquido e certo que no mínimo metade dos apoios começavam a considerarem-se superiores. Em seus limitados entendimentos risivelmente acreditavam deter algum tipo de poder e começavam a agir de forma arrogante. Muitos humilhavam, xingavam e até ameaçavam os colegas de função, mesmo sabendo que alguns minutos depois estariam novamente sentados em suas antigas posições de atendimento, ao lado dos xingados.
Meu pai desde criança repetiu a célebre frase: “quer conhecer uma pessoa, dê-lhe poder”. E sempre que isso acontecia, eu me lembrava. As pessoas abrupta e afoitamente desmascaram-se mostrando seu verdadeiro lado egoísta e arrogante.
Não é pela falta de maturidade, pois tem muita gente nova que sabe o valor da humildade. É uma questão de caráter. Muitos se corrompem antes mesmo de receber o bônus, e na maioria dos casos ficam apenas com o ônus.
Eram despreparados profissional e emocionalmente para exercer qualquer tipo de poder, pois com uma pseudo oportunidade já pecaram.
O segundo caso foi na última empresa em que trabalhei como funcionário, também voltada à prestação de serviços, mas com um viés totalmente diferente.
Entrei na empresa para efetuar uma tarefa, mas devido à experiência que trazia de empregos anteriores, acabei ajudando muita gente em outras áreas. Dentre elas uma colega que já tinha alguns anos de casa.
Através de trabalho conjunto orientei como deveria proceder em muitas situações, articulamos para desenvolver a produtividade de muitas áreas e onde envolveríamos muita gente. Quando alguns resultados começaram a ser vislumbrados a possibilidade de uma promoção se desenhou.
Nesse momento sentamos e conversamos. Eu disse que pretendia sair em pouco tempo para trabalhar no negócio da família e que daria total apoio à ela, inclusive recomendando-a à promoção.
Depois de poucos meses foi promovida. Ela não tinha competência para tal, mas enquanto colega demonstrava-se esforçada, humilde e comprometida. No dia seguinte a promoção suas unhas cresceram, virou as costas para mim e os demais que a haviam auxiliado, tomando para si todo e qualquer mérito e despejando a culpa de todos os fracassos em nós.
Como havia me programado para sair, não me preocupei. Ela tomou o cuidado de manter-me sempre sobre sua tutela até ter carta branca e me demitir (ao menos no final fez o que havia prometido). Mas continuou sua devastadora trilha de pseudo poder, achando que podia mais que o dono do negócio.
A consequência é que quando a pressão apertou, ela tirou uma desculpa da manga e foi embora trocando até de cidade.
Fato é a mediocridade de pessoas que pelo simples acontecimento de ganharem algum tipo de poder, ilusório ou real, entendem-se superiores e no direito de pisar ou tentar minimizar alguém. Isso é bem comum no universo corporativo e existem muitos casos onde quem pratica não recebe a pena merecida por um tempo, até que o mercado caprichosamente coloque um chefe perspicaz que sumariamente faça o favor de colocar esses seres detestáveis em seus respectivos lugares.
Morte profissional aos mascarados sem humildade!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 03.08.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin

@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Administrando fatores aleatórios

Quando vou de casa ao trabalho ou o contrário, o faço por trajetos variados de acordo com algumas circunstâncias. Se estiver chovendo, vou pelo caminho com maior quantidade de marquises. Em caso de calor, por onde há mais sombra. Caso esteja com frio vou pelo trajeto mais ensolarado, e se estou com pressa pelo caminho mais curto. Sigo essa rotina salvo algumas exceções onde preciso alterar o rotineiro curso, como passar na casa de alguém ou em algum estabelecimento comercial.
Estava eu voltando para casa em um dos dias mais frios do ano, não chovia, mas também não havia mais sol, quando optei pelo percurso mais curto para que pudesse chegar rapidamente ao confortável destino quentinho - minha casa. No início do caminho lembrei que precisava pegar pão e então decidi que o faria na padaria a qual passo diariamente em frente.
Absorto em meus pensamentos fui pego de surpresa quando no afã de chegar logo em casa com passo apressado deparei-me com um cachorro rengo no meio da quadra. Não sei se estava rengo de frio, pois devia estar negativa a temperatura, ou se estava rengo de fome ou raiva. 
De certeza tenho apenas minha convicção de que eu não tinha motivo algum para tentar a sorte junto ao cusco. Quando vislumbrei aquela cena de duelo em velho oeste onde de um lado estava eu, parado, encarando o guaipeca e de outro ele, meio rengo, com aquele olhos malévolos que prometiam arrancar com os dentes o precioso pedaço de calça que me protegia do frio. Atravessei a rua!
Quando estava a meia quadra de casa, lembrei do pão. "Saco, logo em um dia tão frio!" Mas por que logo nesse dia esqueci de comprá-lo se passo em frente a padaria diariamente e sempre lembro?
Aí está. Não passei em frente à padaria. Havia um cachorro lá.
O simples fato de haver um guaipeca parado em frente à padaria foi o suficiente para que eu não só não comprasse no mesmo habitual local, como acabou proporcionando-me conhecer um pão de um concorrente também próximo a minha residência, com a vantagem de estar quentinho, pois esta última foi esperta o suficiente para ajustar sua fornada à hora do encerramento do expediente comercial. Resultado: Agora sou cliente do outro estabelecimento.

É claro que no interior do estado do Rio Grande do Sul as empresas não levam em consideração esse tipo de fator aleatório que pode gerar perda de clientes, como um cachorro parado em frente a uma padaria. Possivelmente a proprietária quando viu o pobrezinho ficou com pena e não o enxotou. Certamente não vislumbrou a possibilidade de perder seus clientes. E se por acaso algum outro cliente não entrou naquele horário, muito possivelmente a culpa tenha sido do frio, e não do cusco. Ao menos na visão dela.
Grandes tubarões do mercado prestam atenção em tudo, inclusive no bichinho que eventualmente para em frente ao seu estabelecimento. Todos os fatores aleatórios são ponderados e evitados quando necessário. Isso faz com que mantenham-se no topo da cadeia alimentar mercadológica, devorando vorazmente os peixinhos que não cuidam de eventualidades ou previnem-se quanto a todas as possibilidades.

Justamente estar atento a tudo, aproveitar oportunidades, tirar vantagens da concorrência, prestar um serviço de melhor forma que os outros é o que faz uma empresa virar gigante de mercado e manter-se lá.
Quando que uma pessoa sem noções de empreendedorismo ou administração poderia pensar em um fator tão aleatório quanto esse? Eu respondo: Quando o dono dessa empresa tiver visão o suficiente para transformar sua empresa em um Google, e nesse caso, terá que saber desenvolver as noções faltantes, necessariamente.
Jamais a padaria saberá os motivos que fizeram eu ou os outros clientes conhecermos a concorrência e acabarmos preferindo pão quentinho.
E assim explica-se porque 80% das empresas quebram nos primeiros dois anos de existência. A culpa nem sempre é das pesadas taxas ou da burocracia, muitas vezes a culpa é do proprietário que não tem capacidade de enxergar a quantidade absurda de possibilidades que as pequenas causas geram.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.07.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cinderela

A todos que acreditam em contos de fada e acham que isso realmente pode acontecer na vida real, peço que parem de ler. Partam para outro texto qualquer, pois irei aqui desmontar a utopia daqueles que creem ainda na possibilidade dessa mágica.
Ater-me-ei apenas ao clássico episódio de Cinderela, pois julgo ser mais do que suficiente para comprovar meu ponto de vista. E mais, desafio-lhes a provar que estou errado.
Pense em uma menina que passa os dias sem estudar, ler, aprender ou conversar sobre assuntos que lhe possibilitem maiores traquejos e articulações. Alguém que viva apenas para servir de escrava às irmãs e que nada faz além de ser humilhada e faxinar.
Uma pessoa assim não tem condições de conversar sequer com a própria família sobre algum assunto relevante, quanto mais com alguém de uma "classe" superior.
Façamos a analogia com uma criança. Um adulto tem muito mais conhecimento e experiência que um jovem. Se por algum motivo esse adulto tentar dialogar qualquer tipo de assunto cotidiano dos mais velhos com essa criança, encontrar-se-á em um beco sem saída.
Da mesma forma ocorre entre um príncipe e uma escrava de faxina das irmãs que nem sabe o que é um "bom dia".
Tente mentalizar um diálogo, nos tempos atuais, entre essa tal escrava e um homem oriundo da classe A ou B. Ele a ama, casaram-se, acertam-se maravilhosamente bem na cama, mas quando tentam conversar o que ocorre? Enquanto ele tenta falar de política, demonstrando-se preocupado com o Mercosul e com a geopolítica mundial, ela diz que gosta do bolsa família e da presidentA. Quando forem falar de futebol, o máximo que ela sabe é que os jogadores ganham bem e são um prato cheio, e ele querendo trocar ideia quanto a tática e estatísticas.Falando em televisão, ela sabe sobre novelas, Ratinho, Marcia, Faustão e olhe lá, enquanto ele tenta falar sobre filmes culturais, documentários, seriados, musicais e óperas. Falando em música, ela gosta de funk com as letras de mais baixo calão, enquanto ele ouve blues e clássico. Livros pra ela apenas os que tem figurinha e com no máximo 15 páginas, para ele Camões e Machado são o trivial.
Quando ele vai apresentar a amada aos amigos, ela sai com "a gente fumos"; "peguemos"; "de a pé"; "seje"; "teje";"menas", fala de boca cheia, não ri - cacareja, usa mais as mãos que os talheres, e por aí vai...
Por aqui percebe-se um abismo colossal de diferenças culturais, sociais, comportamentais e mais outros "ais" que seriam mais do que suficientes para ofuscar todo e qualquer "sentimento imortal" de um matrimônio entre classes.
Mesmo que essa menina esforce-se muito e que o homem tenha paciência suficiente para esperar ela qualificar-se, quando isso acontecer ele já estará em outro patamar e tudo que ela conquistou chegou apenas próximo do que ele era no momento em que sua caminhada iniciou.
Para não sermos tão extremistas, pensem em uma pessoa de classe D ou E que envolve-se com o filho do patrão de classe B ou C. Mesmo nesses casos o relacionamento nasce morto. É insustentável para alguém que quer mais, ter um fator limitante tão forte ancorando seu crescimento pessoal e profissional para o resto da vida. As pessoas buscam alguém com quem compartilhar afinidades e que auxiliem nas decisões da difícil e turbulenta vida moderna.
Pense agora em alguém de classe C ou B (pessoal que estuda, lê jornal, livros...) tentando ter um relacionamento normal com uma mulher de classe A. Pensem em uma bilionária de berço, tipo filha do Bill Gates.
Certamente a vida, rotina, cultura, lazer, vestimenta, custo, restaurante, comportamento e vocabulário dela são demais para alguém que pondera as finanças para pagar uma faculdade ou o financiamento de um imóvel. Uma janta dela é o orçamento semestral dele. Só a bota que ela usa é o preço de seu apartamento.
Meus amigos sociólogos dizem que a separação de castas sempre existiu e sempre existirá, e que é inclusive uma maneira de nos protegermos de situações constrangedoras. Cada classe que misture-se entre si, pois o resto é apenas devaneio de um conto de fadas absurdo. E eu concordo.
E a Cinderela nunca saiu do canto cinzento próximo a lareira, a não ser para enrabichar-se com o responsável pela coleta de esterco do chiqueiro anexo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.07.2013 
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Malefícios da saúde

Um assunto que há muito quero trazer à pauta e que agora não pode mais esperar é a saúde pública. Sempre reclamei e ouço muitos também o fazerem, quanto ao péssimo serviço oferecido ou até a ausência deste.
Tenho dois pontos principais a observar referente a isso. O primeiro é o de que em todos os lugares há máfias de médicos impedindo a entrada de outros profissionais “concorrentes” nesse “mercado”. A exemplo de cidades do interior onde há apenas um especialista em cada área ou às vezes nem isso, como neuro, por exemplo.

Há um esforço político desleal, expulsando novos médicos dos já consolidados mercados a fim de manter a soberania de antigos e muitas vezes desatualizados profissionais.
Isso faz com que certas regiões não tenham a devida assistência especializada, e a culpa aqui não é de ninguém além da própria classe médica que na hora da pressão política, exume-se de qualquer responsabilidade. (Nesse texto nem vou entrar no mérito da máfia dos planos de saúde e do protecionismo municipal junto aos daqui).
E o pior é que esses “profissionais”, quando trabalham pelo governo, mal dão atenção aos pacientes. Se precisam atender seis horas, com uma consulta a cada 25 minutos, recebem as pessoas, mal avaliam, receitam qualquer coisa sem perscrutar condizentemente, e mandam embora em menos de 5 minutos. Ficam apenas uma hora, “atendem” os 24 pacientes a que são obrigados e voltam aos seus consultórios.
Conseguir um diagnóstico certeiro é uma dificuldade hercúlea. Não há como saber o que um doente tem sem sequer pedir exames. O descaso dessa classe com o povo é revoltante. A julgar por um dos meus irmãos que debateu-se de médico em médico com exame nenhum e diagnósticos superficiais. Hoje ele não está mais entre nós, pois quando encontrou um competente, era tarde. (abraço ao onco da família) Até ameaças os novos médicos sofrem quando tentam trabalhar numa nova cidade.
O segundo ponto é a falta de estrutura para que os profissionais trabalhem. A concentração de médicos é maior em grandes centros principalmente por haverem condições adequadas de trabalho, centros clínicos com aparelhagem de ponta, diagnósticos rápidos, precisos e principalmente confiáveis.
Não adianta termos milhares de médicos para atender se não há leito suficiente ou mesmo hospitais.
É incoerente querer que alguém que estuda tanto tempo e a altos custos (mesmo no ensino federal, pois a literatura é cara) tenha que trabalhar em péssimas condições, com limitações desesperadoras, não podendo salvar vidas que com um pouco mais de infraestrutura seria fácil.
Um médico super especializado e experiente que se sujeite a ir para o norte, por exemplo, sequer tem uma radiografia decente, quiçá exames mais complexos. Sendo que estes são extremamente necessários.
Seria como pedir para um especialista em edição de vídeos trabalhar com um computador de tela verde sem espaço em disco, sem placa de vídeo e sem memória.
Só que trazer profissionais de fora não justifica, definitivamente, que algo vá melhorar. Precisa é haver investimento em equipamentos e afins.
E mais, trazer gente de fora sem precisar de prova que comprove competência, condições e conhecimento, no mínimo pretere os nossos.
Isso tudo é um artifício populista que serve apenas para angariar votos.
Não resolve o problema. Tapa o sol com a peneira. Engana os ignorantes.
Falta uma eficaz administração com o dinheiro público.
Os médicos que realmente querem ajudar e curar, que não são meros mercenários e aproveitadores, lamentam esse tipo de decisão.
Sei que a abordagem é generalista, mas o assunto tem muitas nuances e é impossível abordar todos os aspectos em apenas um texto. Não sou contra médico ganhar bem, e acho um absurdo o governo pagar R$ 9,00 por consulta do SUS aos médicos. Reforço, investimento em hospitais e infra é o que mais precisa.
Acho que esse horror de subsídio a Cuba já passou dos limites e o povo precisa dar um basta. Chega de ser explorado!
Um assunto que há muito quero trazer à pauta e que agora não pode mais esperar é a saúde pública. Sempre reclamei e ouço muitos também o fazerem, quanto ao péssimo serviço oferecido ou até a ausência deste.
Tenho dois pontos principais a observar referente a isso. O primeiro é o de que em todos os lugares há máfias de médicos impedindo a entrada de outros profissionais “concorrentes” nesse “mercado”. A exemplo de cidades do interior onde há apenas um especialista em cada área ou às vezes nem isso, como neuro, por exemplo.
Há um esforço político desleal, expulsando novos médicos dos já consolidados mercados a fim de manter a soberania de antigos e muitas vezes desatualizados profissionais.
Isso faz com que certas regiões não tenham a devida assistência especializada, e a culpa aqui não é de ninguém além da própria classe médica que na hora da pressão política, exume-se de qualquer responsabilidade. (Nesse texto nem vou entrar no mérito da máfia dos planos de saúde e do protecionismo municipal junto aos daqui).
E o pior é que esses “profissionais”, quando trabalham pelo governo, mal dão atenção aos pacientes. Se precisam atender seis horas, com uma consulta a cada 25 minutos, recebem as pessoas, mal avaliam, receitam qualquer coisa sem perscrutar condizentemente, e mandam embora em menos de 5 minutos. Ficam apenas uma hora, “atendem” os 24 pacientes a que são obrigados e voltam aos seus consultórios.
Conseguir um diagnóstico certeiro é uma dificuldade hercúlea. Não há como saber o que um doente tem sem sequer pedir exames. O descaso dessa classe com o povo é revoltante. A julgar por um dos meus irmãos que debateu-se de médico em médico com exame nenhum e diagnósticos superficiais. Hoje ele não está mais entre nós, pois quando encontrou um competente, era tarde. (abraço ao onco da família) Até ameaças os novos médicos sofrem quando tentam trabalhar numa nova cidade.
O segundo ponto é a falta de estrutura para que os profissionais trabalhem. A concentração de médicos é maior em grandes centros principalmente por haverem condições adequadas de trabalho, centros clínicos com aparelhagem de ponta, diagnósticos rápidos, precisos e principalmente confiáveis.
Não adianta termos milhares de médicos para atender se não há leito suficiente ou mesmo hospitais.
É incoerente querer que alguém que estuda tanto tempo e a altos custos (mesmo no ensino federal, pois a literatura é cara) tenha que trabalhar em péssimas condições, com limitações desesperadoras, não podendo salvar vidas que com um pouco mais de infraestrutura seria fácil.
Um médico super especializado e experiente que se sujeite a ir para o norte, por exemplo, sequer tem uma radiografia decente, quiçá exames mais complexos. Sendo que estes são extremamente necessários.
Seria como pedir para um especialista em edição de vídeos trabalhar com um computador de tela verde sem espaço em disco, sem placa de vídeo e sem memória.
Só que trazer profissionais de fora não justifica, definitivamente, que algo vá melhorar. Precisa é haver investimento em equipamentos e afins.
E mais, trazer gente de fora sem precisar de prova que comprove competência, condições e conhecimento, no mínimo pretere os nossos.
Isso tudo é um artifício populista que serve apenas para angariar votos.
Não resolve o problema. Tapa o sol com a peneira. Engana os ignorantes.
Falta uma eficaz administração com o dinheiro público.
Os médicos que realmente querem ajudar e curar, que não são meros mercenários e aproveitadores, lamentam esse tipo de decisão.
Sei que a abordagem é generalista, mas o assunto tem muitas nuances e é impossível abordar todos os aspectos em apenas um texto. Não sou contra médico ganhar bem, e acho um absurdo o governo pagar R$ 9,00 por consulta do SUS aos médicos. Reforço, investimento em hospitais e infra é o que mais precisa.
Acho que esse horror de subsídio a Cuba já passou dos limites e o povo precisa dar um basta. Chega de ser explorado!


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 13.07.2013 
Editado/corrigido por @AnaLeticiaSilva

@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Passe Livre

Depois de tanta manifestação, agora estão considerando (seriamente) a possibilidade de subsidiarem as passagens de ônibus.Nessas horas eu percebo, endosso e dou razão para alguns cientistas políticos não-sazonais os quais afirmam que a população não sabe direito o que está fazendo, falando e muito menos o que está reclamando.
Passe livre é passagem de ônibus "gratuita". Primeiro, se isso fosse concedido, teria que ser a todos e não apenas um nicho da população.
Mas digamos que aconteça uma desgraça dessas, quem arcaria com esse custo? Sim, pois é disso que se trata, e precisa ser pago com dinheiro. Esse dinheiro precisa sair de algum lugar e certamente não aparecerá magicamente.
Bem, se até aqui alguém não entendeu onde quero chegar, então explicito: Todo esse dinheiro sairá do bolso do povo, ou melhor, de uma parte do povo. A mesma classe média que está protestando contra os impostos, os desvios de verbas, a falta de dinheiro para saúde e educação, etc. 
Tudo da mesma classe que vem carregando todo esse assistencialismo subsidiador e fomentador de vadios nas costas. Certamente as pessoas não pararam para pensar ainda que isso trará um ônus bem salgado. Mas como brasileiro quer sempre saber só da hora de ganhar, com jeitinho brasileiro, sequer pensa nas trágicas consequências financeiras que isso acarretará futuramente.
Minha sugestão é bem mais simples: Liberem mais concessões. Tantas quantas desejarem existir nas cidades, tal e qual é feito com lojas atualmente. Deixem que o próprio mercado encarregue-se de fazer seleção natural.
O próprio comércio de lojas regula o preço e garante a qualidade dos serviços entregues. Não seria diferente com as empresas de transporte coletivo. Se houvessem 50 delas em Porto Alegre e pudessem disputar as mesmas linhas, certamente haveria queda nos preços e acréscimo na qualidade do serviço prestado e da infraestrutura oferecida.
Vivemos em um mundo capitalista, e desde uma geração antes da minha, todos só conhecemos - MESMO - o lado capitalista da coisa. Há muita teoria sobre socialismo - teóricos usando smartphones, jeans, tomando coca e querendo ganhar dinheiro - mas a prática é a que faz parte da nossa realidade e de nosso meio. 
Usemos isso a nosso favor e façamos a concorrência ser saudável ao consumidor, tal e qual é em todos os negócios com Market share justo.
Acho o preço da passagem abusivo sim. Sou a favor de queda nos preços, de menor margem de lucro nas empresas e por isso fomento a livre concorrência. Acho que seria a melhor solução. Até quando o povo vai continuar se iludindo de que o Brasil é uma fonte inesgotável de dinheiro e que é tudo fácil?

O que adianta ser grátis, de péssima qualidade, sem linhas suficientes ou segurança adequada? Precisa sim é ajustar essa bagunça toda.
Devido a uma série de fatores geopolíticos da economia mundial estamos em posição privilegiada atualmente. Mas isso já estava previsto há mais de 10 anos, literalmente. Agora era a hora de aproveitarmos tudo isso, só que a má administração dos governos recentes garantiram que estivéssemos passando por instabilidade, justamente num dos momentos que deveria ser o mais brilhante da história da existência de nossa nação, presente e futura. Mas isso é assunto para outro texto.
Quanto ao passe livre, creio que seja o único no meio desse tumulto todo a ter coragem de dizer: SOU CONTRA O PASSE LIVRE E NÃO QUERO PAGAR MAIS IMPOSTOS PARA MUITA GENTE QUE NÃO PRODUZ FICAR PASSEANDO!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.07.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini

@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Indignados passivos

A nação finalmente acordou! Será? É o que a mídia e “o povo” comentam sem parar desde o início das manifestações.
A classe média, que é quem paga o pato da pesada carga tributária, sem uma compensação condizente, cansou de pagar para os outros ganharem regalias infinitas e começou a reivindicar o que é seu por direito: aplicação correta das verbas, leis coerentes, fim da corrupção e menos impostos.
Mas aqui na capital missioneira muita gente preferiu não participar. Certamente não estão satisfeitos com o absurdo de impostos que pagam ou com o serviço público de péssima qualidade que é fornecido em contrapartida ao que é desembolsado. Mas ainda assim não saíram para a rua.
As desculpas foram muitas. Falta de foco nas reivindicações, ausência de liderança, proibição de violência, veto a bandeiras partidárias e por aí vai...
Muitos manifestaram-se contra o protesto alegando ser um desfile, que foi pedido consentimento da polícia e demais entidades municipais (o que eu acho um absurdo, afinal comunicar que vai fazer algo é colossalmente diferente de pedir pinico. Eu vi pela ótica dos manifestantes que botaram o "pé na porta" com peito estufado e bradaram que iriam para a rua, quer as entidades gostassem ou não), mas na hora de agir, que foi a segunda manifestação, na segunda-feira, na câmara de vereadores, sem comunicação, sem polícia, diretamente aos vereadores que são (ou deveriam ser) os capacitados para fazer algo em âmbito municipal, pela comunidade local, acochambraram-se.
Onde está então a linearidade do discurso desses que só serviram para desprestigiar e boicotar um gesto civilizado, pacífico e organizado? Queriam o quê? Quebrar as lojas? Atear fogo em patrimônio público? Gerar mais gastos que resultariam em mais impostos para a mesma classe reclamante? Quanta incoerência e falta de raciocínio! O que as lojas tinham a ver com isso?
A todos os que foram, o meu parabéns. Principalmente aos mesmos formadores de opinião que já mencionei em textos anteriores e que na oportunidade equivocadamente fomentaram violência, mas que na hora chamaram a responsabilidade de ajudar a coordenar e manter o movimento como deveria ser, para si, e zelaram pela ordem.
Todas essas pessoas saíram para a rua, mostraram a cara, levantaram cartazes, pois estavam insatisfeitos com o Brasil, com a política, com os políticos, com o desvio de verbas, com a insana carga tributária, com a roubalheira, etc.
Os que ficaram em casa, além de não ajudarem, ficaram atrapalhando e comentando que não foi um protesto e sim um desfile. Ora, se sair para a rua - mesmo que como um ato simbólico – representando minha insatisfação com o Brasil como está e minha vontade de querer algo melhor é um desfile, que seja, mas eu fiz a minha parte. E os passivos indignados fizeram o quê?
Teoria versus prática! Ficaram em casa, no conforto de suas "internetes" falando mal de quem quer mudar o país da maneira que dá.
Aqui e na avassaladora maioria das cidades não há cultura de protestos, muito menos de politização. Qualquer iniciativa é válida. Mais de 1000 pessoas foram à rua só aqui. Isso é histórico para nossa cidade, assim como para todas as outras. É um marco e precisa ser reverenciado com o respeito que merece.
Se aqui já rendeu frutos - como IPTU e passagens - sendo tranquila (e concordo que o povo poderia ter gritado mais e sido mais efusivo, embora isso não desmereça a manifestação), imagina em todo o país. O gigante acordou e o povo não está mais disposto a ser empalado resilientemente.
Venho lutando por isso há muito tempo, fazendo a minha parte da minha maneira. Agora finalmente começo a ter motivos par ter orgulho de ser brasileiro. Não esmoreçamos com migalhas. Sigamos em frente! E daqui para frente, venham para a rua, mesmo que não falem nada, estejam presente e mostrem a cara para que todos saibam que vocês também estão insatisfeitos com as coisas como estão. Pare de queixar-se passivamente e tenha uma atitude positiva que gere algum tipo de resultado. Ficar em casa não serve mais.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 29.06.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini e @AnaLeticiaSilva

@rjzucco







rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 17 de julho de 2013

#VEMPRARUA

Junho de 2013, uma data a ser lembrada e “?celebrada?!” por todos durante muito tempo. Finalmente a parte não ignorante da massa deixou de ser passiva e passou a um estágio de indignação ativa. O povo foi para rua protestar e manifestou-se a plenos pulmões em busca do fim de muita coisa errada que ocorre nesse país viciado em assistencialismo.
A população não aguenta mais ficar pagando e trabalhando para a parte vadia do povo viver bem. É um número incontável de bolsas isso e aquilo. A classe média – os efetivamente revoltados de tudo isso – cansou de pagar para os pobres ganharem subsídios até o limiar do surreal. E a classe alta, que sonega imposto, desvia verbas, beneficia-se aqui e ganha ali, nem liga.
Isso já devia estar acontecendo há muito tempo e finalmente os “caras pintadas” resolveram arremangar as mangas, pintar a cara e sair para as ruas. Todo protesto e manifestação nesse sentido é válido e necessário, desde que pacífico.
Agora, um dia antes do quebra-quebra em São Paulo, ouvi um dos maiores formadores de opinião da região missioneira da atualidade fomentar manifestação com violência enquanto ouvia um programa local com entrevistas no rádio, após o meio dia. E na sexta, o caos!
É lastimável ouvir uma pessoa para a qual nutro grande admiração e respeito, não só pela inteligência como por sua articulação, não saber medir suas palavras.
O colega de colunas disse que em alguns casos se faz necessário o vandalismo para que se chame a atenção e obtenha-se o resultado esperado. Ouvir isso me causou refluxo gástrico, pois é o mesmo que quebrar pratos e copos para chamar a atenção do garçom.
Uma manifestação perde o propósito quando invade a liberdade alheia. Policiais foram linchados por tentarem manter a ordem. Polícia essa para a qual os manifestantes pedem contingente maior para sua melhor segurança.
Querem mais polícia para que? Para terem mais gente para espancar?
Nada justifica a bestialidade de prédios pichados, carros e ônibus quebrados, gente espancada, depredações, vandalismos, selvageria, etc.
A parte empolgada olha só para o “lado bom” da manifestação. NÃO EXISTE LADO BOM QUANDO HÁ VIOLÊNCIA! Nenhuma causa vale a vida de uma pessoa que está trabalhando honestamente. Cadê os valores desses hipócritas e demagogos que acham que uma parte pequena (desde quando 10 mil pessoas é uma parte pequena?) não representa a importância de todo o manifesto? Onde estava a parte boa enquanto todo o vandalismo ocorria que não tomou providências para cessar? Os bons então não estavam em tão maior quantidade? Ou não eram tão bons assim?
É só pensar um pouco, se a parte agitadora não era grande, seria fácil para a polícia contê-los.
Nessa mesma primeira parte da catástrofe, a ordem da polícia era para os manifestantes não passarem pelas ruas dos hospitais. Mas a massa ignorou e foi justamente nesses locais, forçando a polícia a tomar medidas drásticas. Sempre digo que um erro não justifica o outro, e esse ato culminou em caos.
Se os manifestantes seguissem na intenção inicial e não se transformassem em arruaceiros descumprindo o que havia sido determinado pela lei e quebrando o código de postura que determina silêncio próximo a hospital e invadindo a esfera de outras pessoas, tudo poderia ser evitado.
Mas não foi ato isolado, a ignorância continuou acontecendo ao longo da semana. Se isso é um perfeito exemplo de indignação ativa e de democracia consciente, não me serve.
Se isso é motivo para ter orgulho, então novamente me envergonho de ser brasileiro.
E ainda, para os que pensam como eu e estão dispostos a mudar a coisa que está toda errada, mas fazendo do jeito certo, #VEMPRARUA e vamos botar a boca no trombone. Sirvamos de exemplo a toda terra. Ajude a reprimir a violência. Nada conquistado por vias falhas merece celebração. Os fins não justificam os meios. Se é pra ser, que seja do jeito certo. Não podemos combater corrupção corrompendo-nos.
E FRIZO: SEM VIOLÊNCIA!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 22.06.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dia dos namorados

Na semana do dia dos namorados uma cliente perguntou-me o que havia comprado para presentear minha excelentíssima.
Respondi que não havia comprado presente algum. Então ela redarguiu sobre o que eu compraria. Respondi que não faria.
Quando falei isso as mulheres que trabalham comigo manifestaram-se horrorizadas. Como pode um namorado ser tão frio e insensível a ponto de deixar passar uma data tão clássica em branco? Como pode não comprar nem uma lembrancinha sequer? E antes de sair, parou na metade do caminho, virou-se e disse afirmativa e categoricamente: “Você deve comprar ao 
menos UMA rosa que seja, ou UM bombom, mas precisa dar um presente!”
Falou como se essa fosse a única verdade possível, como se conhecesse todas as mulheres tal e qual a palma de sua mão, e saiu, provavelmente crente de ter me deixado convencido ou ao menos com peso na consciência. 
Aprovada por todas as mulheres do ambiente que a endossaram.
Ocorre que não acho que algo material precise ser dado em datas românticas. Não penso que esse consumismo materialista que enfiam diariamente garganta adentro nos consumidores também precise ser aceito por mim. Não entendo que o ato de comprar algo para a pessoa que amo significará mais do que palavras sinceras ou gestos de carinho.
Felizmente a pessoa que está comigo sabe que não é por causa do dia dos namorados que sairei de casa e comprarei algo que vale um quarto do valor da época, para que represente o que demonstro diariamente e que não há dinheiro que compre, para uma pessoa que não espera de mim bens materiais ou coisas e sim sentimentos, atitudes e gestos.
Sorte do comércio as pessoas não pensarem como eu, para que as mulheres possam ser presenteadas por homens que não costumam fazê-lo se não em datas assim. Ou por homens que precisam comprar para preencher, já que palavras, gestos e atitudes não são de suas práticas.
Então os que estão acostumados ao mecanismo capitalista que fomenta violentamente o consumismo (e não me entendam mal, sou apaixonado pelo capitalismo) e que consequentemente nunca pararam para pensar em: por que comprar algo? Por que a coisa material ou que custe dinheiro precisa ser a prova de alguma coisa? Por que o sentimento sincero e verdadeiro não é suficiente? Sentir-se-ão ofendidos e tentarão defender-se argumentos do tipo: “os românticos presenteiam”,” eu faço sempre tudo 
que posso e nessas datas o adicional é o presente” e por aí vai. Quando na verdade isso é tudo uma desculpa para a falta ou preenchimento de algo que não vem sendo entregue.
Continuo na minha briga pelos valores corretos, e nesse exemplo defendo que antes de comprar, procure estar, pensar, fazer e ser algo para quem você ama. Será o melhor presente da vida dessa pessoa, pois será permanente, diário, apaixonante, sem preço e exatamente o que a pessoa gostaria de ganhar.
Agora, se quem está com você interessa-se mais por um presente do que pelo que supracitei, então que bom que ela está com você e não comigo!
Feliz dia dos namorados!
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 15.06.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini

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rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sexo casual?





Hoje é moda falar em amizade colorida, FG, FC, e outras siglas referentes a amigos que transam com amigas descompromissadamente. A única regra garantida é a de que não há nem haverá “um relacionamento”.
Em uma sociedade machista onde os homens – principalmente os solteiros – querem conferir a maior quantidade possível de mulheres, há sobra de oferta oriunda desse gênero.
Homem para consumar uma relação sexual com qualquer mulher que lhe interesse não precisa de envolvimento ou qualquer outro tipo de sentimento que não seja tesão. E às vezes nem isso.
Os tais “machos”, via de regra, querem é “mijar” na maior quantidade de “postes” possíveis. Então adoram essa nova moda de não precisar ser só amigo das mulheres. Agora eles podem também aproveitar o que antes, como amigos, não podiam.
Até aqui tudo bem – tudo bem porque não vou, neste texto, entrar na seara dos valores e do que seria a moral ideal do mundo correto – mas, quando começamos a analisar a situação pelo lado feminino, a coisa não é bem assim.
São raríssimas as mulheres que conseguem transar sem se envolver emocionalmente. Elas não transam com qualquer bundinha bonita que passa. O sexo feminino precisa de sentimento para despir-se a algum homem. Mesmo que esse sentimento aflore em uma noite e acabe arrebatando-a.
Ouso afirmar que menos de 1% das mulheres consegue fazer o que os homens fazem: transar com alguém sem ao menos saber seu nome ou querer ligar no dia seguinte.
Mesmo que seja apenas para aliviar o tesão, que o cara tenha sido péssimo de cama, que ele não preste e que não gostaria de estabelecer um relacionamento com o cafajeste, ela gostaria de receber um telefonema no dia seguinte.
Então, voltando para o assunto sexo entre amigos: se a mulher está nessa onda de apenas curtir sem compromisso com algum amigo e tudo bem, veja como ela reage quando este amigo colorido começa a namorar.
Ela sente-se traída e o ciúme aflora como algo praticamente incontrolável. Iniciam-se instantaneamente as comparações e as crises existenciais e de insegurança.
Normalmente nesse momento as “fêmeas” sentem-se descartadas e começam a questionarem-se quanto ao “FG”, sobre tudo o que “investiram” nesse “relacionamento”. A sensação é, simplificando, de que o chão sumiu.
Isso significa que sexo casual e amizades coloridas funcionam só para os homens. Mulheres que acreditam nessa nova receita, ou estão enganando-se, ou o que pode ser pior, enganando ao “amigo”.
Mas rogo-lhes: Não parem!! Os homens estão muito mais calmos e felizes desde o advento dessa nova prática. Encarem isso como um serviço social.
E de mais a mais, vocês recebem sua parcela de compensação enquanto duro dura.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 08.06.2013 
Editado/corrigido por Patrick Heinz
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br