Pesquisar este blog

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pitangueiras


Uma das coisas que mais me entristecia na capital era a falta de árvores. Sempre gostei do cheiro úmido do mato, o barulho das folhas dançando com o vento. A brisa lambendo as flores e espargindo pólen e perfume pelo ar...
Nunca fiz distinção entre elas, embora reconheça que as frutíferas sempre me alegraram mais. Sou uma criança declarada. Não posso ver um pé de ameixinha amarela e quero subir e comer sentado nos galhos. Ameixa vermelha então, comia até dar dor de barriga.
Por infelicidade do destino, minha fruta preferida não é vendida em mercado, fruteira ou o que quer que seja. A pitanga só pode ser apreciada direto da fonte. Ou acha-se uma pitangueira e delicia-se de suas maravilhosas frutinhas, ou nunca as conhecerá.
Talvez por ser muito delicada, embora rupestre, a frágil pitanga não aguenta acondicionamentos nem tampouco transportes. E isso sempre me frustrou muito. Abandonar o interior significou por muito tempo abandonar também esses hábitos simples.
Hoje felizmente voltei a morar em Santo Ângelo e o destino que outrora castigara-me, agora presenteia-me com uma pitangueira justo no prédio em que moro.
Mas a vida de um apreciador de sabores peculiares não é fácil. Nos fundos desse mesmo prédio, no meio do pátio do vizinho, há uma pitangueira que dá fruto o ano inteiro, como se estivesse abanando para mim provocantemente. E não posso nem invadi-lo furtivamente, pois há lá dois cães de guarda.
Não obstante, agora em época de pitangas, passeio pela cidade e vejo uma quantidade gigantesca de pitangueiras – mais de 10 para mim é um horror, já que não tinha nem uma na capital – todas com frutas maduras, mas que por fatalidade já foram atacadas por crianças mais rápidas e com mais tempo que eu, e que agora só possuem frutas na parte superior das copas.
Sim, só posso ficar olhando. Não tenho como sair subindo nas pitangueiras das casas de qualquer pessoa.
Mas o ponto principal é que a pitangueira do meu prédio resolveu me sacanear esse ano. Não está dando frutas. Imaginem o desaforo?!
O mesmo destino que a colocou em meu habitat, agora me ludibria. Chego ao ponto de parar diariamente e ficar conversando com a fazida, já que dizem que falar com plantas é bom, que elas gostam e tal.
Se alguém tiver uma pitangueira em casa ou souber de algum lugar onde eu possa passar algumas tardes inteiras usufruindo da melhor fruta que existe, por favor, salve este pobre pseudo-escritor dessa tristeza sem fim. Ligue-me, mande-me um e-mail, um tuíte, um recado no face ou qualquer coisa que o valha. Agradecer-lhe-ei para sempre.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 26.10.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Geração sem foco

Em um texto anterior mencionei sobre a nova geração e como eles conseguem efetuar muitas coisas ao mesmo tempo. São maravilhosamente multitarefas. Conseguem absorver informações de muitos canais ao mesmo tempo, e de vários tipos.
O problema desse comportamento é o efeito colateral. Quem abraça muitas tarefas ao mesmo tempo acaba ou não encerrando nenhuma, ou quando o faz, peca fortemente em qualidade.
Percebo que a maioria dos jovens atualmente tem uma resistência preocupante com responsabilidade, persistência, continuidade e determinação. Isso faz com que as gerações anteriores mantenham-se no comando.
Como posso confiar em um funcionário que não se compromete? De que adianta ter alguém que é proativo apenas no que lhe interessa?
Quando se fala em profissionalismo, significa efetuar bem sua função. Isso implica em terminar uma tarefa iniciada, ser responsável em todos os sentidos, ter persistência mesmo nas adversidades, dar continuidade às empreitadas profissionais e demonstrar com atitudes sua determinação. Há carência por jovens que persistam e vistam a camiseta.
A geração mais nova só quer saber de empreender, mesmo sem conhecimento algum. Querem ser donos do próprio negócio, mas sequer conseguem administrar satisfatoriamente as finanças particulares.
Quando trabalham em algum lugar, basta receberem alguma tarefa que não lhes agrade e prontamente já se desmotivam começando a procurar outro local de trabalho.
Com esse tipo de comportamento, ao invés de ganharem experiência, estão maculando suas carteiras de trabalho e informando aos novos empregadores toda sua potencial instabilidade e despreparo profissional.
Obviamente existem jovens responsáveis e determinados no mercado, mas certamente nenhum desempregado. Ao menos não por um período maior que uma semana. Esse tipo constrói carreira na empresa que estiver.
Há ainda os fatores arrogância e soberba. A maioria da nova geração acha que aprende tudo mais rápido, que sabe mais sobre todos os assuntos e principalmente que consegue fazer mais, melhor e em maior quantidade que os “tiozões”. Basta experimentar ensinar algo para essa trupe pela segunda vez, ou cobrar algo que não ficou bem feito para perceber uma nada discreta reprovação.
Isso explica porque os jovens atuais não conseguem emprego facilmente ou não os mantém quando o fazem. Explica também porque para eles os salários não são os melhores do mercado, e por que os mais antigos tem sempre vaga cativa em funções importantes.
Funções que pagam bem requerem não só experiência e maturidade, mas responsabilidade, determinação e comprometimento. Isso tem um custo e é muito valorizado no mercado de trabalho. Fica a dica para os jovens: ou vocês percebem isso ou continuarão assistindo os “tios” ocuparem seus almejados lugares.
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 19.10.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Amarildo

Todo mundo fala do tal do Amarildo. Chamam de vítima e de pobre coitado. O “pobrezinho” do pedreiro foi abduzido pela policia? Fazem passeata, manifestações. Já culpara a polícia, já culparam todo mundo.
Não gosto de tomar partido antes de saber mais informações das partes envolvidas, mas gostaria de lançar aqui alguns comentários para reflexão dos que são contra e dos que são a favor desse caso.
A polícia trabalha no limite, ganha pouco, se estressa muito, está mal equipada e para completar, é obrigada a engolir impunidade goela abaixo, vendo recorrentemente os marginais serem soltos independente do crime. Isso cansa!
Até os mais controlados têm o seu limite, e ele é testado diariamente nessa profissão. E ainda, muito raramente pessoas corretas são abordadas pela policia. Os homens da lei são acostumados a lidar com marginal o tempo inteiro e reconhecem o “tipo” pelo jeito de andar e de olhar. Dizer que o tal pedreiro é absolutamente inocente sem sequer olhar a situação com mais cautela e atenção é no mínimo negligência e tendencioso. Obviamente que não justifica o excesso de violência, muitas dessas características são inerentes à função e já eram conhecidas antes do policial ter se candidatado ao cargo. Ou alguém acha que é fácil ver malandro fazendo cachota de sua profissão, sua função, sua pessoa, diariamente e de várias formas? Além de ameaçar a família do policial e prometer (e muitas vezes cumprir) rechaçassão.
Agora suponhamos que o pedreiro realmente seja o mártir dessa novela toda. Primeiro que não sabemos exatamente o que aconteceu com ele, mas assumindo que tenha realmente apanhado da policia, e que esta tenha se excedido, é preciso tomar medidas urgentes para garantir estabilidade emocional, punição e afastamento de gente que sequer consegue exercer sua profissão sem agredir a mesma população a qual deveria defender.
É inadmissível aceitar que até quem deveria zelar pela nossa segurança a coloca em risco, quando, na busca de justiça com as próprias mãos, agem como criminosos, acabando com a credibilidade de corporação. E no meio desse caos todo onde desde o bandido até o político há impunidade escrachada esfregada em nossa face diariamente, a polícia, que deveria ser a parte executora de ordem, fica desnorteada.
E quando a polícia se desnorteia, o cidadão fica sem referência de segurança. Nesse momento nossos modelos de sociedade começam a entrar em colapso.
Mas falando sinceramente, depois que eu vi a entrevista da família desse tal de Amarildo, tudo fez sentido. Se eu fosse ele, também teria sumido no mundo, ou do mundo. A esposa do pobre é uma mistura de cruz credo com meldels. Continue onde está Amarildo.
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 12.10.2013 
Editado/corrigido por Patrick Heinz e Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O cético e o crente



Há um bom tempo li o texto abaixo por acaso na internet e fiquei fascinado. É incrível como limitamos nossa visão a respeito de coisas tão claras, simples e óbvias.
Esse texto em especial, embora curto e tergiverso, fala sobre religião e a visão dos humanos a respeito de Deus, de vida após a morte e de como vemos o mundo a nossa volta.
Não pretendo, absolutamente, tocar no assunto religião. Mas quero trazer à pauta a forma como percebemos a vida.
De uma forma muito inteligente alguém conseguiu reproduzir em texto um questionamento claro e profundo, forçando-nos a refletir a respeito da existência.
Em algum eventual futuro retomarei o assunto com o habitual questionamento, mas por agora a ideia é provocar reflexão.
Segue...
“No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...”
Autoria desconhecida...)

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 05.10.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Estelionato

Recorrentemente fico sabendo de alguém que caiu em algum golpe aplicado por estelionatários. São golpes toscos e que me deixam profundamente irritado, não por lesar a vítima, mas por terem acreditado em algo tão ridiculamente burro.
Vamos pegar como exemplo os velhinhos. Do nada aparece alguém, que sabe de algum negócio e não pode esperar até a semana que vem para consolidá-lo e felizmente por um milagre divino está ali ao lado um sujeito que tenha um pouco de dinheiro, o suficiente, justamente para fechar esse negócio.
Primeiro que se fosse algo garantido, honesto e sério, essas pessoas pegariam empréstimo em banco ou mesmo com agiotas, afinal de contas não há o que errar. Segundo que se esses “velhinhos” realmente acreditassem que isso estava certo e que não haveria problema algum, eles não teriam motivos para esconder dos familiares. No entanto todos eles escondem, sacam o dinheiro, e repassam aos estelionatários à surdina.
E o pior não é isso. O pior mesmo é que ainda tem a cara de pau de aparecerem na TV ou em qualquer outro lugar chorando e falando que foram enganados e enrolados por algum vigarista que se aproveitou da sua pobre inocência.
Minha inocência eu perdi antes dos dezoito, será que esses senhores ainda mantinham as suas incólumes? Ou malandro é o pato que nasceu com os dedos juntos?
O que revolta é pensar que esses seres desprovidos de capacidade cognitiva (e sim, é para ofender mesmo esse bando de ganancioso corrupto) independente da idade, acham que ganhar dinheiro fácil acontece assim... Virou Disneylândia agora?
Todo mundo que toma esse tipo de golpe é apenas porque se acha mais esperto que os outros, quer dar um jeito de lograr alguém, quer ganhar dinheiro fácil. Na verdade estão é sendo passados para trás tal e qual imaginam fazerem no momento do estelionato, e ainda tem a petulância de reclamarem depois e dar parte na polícia.
Ora tenha santa paciência! Se eles fossem pessoas honestas, de bem, boa índole e costumes, isso jamais teria acontecido, pois teriam colocado a mão em suas consciências e entendido que aquele tipo de negócio proposto não estava certo e que seguramente acabaria onerando outrem.
Quando me perguntam se eu sinto pena de quem toma esse tipo de golpe, a minha resposta é rápida e segura: Independente da idade, posição social, poder financeiro ou o que quer que seja, torço para que essas pessoas que querem sempre dar o jeitinho e passar por cima das outras acabem sempre se dando mal ou tomando o golpe de alguém mais rápido.
Errar é humano, mas querer lograr o próximo é digno de repúdio. Quem faz a coisa como tem que ser, não cai nesse tipo de conto do vigário.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.09.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Todo mundo é corruptível!



Já conversei com muita gente que fala mal dos políticos ou de pessoas gananciosas com uma indignação preocupante. O discurso é sempre o mesmo: dizem que eles são corruptos, que praticam ultrajes por dinheiro, que são mercenários, etc.
Quando a conversa desenvolve, começo a questionar essas pessoas quanto as suas convicções concernentes a valor e caráter e todos sucumbem, sem exceção!
Os questionamentos na verdade são bem simples e objetivos. A pergunta é uma só. Se você fala mal dos corruptos com tanta voracidade e sede de punição então significa que não é corrupto também? A resposta é sempre afirmativa.
Isso significa que as pessoas não se corrompem pelo que quer que seja. Seguindo o raciocínio normal dos interlocutores, se são sedentamente contra corruptos é porque condenam toda e qualquer prática de corrupção.
Vou citar dois exemplos clássicos de conhecidos que se diziam incorruptíveis e que foram desmascarados:

O primeiro exemplo disse que jamais se venderia pelo que quer que fosse. Perguntei quanto pagaria por uma garrafa de água em um show do rock in rio. Respondeu-me que até R$ 10,00. E se fosse à Disney? R$ 15,00. E se fosse a uma excursão no Egito? R$ 20,00. Em Dubai? R$ 25,00.
Depois de construir todo esse raciocínio de precificação na cabeça desse meu amigo, perguntei se em uma situação hipotética em que ele estivesse perdido há um dia e meio no deserto do Saara, sozinho, sem água nem comida, desesperado de
fome e sede, e aparecesse um brutamontes sádico oferecendo água em troca de favores sexuais, o que ele,       enquanto heterossexual convicto e defensor ferrenho da bandeira machista, faria?
Ele baixou os olhos e disse: “Eu faria o que ele pedisse, você venceu, eu me corrompo por uma garrafa d’água, me prostituo até se for preciso!”
O segundo exemplo, era de uma amiga. Fiz os mesmos questionamentos da água, seguindo os mesmos raciocínios, e ela disse que preferiria morrer a ter que ceder às vontades do hipotético brutamonte.
Nessa hora perguntei como estava o irmão dela que estudava no colégio X, que saía todos os dias na hora tal de casa e chegava toda segunda-feira na mesma banca de revistas Y comprar figurinhas do álbum Z. Antes de eu terminar ela disse: “ok, faço o que tu pedir, mas deixa minha família fora disso!”

Quero dizer com isso que as pessoas, todas, têm seu preço. Uns corrompem-se por ganância, outros por necessidade e ainda uns poucos por falta de opção. E se os políticos não derem alternativa aos que querem se manter honestos?
Se você fosse juiz e lhe oferecessem uma maleta com R$ 100.000,00 para decidir a favor de um traficante e você dissesse não, certamente não
chegaram em seu preço ainda. E se aumentassem a proposta para R$ 500.000,00? E se na recusa aumentassem para um milhão?
Ora, sejamos francos, alguém que se presta a oferecer um milhão para comprar você, pagaria 50 mil para mandar matá-lo ou sequestrar um ente querido seu.
Quero apenas fazer pensar as pessoas que acham que são intocáveis e inatingíveis. Todos temos um ponto fraco, um preço, um motivo, uma necessidade...
Antes de condenar alguém, tente entender se essa pessoa fez por escolha e má índole ou se forçado pelas circunstâncias. Sempre existem três pontos de vista: O seu, o da outra pessoa, e o certo!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.09.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Demissão

 
Para muitos empresários e chefes demitir é uma tarefa simples e fácil. Inclusive alguns até gostam por se sentirem mais poderosos.
Quando trabalhei em Call Center participei do processo demissional de mais de 300 pessoas em um único dia. Confesso que não foi nem um pouco traumatizante.
Ocorre, porém, que quando o desligamento acontece em um universo menor, em empresas de pequeno porte com menos de 30 funcionários, por exemplo, a situação é extremamente delicada.
Não gosto de demitir! Normalmente o funcionário depende dessa renda para subsistir e quando a perde, se desespera.
Quando preciso abrir mão de alguém, pondero muito considerando o fator humano, a necessidade e o valor que essa pessoa dá ao que tem. Converso por muito tempo, pontualmente, tentando orientar quanto a como gostaria que o resultado fosse entregue, os pontos que não me satisfazem e as qualidades a serem reforçadas.
Há um ditado que diz: “Bom funcionário não é demitido”. Será? E se ele não for bom para minha empresa naquele momento? Ou se simplesmente não se adaptou a metodologia de trabalho atual? Quem garante que o mesmo não será extremamente produtivo em outro lugar ou ramo?
Mas é fato que chega um momento em que, ou por custo elevado ou por insatisfação com o resultado, não resta alternativa a não ser o fim do vínculo.
Mesmo nesses casos, fico triste. Preocupo-me ao pensar em como essa pessoa se recolocará no mercado e como se sentirá perante mim e minha empresa.
Sei que tentei conversar, mudar, adequar e melhorar para que não fosse necessário chegar a algo tão drástico, mas a tristeza e preocupação teimam em me açoitar.
É bem verdade que alguns aproveitam o “chacoalhão” para melhorar, mudar e finalmente enveredar por áreas onde de fato se ajustem, mas isso não chega a alentar.
Talvez, enquanto administrador devesse ser mais frio e considerar apenas que se um funcionário não está de acordo com as expectativas e que, apesar das tentativas, não deu certo e não havendo outro caminho senão a demissão. Atuando de forma normal e natural.
Só que desvincular-se de alguém que se convive por muito tempo, onde sonhos; planos; intimidades; brincadeiras; rotinas e lugares comuns são compartilhados é pesaroso para mim.
Não fujo da responsabilidade por ser difícil, mas seria tão bom se todo funcionário demitido soubesse o quanto eu e certamente muitos outros se preocupam com o futuro das pessoas que estão saindo...
Ossos do ofício, ônus da função. Enquanto muitos pedem para sair mediante atitudes inadmissíveis, outros apenas não se adéquam mais a filosofia ou necessidade. A verdade é que sempre espero o melhor para os que estão e para os que já não fazem mais parte da equipe.
Ao mesmo tempo, outra oportunidade se abre para alguém ser recolocado e continuar a roda. O universo é sempre matemático. Enfim... Quem disse que administrar e empreender é fácil?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.09.2013 
Editado/corrigido por Julio Puglia
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Rotina – Um mal necessário!

Hoje em dia a rotina é vendida pela mídia como vilã. As propagandas falam em fugir, sair e quebrá-la. Palestras motivacionais, cursos e treinamentos incentivam esse comércio aproveitando-se de pessoas que estão insatisfeitas em seus empregos ou relacionamentos.
A rotina não é a culpada. Pelo contrário, é extremamente necessária. Ocorre que os humanos nutrem o triste hábito de perceber o copo sempre meio vazio.
O segredo é bem simples e está apenas na mudança de ótica de toda e qualquer situação. Enquanto alguns entendem como algo pesaroso, basta que se olhe como produtivo e necessário.
Escovar os dentes diariamente, por exemplo, é uma rotina. Necessária para a saúde bucal e higiene pessoal. Crianças fazem malabarismos para não ter que fazê-lo, entretanto muitos adultos sentem-se mal ao ficarem apenas algumas horas sem.
Muitos falam mal da rotina dos relacionamentos, mas se tornassem isso algo prazeroso, reveriam seus conceitos. E se a rotina for ser feliz todos os dias? E se for divertir-se enquanto trabalha? E se for ser reconquistado, amado, cuidado, mimado, e agradado? Será que ainda reclamariam? Então será que é ela o problema?
Comer faz parte do ritual diário da maioria das pessoas e ainda assim muita gente o faz com regozijo.
Conheci muitos estudantes que criaram uma rotina dura de estudos para atingirem determinado objetivo, e conseguiram. Nesse ponto cito inclusive dois casos em especial. Um deles era meu colega de cursinho. Dizia que sempre que sentava para estudar ficava com sono e resolveu ficar das 14h às 20h sentado na frente dos livros até conseguir aprender durante 6 horas ininterruptas.
Acompanhava semanalmente sua evolução e sua determinação surpreendeu. Na primeira semana ele conseguia manter sua concentração por no máximo uma hora, mas continuava lá na frente dos livros para, segundo ele, que seu corpo e cérebro entendessem a nova rotina e que dali ele não sairia antes das 20h. Na segunda semana ele já estava conseguindo manter a concentração por quase meia hora a mais.
Depois de um mês, essa rotina estava dando frutos fantásticos, ele já estava estudando as 6 horas ininterruptas sem dormir sobre as apostilas. Até o final do ano ele não só ficava todo esse tempo sem sono como cada vez mais aumentava sua capacidade de assimilação. Ou seja, a rotina foi extremamente proveitosa.
O outro exemplo é de um primo que queria entrar em medicina na federal e não saia da frente dos livros nem para pegar um copo de água para não perder tempo, literalmente. Hoje ele é médico.
Outras pessoas criam a rotina de chegar em casa e assistir televisão ou então arrumar a bagunça. Tem até os que seguem a ordem certa de preparar um pão no café da manhã.
Para encurtar a história e fechar o assunto, o problema não é ela, é você que não sabe aproveitar as coisas boas que dela provém. Se todo mundo encarasse isso como aliado e produtivo, de imediato aumentariam a satisfação diária com a própria vida, a produtividade e principalmente a qualidade de vida devido a felicidade que sempre esteve entremeada nessas constantes e perenes tarefas do dia a dia.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 07.09.2013 
Editado/corrigido por Thiago Severgnini de Sousa
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pena de Morte



Nossa constituição é clara quando o assunto é a pena de morte e posiciona-se veementemente contra permitindo-a apenas em épocas de guerra declarada.
Ocorre, porém, que essa mesma constituição que é ferrenha defensora da vida, está ultrapassada e precisa de uma atualização urgente.
Basta levar em consideração que se o bem maior é a vida, e que quando negligenciamos ou nos omitimos quanto a uma punição mais severa frente a marginais irrecuperáveis estamos colocando em risco muito mais vidas que apenas a daqueles que declaradamente reincidirão nos mesmos delitos.
Não raro tenho o desprazer de ouvir ou ler alguma notícia falando que determinado criminoso foi preso novamente por, mais uma vez, assassinar outrem. E o pior não é isso. O mais nojento disso tudo é que essa escória fala abertamente que voltará a matar assim que for solto.
É muita incoerência libertar alguém que declaradamente irá novamente matar, alguém que mesmo preso continua cometendo atrocidades nas instituições que deveriam, ao menos em teoria, ressocializar e capacitar essas pessoas para convivência em sociedade.
Eu sei que essas instituições estão muito aquém do que deveriam e que servem mais para ensinar os detidos como ser um marginal mais competente do que em torna-lo um cidadão decente. Esse é um ponto que inegavelmente precisa ser trabalhado.
Mas enquanto isso não ocorre, soltar esses “elementos” que já estão absolutamente perdidos não é uma opção já há muito tempo.
É óbvio que inocentes morrerão devido a justiça falha, morosa, burocrática e burra. Entretanto muitos mais morrem do jeito que está atualmente.
Quero dizer com isso que a pena de morte na verdade além de coibir muitos que pensarão bem antes de praticarem atos nefastos sabendo que não sairão impunes, salvará muito mais vidas do que ceifará.
O raciocínio é o mesmo. Se deixar um assassino solto desencadeia mortes, então mate o assassino antes e impeça-o de cometê-las.
Enquanto nossa justiça não funcionar no sentido de limpar os incorrigíveis do mapa, a sociedade continuará sendo vítima e colecionando baixas, além de pagar – e pagar caro – para manter estes em instituições que ao invés de ajudar, só pioram a situação.
Sou a favor da pena de morte e concordo com a fala do Capitão Nascimento no filme tropa de elite que diz: “Bandido bom é bandido morto!”.
Por uma constituição adequada a atual realidade brasileira.
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 31.08.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Maioridade Penal


A justiça está muito atrasada no Brasil. Muita coisa precisa mudar, aliás, já deveria ter mudado há anos.
Um exemplo? Maioridade penal.
Diariamente noticia-se em todas as mídias sobre algum menor infrator que matou, roubou, quebrou, espancou, estuprou e... nada vai acontecer.
Porque está no Estatuto da Criança e do Adolescente. Menor de idade não comete crime, mas ato infracional. Então ele é encaminhado a uma instituição própria para os menores de 18 anos, cumpre um prazo curto de detenção e é liberado novamente.
Não raros são os casos de delinquentes reincidentes em tudo que é tipo de crime, inclusive os mais atrozes. E o final não melhora, depois de completarem 18 anos sua ficha é apagada. Fica limpa como se fosse um cidadão de bem que nunca aprontou algo.
O que eu não entendo é o motivo de haver alguma forma de proteção a criminosos re-re-reincidentes. Oras, providenciem pena de morte ou toquem na cadeia como se adulto fosse. Afinal de contas, para cometer crime de adulto ele tinha capacidade, mas para cumprir a pena não?
Daí sempre aparecem demagogos e a turma dos direitos humanos para zelarem pelo lados dos coitadinhos que precisam ter isso e aquilo.
É óbvio que o ideal seria que as nossas instituições reeducassem e ressocializassem esse bando de desocupados. Mas na prática, a realidade é bem diferente da teoria.
Então vêm as pessoas e dizem que muitos inocentes pagarão pelos realmente ruins, e nesse caso me presto a dar então duas sugestões.
Primeira: sejamos severos com os reincidentes. Se ele está fazendo novamente, não é inocente nem santo e precisa é de corretivo.
Segunda, ajustemos as penas de acordo com a infração, o que ridiculamente não acontece na prática. Ou está correto matar e ser solto para matar novamente e ser liberado outra vez?
Vou além, sou mais radical. Acho que a lei deveria ser aplicada a partir do momento em que uma criança tenha condições de infringi-la. Se puder roubar, que seja punida. Estou cansado de ver mini monstros se criarem.
Bandos de marginais reúnem-se para cometer todo tipo de crime, e ardilosamente prospectam um menor para assumir a autoria de tudo. Caso algo dê errado, ele leva a culpa e em pouco tempo está disponível para continuar agindo.
Nem entro no mérito da pena de morte nesse caso, pois isso é assunto para outro texto, embora já adiante que sou defensor dessa prática. O que defendo aqui é que parem de considerar pessoas absolutamente capazes e conscientes de seus atos como crianças ingênuas e coitadinhas que não tem noção do que fazem.
A lei precisa se adequar a nova realidade. Precisamos ajustar nosso sistema de forma a corrigir ou excluir esse tipo de parasita da convivência com pessoas de bem. Eles estão mostrando com exemplos práticos como a impunidade impera e como outros da mesma laia devem agir.
Esse é um dos grandes motivos de nossa insegurança enquanto membros sociais, e é papel de cada um de nós reivindicarmos uma justiça coerente.
Por uma justiça onde menores sejam responsáveis pelos seus atos e assumam as consequências de suas ações.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.08.2013 
Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br