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terça-feira, 30 de junho de 2015

Meritocracia II

O que é meritocracia nas empresas?
Se você me disser que meritocracia é beneficiar o mais competente/produtivo, terei que lhe contrariar.
Para falarmos em meritocracia nas empresas precisamos entrar em outra esfera: os valores.
Uma pessoa pode ser qualificada, extremamente inteligente e portar um colossal conhecimento, ser esforçada e entregar um resultado significativamente positivo. E de uma hora para outra o Joãozinho, preguiçoso e desleixado, tem uma ideia que faz a empresa lucrar muito e que gere valor para muita gente. Clientes, colegas e acionistas.
Quem será promovido? O Joãozinho que conseguiu gerar valor para muito mais gente, mesmo sendo menos competente e qualificado, ou mesmo esforçado.
E então, onde fica a meritocracia nesse caso? O cara que merecia mais, que vem trabalhando sério a mais tempo e entregando um melhor resultando não foi reconhecido e o Joãozinho sim.
Bem-vindo ao mundo real!
Quem entrega mais valor é reconhecido, quem entrega menos, mesmo que seja mais esforçado e qualificado, recebe menos.
Basicamente é a filosofia da Seicho-No-Ie que prega que quanto mais pessoas eu fizer feliz, mais feliz serei em retorno.
Não estou aqui fazendo apologia a nada, mas na prática mercadológica é assim. Tem aquele funcionário que fica atirado o mês inteiro mas que em um dia de trabalho entrega mais resultado que todos os outros juntos. Coisas do mundo corporativo...
Por que jogador de futebol ganha tanto mais do que um administrador? Um professor? Um médico?
Porque ele gera valor para mais gente ao mesmo tempo. Independente se esses valores são os que você concorda ou não. Esses valores são gerados e muita gente está satisfeita com eles.
Então voltamos a colocar em xeque a tal meritocracia.
Se independe de postura, esforço, conhecimento, genética, origem social ou realidade, então depende de que?
Depende de uma série de fatores e variáveis como a realidade em que a pessoa se encontra e quais são seus limitadores, ou seja, até onde pode chegar. Depende de esforço, conhecimento e dedicação. E principalmente, depende de geração de valor.
Trabalhar, gerar valor e querer que isso seja distribuído para quem não faz nada alegando falta de condições é revoltante. Isso é um ultraje aos que produzem e aos competentes.
Prejudicar os melhores de alguma forma com a desculpa de beneficiar os piores, independente de que realidade ou em que contexto, apenas gera maior revolta e aumenta as diferenças entre todos.
Cada um tem que fazer a sua parte da melhor forma possível e não esperar que as coisas aconteçam de graça e/ou por acontecer. O mundo perfeito, ao meu ver, é aquele em que cada um expande positivamente um pouco mais a cada geração, sua realidade, forçando assim uma melhora em seu status quo.
Meritocracia é transformar sua realidade dentro de suas condições e limites e não querer que utopicamente o mundo seja justo. A linha de saída não é igual, as condições também não. Então pare de ver os entraves e os “poréns” e comece a perceber as oportunidades. Seja bem vindo ao mundo meritocrático de quem faz por merecer e não espera que caia no colo.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2015

Meritocracia I



Assistindo uma aula do Sandler (professor de Harvard) sobre meritocracia e lendo alguns comentários recentes sobre uma tirinha publicada na internet, reacendeu minha revolta quanto à falta de capacidade reflexiva da massa ignorante.
Mesmo as pessoas mais capazes e inteligentes estão destreinadas e desacostumadas a pensar reflexivamente.
A tirinha falava sobre um rapaz oriundo de família com boas condições financeiras, que frequentava as melhores escolas. Tinha o carinho e atenção dos pais que tinham tempo para lhe assistir. Quando tirava notas baixas tinha condições de fazer reforço com professor particular. Não precisava trabalhar. Depois de adulto conseguiu, mediante contatos de sua família, uma boa colocação profissional. Por ser conhecido, os chefes no trabalho ficavam lhe monitorando, aguardando uma oportunidade de crescimento. Depois de adulto e médico diz que tudo que conseguiu foi por mérito de seu esforço.
A menina morava em uma casa úmida, família humilde cujos pais precisavam de dois empregos para conseguirem se manter e desta forma estavam sempre ausentes. A menina não podia dedicar-se exclusivamente aos estudos pois frequentemente os pais estavam doentes e ela precisava cuidá-los, ou então tinha que cuidar da casa ao invés de estudar. Ou ainda, trabalhar fora para ajudar nas despesas domésticas.
A tirinha defendia que não existe meritocracia pois nesses casos cada um saiu de uma realidade diferente, logo já partiram de condições desiguais e sendo assim jamais conseguirão competir em pé de igualdade, e que visto sob a ótica meritocrática não há igualdade de condições.
Bom, para haver igualdade real as pessoas para começar precisariam nascer todas com o mesmo código genético. Ou seja, geneticamente competitivas levando-se em consideração o físico e o intelecto.
Então essa utópica “justiça” não existe. Aliás, nem justiça divina existe, como querem que exista uma social? Jurídica nem se fala.
Voltando à meritocracia. Voltemos as realidades familiares. A família com melhores condições financeiras não precisa se sentir culpada ou muito menos ser penalizada entregando boa parte do que conseguiu para custear melhores condições para a família pobre (o que ocorre com a classe média hoje que paga 70% do que ganha em impostos para que o povo possa comer sem trabalhar).
Meritocracia não pode ser avaliada como confronto de classes sociais. Precisa ser avaliada dentro do contexto de cada um.
Uma pessoa com grandes capacidades, muita inteligência, extremo conhecimento pode se esforçar muito e conseguir piores resultados do que uma pessoa relapsa que com pouco esforço entregou um fantástico resultado.
E onde fica a meritocracia nisso? (Pauta de um próximo texto).
Agora raciocine comigo. Se sou pobre, não tenho condições de estudar condizentemente, sei que não serei tão bem sucedido quanto alguém de classe média ou alta, e isso não tira meu mérito. Obviamente interfere no meu resultado final. Interfere onde chegarei ao longo da minha jornada de vida. Mas não significa, absolutamente, que terei que me conformar em ser medíocre e não possa fazer algo para melhorar.
Então se sou extremamente pobre e me esforçar, melhorarei minha realidade particular em alguma coisa mediante esforço e dedicação. Mérito meu. Meritocracia.
Claro que alguém oriundo da famigeração muito dificilmente chegará à riqueza. Mas pode chegar a uma realidade bem melhor e diferente da qual se encontrava no início da jornada. Isso fará com que meu filho tenha uma realidade melhor. E se eu conseguir passar os mesmos valores, ele vai continuar essa caminhada e meu neto terá uma realidade melhor e assim por diante, até que vai chegar o momento que um dia vão dizer que meu tataraneto conseguiu as coisas de graça, e não por meritocracia. Quando na verdade foi uma construção de várias gerações.
Então o mérito imediatista é melhor que o atávico e construído ao longo das décadas?
Mesmo aquela pessoa oriunda da classe média/alta sabe que jamais terá a mesma realidade do príncipe William, por exemplo. Isso não a impede de se esforçar e dar o melhor de si para transformar sua realidade em algo o mais próximo possível de seu limite atingível, de acordo com suas condições gerais (sociais, financeiras, intelectuais e genéticas), ou mesmo seus sonhos, para quem sabe suas gerações seguintes possam dar continuidade à sua busca por crescimento.
Falta de mérito é aquela pessoa que tem tudo e perde por não fazer por merecer. Por ser desleixado e relapso. Preguiçoso e incompetente. É aquele que dentro de sua realidade poderia ter muito e retroage evolutivamente não forçando seus limites particulares para conseguir novos horizontes.
Então antes de falar em meritocracia, comece pesando sempre mais de uma variável. Trarei outras e continuarei o exercício reflexivo e espero que ao final possamos debater a respeito e que eu tenha ao menos lhe feito pensar um pouco.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.05.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Religião na escola



Sempre fui a favor da religião. Entendo que ela é necessária para controle social e de massas. Mas não apenas por isso. Religião ensina muitos valores que normalmente a maioria dos pais não tem capacidade de repassar de uma forma a ficar consolidado no coração e na mente das pessoas. É um valor, para muitos, mais forte que a lei ou mesmo o respeito aos familiares, embora se confundam regularmente.
Não entro aqui no mérito de qual religião é certa ou qual errada, nem mesmo se uma é melhor que outra, mas quero no entanto ressaltar uma das minhas maiores queixas e frustrações do tempo da escola. A religião “guela abaixo”.
Lembro que estava na quarta série e estudava numa dessas escolas municipais que são orientadas por alguma instituição religiosa quando uma professora, chamada Irmã Ceci ou algo do gênero, nos mandou cantar uma música “de igreja”.
Eu devia ter em torno de dez anos, e não aceitei tal obrigação. Lembro de dizer que não cantaria pois não havia definido ainda se concordava com tal doutrina, que me entendia novo demais para decidir algo desse gabarito e que a escola não poderia me obrigar.
Pois eles forçaram a barra e tentaram me obrigar. Falaram que quem optou por estudar em uma instituição que defende valores religiosos fui eu.
Não vou falar aqui qual escola é pois embora serem defensores de religião e de boas práticas, na prática são rancorosos e vingativos e não tenho tido tempo ultimamente para comprar esse tipo de briga.
Mas voltando ao foco do assunto, disseram que se eu não cantasse chamariam meus pais na escola e que eu deveria fazê-lo, afinal de contas essas eram as regras da instituição.
Foi quando pedi à “flexível” irmã que me mostrasse onde, no regulamento do colégio, constava a obrigatoriedade dos alunos em seguirem a doutrina pregada pela escola e principalmente, se estava explícito que eu era obrigado a cantar aquelas torturantes músicas.
Sei que foi tão chocante, pioneiro e ofensivo à diretoria e à “compreensiva” irmã que de fato chamaram meus pais.
Lembro-me que fiquei um pouco constrangido por eles, um pouco preocupado pois não sabia como eles agiriam, e mais obstinado ainda a não ceder em meus valores que desde, pasmem, dez anos, já eram não convencionais.
Quando meus pais chegaram, perguntaram por que eu não queria cantar. Aleguei que ainda não havia me decidido se aquela era a religião que queria seguir, e que não concordava com o que a letra da música defendia, e que o fato de me estarem obrigando me levava a crer que aquela religião certamente não seria minha opção, que não tinha nada no regulamento da escola que dizia ou me obrigasse a praticar tal conduta e principalmente, que eu havia sido orientado por eles, meus pais, de que quem escolheria em que acreditar e quais seriam minhas convicções seria eu. Que eu não precisaria seguir forçosamente a crença de outras pessoas.
Eu sabia que os colocaria em uma sinuca de bico. E realmente eles ficaram em uma situação delicada. Pediram então que eu cantasse apenas para não me opor à tal irmã.
Eu disse que não faria e que se quisessem me expulsar, que o fizessem (obviamente que estava aterrorizado com o fato de realmente ser expulso, ficar com meu boletim “maculado”, perder um ano e mais todas as angústias que uma criança dessa idade tem.
Então negociamos e entramos em um acordo. Eu participaria das atividades, que para mim eram torturantes, da “amável” irmã, mas não cantaria e também não instigaria outros a agirem da mesma forma. Ou seja, não canto, não convenço os outros e ainda sou punido. Ela ficou satisfeita!
Não pensem que nos tempos atuais algo mudou. Hoje ainda enfiam religião garganta adentro dos alunos, forçando-os a seguirem algo que nem entendem direito.
Está na hora de revermos nossos métodos educacionais, revermos nossos conceitos de crenças e religiões, revermos as instituições que seguimos, e principalmente revermos as atitudes das pessoas que ensinam nossos filhos. Afinal de contas se eles não são capazes de convencer com argumentos, nem de flexibilizar frente uma criança de míseros dez anos, certamente não estão preparados para difundir palavras em nome de quem quer que seja.
Por uma sociedade formada por instituições laicas que oportunizem aos alunos escolherem seus caminhos de acordo com suas convicções e valores. Abaixo às “irmãs Cecis” da vida que sequer conseguem argumentar inteligentemente com crianças de um quinto de sua idade.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.05.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 16 de junho de 2015

Milicos



Lembro-me bem até hoje de quando tive que me apresentar ao exército para o serviço militar obrigatório. Estava apavorado. Queria estudar para o vestibular. Queria faculdade. Queria ganhar o mundo e queria fazer isso ao meu modo e com meus pés.
Não queria continuar seguindo a logística militar que sempre tivemos em casa por ter um “milico” da reserva conduzindo firmemente as regras domésticas.
Meu pai não intercedeu para que eu ficasse, mas também não fez o menor esforço para eu sair. Fiquei até o último dia de seleção e, por uma boa vontade de algum mais graduado, acabei “escapando” já na prorrogação do segundo tempo.
Pois hoje vejo uma juventude sem parâmetros. Vejo pais que não educam. Vejo famílias repassando o dever de educar dos pais, os limites à polícia, e as consequências à falha e morosa justiça.
A consequência disso é uma geração irresponsável, que acredita ter o rei na barriga. Os jovens não tem limites.
Não recebem educação. E como Einsten disse: “Educação é tudo aquilo que sobra quando você esquece o que aprendeu na escola”. Então, são mal educados de muitas formas, não só com a sociedade, mas consigo mesmos, com meio ambiente e o resto todo.
Não querem saber de nada com nada. Vivem a geração da impunidade e aprendem isso desde muito cedo pois hoje em dia os papais e as mamães não batem porque pode traumatizar o coitadinho do filhinho. Depois, veem os coleguinhas fazerem o que querem em sala de aula e na rua e também nada acontece. Quando adolescentes, veem os políticos, ladrões e os profissionais fazer o que querem com tudo e nada lhes acontecer. Com todos esses exemplos, tem certeza do direito que lhes cabe de fazer o que lhes bem entender sem que o que quer que seja aconteça.
A polícia precisa acabar prendendo esses desajustados, mas nada acontece ainda assim, pois são soltos logo em seguida e os policiais ainda recebem uma advertência.
E lhes pergunto agora, sabe porque isso tudo acontece hoje? Sabe como tudo poderia ser evitado?
Serviço militar obrigatório PARA TODOS!
E digo mais, isso deveria ser expandido também para as mulheres que tanto querem direitos iguais. E não paro por aqui. Defendo que as coisas possam ser como eram 15 e 20 anos atrás. Quando direitos humanos e o capeta não se metiam nem se envolviam com o regulamento interno militar. Quando os oficiais e sargentos eram soberanos sem precisar se preocupar com gente que não tem nada útil para fazer e resolve tentar estragar uma das poucas coisas boas remanescentes de nossa pátria.
No quartel aprende-se limites. Eles entendem na marra o que é hierarquia. Que respeito não é só bom, é obrigatório!
Aprendem a ser organizados. Aprendem o que é dever. Aprendem a ser gente. Entendem que o universo não gira em torno de seus umbigos e que independente do que queiram ou de quanto dinheiro tenham, precisam seguir regras e que elas são para todos.
Que as ordens tem um propósito e que, concorde ou não, elas serão cumpridas.
Saudades do tempo em que merthiolate doía, ao menos tínhamos pessoas mais resistentes às pequenas dorzinhas da vida e não reclamando de qualquer olhar atravessado.
Hoje a sociedade cria margarinas, quando na verdade precisamos de osso com tutano.
Parabéns a todos que serviram ou que aprenderam com seus pais sobre os valores corretos de um serviço militar e tudo que isso representa. Vocês certamente refletem positivamente em nossa nação.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.05.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Procurando emprego?





Antes de mais nada é necessário definir o que está em busca. Emprego? Ou trabalho?
Emprego normalmente quem busca é quem quer apenas bater o ponto e cumprir horário, seguindo talvez um ou outro formalismo. Agora, quem quer trabalho, pretende entregar resultado. Produzir. Fazer a roda girar.
Sabendo disso, fica mais claro para o candidato definir qual a postura a seguir quanto a buscar uma colocação no mercado.
O que normalmente os candidatos não sabem é o que os empresários procuram. Quais os pontos valorizados por quem emprega e procura por pessoas para ocupar funções em suas empresas.
O que o mercado espera hoje em dia são pessoas de ação. Quem faz. Contratamos por perfil e não mais por experiência.
Obviamente que em alguns cargos há um conhecimento mínimo necessário, ou mesmo um vasto e específico "know-how" sobre algo, mas normalmente o que se busca é perfil.
Vejo muita gente reclamando que tem currículo e que não é contratado. Ou seja, tem muito estudo sobre algo, muita teoria e pouca prática. Ou ainda, gente que já passou por muitos empregos em um pequeno intervalo de tempo, qual será o perfil dessa pessoa?
Ouço muito candidato reclamar que possui um currículo bem completo e cheio de qualificações, mas que não há vagas no mercado ou que não lhe dão oportunidade. Pergunta: Você tem experiência? Se não, sua pretensão salarial está adequada ao mercado? Se tem experiência e um bom currículo alega que não há vagas. Pois informo que para bons currículos, com experiência e bom perfil sempre há vagas.
Hoje procuramos dedicação e esforço. Gente que vista a camisa, que assuma posturas que os “adultos” sempre assumiram. Que não se importem em ter que trabalhar algumas horas a mais desde que seja para ganhar mais e produzir diferenciadamente.
Que se comprometa e seja responsável. Termine o que iniciar. Encare com seriedade o trabalho e não como brincadeira. Entenda que não é como o joguinho de computador que pode ser pausado no meio para depois continuar ou mesmo descartar.
Quem pensa como o dono acaba agindo diferenciadamente e entregando um resultado digno de reconhecimento, logo, será rapidamente recompensado.
Querer ficar bastante tempo na empresa também é um diferencial. Quando na entrevista a empresa identifica que o candidato não se apega a nada, não dura em trabalho algum, opta por outro candidato. Isso ocorre porque os custos de rescisão são altos e há que se efetuar novamente todo o processo seletivo e treinamento. E colaborador em treinamento não entrega o mesmo resultado de um que já conhece a função.
“Turn over” nunca é bom, sobretudo em empresas pequenas onde o impacto é maior devido ao acúmulo de funções.
Então o grande trunfo dos novos candidatos é empenho genuíno, vontade de entregar resultado, maturidade e comprometimento. Se na entrevista, a empresa ficar segura de que o perfil do candidato não é o dito “aventureiro”, as chances são grandes de a vaga ficar com ele.
É bem difícil hoje em dia conseguir candidatos que preencham esse simples requisito: Perfil!
Conhecimento? Não precisa, ensinamos. Os treinamentos estão aí para isso. Não precisa saber absolutamente nada da maioria das funções. Precisa vestir a camisa e trabalhar.
Procurando emprego? Ou quer uma colocação no mercado de trabalho? Para a segunda opção existe bastantes vagas.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.05.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 9 de junho de 2015

Não mereço ser estuprada!





Algum tempo atrás rolou na internet uma campanha com o nome do título desse texto. O que fomentou todo esse alvoroço foi o resultado de uma pesquisa onde 65% da população brasileira (homens e mulheres) concordam, totalmente ou em partes, que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.
Daí, como sempre, a massa ignorante pega a informação rasa e faz um alvoroço sem sequer ponderar e refletir a respeito. Ridículo! Depois ainda me chamam de anarquista e reacionário. Mas deixem de ser ignorantes e comecem a pensar que eu paro de surtar.
Vamos lá, iniciemos observando sobre o que está em jogo. É ululante que mulher alguma merece ser estuprada. Isso chega a ser ofensivo a qualquer inteligência. O estupro é algo que vai léguas além do aceitável.
Mas a campanha é mais profunda e reclama transformações mais drásticas no comportamento social.
Vejam, a campanha tem fundamento e absolutamente com sentido. Fala de homens que assediam mulheres em tudo que é tipo de lugar e das mais variadas formas, como “encoxar”  no ônibus, passar a mão na bunda, ficar provocando com vulgaridades, tentar agarrar a força e por aí vai.
Tudo isso é ultrajante, absurdo e certamente não deveria acontecer. Não deveríamos, aliás, sequer estarmos discutindo a respeito de tão agressivo que é. Ou seja, apoio a campanha e concordo com todos os termos.
O que não aprovo e não concordo é o fato de as mulheres não se darem ao respeito e quererem que as respeitemos. Vestem-se como prostitutas e querem ser tratadas como damas.
Andam seminuas e querem que os homens não as fiquem olhando e as vezes ainda perguntam o que os homens estão olhando (claro que se ele fosse bonitão e/ou ricão e/ou gostosão ela não perguntaria).
Já expliquei aqui antes sobre a coerção social. Todos sabemos que a sociedade é coercitiva. Ou seja, cria certas regras e todos as seguem. E quem não faz é sumariamente expurgado.
A própria sociedade definiu que determinados tipos de roupas e atitudes não são aceitas ou bem vistas pela grande maioria.
Essas pessoas todas fazem parte da mesma sociedade e sofrem os mesmos efeitos coercitivos, ou seja, tem introjectados em suas mentes a mesma mensagem do que é certo e do que é errado. O que deve e o que não deve ser feito. O que é aceito e o que não é.
Posar para fotos seminua, sem nada na parte de cima apenas com as mãos tapando, para a sociedade atual machista e conservadora, é coisa de revista pornográfica. E as mulheres que fazem isso também sabem que esse tipo de comportamento não é exemplar e muito menos comportado.
Sabedoras da não aceitação social desse tipo de conduta, ainda assim dispõe-se a afrontar todo um conceito, afinal de contas a mensagem a ser passada, independente do que digam e ela está cada vez mais clara a cada dia que passa é: quero sexo.
Muitas aproveitaram a oportunidade para ousarem e explorarem o exibicionismo que sempre quiseram, tirando a roupa e postando fotos seminuas sem que outros tenham coragem de repreendê-las.
E o sexo está banalizado. Os homens sempre foram doutrinados a serem os caçadores, a prospectarem sexo e fazerem na maior quantidade e com a maior masculinidade possível. E tradicionalmente era função das mulheres oferecer resistências. Agora elas não resistem mais, ou praticamente não resistem, e isso transformou a atual realidade social em uma orgia descontrolada. Quando dois querem, todos fazem.
As mulheres andam com bermudinhas que mostram bem mais do que apenas a polpa do bumbum, saem sem calcinha e de vestido, mostram as partes íntimas sem pudor algum, saem sem sutiã com blusas transparentes e querem que instantaneamente os homens as tratem com respeito sendo que eles ainda estão presos lá na arcaica sociedade machista do século passado.
Não é apenas a roupa, é a postura, o jeito, as insinuações, as provocações. Para a sociedade se você provoca, é porque quer briga. As mulheres provocam e não querem ser assediadas?
É evidente que o que está errado é o nível de assédio. O que os homens estão fazendo hoje não é, absolutamente, aceitável. Mas o que elas “dizem” que querem, que é o zero de assédio, jamais acontecerá se as roupas e os comportamentos não forem readequados.
Portam-se como prostitutas, vestem-se como prostitutas, maquiam-se como prostitutas e não querem ser tratadas como prostitutas.
Não tenho absolutamente nada contra as prostitutas, inclusive sei de muitas que se portam melhor que muita madame de requinte em sociedade. Sabem separar as coisas e entendem que lá é local de se permitir esse tipo de atitude, não na rua.
A necessidade de esfregar na cara da sociedade que possui coragem e ousadia para fazer o que quiser está fazendo com que os homens tratem todas as mulheres como objetos, salvo raras exceções e sempre, necessariamente, de mulheres que “se dão ao respeito”.
Isto vindo de alguém que embora reconhecidamente ainda machista é pouco conservador e ortodoxo, realmente preocupa.
O que fica então é a máxima de sempre: “quer respeito, se faça respeitar”.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.04.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Nota de Falecimento



Sabe que desde muito pequeno, e me lembro ainda de quando meu avô faleceu, e que eu tinha bem pouca idade - algo em torno de 4 ou 5 anos -, nunca fui muito apegado a falecimentos.
Lembro que não dei muita importância para isso. Não sei exatamente porque, mas sei que sempre gostei mais de celebrar os vivos e os momentos de vida do que o falecimento.
Quando penso em reencarnação e em vida após a morte, sempre considero que, se de fato isso existe, então eles tem coisas mais importantes a fazer do que ficar nos importunando ou se ocupando conosco, meros mortais de tão efêmera passagem. Crença minha e que nunca tentei convencer quem quer que seja a respeito, assim como respeito a crença dos outros.
Se não penso em reencarnação – e normalmente não creio muito nisso, nem em vida após a morte - então acredito que quando alguém falece, acaba ali. Tudo tem um fim!
Pois bem, seguindo essa linha de raciocínio, ou qualquer outra linha que ao meu ver seja saudável, ficar dando importância e atenção ao que já passou não faz o menor sentido.
Vejo muita gente que quando perde alguém chora, se desespera, tenta suicídio, entra em depressão, não sabe mais como lidar com a vida. Considero tudo isso de uma fraqueza absurda. Aliás, considero tudo isso absurdo.
Lembro que quando minha saudosa mãe faleceu, em dois dias já havia retomado minha vida normal, pois considero de um egoísmo incomensurável ficar querendo que as pessoas que gostamos permaneçam conosco o tempo que nós achamos e definimos certo. Faz parte da vida deixarmos os outros partirem e seguir seus caminhos. É muito egoísmo querer que as pessoas fiquem o tempo e da forma que queremos conosco.
Com meus irmãos foi a mesma coisa.
Estou falando isso pois estávamos passando essa semana em frente ao cemitério onde minha família está sepultada e perguntaram-me se eu queria entrar e verificar se a lápide estava em bom estado, se não estava sujo, se eu não desejava efetuar alguma oração ou qualquer coisa do tipo.
Informei que não e as pessoas se surpreenderam, e fizeram cara de “Como assim? Você não gosta de sua mãe?”. No que eu respondi: “Isso não tem nada a ver com os sentimentos e memórias que nutro pela minha queria mãe, e sim em como eu vejo o mundo. Na minha concepção, precisamos zelar e cuidar dos vivos e não ficar reverenciando túmulos e mortos”.
Vejo com tristeza e pesar pessoas colocando notas de falecimento no jornal. Mas notas de um mês, um ano, dois anos, dez anos. Esses dias cheguei a ver uma nota de falecimento de vinte anos.
Meu Deus o que é isso? Quanto sofrimento essa pessoa deve passar? Ficar contando o aniversário de falecimento durante vinte anos?
Puxa vida, se existe mesmo vida após a morte, essas pessoas não estão descansando. Se não existe, fico pensando em que vida mais triste deva ser a dessas pessoas que não conseguem se desapegar dos que já passaram e não conseguem se ver livres desses sentimentos por alguém que há muito se foi.
Passar anos e anos lastimando a perda de alguém não é, independente do que digam, saudável e não arranjo meios que me façam entender como pode existir esse lúgubre hábito entranhado na rotina de quem quer que seja.
O mundo tem tanta coisa boa para ser aproveitada, tanta gente especial para nos fazer companhia e compartilhar alegria, que ficar celebrando morte e seus aniversários não deveria mais existir.
Espero que o dia em que eu falecer tenha nota de falecimento e no máximo de missa de sétimo dia – e, preferencialmente, que esteja cercada de notas de nascimento, casamento e festas de formatura ou outras comemorações, pois pretendo, quando partir, estar tranquilo e seguro de que estive sempre cercado por pessoas que vivem do presente e que celebram as coisas boas e positivas e não tristezas e coisas ruins.

E você? Dá mais atenção às coisas positivas? Ou costuma se ater ao que lhe entristece? Veja sempre o lado bom da vida! Celebre a felicidade!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.04.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 2 de junho de 2015

Pelo futuro

Participo de uma confraria de empresários na cidade. Nas reuniões conversamos sobre muitas coisas, trocamos ideias sobre estratégias de mercado, procedimentos e afins. Dentre os temas usualmente debatidos, o mais recorrente é: “Como fazer de Santo Ângelo uma cidade melhor?”
A conclusão unânime foi de que é necessário agirmos nas escolas, fomentar educação de qualidade, tentarmos elevar sempre o nível de ensino, auxiliar no que for possível.
Certo dia, no meio de uma sessão com minha coach, fiquei sabendo sobre um projeto desenvolvido pela ONU chamado Junior Achievement, que em tradução livre seria algo do tipo, jovens realizadores.
Sempre fui um empreendedor apaixonado, e ela sabendo disso indicou algo que fomentasse empreendedorismo nas escolas, juntando incentivo em educação, projeto social e empreendedorismo.
Entrei em contato com a responsável no estado e consegui novamente ativar esse projeto que há muito não acontecia na cidade.
Reuni ACISA, SEBRAE e URInova para definirmos as escolas e provocar participação, que felizmente foi fortemente abraçada por todos. Ficou definido então que seria Escola Getúlio Vargas, Escola da URI, Escola Odão e Colégio Missões.
Iniciamos ano passado para convocar e alinhar com as escolas participantes. Conversei com muita gente, pedi auxilio voluntário e gratuito para serem tutores, que no projeto se chamam “adviders”. Muita gente adorou a ideia e se colocou à disposição.
Nessas horas reforço minha descrença nos humanos em geral, pois muitos disseram que era tudo lindo e maravilhoso, mas poucos efetivamente decidiram participar. Falar em crescimento, dizer que precisa mudar e melhorar, falar mal do governo e da educação, reclamar do PT, isso todo mundo faz e é muito cômodo. Mas o que você está fazendo para tentar mudar e melhorar a sua realidade?
Nem quando as pessoas tem a oportunidade jogada no colo elas aproveitam, então como querer uma realidade diferente?
Não entro aqui no mérito da falta de tempo, pois para coisas que consideramos realmente importantes, sempre arranjamos tempo, ou quando você não tem tempo MESMO, não vai ao banheiro?
Mas enfim, independente do motivo, muito pouca gente se dispõe de fato a fazer algo para mudar o mundo, nem que seja seu mundo. O restante... pensa apenas em si.
Os poucos que se colocaram à disposição realmente abraçaram a causa e estão conosco desde o início, fazendo a coisa acontecer. Hoje temos mais gente do que o mínimo para iniciar as atividades.
A URInova em especial se fez presente em absolutamente todas as etapas, pois entende que é necessário preparar os jovens de hoje para que ingressem na universidade com mais clareza do que querem e, quem sabe, até querendo empreender. E se isso acontecer, irá colaborar com o projeto Incubadora, que acabaria sendo uma evolução da Junior pois é real, com investidores realmente interessados em fazer o negócio de alguém crescer.
Resumidamente o que acontece é que será criada uma empresa com os alunos em cada escola e eles aprenderão como funciona marketing, financeiro, administrativo, e RH. Entenderão sobre pagamento de contas, impostos e afins, almejarão lucro, produzirão de fato algum produto e venderão. Receberão salário simbólico (pois é proporcional ao valor de tudo no projeto e tudo é de valor baixo) e ratearão dividendos.
Muita gente nem ficou sabendo, outros se colocaram à disposição para ajudar como consultores eventuais ou quando pudessem, sem compromisso devido a grandes demandas de suas empresas, e tudo acabou dando certo.
Quem tiver interesse em participar mande-me um e-mail que se não nesse, quem sabe no próximo consigamos providenciar.
Hoje a Junior Achievement é uma realidade novamente na cidade e eu, como empresário proprietário da Imobiliária Jaeger, tenho orgulho em ter feito parte desse esforço para o resgate de um projeto maravilhoso.
Estou fazendo minha parte para tentar transformar a realidade que me cerca em algo melhor. Estou plantando sementes. E você?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.04.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Páscoa



A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados.
É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.
O Coelho da Páscoa representa o nascimento, a esperança da vida e é um dos símbolos das festividades da Páscoa.
O coelho é um animal que se reproduz em grandes ninhadas. Está relacionado com a Páscoa, comemorada pelos cristãos, por representar a esperança da vida após a Ressurreição de Jesus Cristo.
O Ovo da Páscoa é um ovo feito de chocolate normalmente recheado com surpresas. É um símbolo de nascimento e vida e está relacionado com a Páscoa pelos cristãos, pela representação da Ressurreição de Jesus Cristo, com a esperança de uma nova vida.
É uma celebração muito bonita, alegre, divertida e que atavicamente é passada de geração a geração. Brincadeiras como esconder ovos de galinha recheados com “carrapinhas” para que as crianças encontrem ocorrem em muitos países no mundo. Depois de comer o “recheio”, alguns têm o hábito de quebrar a casquinha na cabeça de alguém que está distraído, normalmente acontece em 1º de abril e daí o termo “enganei o bobo na casca do ovo”. Embora existam muitas outras teorias para origem desse termo.
Enfim, tudo é alegria, celebração, comemoração, festa, muitos doces e chocolates, não se come carne vermelha, só se come peixe e não é permitido castigar crianças nem trabalhar pesado.
Só que a indústria comercializou a data, que hoje foca apenas em ovos de chocolate, coelhos de chocolate, chocolate, propagandas, ninhos, doces, “carrapinhas”, casquinhas, etc.
Pouca gente da nova geração sabe o que significa a Páscoa. É sério, acreditem!
Perguntem aos jovens de hoje em dia o que é a Páscoa, por que ela é celebrada e qual o sentido de tudo. Eles não saberão responder.
E mais, muitos estão absolutamente desvinculados da religião. E até defendo que cada um é soberano sobre suas crenças, mas entendo também que a religião ocupa um papel importante e fundamental na atual estrutura familiar contemporânea.
Ocorre que muita gente quer saber dos chocolates, do feriado, da folga, dos doces, mas se diz ateu, ou mesmo de uma religião que não celebra a Páscoa.
Então qual o sentido?
Se eu não concordo com as crenças e/ou filosofias de determinada instituição, certamente não devo me curvar também aos seus benefícios.
Muito fácil falar mal, discordar, reclamar, mas no Natal, Páscoa e afins querer aproveitar.
Então, respeite. É o mínimo. E quando fazer uso de alguma vantagem de algo que não pratica, valorize.
Mesmo que não seja sua crença, é uma data bonita que prega bons princípios.
Feliz Páscoa!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.04.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 26 de maio de 2015

Cavalheirismo?



Essa semana estava acompanhando a história daquele médico cirurgião de Porto Alegre que “abandonou” a mulher no restaurante.
Pior, estava ouvindo um relato de uma amiga dessa moça falando mal desse cara de várias formas.
Nesse relato ela fala que essa amiga, bonita, formada, nível legal, não consegue se acertar com homem algum pois escolhe sempre uns meio malucos. Aqui já fica um alerta de que a culpa não é só do cara, mas continuemos.
Na sequencia ela informa que o cara era chato pois era sério demais. Horas, se o cara é chato e sério demais, por que continua saindo com ele?
Foram ao cinema e ele pagou. Depois foram comer sushi, ele tinha cupons do Groupon e ele pagou. E nesse ponto a relatora ainda diz: “normal né gente, nada de mais, ele pagar”.
No início das conversas ele perguntou se ela gostava de homens que decidissem tudo e pagassem tudo sempre. No que ela respondeu que era cedo demais para responder esse tipo de pergunta e que ele deveria descobrir com o tempo e convivência.
Saíram de noite e foram ao Valentina’s Bar. Racharam a conta no final, cada um pagou o seu. E aqui a relatora já começa a achar que o cara estava errado.
Como assim? Mulher não pode pagar a própria conta quando está acompanhada?
Decidiram que sairiam jantar e ela sugeriu o Takeda. Para quem não sabe esse é um dos restaurantes japoneses mais caros de Porto Alegre. Algo em torno de R$ 300,00 por pessoa fácil fácil.
Daí que a mocinha não levou bolsa, nem carteira, nem dinheiro, nem cartão nem nada. Literalmente foi às custas do cara. Só que ela havia definido o restaurante caro. Ela já conhecia o perfil dele que havia perguntado isso no início da “relação” e eles já haviam dividido as despesas em oportunidade anterior.
Ele disse que não gostaria de pagar ou dividir sempre, cada um pagar uma vez. Ela se mostrou ofendida com a proposta dele perguntando se eles já estavam nesse “nível”. Ele argumentou que a mulher também tem que agradar tanto quanto o homem e que ele achou que ela pagaria visto que foi quem sugeriu o local. Ela informou que sequer havia cogitado essa possibilidade e que o cavalheirismo mandava ele pagar.
Ele falou que buscaria a carteira no carro e ela ficou esperando. Ele saiu e não voltou.
Ele sai pegar a carteira e não volta, mandando uma mensagem depois ao celular dela dizendo que não estava acostumado com mulheres interesseiras. Bloqueia ela e desliga o celular. Até o pessoal do restaurante tentou ligar. Um horror, segundo a amiga.
Só um pouquinho?! Esse cara ao meu ver é um gênio, mito! Ele é corajoso ao extremo. Pegar uma mulher interesseira, que age como uma prostituta e trata-la com o comportamento que ela pediu, não tem nada de errado.
Cavalheirismo? Por favor né?! Cavalheirismo é tratar com educação e cortesia, levantar para ela sentar, puxar a cadeira, abrir a porta do carro, pegar no colo, abrir o guarda-chuva para ela não se molhar, tratar com o carinho e zelo pertinentes a cada situação. Pagar a conta é coisa de provedor. Ela queria um namorado ou um pai/banco?
Desaforo dessas mulheres de hoje não só quererem que os homens paguem tudo, como ofenderem-se se o cara não paga. Fazem das tripas coração para serem reconhecidas pelo mundo como competentes e tão capazes quanto os do sexo masculino mas na hora da divisão de custos, apelam para o “cavalheirismo”?
Quando convém, são tão capazes quanto os homens e são as vítimas da sociedade que não lhes dá todas as possibilidades que elas precisam para mostrarem-se competentes. Quando não convém, são o sexo frágil, desfavorecidas fisicamente, o cavalheirismo precisa ser evocado, elas precisam ser protegidas e amparadas, e por aí vai...
Achei lindo o que esse cara fez, encorajo todos os homens a fazerem isso com mulheres interesseiras. Querem seu dinheiro? Pois que fiquem passando vergonha no estabelecimento.
Mulheres interesseiras: se dependesse de mim, vocês passariam esse fiasco recorrentemente.
E não me venham com argumentos falaciosos de que eu estaria sendo um mal educado e grosso, pois má educação é tentar tirar vantagem de outrem em benefício próprio e abusar da boa vontade alheia para angariar coisa para si. E digo mais, parem de tentar viver às custas dos homens. Consigam as coisas por si já que são tão competentes e capazes quanto nós (e honestamente acredito MESMO que sejam). E chega de esperar dos homens coisas que vocês também deveriam fazer já há muito tempo.
Por uma sociedade mais igualitária já!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.03.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br