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quinta-feira, 13 de março de 2014

Vocabulário?!





Ultimamente a mídia tem se esforçado em convencer suas audiências de que o Brasil está lendo mais. Honestamente, acho que isso é mais uma vez a tal da estatística mascarando verdades.
Eles alegam que a venda de livros aumentou. Isso é ululante, se a população aumenta e o percentual de pessoas que lê permanece, a quantidade absoluta aumenta. Mas as pessoas e a mídia atêm-se apenas aos valores absolutos e afirmam falaciosamente que a nação está lendo mais.
Usam também como subsidio embasatório a quantidade de livros vendida. Comprar não significa ler! Posso presentear qualquer pessoa, e não significa que irá sequer retirar da embalagem.
A prova que a população não lê está no vocabulário. E olha que estamos no Rio Grande do sul, um estado que juntamente com o sudeste está entre os com nível cultural mais elevado. Ainda assim é assustadoramente quase impossível encontrar alguém que saiba falar corretamente.
Vou um pouco mais fundo nessa análise. Experimente falar corretamente e veja a cara que as pessoas lhe olham. Não é força de expressão, elas lhe repreendem com o olhar – quando não com palavras – ao ouvirem um “tu vais até a esquina e pegas a primeira à direita”.
Ainda lhe respondem com algo do tipo: “Não seje tão formal cara, cada dia tem menas pessoas se preocupanu com isso, elas podem até tá meia errada e acredito que tejem, mas precisemo relaxar”.
Não é necessário ir muito longe para ouvir qualquer das palavras erradas supracitadas. Ou se adapta e mistura um “tu” (segunda pessoa do singular) com a conjugação do “você” (terceira pessoa do singular), ou lhe chamarão de metido, cheio, arrogante...
Se as pessoas lessem, necessariamente, seus vocabulários seriam melhores, assim como sua capacidade de interpretação, concentração e principalmente criatividade, visto que quando se lê algo, conforme vai seguindo a linha de raciocínio do autor, imagina todo aquele universo em sua mente.
A leitura acrescenta nossa capacidade de raciocínio e comunicação de uma forma tão ampla e positiva que chega a ser difícil a convivência com pessoas que não a praticam. Aqueles que preferem esperar o filme sair por preguiça de ler, jamais serão equiparados aos devoradores de páginas.
Não é por acaso que pessoas bem sucedidas tenham o hábito da leitura, uma coisa puxa a outra.
Tive a felicidade de conviver com algumas pessoas que eram praticamente traças ambulantes e a maneira como se expressavam a respeito de qualquer coisa era fascinante. Desde a referência a respeito de uma temperatura climática até dicas gastronômicas de como se faz uma batata frita.
Qualquer conversa fica mais interessante com quem tem o hábito da leitura. Leia mais e preencha sua mente com conteúdo interessante e útil.
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Comunicação – o mal dos relacionamentos.





Tenho um primo que evangeliza sempre contra os relacionamentos. Não porque quer que as pessoas vivam solteiras ou sozinhas, mas porque entende que nenhum relacionamento tem futuro, visto que não duram quase nada.
A teoria dele tem forte sustentação estatística, já que ele mostra em números (até gráficos) que sempre quando o par resolve casar e/ou morar junto, inicia o fim. E que daí para frente é só tristeza.
Para mim é claro o motivo. A falha está na comunicação ineficaz, ou melhor, na falta de comunicação.
Funciona assim, quando se inicia um relacionamento, as pessoas querem conquistar; convencer; envolver, então acabam relevando algumas coisas e omitindo muitas outras.
Acontece que conforme o tempo vai passando, a convivência aumenta, então aquelas pequenas coisas que foram cedidas e relevadas no início como barganha para lograr alguma facilidade de aproximação ou vantagem, agora são um incômodo bem grave e tendem a agir de forma purulenta infeccionando o relacionamento de dentro para fora tal qual um câncer galopante até chegar o momento de desapego.
E sabe por que tudo isso acontece? Porque normalmente as pessoas não possuem a coragem necessária para serem francas, diretas, sinceras e honestas como gostariam e deveriam por medo de afastarem seus pares.
Vou citar um exemplo clássico: Inicio de namoro, preferência da namorada, abandono do happy hour com os amigos, afinal de contas o sexo é muito mais prazeroso e importante. Depois de alguns meses, renegociar o tal do bar está fora de cogitação, afinal foi uma cláusula aceita do início do contrato, mas raciocine comigo, imagine quão simples seria se ao invés de guardar toda essa frustração decorrente de decisões erradas as pessoas soubessem conversar? Ou melhor ainda, e se desde o início já houvesse espaço para diálogo aberto, colocando os interesses e preocupações, com todas as cartas na mesa?
Essa seria não só uma boa solução, mas também a fórmula mágica utilizada em relacionamentos duradouros. Ou você acha que bodas do que quer que seja acontecem hoje em dia por comodismo? Relacionamentos de sucesso dialogam, negociam, conversam, tem coragem de expor seus sentimentos e suas vontades, e sabem compreender a vontade do par.
Meu objetivo com esse texto vai além de apenas querer expor meu ponto de vista. A outra intenção é fomentar uma pontinha de interesse e curiosidade nas pessoas que o lerem a fim de incitá-los a tentar dialogar dentro do relacionamento com o mesmo desprendimento que o fazem com amigos.
Meu círculo de amizades recorrentemente impressiona-se com a maneira como eu e minha excelentíssima somos francos entre nós, principalmente por constatarem a positividade do resultado.
Sempre que “entrevisto” os atores de relacionamentos falidos, a resposta é a mesma. A expectativa era uma e a prática foi outra; falta de entendimento e compreensão; falta de diálogo.
Se a solução é tão simples, deve ser fácil executá-la, certo? Errado! Primeiro passo entender e aceitar, segundo passo colocar em prática, e entre esses dois há um universo de possibilidades. Mas se os atores não tiverem coragem, então se contentem com o conformismo morno e quotidiano dos relacionamentos falidos, pois se você não está disposto a conversar sinceramente com seu par, também não está pronto para um relacionamento duradouro!
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mediocridade




“A incapacidade para criar e apreciar a excelência, ou seja, a mediocridade, é necessária para a estabilidade social: um mundo de gênios seria ingovernável. Todavia, possui também uma vertente maligna que procura destruir qualquer indivíduo que se destaque.”
“Quando surge um verdadeiro gênio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.” Foi assim que o médico, aventureiro e escritor irlandês Jonathan Swift (1667–1745), autor de As Viagens de Gulliver, resumiu a eterna tensão entre excelência e mediocridade, duas características da psicologia humana que exercem grande influência no funcionamento da sociedade. “Cada uma se rege pelas suas próprias leis e ambas são necessárias: uma promove o progresso, a outra assegura a estabilidade social.”
Assim começa um dos melhores textos que já li da Super Interessante de março de 2011.  O texto considera gênio quem é criativo e busca sempre ver o lado bom em cada um e em todas as coisas, e considera medíocres pessoas que ao invés de tentarem ser melhores, preferem falar mal e boicotar os competentes.
A pesquisa do texto levantou três tipos de mediocridade: a comum, que é inofensiva e faz com que os humanos se adaptem facilmente mesmo não gostando muito do que fazem; a pseudocriativa, que além das características anteriores, tenta minar a criatividade dos outros. Esse segundo tipo é o mesmo já citado por mim em outro texto e fala sobre como esse tipo tem necessidade de ostentar algo que não possui; e o terceiro tipo, que é o pior, pois se propõe e se esforça de todas as formas em destruir o gênio.
Cito esse texto justamente agora pois tenho visto que no Facebook há uma crescente onda de néscios engajados em denegrir boas idéias, opiniões próprias e fundamentadas, criatividade, gente com personalidade e opinião formada.
É bem simples, basta que alguém crie algo novo, tenha uma idéia autêntica, original e que consiga pensar “fora da caixa” para ser apedrejado virtualmente. O bullyng do colégio passa vergonha perto do que sofrem as pessoas que tem a capacidade de pensar por si com idéias próprias.
Ou se curva à mediocridade néscia, ou aceita a crucificação com todas as chagas que lhe são devidas de acordo com a massa rotulante.
Não há mais tolerância com o pensamento alheio. Não se pode ter convicções sobre determinado assunto a não ser que ela seja absolutamente idêntica à massa ignorante, ou a mesma fará um esforço desproporcional para não apenas desqualificar sua idéia como também a sua pessoa e queimar em praça pública seus valores e caráter, colocando-o numa fogueira de bruxas, ardendo por fazer a mágica da opinião firme.
Não sendo suficiente não poder pensar diferente, é necessário não pensar e não manifestar, sob pena de ser ofendido pessoalmente ou mesmo agredido fisicamente.
Outra parte do texto que endossa esse meu raciocínio é: “Será possível que estejamos condicionados por uma espécie de seleção cultural que nos condena à imbecilidade?”(sic), questiona o escritor italiano Pino Aprile no seu livro Elogio do Imbecil. Conclui que sim e que existe uma razão para todos os sistemas sociais advogarem a mediania: “A inteligência é como a areia que se introduz nas engrenagens: pode obstruir os mecanismos. O génio é subversivo, não apenas por discutir a norma em vez de a aplicar, mas também por blo­quear, através da sua atuação, o percurso habitual de qualquer sistema burocrático”(sic). Por isso, segundo o autor, “o poder de uma organização social humana será tanto maior quanto maior for a quantidade de inteligência que conseguiu destruir”.
A sutileza insidiosa que domina a sociedade não impera o mundo virtual, onde as pessoas dão as caras e corroem com toda a acidez que impediram escapar pelo canto da boca no dia a dia frustrante e medíocre.
Uma das explicações é abordada pelo princípio de Peter, e embora não seja a única, faz sentido. Segue: “Numa empresa ou organização, qualquer trabalhador tende a ascender até atingir o seu nível de incompetência.” Se nos promoverem devido aos nossos méritos, acabaremos por ocupar um cargo para o qual não temos competência e deixaremos de nos destacar (e de ascender), permanecendo enquistados no nosso nicho de mediocridade. Uma das consequências é que quem alcança o seu nível de incompetência poderá sentir-se tentado a boicotar os subordinados de forma a não serem promovidos (ou mesmo a serem despedidos). Assim, acaba por agir como uma espécie de tampão involuntário para as próximas gerações. Os norte-americanos, que levam muito a sério a questão da eficiência, adiantaram algumas soluções, como a de premiar um bom trabalhador com um aumento salarial em vez de uma promoção. Todavia, parece que entram em jogo outros fatores no complexo sistema da mediocridade.
O que fica então é o voto aos gênios para que não desistam, pois as mudanças passarão necessariamente por suas mãos, mesmo que os medíocres tentem boicotá-los.
Obs.: Tem um teste no final para verificar se você é gênio ou medíocre.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ofensa é um presente

Refleti muito a respeito do que me disse um antigo amigo, que diferente de mim é estudado nas artes do jornalismo, a respeito de um dos textos que havia escrito.
A conversa foi privada e o assunto, a ofensa de sua esposa referente a um texto que eu havia escrito.
Isso realmente me deixou intrigado. Ele defendeu que nem ele nem sua esposa concordavam com o que eu havia escrito. Achavam que eu estava redondamente enganado e que eu a havia ofendido.
Então fiquei pensando sobre a ofensa.
ofender | v. tr. | v. pron. o·fen·der |ê| - (latim offendo, -dere) verbo transitivo 1. Fazer mal a (outrem por .atos ou palavras). 2. Magoar; injuriar, doestar; escandalizar. 3. Lesar. 4. Desconsiderar. 5. Pecar contra. 6. [Medicina]  .Afetar, ferir; chegar a. verbo pronominal 7. Levar a mal. - "ofender", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/ofender [consultado em 26-12-2013].
Se alguém me chama de gordo (o que para muitas mulheres é o cúmulo da ofensa) eu não me importo, não me ofendo, dou risada e ignoro. Esse chapéu não me serve, logo não me ofendo.
Se me chamam de moralista, igualmente ignoro e dou risada, pois apenas não me conhecendo completamente para fazê-lo. Esse chapéu não me serve, logo não me ofendo.
Se me chamam de nanico/ toco de amarrar bode / anão de jardim, idem, afinal de contas isso não me ofende.
Se me chamam de lindo, charmoso ou sei lá eu o que, não me ofendo (nem envaideço pois não é para mim) afinal de contas um elogio não ofende.
Daí um camarada vem e me diz que sua esposa ofendeu-se com algo que eu escrevi e me fez pensar longa e profundamente a respeito.
Como pode alguém se ofender com algo que não lhe diz respeito? Com um chapéu que não lhe serve? Com um texto que fala de outras coisas absolutamente diferentes de sua realidade?
Posso não gostar de algo dito a outra pessoa por ser diferente do que penso, mas daí a ofender-me por alguém dizê-lo é, na minha opinião, a maior confissão existente de que eu certamente me enquadro dentro daqueles argumentos os quais estou me ofendendo e mais, não os aprovo.
É como se eu estivesse sendo forçado a ver algum defeito meu que sempre fiz questão de negar. Afinal de contas, “vemos nos outros nossos piores defeitos”.
Então como conclusão de todo esse exercício de meditação ficou a semente da pergunta plantada em minha mente: Alguém se ofende com algo que não enxerga em si mesmo?
A ofensa é um presente e cabe a cada um aceitá-lo ou não. Não precisamos sequer receber, quanto mais multiplicá-lo.
Acho que um bom exercício para 2014 é não tomar para si ofensas dos outros, nem ofender-se com coisas pequenas. Pensar equilibradamente é uma boa alternativa!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E o exemplo?


A presidente Dilma em nota oficial desculpou-se por ter permitido que sua netinha andasse no carro sem a cadeirinha. Pediu desculpas informando que a lei é para todos e que é clara, toda criança precisa usar a cadeirinha. Isso é questão de segurança.
Lendo a nota fiquei refletindo e questionando se a afirmação seria sustentável. E a conclusão não foi surpresa alguma: poucos cumprem. O que é criado para a população, é coisa para o povo, as representações deste não precisam se submeter.
Vamos aos exemplos:
Quando o presidente Lula ficou doente, ele foi pro SUS? Utilizou o mesmo sistema de saúde que tanto elogia e que a população tanto reclama? Se o sistema é tão fantástico quanto os políticos pregam, porque eles mesmos não o usam? Deixo plantada a semente, todo político deve usar o sistema público. Garanto que melhoraria.
Outro: polícia, bombeiros e exército não usam cinto de segurança. Estão acima da lei? Eles que deveriam dar o exemplo não o fazem, por que se acham no direito de cobrar a população? Ou eles são invulneráveis e não estão sujeitos a acidentes? Suas vidas não correm o mesmo perigo de todos os humanos normais? E não é justamente pensando na segurança a obrigatoriedade do uso?
Sei que a alegação é a dificuldade em tirar o cinto quando há necessidade de agilidade. Então que desenvolvam algum tipo de treinamento ou cintos especiais.
Por fim: Políticos abusam nos impostos, e na hora de consumirem, trazem coisas de outros países. Afinal de contas, os impostos também são coisas de meros mortais.
Além de não comprarem aqui, beneficiando o mercado externo em detrimento do local, quando podem sonegam impostos de todas as maneiras possíveis.
Os bons costumes antigos de dar o exemplo com as próprias atitudes estão doentes, em estágio terminal, e vivem apenas por meio de algumas pessoas que insistem em perpetuar seus valores.
 
 
 

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.12.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Respeito à Opinião Alheia




Sempre que escrevo procuro instigar meus leitores de alguma forma. Pensar “fora da caixa”; observar algo que normalmente passa despercebido; provocar para ver se alguém que pensa diferente venha me prestigiar com argumentos coerentes e convincentes, bons a ponto de me fazerem trocar do opinião, ou mesmo deixar uma mensagem de encorajamento e incentivo.
Aqueles que acompanham o que escrevo há mais tempo, já sabem como costumo fazê-lo, e normalmente gostam. Para poucos sou indiferente. Ou gostam muito, ou odeiam.
Muitas vezes ouvi alguém dizer: “Tem certeza que vai publicar isso? As pessoas podem não gostar e vão te criticar”.
Se cada vez que eu fosse escrever algo me preocupasse em não receber críticas, falaria apenas sobre o trivial e não precisaria pensar.
Quando enviei, recebi uma advertência: Vão criticar teu texto! Eu disse que tudo bem, afinal de contas as pessoas não precisam pensar igual a mim ou concordar com o que penso. Não tenho problema algum com ataques a qualquer opinião que eu tenha proferido.
Acontece que as pessoas estão num mundo imaginário absurdo. Ou os outros pensam como elas querem, ou não podem pensar. É proibido existir caso as idéias sejam singulares.
Felizmente há no mundo pessoas que vão contra esse tipo de comportamento, defendendo seu direito a manifestação de ideia.
Fui crucificado por pensar diferente. As pessoas nem usaram meias palavras, proibiram-me de pensar assim, decretando que estava errado e pronto. Que ou eu deveria mudar minha maneira de pensar, ou procurar tratamento. Em caso de não fazer qualquer das duas, então que fosse linchado em praça pública.
Veja bem, isso é grave. Não apenas as ofensas pessoais e as ameaças. O que preocupa é não poder ter ideias próprias. Nas discussões, a maioria dos seres não queriam expor suas ideias, mas desqualificar a minha. Não queriam me convencer de seus pontos de vista, mas desmoralizar o meu.
É assustador saber que os que convivem “harmonicamente” em sociedade, na primeira oportunidade vão à forra e sem piedade recriminam, condenam, ofendem e fazem bullying.
E não paramos por aí, segundo muita gente, eu não deveria nem ter tido esse tipo de ideia, e por tê-lo, estava fadado a exclusão para todo o sempre, sem chance de redenção.
“Sustentar uma posição utilizando as palavras “machista” e “conservadora”, cria feridas sociais”, como disse o Eduardo Matzembacher. Além das ofensas pessoais, que certamente não acrescentam em nada e muito menos persuadem alguém a pensar diferente.
O Danilo Branco falou bem quando disse: “A primeira pessoa a pular fora das idéias sociais enlatadas é sempre a primeira a ser apedrejada. E apedrejada por quem fabricou a lata, óbvio.”
Adoro que discordem de mim com coerência e embasamento, essas são as melhores discussões. A cereja do bolo em cada texto que escrevo. Mas para isso preciso estar aberto a opiniões diferentes.
O mundo que eu vi recentemente não permite pensar. Ou se engole o que todo mundo está consumindo, ou aceita a fogueira. E para esse mundo, grito a plenos pulmões: ACENDAM O FOGO!
Pois não vou parar.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 21.12.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Receita da amizade




Muitas pessoas me perguntam como faço para ter tantos amigos de verdade. Normalmente se conquista apenas uma meia dúzia em uma vida inteira e eu tenho bem mais que o triplo disso, de amigos de verdade, sinceros e devotos. Então qual o segredo?
Quando saí de Santo Ângelo para morar em Santa Maria, minha turma se separou, éramos seis. Com o tempo eles foram se afastando e perdendo o contato, e hoje falam-se pouco, mas continuam sendo grandes amigos.
Não é porque não há contato diário - tanto pessoal quanto virtual, independente da forma – que o sentimento esmorece, arrefece ou que paramos de gostar. Amigo de verdade não é esquecido. Diferente de paixão e amor por cônjuge ou afins.
Quando saí de Santa Maria, a turma se afastou, mas continua mantendo contato até hoje. Depois fui para Porto Alegre e a turma cresceu bastante. Quando voltei para Santo Ângelo: novamente a antiga turma se afastou!
Bom, alguns segredos são muito simples. Eu era o cimento que mantinha unido os tijolos amigos no muro da amizade. E essa construção exige paciência e dedicação. É necessário fazer a fundação com os valores corretos para que algo sólido seja erguido.
A segunda dica é nunca desistir. Muita gente ao longo dessa trajetória toda me perguntou: “por que continua convidando para o vôlei?”; “por que insiste se ele não demonstra interesse?”; “ele nem mora mais no Rio Grande do Sul, desiste de convidar”; “ele não quer mais saber da turma depois que começou a namorar”. E a resposta que eu sempre dei foi: “eu não desisto dos meus amigos, enquanto puder, darei a oportunidade”.
Chamam-me de teimoso e obstinado. O que sempre bota lenha na fogueira das junções, sempre pronto para um churrasquinho e uma confraternização. O que mistura as turmas e apresenta gente diferente que acaba combinando e dando certo; o cupido.
Há também um “teste” o qual submeto meus amigos. Se não tiver estrutura, entra como conhecido. Para ser amigo, não pode ser "mimimi", precisa combinar com meus valores e caráter. Descarto sumariamente, sem remorso, pois não tenho porque investir tanto tempo e dedicação em alguém que não há identificação recíproca. Guardo a energia boa para os que merecem. E na hora que o sapato aperta, eles estão sempre comigo assim como eu com eles. E todos sabemos disso.
Sou o primeiro a chegar e o último a sair, o que tem a iniciativa dos convites. Acho honestamente que no início eles aceitam mais por pena e/ou consideração, ou até vergonha de tanto negar do que por vontade, mas depois todos acabam tomando gosto.
Essas reuniões me recarregam. É como se a energia proporcionada pela junção com todos que quero bem fosse vital para minha sobrevivência. E como é divertido! Mesmo que seja para fazer as coisas mais simples, como uma roda de chimarrão com bolo.
É claro que isso sempre causou em um momento ou outro descontentamento por parte de minhas namoradas, que nunca tinham um tempo sozinhas comigo (obviamente depois daquele calor inicial do inicio de qualquer relacionamento) e que ficavam enciumadas, cansadas ou incomodadas com as recorrentes junções. Mas nada que alguém que goste de mim como sou e que me aceite verdadeiramente não acabe sempre relevando por entender a importância para mim.
O fato é que de tanto plantar, hoje colho maravilhosas amizades, flexíveis como o bambu e sólidas como a rocha, com uma receita bem simples: ofereça mais do que espera receber, sem desistir e com fé, pois cada amigo é uma joia cara e rara e precisa ser preservado com o devido cuidado.
Aos amigos que não mantenho contato diário, saibam que continuam tão vivos em meu coração e pensamento quanto quando andávamos juntos diariamente. Nada que não seja certamente recíproco ou que vocês não soubessem. Amo vocês, mãe da focas!







Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.11.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Frustração fantástica

Alguma vez você já se percebeu absolutamente frustrado por esperar algo que não aconteceu, mas ficou feliz com isso? Eu já, e mais de uma vez.
A última foi quando estava dirigindo, à noite, com chuva, saindo de Passo Fundo em direção à serra. Parei no trevo para olhar se vinha carro de algum lado, como usualmente faço principalmente à noite, quando percebi que o carro que vinha atrás não esperava que eu parasse e consequentemente não parou.
Acompanhei ele crescendo em meu retrovisor à medida em que se aproximava, enquanto engatava uma primeira o mais rápido que conseguia, e o carro crescendo e se aproximando, e eu olhando para os lados, para o retrovisor e tirando o pé da embreagem enquanto comunicava a minha namorada para se segurar que ia bater.
O frear dos pneus se fizeram ouvir quando no último instante ele percebeu que eu estava parado, mas já era tarde, não havia como ele segurar a batida, começou a reduzir tarde demais, e os faróis só aumentavam no retrovisor, e nessas horas nossa mente trabalha da forma mais veloz que se possa conceber, então eu já me via no acostamento discutindo sobre como pagaríamos pelos estragos e se continuaria a viagem ou retornaria.
Nesse momento a metralhadora cerebral nos fuzila com informações. Pensei até o quanto estava demorando para aquela eterna primeira marcha começar a desenvolver o motor. Contraí o abdômen, tranquei a respiração, segurei firme o volante e senti um frio gelado percorrer minha espinha enquanto a adrenalina tomava conta da situação.
A batida já tinha acontecido, tudo estava concluso, o carro estava bem amassado e eu me preocupava se minha namorada estava ferida quando de repente, como que por um milagre, milimétricamente aquele mínimo espaço que a primeira marcha andou foi suficiente para que o carro de trás conseguisse frear, e eu fui embora antes que ele batesse e tudo ter acontecido apenas em minha cabeça.
É estranho e ao mesmo tempo frustrante esperar por algo que não acontece, mas é aliviador entender que não aconteceu e que tudo não passou de uma expectativa frustrada de algo ruim que iria acontecer, mas que não o fez.
É curioso pensar que eu estava pronto e preparado para o pior, que já havia inclusive materializado isso em minha mente, e que num repente ao não acontecer, sinto-me logrado pelo acaso e pelo destino que de conluio resolveram pregar uma peça em mim.
O interessante disso tudo é o aprendizado que podemos tirar quando esperamos por algo muito ruim que quando não acontece nos faz sentir como se tivéssemos sido roubados. Como demoramos para aceitar e aproveitar as coisas boas que aparecem em oportunidades que logicamente não deveriam ocorrer.
Acho que a maioria das pessoas segue a filosofia do: “prepare-se para o pior, espere o melhor e aceite o que vier”.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.11.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cotas

Não bastassem todas as dificuldades enfrentadas pelos postulantes a um cargo público – perda de espaço para os cargos em comissão “de fora”, fraudes nos certames, milhares de horas de estudos, leituras e exercícios, concorrência natural cada vez mais acentuada, preocupação com prazos de inscrição e pagamento, reserva de hotel, compra de passagens aéreas, gastos em geral com alimentação e traslado, gastos com cursos preparatórios,  ... -, o governo, em mais uma manobra política para arrecadar votos, propõe o projeto de lei de cotas raciais para o funcionalismo. A mesma administração pública que, em 1995, deu início a Reforma da Gestão Pública ou reforma gerencial do Estado com a publicação, nesse ano, do Plano Diretor da Reforma do Estado e o envio para o Congresso Nacional da emenda da administração pública que se transformaria, em 1998, na Emenda 19, com o objetivo precípuo de contribuir para a formação no Brasil de um aparelho de Estado forte e eficiente. Pelo menos, está sendo contraditória a administração: não vejo como construir um Estado forte e eficiente quando, ao invés de empregar o dinheiro público em saúde, segurança e, principalmente, em educação, simplesmente, proporciona privilégios para alguns escolhidos, em troca de votos. Em outras palavras, o governo prefere manter o povo desinformado, ignorante e alheio a todas as realidades que se passam no País. Do ponto de vista estatal, é muito mais fácil “dar o peixe a ensinar pescar”, e do povo, muitíssimo menos trabalhoso, é ficar deitado numa rede à sombra aguardando um programa que lhe beneficie e, dessa forma, não precise gastar energia e queimar neurônios já atrofiados. Para fundamentar o meu profundo repúdio às cotas, fiz uma pesquisa em relação às vagas e as médias para lotação nos cursos da UFRGS – instituição a qual me formei em Engenharia Mecânica - e fiquei chocado: confesso que pensei ser preocupante; É mais que isso, entretanto. Até que me convençam, fundamentalmente, do contrário, em poucos anos, o ensino público entrará em ruínas intelectual e tecnicamente, como o ensino privado já está. Tenho nada contra os negros, contra os brancos, contra os amarelos, contra os rosas, contra os estudantes do ensino público (onde estudei sempre), ou contra qualquer raça, religião, time de futebol ou credo. É inadmissível, todavia, que um cotista adentre, com uma média de 424,61, em um curso renomado como o Direito na UFRGS. Por sua natureza, já é um curso que tu amarras um jumento num poste e, em 5 anos, ele se gradua, sem grandes dificuldades. Não bastasse isso, os atores do picadeiro agravam colocando um desqualificado para dentro da universidade? É inadmissível que um cotista adentre, com uma sub média de 565,58, em um curso renomado e altamente técnico como a Medicina na UFRGS. Sinceramente, jamais vou querer ser operado ou até mesmo atendido por um cidadão que, vergonhosamente, aceita estar dentro de numa Federal com uma média horrenda como essa. E os estudantes do alto escalão que estudam por anos para superar a difícil barreira da pontuação mínima exigida para entrar pela porta da frente? Por favor, não me venham dizer que os postulantes beneficiados por esse modelo insustentável estão no mesmo patamar, porque não estão. Existe, de fato, um abismo entre eles. Não sei nesses cursos acima citados, porém na engenharia - qualquer que seja - dessa Universidade, a própria dificuldade do curso seleciona esses débeis. Acontece que os ensinos fundamental e médio públicos estão um lixo, por conta da politicagem corrupta desse País mentecapto. E, só por isso, os alunos dessas instituições não conseguem concorrer, em mesmas condições, com os das outras estirpes abastadas. O problema, portanto, não pode ser resolvido, simploriamente, baixando, ridiculamente, as médias para determinadas categorias de estudantes, por meio de cotas, e sim melhorando esses ensinos que estão uma vergonha. Já não chega o ensino privado, que admite qualquer ignorante em troca de dinheiro, oferece em contra partida um arremedo de qualificação profissional e, praticamente, só discute o sexo dos anjos! Ainda querem acabar com o ensino público e de boa qualidade?
Alguns defensores dos programas executados pelo governo, como o “bolsa família”, o “fome zero”, o “minha casa minha vida”, “cotas raciais”, entre outros, afirmam ser de grande valia, pois promovem a maior redistribuição de renda que o país já viu. Além do mais, criam os suportes mínimos pra tirar muitas famílias da pobreza extrema, promovendo maior inclusão na educação, queda da taxa de natalidade e dignidade. Alegam, também, que “afirmar que os brancos é que são os discriminados, devido às cotas dadas aos negros, é um absurdo! Um verdadeiro desrespeito aos 400 anos de escravidão, massacres e injustiças sociais do Brasil”. Pergunto? Se isso, de fato, fosse verdadeiro: um erro justificaria o outro? A bolsa família não é divisão de renda e sim uma subtração de renda, pois só podemos falar em divisão, quando as duas partes produzem, o que não é o caso. Em uma nação como a nossa, de maioria negra, esses programas não passam de uma jogada para conseguir votos. Hoje, portanto, nós os brancos, é quem somos discriminados e de forma escancarada. Dar cotas diferenciadas, a quem quer que seja, é nivelar por baixo concedendo vantagens a incompetentes para ocupar cargos que não terão competência para desempenhar. Ninguém poderá provar que um concursado aprovado pelas quotas poderá produzir em igualdade com um postulante que concorre com a grande nata. Um exemplo disso são as médias para o ingresso em qualquer tribunal federal no País (basta ver no DOU os desempenhos dos aprovados). Um estudante que almeja ingressar no serviço público federal, pelos meios considerados normais, não pode se dar o luxo de fazer menos que 95% de acertos em uma prova. Isso significa dizer: tem que acertar, pelo menos, 57 questões de um total de 60, ir bem na redação e rezar. Às vezes, nem com essa pontuação é possível garantir a nomeação. Ao passo que, um cotista fazendo a pontuação de corte (em torno da metade da prova) entra sem grandes problemas, pois, além de concorrer com bem menos candidatos, há uma garantia de vagas para ele com médias exorbitantemente menores.
Nós, brancos, somos tão discriminados com as benécies promovidas pelo governo aos cotistas que, ontem ao divulgar uma petição aos meus colegas estudantes de todo o País, uma senhora, afro descendente, em resposta ao meu pedido disse o seguinte: “Não tem volta. As cotas vieram para ficar. Essa petição vai ser engavetada. Pois, nós negros, vamos votar no PT de novo.”. Divulguei pela internet o conteúdo da resposta dessa senhora, e a indignação não tomou conta somente dos estudantes, entretanto das pessoas em geral.
Lamento essa senhora e alguns semelhantes seus pensarem assim. Ela é o maior exemplo de racismo nesse País democrático. Jamais julgarei alguém pela cor, e sim pela capacidade intelectual de querer e fazer acontecer. Os cotistas, no fundo, são vagabundos e preguiçosos. Usam de um coitadismo barato e demagogo em sua defesa. Querem tudo de mão beijada, embora tenham 2 braços, 2 pernas, 2 olhos, 1 cérebro, ... tudo igual a nós, brancos. Aliás, até onde eu sei, cérebro não tem cor. Por que, então, eu tenho que estudar 20h por dia, durante anos, concorrer com a grande elite intelectual dos concurseiros e os negros têm que estudar 2 minutos por dia, por 1 mês e concorrer com meia dúzia de escorados? Isso, volto a dizer, é uma grande fábrica de votos. É muito mais fácil o governo dar a ensinar. Tenho colegas e amigos negros que sempre foram os primeiros lugares na UFRGS em engenharia, em medicina e em direito. Hoje, um é radiologista, um é engenheiro de uma grande Estatal e o outro um Advogado renomado. Nunca precisaram de cotas, sentem-se ofendidos e humilhados quando são questionados com relação a esse assunto pífio. Entre outros negros consagrados e vitoriosos em suas carreiras, Joaquim Barbosa e Obama nunca precisaram de cotas. Lamento que pessoas como essa senhora precise. Sempre será vista por cima, pois ela própria, como outros, intitula-se assim: um ser inferior. Jamais terá o meu respeito, porque só respeito quem se faz respeitar. Sucesso para os meus colegas e sorte pra os cotistas, porque só precisa de sorte os incompetentes.
& tenho Dito.
Mr Z.q

O texto não é meu, mas compartilho tão profundamente com tudo que resolvi transcrevê-lo tal e qual.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.11.2013

Escrito por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O tempo muda com o tempo...




Ainda me lembro, com grande clareza, de um dia que fui comprar pão para minha mãe na padaria, era metade da tarde, e na volta percebi que havia água correndo pela sarjeta.
Sempre gostei dos detalhes pois é neles que habitam as mais interessantes coisas, e talvez por isso fiquei observando a água desbravar os buraquinhos e reentrâncias do asfalto, circundando pequenas pedras, sendo absorvida por morrinhos de areia, e tentava adivinhar qual seria o caminho que ela escolheria logo a frente, no próximo passo.
Lembro que nessa situação fiquei tão absorto que cheguei em casa quase três horas depois, e quando expliquei porque havia demorado tanto, minha mãe ficou zangada e meu irmão deu risada, não acreditando que eu realmente estava seguindo o curso da água, no tempo dela.
Hoje, depois de “adulto”, mal arranjo tempo para ler um livro, sentar ao pé de uma árvore, ficar em silêncio ao lado de alguém, apreciar as nuvens passearem nesse céu maravilhoso das missões...
Lembro de quando passava as tardes colhendo cinamomos ou deitado na rede, admirando a copa da árvore e assistindo o dançar das folhas com o vento permitindo passar feixes de sol. Ou mesmo quando algum passarinho se utilizava da sombra para descansar e até confeccionar um ninho.
Ficar a noite inteira acordado era um desafio muito difícil, mas era coisa de adulto, então compensava o sacrifício. Inclusive quando dormíamos sentados tentando chegar às, pasmem, 3 horas da madrugada.
Uma pitangueira era passatempo para tardes inteiras. Feliz, que a maioria delas tinham pitangas suficientes para resistir a mim por inúmeras semanas.
Andar de bicicleta desde manhã até anoitecer, sem preocupações com quaisquer compromissos.
Achávamos tempo para fazer nada, para dar atenção aos amigos, às coisas pequenas, aos detalhes mágicos de cada simples acontecimento, conseguíamos ver beleza onde hoje sequer conseguimos perceber existência, e ainda temos a insolência de perguntar o que havia de tão bom na infância e por que era tão melhor do que agora.
A vida pode continuar tão satisfatória quanto, basta que mantenhamos a criança viva dentro de nós e tenhamos clara a necessidade de continuarmos arranjando tempo para o que é importante à nossa essência.
A vida é curta demais para desperdiçarmos com a correria da vida moderna, afogados em informações poluentes. A vida é agora e é uma só. E se por acaso encontrarem um falso adulto pendurado em alguma pitangueira na cidade, podem vir conversar, pois há grandes chances de ser eu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.11.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br