Pesquisar este blog

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Obsolescência profissional



“Todo empreendedor é um visionário.”
Frase de Ana Kemper. Uma das tantas pessoas que admiro pela competência, esforço, dedicação, honestidade e seriedade. São exemplos a serem seguidos. Gente que faz!
Concordo com ela. Precisamos ser visionários para fazer as coisas acontecerem. Precisamos enxergar o que outras pessoas não enxergam. Ver anos a frente. Perceber oportunidades onde outras pessoas veem problemas.
Não é fácil, precisamos constantemente  “evangelizar” os colaboradores, os amigos, os parentes, o mercado e o que mais for. Também é difícil pisar no freio e não ficar falando sempre muito do futuro ou as pessoas não acreditam, não entendem ou não acompanham.
Também é necessário termos os pés no chão, afinal de contas apenas ser visionário e viver no futuro não paga as contas e não enche barriga.
Como encontrar a medida certa nessa complexa equação? Como participar e ser bem sucedido em um mercado com esse nível de hostilidade?
Investindo em qualificação. Estudando. Aprendendo. Tentando ser uma pessoa mais capaz e eficaz.
Aqui cito outro exemplo, Fabio Schmitt, que um dia me disse: "estudar, estudar e estudar... esse é o caminho".
Pois bem, aqui estamos nós, empresários empreendedores, nesse sangrento oceano capitalista lutando para nos destacarmos e explicitarmos aos nossos clientes o quão capacitados e qualificados somos.
Mas isso não acontece sem o auxílio de, se não a principal parte, uma das mais importantes de qualquer empresa: o capital humano.
Lugar comum entre os gestores que está cada vez mais difícil encontrar colaboradores eficazes.
Ocorre que as pessoas não querem estudar. Não querem se qualificar. Querem ganhar mais porque acham que produzem mais, quando de fato estão fazendo o feijão com arroz.
Em qualquer negócio, em qualquer ramo, em qualquer cidade, ofereça treinamento fora do horário de trabalho e pague apenas 50% para que haja uma valorização condizente. Depois venha me dizer quantas pessoas aceitaram a proposta.
Caso a aceitação seja positiva, observe por quanto tempo e em quantos cursos.
Perceba que estamos afogados em uma lamacenta cultura assistencialista. Quero ganhar mais mas não quero me qualificar. Acho que sou bom e mereço ganhar mais, mas não quero estudar todas as noites durante alguns anos, nem “perder” finais de semana com a cara enfiada nos livros ou em treinamentos.
Mas quero ganhar mais porque sou bom. Meu perfil é excelente e entrego um resultado diferenciado.
Se seu perfil fosse bom, você estaria permanentemente se qualificando. Sem qualificação necessariamente seu resultado não é satisfatório. Pode ser dentre os piores o menos pior, mas não significa que seja bom.
Mas a empresa não me valoriza, porque vou me qualificar para trabalhar nela? Experimente se qualificar para ver se a empresa não vai lhe reconhecer. E se não o fizer, troque de empresa.
Atualmente no mercado as pessoas “obsolescem-se “ e não querem ser descartadas, e isso é paradoxal pois em tudo, nas próprias vidas que ocorre o mesmo, elas descartam.
Não há esforço e querem ser reconhecidas. Não há visão ou acompanhamento e exigem participação no processo decisório.
Quem não se qualifica não merece trabalhar em empresas qualificadas. Boas empresas demandam bons profissionais. Excelentes empresas demandam excelentes profissionais. Empresas medíocres se contentam com os profissionais que tem. Invista em si, qualifique-se, estude e valorize seu passe, depois assista alegremente os cifrões entrarem em sua conta.
Não foi por acaso que quando assumi a Imobiliária Jaeger troquei 70% das pessoas e também não é por acaso que hoje mais de 50% dos meus colaboradores está estudando. Isso diferencia pessoas e posicionamento.

Não há como ser competitivo com preguiça e má vontade. Ou você acredita e se esforça, ou será substituído por estar obsoleto.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 22.08.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Fiasco

Sabe... fico pensando... Realmente a mandioca é uma das maiores conquistas do Brasil, afinal de contas conquistar a mandioca não é para qualquer um. Pense bem, a conquista da mandioca é algo que os índios fizeram, com toda sua cultura e tecnologia, então devemos realmente valorizar.
Assim como a bola, que também é uma das maiores conquistas dessa erudita nação. Ela é justamente o símbolo que nos distingue como Homo  e Mulheres Sapiens, essa é a importância dela.
Aliás, acredito que essa seja a grande meta do Brasil. Porque não estipulamos uma meta, essa meta fica aberta e então quando atingimos, dobramos a meta que não havia sido estipulada. Simples, fácil, óbvio e lógico assim!
Afinal de contas nosso país é o mais importante da galáxia, tanto que a via láctea é fichinha perto da galáxia, mesmo que a via láctea seja a nossa galáxia.
E esse é o nosso legado. Um legado que deixaremos antes, durante e depois de nossa existência. Inovando na forma de legar.
Estranho e confuso? Bem, quem está um pouco contextualizado com as atualidades da nação entende a origem destas.
Atualmente (últimos 15 anos) somos governados por gente que sequer consegue construir uma frase coerente. Como pode confiarmos uma nação à gente que nem falar sabe?
Se não sabe falar, certamente não sabe escrever e muito menos fazer contas. Imagina então planejar e pensar estrategicamente.
Se não analfabetos completos, certamente analfabetos funcionais e mais ainda no âmbito da gestão.
Gerir uma nação, ao contrário do que a massa ignorante acredita, não é para qualquer um. Não basta ter assessores bons e estar cercado de gente que entende. É necessário também saber o que está fazendo.
Ou você conhece algum empresário bem sucedido que não entenda de seu negócio, não saiba sobre a gestão de sua empresa e coloque tudo no colo de seus gerentes que entendem de tudo por ele? Uma empresa assim não daria certo.
Honestamente esse é um dos maiores erros do sistema estatal. A desqualificação dos políticos!
E o povo, obtuso, míope, cognitivamente incapaz e alienado, continua votando em gente assim. Como progrediremos desta forma?
Não acho que resolva alguma coisa o impeachment da Dilma, mas tenho certeza da obrigatoriedade enquanto povo e nação de irmos à rua protestar e manifestar nossa insatisfação ante a toda barbárie que está ocorrendo nesse rascunho que sonhamos um dia se transformar numa nação digna de gente honesta, eficaz e competente.
Todos na rua dia 16/08/2015 em protesto a toda essa orgia administrativa que acomete nossa tupiniquim terra. Em revolta pública à política de anistiar dívidas à Africa (perdão sobre 79% da dívida que o Congo-Brazzaville mantinha pendente com o Brasil há quatro décadas. O débito somava US$ 353 milhões. O governo brasileiro renunciou a US$ 278 milhões. Aceitou receber US$ 68,8 milhões — em até 20 parcelas trimestrais até 2019 —, do país que é o quarto maior produtor de petróleo da África.), cuba e outros e não auxiliar um dos estados federativos que mais contribui financeiramente que é o Rio Grande do Sul. Tirou 16 Bi da saúde para aplicar 17bi em propaganda políticas. Doou 7 bi para Angola cujo presidente pagou 250 mil para transar sem camisinha com uma prostituta. Entre tantas outras afrontas ao povo.
Abaixo as frases originais da presidentA em seus discursos só em 2015. E não se iludam, seu antecessor, o presidentO não fica longe.
“E aqui nós temos uma, como também os índios e os indígenas americanos têm a dele, nós temos a mandioca. E aqui nós estamos comungando a mandioca com o milho. E, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil.”
“Acho uma das maiores conquistas do Brasil. (…) Eu acho que a importância da bola é justamente essa, o símbolo da capacidade que nos distingue como… Nós somos do gênero humano, da espécie Sapiens. Então, para mim essa bola é um símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em Homo sapiens ou “mulheres sapiens”.”
“Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta.”
“Paes é o prefeito mais feliz do mundo, que dirige a cidade mais importante do mundo e da galáxia. Por que da galáxia? Porque a galáxia é o Rio de Janeiro. A via Láctea é fichinha perto da galáxia que o nosso querido Eduardo Paes tem a honra de ser prefeito.”

Eu acredito que nós teremos uns Jogos Olímpicos que vai ter uma qualidade totalmente diferente e que vai ser capaz de deixar um legado tanto… porque geralmente as pessoas pensam: ‘Ah, o legado é só depois’. Não, vai deixar um legado antes, durante e depois.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 15.08.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Assumir erros



Assumir erros não é um hábito muito comum, sobretudo aos brasileiros.
Quando somos crianças costumamos negar as coisas que fizemos ou colocarmos a culpa em algum coleguinha, por medo das consequências, das repreensões, dos castigos, ou mesmo de um bom laço.
Depois, conforme vamos crescendo e vamos evoluindo, começamos a assumir nossas atitudes e finalmente quando adultos, somos inteiramente responsáveis, certo? Errado!
As pessoas crescem e aprendem com o exemplo dos adultos e de toda a sociedade, que salvo algumas exceções, costumam mentir para tirar algum tipo de vantagem.
A prática começa desde as coisas mais banais, e vai tornando-se hábito até que finalmente acaba virando compulsão.
Então chega um ponto em que as pessoas simplesmente perdem o caráter e começam a deslavadamente mentir para tirar algum tipo de vantagem, qualquer que seja.
Vejo que as pessoas mentem pequenas coisas e acreditam realmente que não há mal nisso, afinal de contas foi por uma “boa causa” ou por um “bem maior”.
Esses dias uma conhecida minha tinha esquecido de avisar seu professor particular que não compareceria em sua aula. Quando lembrou já era tarde. Então ela me disse: “vou ligar e dizer que não pude avisar pois estava sem sinal ou com um cliente, sei lá...”.
Nesse momento eu disse: “Mas isso não está certo. O correto seria ligar para ele e falar a verdade informando que esqueceu do compromisso, pedir desculpas, compromete-se a não repetir o erro. E arcar com as consequências, caso haja”.
Ela ainda resistiu argumentando que ele certamente ficaria triste e se sentiria menosprezado, afinal de contas esquecer de sua aula acabaria em algum grau lhe ofendendo.
Eu disse que ela quem sabia, mas que se fosse o contrário ela não gostaria.
Perceba, começa com coisas simples e acaba se estendendo ao ambiente familiar, ao trabalho, aos amigos e contamina sua vida por completo.
Fazer a coisa certa é um hábito e precisa ser permanentemente reforçado sempre com pequenas ações e normalmente envolve empatia.
Tem muita gente que ao primeiro sinal de erro já pula longe e começa a desesperadamente pensar em uma desculpa ou como transferir a culpa para alguém.
Isso acaba gerando outro problema, mais grave ainda. Quando as pessoas fazem algo, não se preocupam em responsabilizar-se pelos atos no futuro, afinal de contas basta dar uma desculpa e tudo acabará bem.
Então iniciam negócios de maneira errada, parcerias de maneira errada, relacionamentos de maneira errada e depois ainda tem a cara de pau de alardearem que não entendem porque algo não deu certo.
É muito simples. Se todo mundo antes de fazer algo tivesse ciência de que precisa responder por tudo que faz, e que se aquém da sua vontade algo ocorrer precisará arcar com isso, certamente teríamos um mundo muito mais direito.
Isso, prezados, é o óbvio. Deveria ser básico e chega a ser ridículo de tão certo, mas ao mesmo tempo tenho convicção de que muita gente que está lendo isso está ironizando e pensando que sou um sonhador utópico e que isso não é capaz de existir jamais no mundo em que vivemos.
Pois eu asseguro-lhes de que isso existe sim, sobretudo fora do Brasil. E que não só pode como deve ser praticado de todas as formas. E mais, tem muita gente que compartilha dessa filosofia e está praticando ativamente a política do fazer a coisa certa.
Sem qualquer demagogia. Não é pelo bem maior da humanidade – mesmo que isso acabe refletindo – mas sim por uma questão de caráter.
E você, prefere ter qualquer tipo de relação com alguém que faça a coisa certa, ou com alguém que faça, independente de como?
No meu ramo muita gente acaba optando pela concorrência por algum benefício efêmero, como a rapidez na locação por exemplo, e depois acaba voltando pois o inquilino não possuía as garantias necessárias, o imóvel foi entregue depredado, etc.
Comportamento sempre reflete no profissional e pessoal.

Escolha muito bem as pessoas a estabelecer qualquer tipo de relação, elas dirão muito sobre você.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 08.08.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Uber




Você ouviu falar “nesse tal” de Uber?
“O Uber é um aplicativo que liga pessoas à motoristas profissionais para fazer corridas de carro. É semelhante aos táxis, mas oferece conforto e facilidades que têm agradado muitos clientes.”
Então agora os taxistas estão protestando revoltados com o software que está, segundo eles, roubando seus clientes e prejudicando seu mercado.
Façamos então um pequeno exercício reflexivo: Todo mundo reclama nos grandes centros (e as vezes até no interior) da escassez de táxis. Então o mercado desenvolve uma forma de suprir uma carência e alguns se acham no direito de proibir a livre concorrência.
Os taxistas alegam ser injusto pois eles precisam pagar uma licença cara, precisam de alvará e são submetidos a constantes fiscalizações.
Essas licenças não são mais disponibilizadas pela maioria das prefeituras faz anos então o próprio mercado arranjou uma forma de se adequar oferecendo alternativas à falta desse tipo de transporte.
A aquisição de carro para finalidade de transporte (táxi) tem um desconto considerável, além de utilizarem GLP que barateia significativamente o valor do KM rodado.
Ninguém proibiu os taxistas de utilizarem o Uber. Se estão descontentes e achando caro e injusto, vendam sua licença e seu veículo e adquiram outro dentro dos moldes requisitados pelo aplicativo.
Para se cadastrar e poder oferecer o serviço é necessário seguir algumas normas.
“Os modelos dos carros: os carros dos motoristas profissionais cadastrados tem pré-requisitos para se filiarem ao aplicativo. É preciso que o carro seja novo e em excelentes condições, modelo mínimo 2009 – sendo que a maioria dos usados no Brasil são de 2012 a 2015 – ter ar condicionado ligado (item obrigatório), e ter água mineral disponível a vontade para o passageiro. Os utilizadores do Uber Black tem à disposição modelos mais sofisticados como o Toyota Corolla, Honda City e Ford Fusion, com banco de couro.
Os motoristas: Para trabalhar para o Uber, os motoristas precisam ter carteira de motorista profissional e seguros pessoal, para o carro e passageiros. Os selecionados passam por um treinamento curto sobre o padrão de atendimento, onde são orientados a serem o mais educado possível, abrir a porta para que o passageiro entre e saia do veículo. O motorista coloca a música que você desejar e oferece água. Tratamento especial para o usuário do aplicativo é pré-requisito.”
Você vê isso em táxis? Eu não!
Então vejo essa iniciativa dos taxistas como todas as outras porcas iniciativas e movimentos obtusos que visam refrear a evolução das relações comerciais, querendo judicialmente ancorar caminhos que invariavelmente vieram para ficar, transformando o atual cenário da economia e de como as relações são feitas.
Imagina se cada inovação revolucionária fosse vista assim, e aqui cito o exemplos do Netflix, youtube, napster, torrent, superplayer e spotify. Em todos houve resistência, e todos vieram para ficar, revolucionaram e hoje muita gente não vive sem.
Reforço o que sempre digo: as pessoas precisam se qualificar e se adaptar as mudanças do mundo. Se o público comprou a ideia, então precisa ser visto como oportunidade de negócios e não como algo a ser boicotado e extirpado.

Em apoio ao Uber!


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 01.08.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Discriminação pós moderna



Por acaso acabei assistindo a um episódio de um seriado que encontrei num site de resenhas e, para a minha feliz surpresa, não só a resenha ou mesmo o trailer, mas também e principalmente a série se mostrou deveras interessante.
Acabei me dando a oportunidade de assistir ao menos dois episódios para ver se seria mesmo bom. O nome não era muito convidativo e o trailer era “maisomédio”. O nome é Resurrection.
Conta a história de um menino que acorda em meio a uma plantação, na China, e não sabe o que aconteceu. Acaba parando na imigração americana que o leva aos EUA. Chegando lá explica ao policial encarregado de sua custódia sobre sua cidade de origem.
O policial o leva até sua suposta casa e ao chegar é recebido por um senhor, já idoso, que não gosta da “brincadeira”, pois, quando o policial informa que encontrou seu filho, o senhor fica bastante irritado e informa que seu filho faleceu há 32 anos.
porém, quando o senhor e sua esposa veem o menino percebem que ele é realmente seu filho. Fazem teste de DNA e dá positivo.
Ocorre que um tempo depois mais pessoas começam a surgir, todas ressuscitadas. Gente que morreu há 100 anos, outros que morreram há 50, alguns que morreram no ano anterior...
O legal é que o seriado mostra o que passa na cabeça dos retornados. Para eles, foi um piscar de olhos e acordaram anos depois. Não entendem o que aconteceu.
Eles não mudaram, continuam pensando da mesma forma e sendo as mesmas pessoas. O mundo mudou. E o mundo não os aceita. Não aceita eles do jeito que são. Não os entende.
Simplesmente por serem diferentes eles começam a sofrer todo tipo de discriminação e preconceito. Querem isolá-los, mata-los, queimá-los na fogueira, etc., os enxergam como demônios.
Depois de assistir fui dormir pensando, chocado, quanto à semelhança com o mundo atual. Não que pessoas voltem à vida, mas com certeza muita gente nasce de um jeito que não escolheu ser, e apenas por ter nascido, tal e qual os ressuscitados, começa a sofrer todo tipo de preconceito e discriminação.
Eles não escolheram voltar anos depois, eles não se sentem diferentes. Eles se entendem normais e as pessoas os tratam como se não devessem existir.
Pensem, hoje o que acontece com negros e homossexuais é exatamente isso. Pessoas que simplesmente por nascerem de uma forma que para a limitada cabeça de muitos é anormal, precisam ser extirpados da sociedade.
Não acho que quem quer que seja possa ou deva forçar uma sociedade a aceitá-lo contra sua vontade. Se quer ser aceito por uma determinada sociedade, então deve se adequar aquela realidade. Agora querer ser aceito agredindo, não funciona.
Mas não é o caso da maioria. Negros apenas por terem pele escura são tratados como se fossem “menos gente”. Como se fossem inferiores e devessem ser tratados diferenciadamente.
Homossexuais sofrem diariamente em todos os lugares apenas por pensarem diferente e optarem por uma conduta diversa do que a maioria.
Fico pensando... tá mas e daí? O que o povo tem a ver com o que cada um faz com seu corpo (desde que não perturbe a liberdade alheia e as normas sociais que estão inseridos)?
Por que motivo as pessoas simplesmente não cuidam de suas vidas e insistem em preocupar-se com outras pessoas que não mudarão em nada seu dia a dia, sua vida, sua realidade?
Penso que esse povo todo deveria se preocupar mais em como ser feliz, em como atingir seus objetivos, em como ocupar melhor seu tempo e seu cérebro do que ficar querendo influenciar a vida dos outros. E sim, isto também vale para negros e homossexuais, afinal de contas, são todos iguais.

O que muda é cor da pele e comportamento e isso não deveria influenciar o mundo moderno que se intitula esclarecido e livre.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.07.2015
@rjzucco

rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2015

Você é honesto? (parte II)


Continuando a reflexão sobre ética, corrupção e honestidade.
Quando você bebe, dirige? Mas você sabe que é errado e ainda assim dirige, afinal de contas não faz mal para ninguém. Ninguém ficará sabendo. Faz diferença realmente se alguém vai ficar sabendo?
Então quer dizer que se você matar ou estuprar alguém e ninguém ficar sabendo pode? Isso é ético e legal?
Se você sabe que não pode dirigir e beber, então por que faz? Sabe que está errado.
Novamente fazendo o vínculo com a política. Falar mal deles e apontar o dedo é muito fácil, mas se na sua realidade quando lhe cabe você não é honesto e ético, como pode hipocritamente querer que os políticos não furtem e aprontem na realidade deles?
A situação é a mesma, independente do que diga.
Esses dias uma amiga estacionou seu carro em frente a uma garagem, alegando que seria bem rapidinho, e que tinha certeza que o outro carro não sairia nos próximos 15 minutos (clarividência?).
Perguntei a ela se sabia que estava errado colocar o carro na garagem. Ela disse que sim. Então argui: se sabe que está errado então porque fez? No que ela respondeu: porque era rapidinho e não faria mal a qualquer pessoa.
Eu aleguei que ela não sabia se não faria mal e que independente disso, o que é errado é errado, não importa o que seja. Como pode ela falar mal dos que fazem as coisas erradas se quando é a vez de ela dar o exemplo em seu dia a dia fazendo a coisa certa, ela peca?
Perguntei se um “estuprinho” rápido ela também fazia. Ou se um “furtinho” de pouca coisa ela fazia. Ela ficou ofendida e disse que óbvio que não. Isso ia contra os seus valores.
Então perguntei: Quais são os seus valores? Como você define que até certo ponto você é ética e faz a coisa certa e depois daquilo é errada? Acredita mesmo que exista isso? Ou você possui os valores e eles não são negociáveis, ou você não os possui e então está se corrompendo diariamente por qualquer bobagem.
É chocante começar a pensar assim, pois entendemos quantas coisas erradas fazemos o tempo inteiro pensando que os fins justificam os meios, ou mesmo que por que não vai fazer mal para alguém então não tem problema.  Ainda pior, como ninguém está vendo então pode.
Se você está cruzando um semáforo de noite, e ele fica vermelho, não tem movimento, ninguém está vendo, é perigoso ficar parado sozinha a noite no sinal vermelho pois podem lhe assaltar, o que você faz?
Você aguarda o semáforo ficar verde pois é a coisa certa a fazer? Ou os fins justificam os meios, você se corrompe e passa, afinal de contas sua incolumidade física, seus bens e sua saúde são mais importantes que esse reles valor de fazer a coisa certa e ficar aguardando o semáforo abrir novamente?
Eu particularmente não vejo carros parados no semáforo vermelho à noite. Mas vejo essas pessoas reclamarem dos políticos corruptos, vejo reclamarem dos estelionatários, falarem mal dos estupradores e dos assaltantes. Não os vejo fazendo sua parte.
Embora me policie arduamente e sempre tente fazer a coisa certa o tempo inteiro, sei que em vários momentos acabo fazendo a coisa errada, arranjando as mais variadas justificativas. E isso me coloca no mesmo balde de todos. Ok, não sou perfeito e nunca disse que era.
A diferença é que me policio, tanto a mente quanto atitude e quem convive comigo chega a irritar-se com essa história de fazer a coisa certa, não tirar o cinto, não estacionar em garagens alheias, não beber e dirigir, não fechar negócios que prejudiquem alguma das partes.
Não é à toa que temos praticamente 50 anos de casa. Muitas empresas surgiram e desapareceram nesse período. Muita gente pensa no agora. No lucro a curto prazo. Em vender por vender e não em política ganha-ganha. Não em satisfazer o cliente. Não em relacionamentos duradouros. Tanto isso é fato que quem pensava assim não trabalha mais conosco. Perdemos negócios e dinheiro DIARIAMENTE, mas fazemos a coisa certa. Os valores não são negociáveis.
Você está fazendo sua parte? Está dando exemplos saudáveis aos seus filhos? Está seguindo o caminho correto para poder reclamar dos políticos corruptos?

Pense bem antes de estufar o peito e reclamar dos outros. O famoso telhado de vidro.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.07.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Você é honesto? (parte I)


Fazendo um curso sobre negociações onde conversamos bastante sobre a política do ganha-ganha, chegamos no impasse da ética.
Honestamente, a ética é uma qualidade quase extinta no mundo hoje em dia. As pessoas simplesmente não se importam com os outros, querem sempre tirar vantagem sobre alguém.
Cito aqui três exemplos bem claros e simples. Começando pelo mais básico até o mais chocante.
Uma das dinâmicas do curso era negociar determinado produto um a um, de forma a concluir o negócio e ambos ganharem. Depois de conclusa a compra, ambos conversavam sobre as condições que poderiam ter flexibilizado. E o mais comum em todos os casos era as pessoas arrependerem-se por não ter espremido mais, não ter tirado mais vantagens ou auferido mais lucro. Mas se a negociação ocorreu, e foi bom para ambos os lados, então por que eu deveria ter espremido mais? Por que preciso ganhar mais e tirar mais vantagens? Por que não posso ficar satisfeito com o que foi atingido, sendo que estava dentro das expectativas?
Outra dinâmica falava sobre a negociação e a livre concorrência, onde não há qualquer tipo de conversa ou combinação prévia entre os participantes e cada um precisa escolher uma cor. São 4 grupos/empresas. Se 3 empresas escolherem azul (A) e uma escolher vermelho (V), a que tirou vermelho ganha 30 pontos e as que escolheram azul perdem 10 cada. Se 2 empresas escolherem A e 2 escolherem V, as que tiraram V ganham 20 pontos e as que escolheram A perdem 20 cada. Se 1 empresa escolher A e 3 escolherem V, as que tiraram V ganham 10 pontos e a que escolheu A perdem 30 cada. Se todas escolherem A, todos ganham 10. Se todos escolherem V, todos perdem 10.
O que se percebe nesse caso é que a única possibilidade onde todos ganham é todos apostarem A. Percebe-se também que a chance de ganhar é muito maior apostando no V, pois qualquer combinação que não for 4V, os V ganham e mesmo que não ganhem, ao menos todos perdem a mesma coisa.
Pensando em ganhar e esquecendo a política ganha-ganha, quase todos apostaram no vermelho.
Não quero ser hipócrita ou demagogo, mas o único grupo que apostou do início ao fim no azul foi o meu. Daí os colegas disseram: “Mas você perdeu! Todos apostaram no vermelho! Sua empresa quebrou e você foi o responsável”. Concordo, está certo. Até pode ser mesmo, mas tenho outra perspectiva para situação. Digamos que o V significasse roubar. Você roubaria porque todas as outras estão roubando? Justifica roubar para manter a empresa operante? Ou prefere quebrar? E se fosse ao invés de roubo, assassinato ou estupro? Você estupraria junto com as outras 3 empresas para se manter vivo e operante? Mataria para não falir?
Repare que não há uma resposta certa ou errada para tais questionamentos, embora eticamente falando a única escolha válida é fazer o que todos sabem que é certo, escolher o A. Mesmo que os outros escolham o V, o A é o que todo mundo ganha. E todos sabem disso.
O correto é apostar na política onde todos ganhem, mesmo que os outros não escolham A, a sua parte está sendo feita.
Um pai tinha um filho pequeno e o amava. Amava muito e ele sabia que era o exemplo para seu filho. Ele era o herói e o grande cara. Sua função era elevar e baixar uma ponte. Ele elevava a ponte para passar os navios e baixava para passar um trem cujos trilhos ficavam na ponte. Elevava, passava o navio, baixava e passava o trem. Um dia elevou e seu filho caiu, se ele baixasse a ponte, mataria seu amado filho, mas salvaria todas as pessoas no trem, em torno de 300. Se não baixasse, salvaria seu filho, mas mataria 300 pessoas. O que é certo?
No fundo todos entendemos que o que deveria ser feito é salvar as 300 pessoas, as mães grávidas que estavam lá, os bandidos que mereciam uma segunda chance, as crianças, os avós. E se neste trem estivesse viajando o cientista que descobriria a cura do câncer e salvaria a humanidade?
Se você fosse essa pessoa, confesse, salvaria seu filho.
Isso significa que você é corrupto, pois pensaria em você e em seu filho e não nas 300 pessoas e dane-se o mundo.
Quando fala dos políticos corruptos, eles são monstros malvados. Se você estivesse lá não se corromperia. Será? Acabou de provar que na primeira oportunidade não hesitaria em pensar em si frente a outras pessoas.
Hipocrisia e demagogia.
Faça a sua parte antes de reclamar e falar mal dos outros.
O certo é o certo mesmo que ninguém faça e o errado é errado mesmo que todos façam. Nosso grupo continuou colocando o A mesmo que ninguém mais estivesse fazendo, porque era o certo. Os outros grupos continuaram colocando o V mesmo sabendo que era o errado, pois pensaram em ganhar, pensaram em si. E acreditaram que para ganhar alguém teria que perder.
Nós consideramos que todos deveriam ganhar.
Reflita. Você ainda se acha honesto e que os políticos láaaaa longe é que são os corruptos?

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.07.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 21 de julho de 2015

Grupos de extermínio



Assistindo ao jornal da manhã, que como todos os demais reserva boa parte de seu tempo para falar de sensacionalismo, fui acometido por um recorrente sentimento de revolta contra a torta justiça brasileira.
É sabido por toda a nação que não temos mais espaço em presídios e/ou cadeias para tanto bandido. Também é de conhecimento comum que essa marginalia toda quando é pega, nunca aprende ou se redime. Quase na totalidade dos casos voltam a reincidir com crimes piores, aprendidos na escola da prisão. E com os melhores e mais graduados professores.
Muitos sequer dão-se ao trabalho de esconder ou omitir que quando forem soltos, tornarão a matar. E a justiça? E a polícia?
Sei que a maioria dos policiais é honesta, está na profissão por acreditar que pode proteger o povo e limpar as ruas dessa corja. Mas sei também que eles sentem-se cada vez mais de mãos atadas.
Eles sabem que os meliantes serão libertos em pouco tempo, e que podem acabar sofrendo rechaças, inclusive familiares.
Todos temos consciência, lá no fundo, que essas pessoas não tem correção e que independente da quantidade  de oportunidade que for oferecida, valores e caráter não se mudam.
A sociedade, formada também por policiais tanto da ativa quanto da reserva, entendendo essa triste realidade e inconformada com a falta de justiça e com a impunidade, resolveu agir por conta própria.
Foi preso recentemente um grupo de extermínio. A imprensa noticiou como se eles fossem os bandidos. A polícia federal estava atrás deles e conseguiu pegá-los. (PF que por sinal está entrando para história no que se refere a prisões de políticos, corruptos e etc. Nunca vi o Brasil prender tanto)
Então eu pergunto: Por que não deixaram esse pessoal continuar a limpeza? Esse bando de assassino e estuprador continuará parasitando a sociedade e eles estão fazendo nada mais do que uma higiene social a qual a polícia não pode.
Isso significa que eles estão fazendo um trabalho comunitário na verdade.
Ironias à parte, o que revolta a nós, cidadãos, é que para pender esses caras há lugar na cadeia, há contingente policial federal e a justiça funciona. E para proteção do cidadão que é assaltado, violentado e humilhado nunca há contingente suficiente. Para prender políticos corruptos não há polícia federal nem nada.
Então quando uma parcela da população resolve fazer justiça/vingança com as próprias mãos, considero completamente compreensível.
E digo mais, essas pessoas que estão tentando fazer o papel de batmans modernos – texto que diga-se de passagem também já escrevi – não estão erradas sob sua perspectiva. Mesmo que a vida seja o bem maior defendido constitucionalmente, a coletividade e o bem comum se sobrepõe.
Matar marginal, assaltante, assassino, estuprador e tirá-los do convívio social é visto por pessoas que costumam ser açoitadas como uma higienização social.
Mesmo que seja completamente ilegal esse tipo de milícia, eu gostaria que grupos assim existissem onde moro.
Em tempo. Entendo que o dever de punição justamente foi transferida ao estado para que não houvessem mais vinganças pessoais, eis que estas são infinitas. Entendo também que a lei de talião não cabe mais na sociedade atual e que a lei e a justiça estão aí para isso. Sei que com cidadãos mantando outros cidadãos, ainda que estes últimos sejam meliantes, temos a equiparação dos dois grupos: matam por motivação diversa, mas tiram a vida de outrem sem que lhe seja dado este direito e que bem nenhum se sobrepõe à vida. Ocorre que na pratica a teoria não funciona e o povo está buscando alternativas.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.07.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Privatização



Há duas linhas de posicionamento quanto à privatização e, via de regra, ninguém opta pelo caminho do meio. Ou se é a favor ou se é contra e fim de papo.
Na maioria dos lugares do mundo atualmente há uma coabitação entre setor privado e estatal. O que se discute é o tamanho e o papel de cada um.
Pois bem, os que são contra a privatização defendem que ficamos dependentes de tecnologia e da economia de outros países pois todo o lucro vai para os donos das empresas. Que precisamos manter a soberania nacional não colocando na mão de empresas estrangeiras partes estratégicas para o desenvolvimento nacional; que seria um roubo à nação que pagou impostos para que fosse instituída determinada empresa pública e isso seria “dado” a empresários; que geraria desemprego em massa; que constitucionalmente o governo precisa prover sem custo determinados serviços e, se for privatizado, isso será cobrado. E por aí vai...
Na verdade a grande questão não é sobre privatizar ou não, embora eu já deixe bem claro que sou um acalorado defensor desta, e sim sobre gestão e gerência. Tem a ver com interesse público.
Eu, enquanto cidadão pagante de impostos, gostaria de ter a contrapartida de tudo que pago, como saúde de fundamento, educação de qualidade, estradas descentes para se trafegar, professores com salários honestos, etc.
Na verdade, as pequenas partes de asfalto que prestam são as de concessionários de pedágio. Quando a iniciativa privada colocou a mão, o trecho foi duplicado e qualidade foi incrementada sensivelmente. Antes de privatizarem a telefonia, um telefone custava um absurdo e ficávamos dois anos na fila para conseguir uma linha. Hoje temos livre concorrência, habilitamos novas linhas na hora e ainda ganhamos aparelhos grátis.
Tudo que está na iniciativa privada funciona. Nada do que está na mão do governo vai bem. A última instituição que era o último exemplo de quem defende estatização caiu, que é a Petrobras. Tanto que os próprios funcionários e auditores reconhecem que para ajustar, só privatizando.
Hoje as empresas públicas são cabides de empregos. Um monte de gente encostada, languida, fazendo serviço porco e preguiçosamente. Na iniciativa privada ou se produz ou está na rua.
Pegue o exemplo de hospitais. Os particulares estão crescendo cada vez mais, enquanto os públicos estão cada dia mais sucateados. Os médicos não querem trabalhar em SUS, ou o que seja, devido à falta de condições.
Escolas e universidades particulares crescem a uma velocidade espantosa enquanto as públicas mal tem bibliotecas decentes. Nem mesmo estrutura física básica eles possuem. Salas com goteiras, classes caindo aos pedaços.
Se não sabe gerir o negócio, pare de possibilitar que corruptos coloquem a mão e deixe quem sabe administrar fazê-lo. Antes ter a maior parte do lucro indo para outro país e ter um serviço de qualidade do que botar privada abaixo todo o dinheiro de impostos direto na conta de políticos corruptos.
Ainda que o lucro vá para fora, uma gigantesca parte de dinheiro fica aqui pois toneladas de impostos seriam pagas. Outra, além de não termos que pagar os salários de uma tropa de gente, isso seria custeado pela respectiva iniciativa privada.
E quanto a quem não tem condições de pagar? Pois bem, esses teriam livre acesso mediante comprovação de falta de condições.
Obviamente que tudo que fosse privatizado seria abatido de nossos impostos, senão não haveria sentido algum.
Chega de sustentar ladrões, corruptos e preguiçosos. Chega de ficar parado no tempo. Chega de aceitar quieto péssimo atendimento e serviços. Privatizemos!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 27.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2015

Não tem medo que nasça assim?



Estava aguardando em uma fila e ouvindo as conversas das pessoas que trabalhavam na instituição enquanto falavam sobre comportamento alheio.
Não paro de me surpreender com a pequenez dos valores humanos, ou de suas “almas”.
Comentavam sobre alguém que tripudiou uma criança com problemas motores e não quis aceita-lo como aluno pois o mesmo não ouvia nem falava e estava em uma cadeira de rodas. Pelo que comentavam o tal “maléfico” gestor/professor disse que se quisessem deixa-lo, poderiam, mas que ficaria em um canto da sala sem assistência. Que a instituição não tinha estrutura nem qualificação e que não podia dar atenção diferenciada a um aluno.
Depois do relato do fato, horrorizadas com a atitude do “monstro”, sem em qualquer momento tentar um exercício empático ou entender as limitações e regras da instituição, ou mesmo os motivos para tal conduta (e absolutamente não estou dizendo que ele estava certo, pois a princípio, da forma como foi colocado, realmente é chocante), já o condenaram.
Primeiro que as pessoas não querem justiça nesse mundo. Querem vingança, o que é bem diferente. E isso por sinal é um dos maiores combustíveis da falta de diplomacia, compaixão e articulação da atualidade.
Mas voltando ao assunto. Encerrado o relato, começaram então a falar coisas do tipo: “Ele não tem medo que o filho dele nasça assim?”, “Um dia vai acontecer com ele”, etc.
Nesse exercício de prever o mal e desejar mentalmente que agruras ocorram a terceiros, os humanos não percebem o quão baixo é o ponto em que se colocam na escala evolutiva.
O que esse tipo de gente pensa, não faz sentido. É algo como: “Ou ele deseja o bem de todos, ou Deus vai vir e fazer com que o mesmo aconteça com ele causando dor e sofrimento, huaaaaaaahahahahaha”
Não faz sentido esse tipo de raciocínio. Porque pense comigo: Eu estou analisando uma situação, que é crítica, que eu condeno, considero errada e defendo que não deveria ocorrer, e qual é a minha palavra final?
Um pensamento negativo de vingança e de sincero e profundo desejo de infelicidade a quem o praticou.
Só um pouquinho?! Como pode, incoerente humano, que você cobre de outra pessoa que seja feito algo certo, bom e positivo, se, ato contínuo, você próprio na mesma observação da situação, age tão mesquinhamente quanto?
Possivelmente seja devido a esse tipo de pensamento e conduta que surgiram tantos ditados até hoje amplamente multiplicados como: “cuide do seu rabo”, ou “suas crenças não fazem de você uma pessoa melhor, suas atitudes sim” e “antes calar que mal falar”.
Com isso, concluo deixando um pensamento que tem tudo a ver com o assunto e que fala, resumidamente, o que penso e como tento me portar dia-a-dia:
 
"Tudo o que somos é o resultado do que temos pensado.
Se uma pessoa fala ou age com pensamento ruim, a dor a segue, tal como a roda segue a pata do boi que puxa a carroça...

Se uma pessoa fala ou age com um pensamento puro, a felicidade a segue, como uma sombra que nunca a abandona." (Pensamento budista)

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 20.06.2015
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br