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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Batman Moderno

Tudo começou com a mídia falando mal da polícia, tirando o poder de coação e supressão de vândalos, bandidos, marginais e todo tipo de pessoa que se entendia no direito de sair fazendo o que bem entende, à sua vontade, independente de lei.
Um dos primeiros casos foi numa chacina onde de um lado havia colonos armados com foices, paus, pedras e o que mais encontravam pela frente e que agrediram policiais. Estes então revidaram com violência – possivelmente desproporcional – e acabaram matando alguns agitadores que invadiram propriedade que não era deles, agrediram policiais e proprietários e recusaram-se a sair.
A mídia não hesitou em crucificar os “malvados e truculentos” policiais que atacaram com violência os pobres colonos sem terra que estavam reivindicando o que, segundo eles, era seu direito (fico pensando se esse povo entrasse na residência desses mesmos formadores de opinião, o que falariam).
Depois, devido a muita palhaçada e pilantragem política, a população cansou de sua indignação passiva, e passou ao estágio de indignação ativa, saindo para rua protestar e manifestar.
Essas manifestações eram legitimas, bem como a causa e os ideais de seus participantes. Só que a ignorância do povo é ilimitada, e muitos não entenderam a oportunidade que tinham nas mãos,  resolvendo então macular todo o gesto com muito vandalismo.
Como tradicionalmente ocorre no mundo, os bons pagam pelos maus. É assim que a sociedade precisa funcionar para conviver civilizadamente. Consequência é que muita gente que não tinha a ver acabou pagando o preço.
A mídia novamente caiu forte sobre a polícia, como se eles não estivessem certos. O povo começou a ver que a impunidade vinha pelo quarto poder, que estava manipulando todos.
Hoje existe uma onde de justiceiros que cansados de aguardar a justiça tradicional e vendo que a cada dia amarram mais as mãos dos policiais, resolveram agir por conta própria.
O que preocupa é perceber que esse exemplo está sendo seguindo por pessoas de todos os lugares do Brasil, como as guerrilhas de Guevara. As pessoas estão cansadas de injustiça, cansadas de ver marginais roubando, estuprando, matando, saqueando, depredando e ninguém faz algo efetivo para cessar.
Essas pessoas que agem feito Batman dos quadrinhos estão tentando preencher uma lacuna que o governo deveria ocupar e que não o faz. Ao menos não satisfatoriamente.
E se muitas providências não forem tomadas, a cada dia continuaremos a nos aproximar mais e mais do comportamento da idade das pedras.
Não acho que eles estejam errados em se revoltarem dessa forma, embora também não fomente tal atitude. Entendo a revolta por ver tanta barbaridade e se sentir impotente. Entendo que a responsabilidade disso é do Estado. Entendo como educação faz falta.

"Cada homem sentiu em algum momento a vontade de cuspir em suas mãos, içar a bandeira preta e começar a cortar a gargantas."
H. l. Mencken.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 15.02.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 27 de março de 2014

Rolezinho?


 

Estava lendo uma opinião em uma coluna a respeito dos rolezinhos e suas discriminações e não me contive em comentar, não a coluna, mas quanto ao que penso sobre o assunto.
Eu vejo fascistas de esquerda defendendo o direito dos pobres em frequentar locais abertos ao público. O que me irrita nesse tipo de comentário é que essas pessoas, normalmente formadores de opinião, não medem as consequências do que falam.
Primeiro que o local não é público, é privado e as empresas podem sim definir quem pode ou não entrar.
Segundo que não é contra a pobreza que há animosidade e sim contra o vandalismo absurdo e descarado. As pessoas marcam essa junção toda com as desculpas mais descabidas e absurdas possíveis, onde possivelmente os próprios organizadores estejam com más intenções, e querem que o povo aceite?!
Juntar 300 pessoas para fazer um encontro pacífico com finalidade de confraternização em um local que serve para negócios, e querer que todo mundo acredite que eles iriam lá apenas para conversar e que nada mais aconteceria é até ofensa à inteligência.
Se o objetivo realmente fosse esse, parques e praças certamente seriam mais adequados. E mais, ninguém pensou por que essas mesmas pessoas “barradas” nos rolezinhos não são barradas nos outros dias? Falta um pouco de reflexão de quem aponta o dedo aos administradores.
Sigamos por essa linha e nos coloquemos na pele do dono da loja. Sabendo que muitas outras foram saqueadas e depredadas, por que diabos eu negligentemente permitiria que essa tropa desgovernada chegasse perto de meu ganha-pão?
Nessa hora ninguém fala mal dos vândalos que só querem saber de roubar e saquear, e ainda sem nenhuma vergonha – a exemplo dos políticos – dizem que eram meia dúzia infiltrada no meio da massa pacífica e ordeira.
Se fossem meia dúzia, primeiramente seria fácil de serem controlados, coisa que não ocorre. Segundo que a própria massa coibiria as ações e por fim, o resultado final não seria tão caótico e desastroso para todos.
Falam ainda que iniciou um processo de politização do brasileiro desde junho. Desde quando quebrar tudo e roubar é ser politizado? Desde quando baderna e algazarra é sinal de evolução?
“Ah, mas as pessoas querem demonstrar suas insatisfações” Quebrando tudo? Então se eu não gosto de uma comida quebro o prato e todo o restaurante que me vendeu? Não gosto do atendimento, espanco o atendente? Não gosto de um comentário do facebook, ataco quem escreveu até que ele se sinta pior que o estrume do cavalo do bandido? Não gosto dos políticos, quebro tudo que é de órgão público? Não gosto de rico, quebro o shopping? Não gosto de policiamento, falo mal e espanco a polícia?
E ainda tem gente que defende que o brasileiro está evoluindo, ficando mais politizado, pensando mais coerentemente. Quem diz isso entende de Brasil? Não podemos usar o Rio Grande do Sul ou o sudeste como parâmetro, pois somos diferenciados. E ainda assim portamos indignação passiva e assistimos novela sabendo que é desconfortavelmente burra, e Big Brother nos iludindo que estamos de certa forma aprendendo sobre comportamento humano.
Imaginem o resto do Brasil que tem um nível de escolaridade muito inferior e que também vota e estão em muito maior número e entenderão porque temos os políticos que temos e o Brasil está como está.
Você ainda é a favor do rolezinho? Deixe-os passar perto de suas propriedades então.
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 08.02.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Copa? E nós?






Quase época de copa e a mídia continua se esforçando para denegrir a imagem da polícia. Não sei como o pessoal dos direitos humanos conseguiu entrar tão profundamente nas entranhas da engrenagem da sociedade brasileira atual.
Vamos falar um pouco dos presos então, já que a polícia é tão ruim, nada do que eles fazem presta, nada serve, nada está bom. Absurdamente conseguem enxergar coisas ruins em qualquer ação.
Já que os estádios não ficarão todos prontos, pergunto aos brasileiros. Alguém tem uma noção real do montante gasto em estádios. Estou falando de dinheiro público e falando de gastos diretos e indiretos. Incluo nisso também os desvios e subornos.
Desafio alguém apostar a própria mão em um número qualquer, pois o mais entendido sabe que certamente não há como falar com certeza.
Enquanto isso os direitos humanos, que são contra a polícia que botará ordem nessa bagunça toda do governo, fomentam que a instituição seja açoitada em mídia pública quando prende marginais e delinquentes. Chegam a usar a falta de locais em presídios como argumento. As más condições carcerárias são de conhecimento comum. Na verdade hoje são faculdades para marginais.
Será que só eu pensei que deveríamos então investir em melhores condições prisionais? Em mais treinamento e qualificação para quem nos protege? Em melhores salários para quem realmente merece – como polícia e professores e não vereadores, deputados e senadores - ?
Sempre digo que falar mal e criticar é fácil, difícil é trazer uma solução. Eu trago várias então. Cancelem essa porcaria de copa, invistam todo dinheiro possível em educação e segurança, e nisso incluo as respectivas infraestruturas. Aprovem a pena de morte para desgraçados que não tem correção e que falam abertamente que vão continuar matando, fazendo e acontecendo. Iniciem um programa de qualificação dentro das cadeias de forma a forçá-los trabalhar e produzir.
Algo como quebrar pedras, colocar trilhos, carpir inços, fazer coisas que a população recusa, fazer trabalhos onde sempre há falta de mão de obra. Fazer esse bando de vagabundo com horror de tempo e saúde sobrando produzir algo para o estado de forma a, no mínimo, custear a própria cadeia.
Pode aproveitar, de quebra, e colocar os milicos que também fazem pouco nesse balaio. Insira-os no programa e faça-os monitorarem esse povo todo. E aqui deixo claro antes que venham, mais uma vez, deturparem minhas palavras. Não sou contra o exército e acho-os extremamente necessários para a defesa da soberania nacional. Sei que não são todos os que ficam coçando, assim como sei que muitos outros tantos o fazem sim. Para esses que também acabam sendo parasitas sociais, visto que é do mesmo governo que eu pago imposto que saem seus soldos, e apenas para esses com tempo disponível, deveriam ser inclusos como algum tipo de polícia desse pessoal que estará produzindo para pagar a própria cadeia. Afinal, o soldo está sendo pago mesmo!
O problema do Brasil eu digo e sempre repetirei – espero que não até morrer – é a falta de investimento na educação. Os governantes querem se privilegiar da falta de intelecto da massa ignorante para continuarem se reelegendo. Viva o pão e circo! Viva o bolsa carteira de habilitação! Viva as cotas para negros em concursos públicos! Viva o bolsa quem tem mais filhos que continue vadiando! Viva o bolsa dei apartamento e agora dou móveis! Viva o bolsa o diabo a quatro! Viva os novos estádios super super super faturados! Viva os ingressos para “o povo” ao custo de R$ 2.000,00! Viva a copa do mundo no BraZil!!
E viva a ignorância do povo que não vê o que está claro!
“A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor a sua escravidão. (Aldous Huxley)”
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 01.02.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Vocabulário?!





Ultimamente a mídia tem se esforçado em convencer suas audiências de que o Brasil está lendo mais. Honestamente, acho que isso é mais uma vez a tal da estatística mascarando verdades.
Eles alegam que a venda de livros aumentou. Isso é ululante, se a população aumenta e o percentual de pessoas que lê permanece, a quantidade absoluta aumenta. Mas as pessoas e a mídia atêm-se apenas aos valores absolutos e afirmam falaciosamente que a nação está lendo mais.
Usam também como subsidio embasatório a quantidade de livros vendida. Comprar não significa ler! Posso presentear qualquer pessoa, e não significa que irá sequer retirar da embalagem.
A prova que a população não lê está no vocabulário. E olha que estamos no Rio Grande do sul, um estado que juntamente com o sudeste está entre os com nível cultural mais elevado. Ainda assim é assustadoramente quase impossível encontrar alguém que saiba falar corretamente.
Vou um pouco mais fundo nessa análise. Experimente falar corretamente e veja a cara que as pessoas lhe olham. Não é força de expressão, elas lhe repreendem com o olhar – quando não com palavras – ao ouvirem um “tu vais até a esquina e pegas a primeira à direita”.
Ainda lhe respondem com algo do tipo: “Não seje tão formal cara, cada dia tem menas pessoas se preocupanu com isso, elas podem até tá meia errada e acredito que tejem, mas precisemo relaxar”.
Não é necessário ir muito longe para ouvir qualquer das palavras erradas supracitadas. Ou se adapta e mistura um “tu” (segunda pessoa do singular) com a conjugação do “você” (terceira pessoa do singular), ou lhe chamarão de metido, cheio, arrogante...
Se as pessoas lessem, necessariamente, seus vocabulários seriam melhores, assim como sua capacidade de interpretação, concentração e principalmente criatividade, visto que quando se lê algo, conforme vai seguindo a linha de raciocínio do autor, imagina todo aquele universo em sua mente.
A leitura acrescenta nossa capacidade de raciocínio e comunicação de uma forma tão ampla e positiva que chega a ser difícil a convivência com pessoas que não a praticam. Aqueles que preferem esperar o filme sair por preguiça de ler, jamais serão equiparados aos devoradores de páginas.
Não é por acaso que pessoas bem sucedidas tenham o hábito da leitura, uma coisa puxa a outra.
Tive a felicidade de conviver com algumas pessoas que eram praticamente traças ambulantes e a maneira como se expressavam a respeito de qualquer coisa era fascinante. Desde a referência a respeito de uma temperatura climática até dicas gastronômicas de como se faz uma batata frita.
Qualquer conversa fica mais interessante com quem tem o hábito da leitura. Leia mais e preencha sua mente com conteúdo interessante e útil.
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Comunicação – o mal dos relacionamentos.





Tenho um primo que evangeliza sempre contra os relacionamentos. Não porque quer que as pessoas vivam solteiras ou sozinhas, mas porque entende que nenhum relacionamento tem futuro, visto que não duram quase nada.
A teoria dele tem forte sustentação estatística, já que ele mostra em números (até gráficos) que sempre quando o par resolve casar e/ou morar junto, inicia o fim. E que daí para frente é só tristeza.
Para mim é claro o motivo. A falha está na comunicação ineficaz, ou melhor, na falta de comunicação.
Funciona assim, quando se inicia um relacionamento, as pessoas querem conquistar; convencer; envolver, então acabam relevando algumas coisas e omitindo muitas outras.
Acontece que conforme o tempo vai passando, a convivência aumenta, então aquelas pequenas coisas que foram cedidas e relevadas no início como barganha para lograr alguma facilidade de aproximação ou vantagem, agora são um incômodo bem grave e tendem a agir de forma purulenta infeccionando o relacionamento de dentro para fora tal qual um câncer galopante até chegar o momento de desapego.
E sabe por que tudo isso acontece? Porque normalmente as pessoas não possuem a coragem necessária para serem francas, diretas, sinceras e honestas como gostariam e deveriam por medo de afastarem seus pares.
Vou citar um exemplo clássico: Inicio de namoro, preferência da namorada, abandono do happy hour com os amigos, afinal de contas o sexo é muito mais prazeroso e importante. Depois de alguns meses, renegociar o tal do bar está fora de cogitação, afinal foi uma cláusula aceita do início do contrato, mas raciocine comigo, imagine quão simples seria se ao invés de guardar toda essa frustração decorrente de decisões erradas as pessoas soubessem conversar? Ou melhor ainda, e se desde o início já houvesse espaço para diálogo aberto, colocando os interesses e preocupações, com todas as cartas na mesa?
Essa seria não só uma boa solução, mas também a fórmula mágica utilizada em relacionamentos duradouros. Ou você acha que bodas do que quer que seja acontecem hoje em dia por comodismo? Relacionamentos de sucesso dialogam, negociam, conversam, tem coragem de expor seus sentimentos e suas vontades, e sabem compreender a vontade do par.
Meu objetivo com esse texto vai além de apenas querer expor meu ponto de vista. A outra intenção é fomentar uma pontinha de interesse e curiosidade nas pessoas que o lerem a fim de incitá-los a tentar dialogar dentro do relacionamento com o mesmo desprendimento que o fazem com amigos.
Meu círculo de amizades recorrentemente impressiona-se com a maneira como eu e minha excelentíssima somos francos entre nós, principalmente por constatarem a positividade do resultado.
Sempre que “entrevisto” os atores de relacionamentos falidos, a resposta é a mesma. A expectativa era uma e a prática foi outra; falta de entendimento e compreensão; falta de diálogo.
Se a solução é tão simples, deve ser fácil executá-la, certo? Errado! Primeiro passo entender e aceitar, segundo passo colocar em prática, e entre esses dois há um universo de possibilidades. Mas se os atores não tiverem coragem, então se contentem com o conformismo morno e quotidiano dos relacionamentos falidos, pois se você não está disposto a conversar sinceramente com seu par, também não está pronto para um relacionamento duradouro!
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mediocridade




“A incapacidade para criar e apreciar a excelência, ou seja, a mediocridade, é necessária para a estabilidade social: um mundo de gênios seria ingovernável. Todavia, possui também uma vertente maligna que procura destruir qualquer indivíduo que se destaque.”
“Quando surge um verdadeiro gênio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.” Foi assim que o médico, aventureiro e escritor irlandês Jonathan Swift (1667–1745), autor de As Viagens de Gulliver, resumiu a eterna tensão entre excelência e mediocridade, duas características da psicologia humana que exercem grande influência no funcionamento da sociedade. “Cada uma se rege pelas suas próprias leis e ambas são necessárias: uma promove o progresso, a outra assegura a estabilidade social.”
Assim começa um dos melhores textos que já li da Super Interessante de março de 2011.  O texto considera gênio quem é criativo e busca sempre ver o lado bom em cada um e em todas as coisas, e considera medíocres pessoas que ao invés de tentarem ser melhores, preferem falar mal e boicotar os competentes.
A pesquisa do texto levantou três tipos de mediocridade: a comum, que é inofensiva e faz com que os humanos se adaptem facilmente mesmo não gostando muito do que fazem; a pseudocriativa, que além das características anteriores, tenta minar a criatividade dos outros. Esse segundo tipo é o mesmo já citado por mim em outro texto e fala sobre como esse tipo tem necessidade de ostentar algo que não possui; e o terceiro tipo, que é o pior, pois se propõe e se esforça de todas as formas em destruir o gênio.
Cito esse texto justamente agora pois tenho visto que no Facebook há uma crescente onda de néscios engajados em denegrir boas idéias, opiniões próprias e fundamentadas, criatividade, gente com personalidade e opinião formada.
É bem simples, basta que alguém crie algo novo, tenha uma idéia autêntica, original e que consiga pensar “fora da caixa” para ser apedrejado virtualmente. O bullyng do colégio passa vergonha perto do que sofrem as pessoas que tem a capacidade de pensar por si com idéias próprias.
Ou se curva à mediocridade néscia, ou aceita a crucificação com todas as chagas que lhe são devidas de acordo com a massa rotulante.
Não há mais tolerância com o pensamento alheio. Não se pode ter convicções sobre determinado assunto a não ser que ela seja absolutamente idêntica à massa ignorante, ou a mesma fará um esforço desproporcional para não apenas desqualificar sua idéia como também a sua pessoa e queimar em praça pública seus valores e caráter, colocando-o numa fogueira de bruxas, ardendo por fazer a mágica da opinião firme.
Não sendo suficiente não poder pensar diferente, é necessário não pensar e não manifestar, sob pena de ser ofendido pessoalmente ou mesmo agredido fisicamente.
Outra parte do texto que endossa esse meu raciocínio é: “Será possível que estejamos condicionados por uma espécie de seleção cultural que nos condena à imbecilidade?”(sic), questiona o escritor italiano Pino Aprile no seu livro Elogio do Imbecil. Conclui que sim e que existe uma razão para todos os sistemas sociais advogarem a mediania: “A inteligência é como a areia que se introduz nas engrenagens: pode obstruir os mecanismos. O génio é subversivo, não apenas por discutir a norma em vez de a aplicar, mas também por blo­quear, através da sua atuação, o percurso habitual de qualquer sistema burocrático”(sic). Por isso, segundo o autor, “o poder de uma organização social humana será tanto maior quanto maior for a quantidade de inteligência que conseguiu destruir”.
A sutileza insidiosa que domina a sociedade não impera o mundo virtual, onde as pessoas dão as caras e corroem com toda a acidez que impediram escapar pelo canto da boca no dia a dia frustrante e medíocre.
Uma das explicações é abordada pelo princípio de Peter, e embora não seja a única, faz sentido. Segue: “Numa empresa ou organização, qualquer trabalhador tende a ascender até atingir o seu nível de incompetência.” Se nos promoverem devido aos nossos méritos, acabaremos por ocupar um cargo para o qual não temos competência e deixaremos de nos destacar (e de ascender), permanecendo enquistados no nosso nicho de mediocridade. Uma das consequências é que quem alcança o seu nível de incompetência poderá sentir-se tentado a boicotar os subordinados de forma a não serem promovidos (ou mesmo a serem despedidos). Assim, acaba por agir como uma espécie de tampão involuntário para as próximas gerações. Os norte-americanos, que levam muito a sério a questão da eficiência, adiantaram algumas soluções, como a de premiar um bom trabalhador com um aumento salarial em vez de uma promoção. Todavia, parece que entram em jogo outros fatores no complexo sistema da mediocridade.
O que fica então é o voto aos gênios para que não desistam, pois as mudanças passarão necessariamente por suas mãos, mesmo que os medíocres tentem boicotá-los.
Obs.: Tem um teste no final para verificar se você é gênio ou medíocre.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ofensa é um presente

Refleti muito a respeito do que me disse um antigo amigo, que diferente de mim é estudado nas artes do jornalismo, a respeito de um dos textos que havia escrito.
A conversa foi privada e o assunto, a ofensa de sua esposa referente a um texto que eu havia escrito.
Isso realmente me deixou intrigado. Ele defendeu que nem ele nem sua esposa concordavam com o que eu havia escrito. Achavam que eu estava redondamente enganado e que eu a havia ofendido.
Então fiquei pensando sobre a ofensa.
ofender | v. tr. | v. pron. o·fen·der |ê| - (latim offendo, -dere) verbo transitivo 1. Fazer mal a (outrem por .atos ou palavras). 2. Magoar; injuriar, doestar; escandalizar. 3. Lesar. 4. Desconsiderar. 5. Pecar contra. 6. [Medicina]  .Afetar, ferir; chegar a. verbo pronominal 7. Levar a mal. - "ofender", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/ofender [consultado em 26-12-2013].
Se alguém me chama de gordo (o que para muitas mulheres é o cúmulo da ofensa) eu não me importo, não me ofendo, dou risada e ignoro. Esse chapéu não me serve, logo não me ofendo.
Se me chamam de moralista, igualmente ignoro e dou risada, pois apenas não me conhecendo completamente para fazê-lo. Esse chapéu não me serve, logo não me ofendo.
Se me chamam de nanico/ toco de amarrar bode / anão de jardim, idem, afinal de contas isso não me ofende.
Se me chamam de lindo, charmoso ou sei lá eu o que, não me ofendo (nem envaideço pois não é para mim) afinal de contas um elogio não ofende.
Daí um camarada vem e me diz que sua esposa ofendeu-se com algo que eu escrevi e me fez pensar longa e profundamente a respeito.
Como pode alguém se ofender com algo que não lhe diz respeito? Com um chapéu que não lhe serve? Com um texto que fala de outras coisas absolutamente diferentes de sua realidade?
Posso não gostar de algo dito a outra pessoa por ser diferente do que penso, mas daí a ofender-me por alguém dizê-lo é, na minha opinião, a maior confissão existente de que eu certamente me enquadro dentro daqueles argumentos os quais estou me ofendendo e mais, não os aprovo.
É como se eu estivesse sendo forçado a ver algum defeito meu que sempre fiz questão de negar. Afinal de contas, “vemos nos outros nossos piores defeitos”.
Então como conclusão de todo esse exercício de meditação ficou a semente da pergunta plantada em minha mente: Alguém se ofende com algo que não enxerga em si mesmo?
A ofensa é um presente e cabe a cada um aceitá-lo ou não. Não precisamos sequer receber, quanto mais multiplicá-lo.
Acho que um bom exercício para 2014 é não tomar para si ofensas dos outros, nem ofender-se com coisas pequenas. Pensar equilibradamente é uma boa alternativa!

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.01.2014
  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E o exemplo?


A presidente Dilma em nota oficial desculpou-se por ter permitido que sua netinha andasse no carro sem a cadeirinha. Pediu desculpas informando que a lei é para todos e que é clara, toda criança precisa usar a cadeirinha. Isso é questão de segurança.
Lendo a nota fiquei refletindo e questionando se a afirmação seria sustentável. E a conclusão não foi surpresa alguma: poucos cumprem. O que é criado para a população, é coisa para o povo, as representações deste não precisam se submeter.
Vamos aos exemplos:
Quando o presidente Lula ficou doente, ele foi pro SUS? Utilizou o mesmo sistema de saúde que tanto elogia e que a população tanto reclama? Se o sistema é tão fantástico quanto os políticos pregam, porque eles mesmos não o usam? Deixo plantada a semente, todo político deve usar o sistema público. Garanto que melhoraria.
Outro: polícia, bombeiros e exército não usam cinto de segurança. Estão acima da lei? Eles que deveriam dar o exemplo não o fazem, por que se acham no direito de cobrar a população? Ou eles são invulneráveis e não estão sujeitos a acidentes? Suas vidas não correm o mesmo perigo de todos os humanos normais? E não é justamente pensando na segurança a obrigatoriedade do uso?
Sei que a alegação é a dificuldade em tirar o cinto quando há necessidade de agilidade. Então que desenvolvam algum tipo de treinamento ou cintos especiais.
Por fim: Políticos abusam nos impostos, e na hora de consumirem, trazem coisas de outros países. Afinal de contas, os impostos também são coisas de meros mortais.
Além de não comprarem aqui, beneficiando o mercado externo em detrimento do local, quando podem sonegam impostos de todas as maneiras possíveis.
Os bons costumes antigos de dar o exemplo com as próprias atitudes estão doentes, em estágio terminal, e vivem apenas por meio de algumas pessoas que insistem em perpetuar seus valores.
 
 
 

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.12.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Respeito à Opinião Alheia




Sempre que escrevo procuro instigar meus leitores de alguma forma. Pensar “fora da caixa”; observar algo que normalmente passa despercebido; provocar para ver se alguém que pensa diferente venha me prestigiar com argumentos coerentes e convincentes, bons a ponto de me fazerem trocar do opinião, ou mesmo deixar uma mensagem de encorajamento e incentivo.
Aqueles que acompanham o que escrevo há mais tempo, já sabem como costumo fazê-lo, e normalmente gostam. Para poucos sou indiferente. Ou gostam muito, ou odeiam.
Muitas vezes ouvi alguém dizer: “Tem certeza que vai publicar isso? As pessoas podem não gostar e vão te criticar”.
Se cada vez que eu fosse escrever algo me preocupasse em não receber críticas, falaria apenas sobre o trivial e não precisaria pensar.
Quando enviei, recebi uma advertência: Vão criticar teu texto! Eu disse que tudo bem, afinal de contas as pessoas não precisam pensar igual a mim ou concordar com o que penso. Não tenho problema algum com ataques a qualquer opinião que eu tenha proferido.
Acontece que as pessoas estão num mundo imaginário absurdo. Ou os outros pensam como elas querem, ou não podem pensar. É proibido existir caso as idéias sejam singulares.
Felizmente há no mundo pessoas que vão contra esse tipo de comportamento, defendendo seu direito a manifestação de ideia.
Fui crucificado por pensar diferente. As pessoas nem usaram meias palavras, proibiram-me de pensar assim, decretando que estava errado e pronto. Que ou eu deveria mudar minha maneira de pensar, ou procurar tratamento. Em caso de não fazer qualquer das duas, então que fosse linchado em praça pública.
Veja bem, isso é grave. Não apenas as ofensas pessoais e as ameaças. O que preocupa é não poder ter ideias próprias. Nas discussões, a maioria dos seres não queriam expor suas ideias, mas desqualificar a minha. Não queriam me convencer de seus pontos de vista, mas desmoralizar o meu.
É assustador saber que os que convivem “harmonicamente” em sociedade, na primeira oportunidade vão à forra e sem piedade recriminam, condenam, ofendem e fazem bullying.
E não paramos por aí, segundo muita gente, eu não deveria nem ter tido esse tipo de ideia, e por tê-lo, estava fadado a exclusão para todo o sempre, sem chance de redenção.
“Sustentar uma posição utilizando as palavras “machista” e “conservadora”, cria feridas sociais”, como disse o Eduardo Matzembacher. Além das ofensas pessoais, que certamente não acrescentam em nada e muito menos persuadem alguém a pensar diferente.
O Danilo Branco falou bem quando disse: “A primeira pessoa a pular fora das idéias sociais enlatadas é sempre a primeira a ser apedrejada. E apedrejada por quem fabricou a lata, óbvio.”
Adoro que discordem de mim com coerência e embasamento, essas são as melhores discussões. A cereja do bolo em cada texto que escrevo. Mas para isso preciso estar aberto a opiniões diferentes.
O mundo que eu vi recentemente não permite pensar. Ou se engole o que todo mundo está consumindo, ou aceita a fogueira. E para esse mundo, grito a plenos pulmões: ACENDAM O FOGO!
Pois não vou parar.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 21.12.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Receita da amizade




Muitas pessoas me perguntam como faço para ter tantos amigos de verdade. Normalmente se conquista apenas uma meia dúzia em uma vida inteira e eu tenho bem mais que o triplo disso, de amigos de verdade, sinceros e devotos. Então qual o segredo?
Quando saí de Santo Ângelo para morar em Santa Maria, minha turma se separou, éramos seis. Com o tempo eles foram se afastando e perdendo o contato, e hoje falam-se pouco, mas continuam sendo grandes amigos.
Não é porque não há contato diário - tanto pessoal quanto virtual, independente da forma – que o sentimento esmorece, arrefece ou que paramos de gostar. Amigo de verdade não é esquecido. Diferente de paixão e amor por cônjuge ou afins.
Quando saí de Santa Maria, a turma se afastou, mas continua mantendo contato até hoje. Depois fui para Porto Alegre e a turma cresceu bastante. Quando voltei para Santo Ângelo: novamente a antiga turma se afastou!
Bom, alguns segredos são muito simples. Eu era o cimento que mantinha unido os tijolos amigos no muro da amizade. E essa construção exige paciência e dedicação. É necessário fazer a fundação com os valores corretos para que algo sólido seja erguido.
A segunda dica é nunca desistir. Muita gente ao longo dessa trajetória toda me perguntou: “por que continua convidando para o vôlei?”; “por que insiste se ele não demonstra interesse?”; “ele nem mora mais no Rio Grande do Sul, desiste de convidar”; “ele não quer mais saber da turma depois que começou a namorar”. E a resposta que eu sempre dei foi: “eu não desisto dos meus amigos, enquanto puder, darei a oportunidade”.
Chamam-me de teimoso e obstinado. O que sempre bota lenha na fogueira das junções, sempre pronto para um churrasquinho e uma confraternização. O que mistura as turmas e apresenta gente diferente que acaba combinando e dando certo; o cupido.
Há também um “teste” o qual submeto meus amigos. Se não tiver estrutura, entra como conhecido. Para ser amigo, não pode ser "mimimi", precisa combinar com meus valores e caráter. Descarto sumariamente, sem remorso, pois não tenho porque investir tanto tempo e dedicação em alguém que não há identificação recíproca. Guardo a energia boa para os que merecem. E na hora que o sapato aperta, eles estão sempre comigo assim como eu com eles. E todos sabemos disso.
Sou o primeiro a chegar e o último a sair, o que tem a iniciativa dos convites. Acho honestamente que no início eles aceitam mais por pena e/ou consideração, ou até vergonha de tanto negar do que por vontade, mas depois todos acabam tomando gosto.
Essas reuniões me recarregam. É como se a energia proporcionada pela junção com todos que quero bem fosse vital para minha sobrevivência. E como é divertido! Mesmo que seja para fazer as coisas mais simples, como uma roda de chimarrão com bolo.
É claro que isso sempre causou em um momento ou outro descontentamento por parte de minhas namoradas, que nunca tinham um tempo sozinhas comigo (obviamente depois daquele calor inicial do inicio de qualquer relacionamento) e que ficavam enciumadas, cansadas ou incomodadas com as recorrentes junções. Mas nada que alguém que goste de mim como sou e que me aceite verdadeiramente não acabe sempre relevando por entender a importância para mim.
O fato é que de tanto plantar, hoje colho maravilhosas amizades, flexíveis como o bambu e sólidas como a rocha, com uma receita bem simples: ofereça mais do que espera receber, sem desistir e com fé, pois cada amigo é uma joia cara e rara e precisa ser preservado com o devido cuidado.
Aos amigos que não mantenho contato diário, saibam que continuam tão vivos em meu coração e pensamento quanto quando andávamos juntos diariamente. Nada que não seja certamente recíproco ou que vocês não soubessem. Amo vocês, mãe da focas!







Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.11.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
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