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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Receita da amizade




Muitas pessoas me perguntam como faço para ter tantos amigos de verdade. Normalmente se conquista apenas uma meia dúzia em uma vida inteira e eu tenho bem mais que o triplo disso, de amigos de verdade, sinceros e devotos. Então qual o segredo?
Quando saí de Santo Ângelo para morar em Santa Maria, minha turma se separou, éramos seis. Com o tempo eles foram se afastando e perdendo o contato, e hoje falam-se pouco, mas continuam sendo grandes amigos.
Não é porque não há contato diário - tanto pessoal quanto virtual, independente da forma – que o sentimento esmorece, arrefece ou que paramos de gostar. Amigo de verdade não é esquecido. Diferente de paixão e amor por cônjuge ou afins.
Quando saí de Santa Maria, a turma se afastou, mas continua mantendo contato até hoje. Depois fui para Porto Alegre e a turma cresceu bastante. Quando voltei para Santo Ângelo: novamente a antiga turma se afastou!
Bom, alguns segredos são muito simples. Eu era o cimento que mantinha unido os tijolos amigos no muro da amizade. E essa construção exige paciência e dedicação. É necessário fazer a fundação com os valores corretos para que algo sólido seja erguido.
A segunda dica é nunca desistir. Muita gente ao longo dessa trajetória toda me perguntou: “por que continua convidando para o vôlei?”; “por que insiste se ele não demonstra interesse?”; “ele nem mora mais no Rio Grande do Sul, desiste de convidar”; “ele não quer mais saber da turma depois que começou a namorar”. E a resposta que eu sempre dei foi: “eu não desisto dos meus amigos, enquanto puder, darei a oportunidade”.
Chamam-me de teimoso e obstinado. O que sempre bota lenha na fogueira das junções, sempre pronto para um churrasquinho e uma confraternização. O que mistura as turmas e apresenta gente diferente que acaba combinando e dando certo; o cupido.
Há também um “teste” o qual submeto meus amigos. Se não tiver estrutura, entra como conhecido. Para ser amigo, não pode ser "mimimi", precisa combinar com meus valores e caráter. Descarto sumariamente, sem remorso, pois não tenho porque investir tanto tempo e dedicação em alguém que não há identificação recíproca. Guardo a energia boa para os que merecem. E na hora que o sapato aperta, eles estão sempre comigo assim como eu com eles. E todos sabemos disso.
Sou o primeiro a chegar e o último a sair, o que tem a iniciativa dos convites. Acho honestamente que no início eles aceitam mais por pena e/ou consideração, ou até vergonha de tanto negar do que por vontade, mas depois todos acabam tomando gosto.
Essas reuniões me recarregam. É como se a energia proporcionada pela junção com todos que quero bem fosse vital para minha sobrevivência. E como é divertido! Mesmo que seja para fazer as coisas mais simples, como uma roda de chimarrão com bolo.
É claro que isso sempre causou em um momento ou outro descontentamento por parte de minhas namoradas, que nunca tinham um tempo sozinhas comigo (obviamente depois daquele calor inicial do inicio de qualquer relacionamento) e que ficavam enciumadas, cansadas ou incomodadas com as recorrentes junções. Mas nada que alguém que goste de mim como sou e que me aceite verdadeiramente não acabe sempre relevando por entender a importância para mim.
O fato é que de tanto plantar, hoje colho maravilhosas amizades, flexíveis como o bambu e sólidas como a rocha, com uma receita bem simples: ofereça mais do que espera receber, sem desistir e com fé, pois cada amigo é uma joia cara e rara e precisa ser preservado com o devido cuidado.
Aos amigos que não mantenho contato diário, saibam que continuam tão vivos em meu coração e pensamento quanto quando andávamos juntos diariamente. Nada que não seja certamente recíproco ou que vocês não soubessem. Amo vocês, mãe da focas!







Publicado em: A Tribuna Regional no dia 30.11.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Frustração fantástica

Alguma vez você já se percebeu absolutamente frustrado por esperar algo que não aconteceu, mas ficou feliz com isso? Eu já, e mais de uma vez.
A última foi quando estava dirigindo, à noite, com chuva, saindo de Passo Fundo em direção à serra. Parei no trevo para olhar se vinha carro de algum lado, como usualmente faço principalmente à noite, quando percebi que o carro que vinha atrás não esperava que eu parasse e consequentemente não parou.
Acompanhei ele crescendo em meu retrovisor à medida em que se aproximava, enquanto engatava uma primeira o mais rápido que conseguia, e o carro crescendo e se aproximando, e eu olhando para os lados, para o retrovisor e tirando o pé da embreagem enquanto comunicava a minha namorada para se segurar que ia bater.
O frear dos pneus se fizeram ouvir quando no último instante ele percebeu que eu estava parado, mas já era tarde, não havia como ele segurar a batida, começou a reduzir tarde demais, e os faróis só aumentavam no retrovisor, e nessas horas nossa mente trabalha da forma mais veloz que se possa conceber, então eu já me via no acostamento discutindo sobre como pagaríamos pelos estragos e se continuaria a viagem ou retornaria.
Nesse momento a metralhadora cerebral nos fuzila com informações. Pensei até o quanto estava demorando para aquela eterna primeira marcha começar a desenvolver o motor. Contraí o abdômen, tranquei a respiração, segurei firme o volante e senti um frio gelado percorrer minha espinha enquanto a adrenalina tomava conta da situação.
A batida já tinha acontecido, tudo estava concluso, o carro estava bem amassado e eu me preocupava se minha namorada estava ferida quando de repente, como que por um milagre, milimétricamente aquele mínimo espaço que a primeira marcha andou foi suficiente para que o carro de trás conseguisse frear, e eu fui embora antes que ele batesse e tudo ter acontecido apenas em minha cabeça.
É estranho e ao mesmo tempo frustrante esperar por algo que não acontece, mas é aliviador entender que não aconteceu e que tudo não passou de uma expectativa frustrada de algo ruim que iria acontecer, mas que não o fez.
É curioso pensar que eu estava pronto e preparado para o pior, que já havia inclusive materializado isso em minha mente, e que num repente ao não acontecer, sinto-me logrado pelo acaso e pelo destino que de conluio resolveram pregar uma peça em mim.
O interessante disso tudo é o aprendizado que podemos tirar quando esperamos por algo muito ruim que quando não acontece nos faz sentir como se tivéssemos sido roubados. Como demoramos para aceitar e aproveitar as coisas boas que aparecem em oportunidades que logicamente não deveriam ocorrer.
Acho que a maioria das pessoas segue a filosofia do: “prepare-se para o pior, espere o melhor e aceite o que vier”.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 23.11.2013

  Corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cotas

Não bastassem todas as dificuldades enfrentadas pelos postulantes a um cargo público – perda de espaço para os cargos em comissão “de fora”, fraudes nos certames, milhares de horas de estudos, leituras e exercícios, concorrência natural cada vez mais acentuada, preocupação com prazos de inscrição e pagamento, reserva de hotel, compra de passagens aéreas, gastos em geral com alimentação e traslado, gastos com cursos preparatórios,  ... -, o governo, em mais uma manobra política para arrecadar votos, propõe o projeto de lei de cotas raciais para o funcionalismo. A mesma administração pública que, em 1995, deu início a Reforma da Gestão Pública ou reforma gerencial do Estado com a publicação, nesse ano, do Plano Diretor da Reforma do Estado e o envio para o Congresso Nacional da emenda da administração pública que se transformaria, em 1998, na Emenda 19, com o objetivo precípuo de contribuir para a formação no Brasil de um aparelho de Estado forte e eficiente. Pelo menos, está sendo contraditória a administração: não vejo como construir um Estado forte e eficiente quando, ao invés de empregar o dinheiro público em saúde, segurança e, principalmente, em educação, simplesmente, proporciona privilégios para alguns escolhidos, em troca de votos. Em outras palavras, o governo prefere manter o povo desinformado, ignorante e alheio a todas as realidades que se passam no País. Do ponto de vista estatal, é muito mais fácil “dar o peixe a ensinar pescar”, e do povo, muitíssimo menos trabalhoso, é ficar deitado numa rede à sombra aguardando um programa que lhe beneficie e, dessa forma, não precise gastar energia e queimar neurônios já atrofiados. Para fundamentar o meu profundo repúdio às cotas, fiz uma pesquisa em relação às vagas e as médias para lotação nos cursos da UFRGS – instituição a qual me formei em Engenharia Mecânica - e fiquei chocado: confesso que pensei ser preocupante; É mais que isso, entretanto. Até que me convençam, fundamentalmente, do contrário, em poucos anos, o ensino público entrará em ruínas intelectual e tecnicamente, como o ensino privado já está. Tenho nada contra os negros, contra os brancos, contra os amarelos, contra os rosas, contra os estudantes do ensino público (onde estudei sempre), ou contra qualquer raça, religião, time de futebol ou credo. É inadmissível, todavia, que um cotista adentre, com uma média de 424,61, em um curso renomado como o Direito na UFRGS. Por sua natureza, já é um curso que tu amarras um jumento num poste e, em 5 anos, ele se gradua, sem grandes dificuldades. Não bastasse isso, os atores do picadeiro agravam colocando um desqualificado para dentro da universidade? É inadmissível que um cotista adentre, com uma sub média de 565,58, em um curso renomado e altamente técnico como a Medicina na UFRGS. Sinceramente, jamais vou querer ser operado ou até mesmo atendido por um cidadão que, vergonhosamente, aceita estar dentro de numa Federal com uma média horrenda como essa. E os estudantes do alto escalão que estudam por anos para superar a difícil barreira da pontuação mínima exigida para entrar pela porta da frente? Por favor, não me venham dizer que os postulantes beneficiados por esse modelo insustentável estão no mesmo patamar, porque não estão. Existe, de fato, um abismo entre eles. Não sei nesses cursos acima citados, porém na engenharia - qualquer que seja - dessa Universidade, a própria dificuldade do curso seleciona esses débeis. Acontece que os ensinos fundamental e médio públicos estão um lixo, por conta da politicagem corrupta desse País mentecapto. E, só por isso, os alunos dessas instituições não conseguem concorrer, em mesmas condições, com os das outras estirpes abastadas. O problema, portanto, não pode ser resolvido, simploriamente, baixando, ridiculamente, as médias para determinadas categorias de estudantes, por meio de cotas, e sim melhorando esses ensinos que estão uma vergonha. Já não chega o ensino privado, que admite qualquer ignorante em troca de dinheiro, oferece em contra partida um arremedo de qualificação profissional e, praticamente, só discute o sexo dos anjos! Ainda querem acabar com o ensino público e de boa qualidade?
Alguns defensores dos programas executados pelo governo, como o “bolsa família”, o “fome zero”, o “minha casa minha vida”, “cotas raciais”, entre outros, afirmam ser de grande valia, pois promovem a maior redistribuição de renda que o país já viu. Além do mais, criam os suportes mínimos pra tirar muitas famílias da pobreza extrema, promovendo maior inclusão na educação, queda da taxa de natalidade e dignidade. Alegam, também, que “afirmar que os brancos é que são os discriminados, devido às cotas dadas aos negros, é um absurdo! Um verdadeiro desrespeito aos 400 anos de escravidão, massacres e injustiças sociais do Brasil”. Pergunto? Se isso, de fato, fosse verdadeiro: um erro justificaria o outro? A bolsa família não é divisão de renda e sim uma subtração de renda, pois só podemos falar em divisão, quando as duas partes produzem, o que não é o caso. Em uma nação como a nossa, de maioria negra, esses programas não passam de uma jogada para conseguir votos. Hoje, portanto, nós os brancos, é quem somos discriminados e de forma escancarada. Dar cotas diferenciadas, a quem quer que seja, é nivelar por baixo concedendo vantagens a incompetentes para ocupar cargos que não terão competência para desempenhar. Ninguém poderá provar que um concursado aprovado pelas quotas poderá produzir em igualdade com um postulante que concorre com a grande nata. Um exemplo disso são as médias para o ingresso em qualquer tribunal federal no País (basta ver no DOU os desempenhos dos aprovados). Um estudante que almeja ingressar no serviço público federal, pelos meios considerados normais, não pode se dar o luxo de fazer menos que 95% de acertos em uma prova. Isso significa dizer: tem que acertar, pelo menos, 57 questões de um total de 60, ir bem na redação e rezar. Às vezes, nem com essa pontuação é possível garantir a nomeação. Ao passo que, um cotista fazendo a pontuação de corte (em torno da metade da prova) entra sem grandes problemas, pois, além de concorrer com bem menos candidatos, há uma garantia de vagas para ele com médias exorbitantemente menores.
Nós, brancos, somos tão discriminados com as benécies promovidas pelo governo aos cotistas que, ontem ao divulgar uma petição aos meus colegas estudantes de todo o País, uma senhora, afro descendente, em resposta ao meu pedido disse o seguinte: “Não tem volta. As cotas vieram para ficar. Essa petição vai ser engavetada. Pois, nós negros, vamos votar no PT de novo.”. Divulguei pela internet o conteúdo da resposta dessa senhora, e a indignação não tomou conta somente dos estudantes, entretanto das pessoas em geral.
Lamento essa senhora e alguns semelhantes seus pensarem assim. Ela é o maior exemplo de racismo nesse País democrático. Jamais julgarei alguém pela cor, e sim pela capacidade intelectual de querer e fazer acontecer. Os cotistas, no fundo, são vagabundos e preguiçosos. Usam de um coitadismo barato e demagogo em sua defesa. Querem tudo de mão beijada, embora tenham 2 braços, 2 pernas, 2 olhos, 1 cérebro, ... tudo igual a nós, brancos. Aliás, até onde eu sei, cérebro não tem cor. Por que, então, eu tenho que estudar 20h por dia, durante anos, concorrer com a grande elite intelectual dos concurseiros e os negros têm que estudar 2 minutos por dia, por 1 mês e concorrer com meia dúzia de escorados? Isso, volto a dizer, é uma grande fábrica de votos. É muito mais fácil o governo dar a ensinar. Tenho colegas e amigos negros que sempre foram os primeiros lugares na UFRGS em engenharia, em medicina e em direito. Hoje, um é radiologista, um é engenheiro de uma grande Estatal e o outro um Advogado renomado. Nunca precisaram de cotas, sentem-se ofendidos e humilhados quando são questionados com relação a esse assunto pífio. Entre outros negros consagrados e vitoriosos em suas carreiras, Joaquim Barbosa e Obama nunca precisaram de cotas. Lamento que pessoas como essa senhora precise. Sempre será vista por cima, pois ela própria, como outros, intitula-se assim: um ser inferior. Jamais terá o meu respeito, porque só respeito quem se faz respeitar. Sucesso para os meus colegas e sorte pra os cotistas, porque só precisa de sorte os incompetentes.
& tenho Dito.
Mr Z.q

O texto não é meu, mas compartilho tão profundamente com tudo que resolvi transcrevê-lo tal e qual.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.11.2013

Escrito por Cristiano Zucco
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O tempo muda com o tempo...




Ainda me lembro, com grande clareza, de um dia que fui comprar pão para minha mãe na padaria, era metade da tarde, e na volta percebi que havia água correndo pela sarjeta.
Sempre gostei dos detalhes pois é neles que habitam as mais interessantes coisas, e talvez por isso fiquei observando a água desbravar os buraquinhos e reentrâncias do asfalto, circundando pequenas pedras, sendo absorvida por morrinhos de areia, e tentava adivinhar qual seria o caminho que ela escolheria logo a frente, no próximo passo.
Lembro que nessa situação fiquei tão absorto que cheguei em casa quase três horas depois, e quando expliquei porque havia demorado tanto, minha mãe ficou zangada e meu irmão deu risada, não acreditando que eu realmente estava seguindo o curso da água, no tempo dela.
Hoje, depois de “adulto”, mal arranjo tempo para ler um livro, sentar ao pé de uma árvore, ficar em silêncio ao lado de alguém, apreciar as nuvens passearem nesse céu maravilhoso das missões...
Lembro de quando passava as tardes colhendo cinamomos ou deitado na rede, admirando a copa da árvore e assistindo o dançar das folhas com o vento permitindo passar feixes de sol. Ou mesmo quando algum passarinho se utilizava da sombra para descansar e até confeccionar um ninho.
Ficar a noite inteira acordado era um desafio muito difícil, mas era coisa de adulto, então compensava o sacrifício. Inclusive quando dormíamos sentados tentando chegar às, pasmem, 3 horas da madrugada.
Uma pitangueira era passatempo para tardes inteiras. Feliz, que a maioria delas tinham pitangas suficientes para resistir a mim por inúmeras semanas.
Andar de bicicleta desde manhã até anoitecer, sem preocupações com quaisquer compromissos.
Achávamos tempo para fazer nada, para dar atenção aos amigos, às coisas pequenas, aos detalhes mágicos de cada simples acontecimento, conseguíamos ver beleza onde hoje sequer conseguimos perceber existência, e ainda temos a insolência de perguntar o que havia de tão bom na infância e por que era tão melhor do que agora.
A vida pode continuar tão satisfatória quanto, basta que mantenhamos a criança viva dentro de nós e tenhamos clara a necessidade de continuarmos arranjando tempo para o que é importante à nossa essência.
A vida é curta demais para desperdiçarmos com a correria da vida moderna, afogados em informações poluentes. A vida é agora e é uma só. E se por acaso encontrarem um falso adulto pendurado em alguma pitangueira na cidade, podem vir conversar, pois há grandes chances de ser eu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.11.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Testes em Animais





Recentemente voltou à mídia o assunto de testes em animais. Os ativistas estão revoltados, reclamando alguma ação da justiça quanto ao que eles consideram uma afronta aos direitos dos animais.
Honestamente, não consigo entender essas pessoas. Fico pensando sempre, será que elas preferiam ter um feto mal formado? Ou ingerir algum tipo de agrotóxico cancerígeno? Será mesmo que essas pessoas não entendem o que significa “in vitro”?
Essas doenças que só são observadas em seres vivos, precisam de, pasmem, um ser vivo. Eu defendo a ideia de que se os tais ativistas não querem que os pobres coitados bichinhos sejam torturados, então se coloquem como candidatos. É o mínimo que eu espero, pois não pretendo desenvolver algum tipo de câncer ou alergia porque um bando de ativistas não deixou testar algum remédio em uns bichos quaisquer.
Já fui mais indignado e desejei que as mulheres ativistas ou as cônjuges destes engravidassem e tivessem má formação fetal por algo que não pode ser testado em algum animal. Hoje não desejo isso. Apenas quero que se calem ou que se candidatem aos seus lugares.
Será que os pesquisadores são todos uns desalmados e não pensam nos bichos? Será que eles sentem-se bem com isso? Ou quem sabe apenas preocupam-se mais com as pessoas do que com os animais?
Como verificar a carcinogenecidade, toxicidade por dose repetida e sensibilidade cutânea sem fazê-lo em organismos vivos?
Ainda algumas substâncias, mesmo depois de testadas em animais, foram lançadas no mercado e provocaram muitos tipos de reações negativas. Imagina se não o tivessem feito?
Eu não suporto gatos, e por mim poderiam usá-los para todo e qualquer tipo de teste, ao menos assim serviriam para alguma coisa. No entanto entendo que estou na contramão do mundo pet e desse sensibilizacionismo obtuso tão em voga.
Acho que as pessoas deveriam preocupar-se mais em serem pessoas melhores, mais com os outros e menos com quem tenta fazer algo bom mesmo que por um caminho que elas não concordem ou não compreendam. Quem sabe conversando um pouco com as mais religiosas e aceitando alguns ditados como “certo por linhas tortas” ou “fim pelos meios”.
Viva o teste em animais! Que sempre exista enquanto não houver outra forma. Ainda bem que alguns humanos entendem sua necessidade e importância.
In vitro: simulação de processos biológicos fora de um organismo vivo.
“A carcinogenicidade é um processo com vários passos e vários mecanismos envolvendo eventos genotóxicos (mutações), alteração na expressão de genes a nível transcripcional, translacional e pos-translacional (eventos epigenéticos) e alteração da sobrevivência das células (proliferação e apoptose). O processo carcinogénico é frequentemente dividido em três passos: iniciação, promoção e progressão.”


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 31.10.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Amamentar em Público




Parte I

Estávamos jantando em família, com objetivo de confraternizar e rever alguns amigos de meu pai, quando de repente uma mulher, que estava no meio do salão, sem pudor ou vergonha algum, abriu sua blusa e tirou os seios para fora.
O fez como se fosse a coisa mais normal e natural do mundo mostrar os seios em público. Primeiro os expôs, depois se virou para o carrinho ao lado, descobriu o bebê, o pegou no colo, o ajeitou, e só então, depois de uns bons três minutos com tudo a mostra, colocou seu filho para mamar em um deles enquanto o outro continuava ao ar livre.
Posso estar atrasado, mas até onde sei as mulheres não podem sair com eles a mostra ou serão enquadradas em atentado violento ao pudor. Homem nenhum tira a camisa ou arria as calças em ambientes multifamiliares de respeito.
Todo mundo continuou jantando, alguns como se nada tivesse acontecido, e outros como eu, constrangidos.
Se eu tivesse um filho pré-adolescente, ou se fosse minha esposa a mostrar os seios para todos, certamente eu a repreenderia com veemência. Estamos em um país machista e conservador, e independente do que digam, somos todos produtos do mesmo meio, e ainda que a mente de alguns seja mais despojada, as leis e as regras sociais estão aí justamente para delimitar alguns comportamentos.
Mesmo que digam que é um ato lindo, que é o amor de mãe alimentando um filho faminto, que não há como ver maldade nesse tipo de gesto, explique isso para crianças com hormônios explodindo e que nunca viram um seio ao vivo, ou para qualquer homem tarado ou mesmo indiscreto.
Nada justifica tamanha exposição. Nenhum argumento convence de que a mãe não poderia tranquilamente sair do meio de todo mundo, ir à copa, ao banheiro, ao carro, algum canto qualquer, cobrir o nenê e os seios com algum paninho, e ser discreta.
Se eu fosse mulher e mostrasse os seios para todo mundo, certamente ficaria no mínimo com uma sensação de libido aumentada, pois não há como expor uma parte de seu corpo relacionada por todos os homens a sexo e não sentir algum tipo de sensação que remeta a isso.
Para mim, embora muitas mães tenham me dito o contrário, é necessário uma boa dose de depravação para que tamanha exposição seja consumada. É necessário um rompimento forte com os valores morais e uma dose cavalar de coragem.
E depois essas mesmas mães tem a cara de pau de reclamar da pornografia na televisão e da exposição desnecessária das mulheres que fazem de tudo um muito para aparecer.
Fácil falar dos outros, difícil é mudar nosso próprio comportamento.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.12.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
Parte II
O último texto que escrevi foi, indubitavelmente, o mais polêmico. Mas não exatamente pelo que escrevi, e sim pela incompetência das pessoas (algumas) em interpretar.
O texto falava sobre amamentar em público e o quão eu sou contra a exposição do seio. No entanto as pessoas resolveram interpretar como se eu fosse contra mães amamentarem ou o ato da amamentação. Chegaram a afirmar que eu queria ver crianças chorando de fome. As pessoas simplesmente ignoraram a parte onde eu falava para amamentarem colocando um paninho na frente. Honestamente não entendo essa necessidade de exposição do seio. Sou a favor de tudo relacionado à amamentação, apenas discordo da exposição do seio materno em público. Desenhando para que fique claro: TODO O SEIO.
Não estou aqui para me retratar. Muito pelo contrário. Estou aqui para ratificar cada palavra por mim escrita e dizer que sou responsável pelo que escrevo. Aproveito também para dizer que aceito a opinião das pessoas que reclamaram, embora não concorde.
Especialmente gostaria de agradecer aos elogios, que foram em torno de quatro vezes em maior quantidade do que as críticas.
E como ponto principal, o que realmente me entristeceu e incomodou, foi ver gente hipócrita e demagoga, que se diz politizada e culta, fomentando atitudes de baixo calão simplesmente por alguém pensar diferente.
Honestamente prefiro ser um moralista caxias na visão dos outros a sair ofendendo todo mundo sem qualquer noção de civilidade, fomentando agressão física por alguém não pensar como eu (linchar em praça pública me fez até rir).
Sem ser irônico, eu ri. De desprezo e tristeza. Pessoas ofenderem-me pessoalmente por pensar diferente e ainda terem o desplante de me chamar de homem das cavernas? Realmente não tenho palavras.
Muitos advogados vieram me procurar sugerindo que eu acionasse essas pessoas, que eu teria direito e que ganharia muito. Mas então eu pergunto: será que vale a pena dar ouvidos a quem te ofende pessoalmente sabendo que essas pessoas não têm condições sequer de interpretar um texto coerentemente, ou de vir falar comigo pessoalmente? Ou pior, não serem capazes de aceitar a opinião alheia sem que ela seja exatamente igual a delas? É mais ou menos, ou tu gosta do azul também, ou quebro teu nariz.
Gente que pensa tão pequeno a ponto de não conseguir aceitar a democracia, o direito de opinião e a diversidade de ideias e que não sabe discutir um assunto sem ofender seus interlocutores, não merece minha atenção. Pensem bem, foi muito além de apenas discordarem de minhas ideias, manifestaram publicamente que eu não PODERIA tê-las. Que minha maneira de pensar estava errada e a deles certa. Que apenas por pensar divergentemente, deveria ser calado para sempre, apedrejado, preso, isolado, excluído.
Pasmem, pessoas que pregam da boca para fora todos os dias exatamente o contrário. Mas na hora de praticarem um pouco de respeito e civilidade...
Nessa hora lembro saudosamente de Eduardo Matzembacker e Francisco Medeiros que, embora discordem completamente das minhas opiniões, sempre as contrapuseram com muita categoria, fazendo-me em muitos casos, repensar e mudar de ideia. Isso é o que acrescenta e esse tipo de gente eu respeito, mesmo que não concorde com tudo que digam.
Para encerrar cito Voltaire: “Posso discordar completamente daquilo que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizeres.” Apenas acrescento: desde que não sejam palavrões e frases de baixo calão.
TEXTO CENSURADO PELO JORNAL
(Eles informaram que esse assunto já tinha dado alvoroço demais e que não queriam mais publicá-lo)

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
Alguns comentários que eu achei pertinente mencionar:
Danilo Branco Rodrigo Zucco, li tua coluna e sinceramente não entendi porque todo esse alvoroço. Fiquei triste em primeiro lugar, pois apesar de estarmos toda hora dizendo que estamos no século vinte e um, algumas pessoas ainda estão no período neanderthal (o primeiro a ter ares estéticos: olha a ironia). Cara, fiquei extremamente temeroso, pois se tu com essa coluna light praticamente foi linchado em praça pública (vi uma mãe que propôs isso e fiquei imaginando o que o filho dela será quando tiver 18 anos) o que sobra para quem realmente pensa diferente. Sim, pois tuas ideias não são exclusivas. Conversei com alguns amigos e amigas que estão fora desse "alvoroço" e ouve unanimidade: compartilham da tua opinião. Eu principalmente. Antes de minha filha nascer, eu e minha mulher combinamos que ela nunca iria amamentar em público. Justamente por ser um momento íntimo entre mãe e filho, ninguém mais precisa compartilhar desse momento. E quando alguma mãe que eu nem conheço, o faz na minha frente, também fico constrangido. Mas tudo bem, pelo que vi no clamor das pessoas que querem te linchar, nós não temos mais o direito ao constrangimento. Vivemos numa sociedade onde os incomodados que se retirem e ponto final. Mas enfim, não vejo isso como o mais importante nessa história toda. Como comecei dizendo, o que me assusta é saber que a primeira pessoa a pular fora das ideias sociais enlatadas é sempre a primeira a ser apedrejada. E apedrejada por quem fabricou a lata, lógico. Uma ou outra pessoa conseguiu manter a coerência e te responder a altura. Mas também, o que esperar de um povo que escreve "serto"? De um povo que se incomoda com uma opinião tão trivial mas deixa seus filhos assistirem BBB e dançarem as músicas clássicas da Anita e do Naldo? É, meu amigo. De repente a saída é a mesma dos grandes meios de comunicação (leia-se rede globo): vestir-se com roupas de marca e aprimorar nosso cinismo. Senão, fogueira pra ti, Zucco!!! E em praça pública, pra que todos vejam o que dá pensar (nem tão) diferente (assim).
Eduardo Matzembacher Frizzo O principal problema do seu texto é o modo como tratou o assunto em pauta. Realmente vivemos em uma época de superexposição do corpo - sendo que, no meu entender, esse é o pano de fundo do seu artigo, o que concluo por conta do parágrafo final. Mas abordar essa temática a partir de uma mãe que amamenta seu filho em público, consiste em um chamariz para discórdias. Por outro lado, sustentar uma posição se utilizando das palavras "machista" e "conservadora", igualmente é algo que inevitavelmente cria "feridas sociais", digamos assim. Creio, portanto, que essas são as razões, racionalmente falando, dessa discussão toda em torno das suas palavras. De minha parte, tenho a dizer que há alguns anos já tive problemas com artigos que publiquei nos jornais de Santo Ângelo. Certo texto de minha autoria, inclusive, transformou-se em uma corrente de e-mails que visava não apenas atacar minha posição, mas denegrir minha imagem. Em outra oportunidade, em época pré-eleitoral, um texto meu foi censurado pelo editor de certo jornal. A diferença é que muito raramente trato de temáticas como essas que você aborda, Rodrigo Zucco. Minha pauta, pelo contrário, é voltada eminentemente para questões políticas e sociais que atingem o bem coletivo, como falo de forma exaustiva. Consequentemente, jamais sofri ataques como esses que recaíram sobre você. Devo dizer, por fim, que discordo do seu posicionamento. Não vejo nesgas libidinosas no fato de uma mãe amamentar seu filho em público. Vejo, outrossim, algo plenamente normal, afeito à nossa natureza animal. Cobrir ou não cobrir os seios no ato da amamentação, por exemplo, diz respeito a uma atitude da ordem moral. Como a moral, conceitualmente, pertence ao foro íntimo dos indivíduos, podemos ou não concordar com esse ato, algo que é plenamente compreensível. Expor posicionamentos morais de forma generalista ("a moça X é vagabunda porque usa roupas muito curtas", "o sujeito Y é esquerdista porque discorda do Julgamento do Mensalão", etc.) é um grande perigo, ao qual todo e qualquer articulista está submetido. Dessa forma, não vejo nada demais nessa repercussão do seu texto. Seu erro talvez tenha sido essa postagem, com todo o respeito. Se fosse comigo, eu simplesmente deixaria estar, como fiz nas ocasiões que citei acima. Mas já que a postagem está aí, não se pode voltar atrás. Sem mais mas sempre com muito na garganta, Eduardo Matzembacher Frizzo. Um abraço! P.S.: Agradeço pela gentil menção!
Carol Ferrary Rodrigo Zucco, Vi muita coerência no texto. O seio não é uma parte do corpo qualquer, como uma mão ou o nariz, é uma parte íntima. Acho que a mãe, quando amamenta, tem sim que preservar ao máximo a exposição desnecessária do seio, amamentar em público deveria ser feito apenas em caso de última necessidade. Vou dar um exemplo, não com as mesmas proporções, mas apenas para ilustrar minha linha de raciocínio... As pessoas, não deveriam nunca urinar em local público, mas em alguns casos não têm outra alternativa, e qdo isso ocorre, os homens costumam se esconder atrás de alguma coisa, ou ficam virados para as paredes, assim como as mulheres se abaixam em algum canto, ninguém simplesmente baixa a calça e faz xixi no meio de outras pessoa.
É óbvio que se o bebê está com fome, e a mãe está em local público, ela vai amamentar e fode-se.
O mundo mudou muito em relação ao "pudor", hoje as novelas em horários que crianças estão vendo TV mostram cenas de nudez e sexo, isso sem falar em cenas de crimes com bastante violência. Essas crianças são os adultos do futuro e cada vez mais o corpo será banalizado.
Sou da opinião que resguardar um pouco a intimidade é uma questão de respeito. Considero o seio uma parte íntima do meu corpo, eu tentaria ao máximo preservar em respeito ao meu marido e ao meu filho.
    

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pitangueiras


Uma das coisas que mais me entristecia na capital era a falta de árvores. Sempre gostei do cheiro úmido do mato, o barulho das folhas dançando com o vento. A brisa lambendo as flores e espargindo pólen e perfume pelo ar...
Nunca fiz distinção entre elas, embora reconheça que as frutíferas sempre me alegraram mais. Sou uma criança declarada. Não posso ver um pé de ameixinha amarela e quero subir e comer sentado nos galhos. Ameixa vermelha então, comia até dar dor de barriga.
Por infelicidade do destino, minha fruta preferida não é vendida em mercado, fruteira ou o que quer que seja. A pitanga só pode ser apreciada direto da fonte. Ou acha-se uma pitangueira e delicia-se de suas maravilhosas frutinhas, ou nunca as conhecerá.
Talvez por ser muito delicada, embora rupestre, a frágil pitanga não aguenta acondicionamentos nem tampouco transportes. E isso sempre me frustrou muito. Abandonar o interior significou por muito tempo abandonar também esses hábitos simples.
Hoje felizmente voltei a morar em Santo Ângelo e o destino que outrora castigara-me, agora presenteia-me com uma pitangueira justo no prédio em que moro.
Mas a vida de um apreciador de sabores peculiares não é fácil. Nos fundos desse mesmo prédio, no meio do pátio do vizinho, há uma pitangueira que dá fruto o ano inteiro, como se estivesse abanando para mim provocantemente. E não posso nem invadi-lo furtivamente, pois há lá dois cães de guarda.
Não obstante, agora em época de pitangas, passeio pela cidade e vejo uma quantidade gigantesca de pitangueiras – mais de 10 para mim é um horror, já que não tinha nem uma na capital – todas com frutas maduras, mas que por fatalidade já foram atacadas por crianças mais rápidas e com mais tempo que eu, e que agora só possuem frutas na parte superior das copas.
Sim, só posso ficar olhando. Não tenho como sair subindo nas pitangueiras das casas de qualquer pessoa.
Mas o ponto principal é que a pitangueira do meu prédio resolveu me sacanear esse ano. Não está dando frutas. Imaginem o desaforo?!
O mesmo destino que a colocou em meu habitat, agora me ludibria. Chego ao ponto de parar diariamente e ficar conversando com a fazida, já que dizem que falar com plantas é bom, que elas gostam e tal.
Se alguém tiver uma pitangueira em casa ou souber de algum lugar onde eu possa passar algumas tardes inteiras usufruindo da melhor fruta que existe, por favor, salve este pobre pseudo-escritor dessa tristeza sem fim. Ligue-me, mande-me um e-mail, um tuíte, um recado no face ou qualquer coisa que o valha. Agradecer-lhe-ei para sempre.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 26.10.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Geração sem foco

Em um texto anterior mencionei sobre a nova geração e como eles conseguem efetuar muitas coisas ao mesmo tempo. São maravilhosamente multitarefas. Conseguem absorver informações de muitos canais ao mesmo tempo, e de vários tipos.
O problema desse comportamento é o efeito colateral. Quem abraça muitas tarefas ao mesmo tempo acaba ou não encerrando nenhuma, ou quando o faz, peca fortemente em qualidade.
Percebo que a maioria dos jovens atualmente tem uma resistência preocupante com responsabilidade, persistência, continuidade e determinação. Isso faz com que as gerações anteriores mantenham-se no comando.
Como posso confiar em um funcionário que não se compromete? De que adianta ter alguém que é proativo apenas no que lhe interessa?
Quando se fala em profissionalismo, significa efetuar bem sua função. Isso implica em terminar uma tarefa iniciada, ser responsável em todos os sentidos, ter persistência mesmo nas adversidades, dar continuidade às empreitadas profissionais e demonstrar com atitudes sua determinação. Há carência por jovens que persistam e vistam a camiseta.
A geração mais nova só quer saber de empreender, mesmo sem conhecimento algum. Querem ser donos do próprio negócio, mas sequer conseguem administrar satisfatoriamente as finanças particulares.
Quando trabalham em algum lugar, basta receberem alguma tarefa que não lhes agrade e prontamente já se desmotivam começando a procurar outro local de trabalho.
Com esse tipo de comportamento, ao invés de ganharem experiência, estão maculando suas carteiras de trabalho e informando aos novos empregadores toda sua potencial instabilidade e despreparo profissional.
Obviamente existem jovens responsáveis e determinados no mercado, mas certamente nenhum desempregado. Ao menos não por um período maior que uma semana. Esse tipo constrói carreira na empresa que estiver.
Há ainda os fatores arrogância e soberba. A maioria da nova geração acha que aprende tudo mais rápido, que sabe mais sobre todos os assuntos e principalmente que consegue fazer mais, melhor e em maior quantidade que os “tiozões”. Basta experimentar ensinar algo para essa trupe pela segunda vez, ou cobrar algo que não ficou bem feito para perceber uma nada discreta reprovação.
Isso explica porque os jovens atuais não conseguem emprego facilmente ou não os mantém quando o fazem. Explica também porque para eles os salários não são os melhores do mercado, e por que os mais antigos tem sempre vaga cativa em funções importantes.
Funções que pagam bem requerem não só experiência e maturidade, mas responsabilidade, determinação e comprometimento. Isso tem um custo e é muito valorizado no mercado de trabalho. Fica a dica para os jovens: ou vocês percebem isso ou continuarão assistindo os “tios” ocuparem seus almejados lugares.
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 19.10.2013

Editado/corrigido por Josiane Brustolin
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br