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sábado, 5 de novembro de 2016

Geração Facebook 2


Li um texto fabuloso de uma garota da geração Facebook explicando o porquê de seus relacionamentos e tentando justificar sua volubilidade. 
Tudo faz sentido em minha cabeça, talvez por estar na geração intermediária entre a nova e a antiga e ter pego um pouco de cada. Ela alega que sua geração não é preguiçosa, que não querem conquistar tudo sem trabalhar por isso, que não se acham especiais, que sabem se relacionar com pessoas, que estão quebrando protocolos sociais, que estão de saco cheio de relações tóxicas, não querem preservar relações familiares ou conjugais que não sejam totalmente satisfatórias, que tem laços intensos com seus amigos virtuais, que dedicam o pouco tempo que possuem fazendo o que amam, que relacionamentos não precisam durar e que participam ativamente de projetos sociais virtuais para causas lindas e nobres 
A geração nova é sim preguiçosa, independente do que digam. Quando alguém faz só o que gosta, está vivendo em seu mundinho imaginário, não em sociedade. Viver em sociedade significa ceder, flexibilizar, fazer o que precisa ser feito eventualmente mesmo que não goste. Se todo mundo fizesse apenas o que gosta então teríamos escassez de quase tudo no que se refere a qualificação profissional.       
Preguiçosa porque só estuda o que quer, só faz o que gosta e quando gosta, só trabalha quando está afim e se o chefe olhar atravessado ou falar algo que ela não goste, não se dará ao trabalho de utilizar seus vinte centavos de inteligência emocional para gerenciar a situação. 
Querem sim conquistar tudo sem trabalhar duro por isso. Salvo exceções, a maioria quer que invistam, acreditem e comprem suas ideias simplesmente porque existem, sem demonstrar qualquer tipo de garantia ou segurança. Afinal de contas em sua cabeça está tudo certo e o mundo tem obrigação de lhes aceitar, entendem-se a evolução da espécie e os dinossauros é que não sabem como lidar com eles. (E ainda assim entendo que é fundamental fazer o que gosta e trabalhar com o que se quer.) 
Essa nova geração acredita que falar virtualmente é se relacionar. Entendem que é a nova maneira de relacionamento e que as gerações passadas não entendem nada. Que ficar dois anos conversando com um chinês pelo Steam nos torna namorados ou melhores amigos. 
Não entendem de fato como as conexões neurais funcionam e o que significa relacionamento. Não sabem o que é ser diplomático. Articular. Flexibilizar e contemporizar algum dilema a fim de manter a relação. Preservar algo de longa data e que sempre foi bom mesmo quando alguém faz algo de errado. Perceber as coisas positivas nas pessoas, mesmo que ultimamente ela esteja sendo uma imbecil. 
E não é por causa do tinder ou o que quer que seja dessas ferramentas digitais modernas. É porque simplesmente essa nova geração não se importa. Como eles mesmo dizem, estão c@g... pras pessoas que não são legais. 
Alegam que são mais livres em sua forma de se relacionar. Livres para eles significa absolutamente desapegada. Relação sem apego? Desculpe, isso não é relação. Alegam que estão quebrando protocolos sociais e introduzindo uma nova forma de relacionamento que os dinossauros não entendem. Será que isto é relacionamento? Considerar descartável? Descartar pessoas? 
Ouso afirmar que isso jamais será substituído. Relacionamentos e pessoas não mudam. Ao menos não nesse nível. 
Vale do silício, que é o que há de mais moderno no mundo no que tange a nova tendência de relacionamento e network é assim justamente por estreitar os laços entre as pessoas. 
Experimente negociar com alguém sem empatia, sem utilizar os princípios básicos carnegianos, sem entender de pessoas, agindo de forma desapegada e descartando. Não terá sucesso. 
Experimente entender o que é um sentimento profundo e sério sem se descobrir um pouco mais a cada crise. Explique-me como se evolui emocionalmente sem viver e enfrentar seus demônios internos? Sempre trocando quando começa a não ficar conforme sua projeção? 
É claro que muitos protocolos estão sendo quebrados e gosto disso. O que não pode ser feito é tratar relacionamentos e sentimentos feito fast-food. 
Se os parentes, familiares, amigos ou quem quer que seja estiver sendo tóxico, se afastar é a "solução" mais imatura possível. Até discutir é melhor que isso. 
Aceitar as pessoas como elas são sem julgá-las faz parte do que a humanidade é e de seus inter-relacionamentos sociais. 
Se você não aprende a lidar com o tio chato que é um imbecil sem noção, a culpa é sua. Aprenda a lidar com pessoas e tire de letra. Tão mais fácil colocar a culpa nos outros não é?! 
Impossível haver só alegrias e felicidades em qualquer tipo de relação. Isso é contra a lógica da existência humana que é falha e imperfeita. 
Se entendem sem tempo mas não o dedicam a coisas efetivamente produtivas. Estão sem tempo pois não sabem focar. A não ser que seja em videogame e em coisas que gostam, tipo tablet e smartphone. 
Nunca tem tempo para nada, mas não se qualificam e também não produzem algo. Falam que estão tirando tempo para si, quando na verdade estão alimentando suas obesidades mentais com enlatados virtuais recheados de cultura inútil - mas que eles escolheram consumir gulosamente. 
Relacionamentos precisam durar sim. Ninguém é uma ilha e também não somos bonecos de estante. Somos pessoas e precisamos de pessoas que nos tratem com respeito e que tenham zelo pelos nossos sentimentos. Simplesmente consumir pessoas como se fossem produtos de prateleiras não dará certo em tempo algum. 
Causas sociais virtuais são bem legais e lindas, mas com o tempo essa nova geração aprenderá que não adianta mudar aquele negócio virtual que ninguém sabe direito mesmo se existe ou se o recurso realmente alcança o objetivo sem mudar primeiro sua família, sua casa, sua vila, seu bairro, sua cidade, seu país. 
Entendo que muitos paradigmas estão sendo quebrados com novas posturas de gente que nasceu em um mundo totalmente diferente. Entendo que essas pessoas precisam aprender a se relacionar com as pessoas que sempre estiveram e sempre estarão no mundo. 
Ou os humanos aprendem a conviver entre si, ou teremos em muito pouco tempo mais uma onda de guerras. Será um retrocesso evolutivo. O mundo é feito de pessoas e os novos PRECISAM aprender a se relacionar entendendo maduramente o que sentem. 
Enquanto a geração Facebook não passar por provações, certamente não forçará seu cérebro a entender o que é inteligência emocional. Afinal de contas ela só amadurece exercitando, e de nenhuma outra forma. 
E hoje eles fogem disso usando desculpas como quebra de protocolos sociais.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 16.07.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Geração Facebook


Percebo que muita gente hoje está contaminada pela geração Facebook.
Essa nova geração que se criou aprendendo o funcionamento da timeline acabou aprendendo uma coisa que as gerações anteriores só conheceram por quem tinha desvio de caráter.
Não por mal, mas as novas gerações que cresceram rolando postagens e treinando o cérebro a ignorar o que não gostavam, a parar de seguir o que não era mais interessante e a descartar o que não era atrativo treinaram também descartar pessoas.
O que muita gente não entende é que essas redes sociais virtuais são redes de relacionamentos, feitas entre pessoas.
Isso manda informações perigosas aos cérebros dos usuários, e os mais novos não sabem como diferenciar as coisas.
Quando eu rolo uma timeline e paro de seguir pessoas, e desconsidero o que muita gente fala. Quando tenho um mundo de pessoas ao meu dispor para acessar e descartar, acabo me acostumando a me desapegar de pessoas reais também.
Isso ensina as novas gerações que as pessoas são descartáveis. Que os relacionamentos, a família, o emprego e os amigos podem ser rolados tela abaixo até encontrar algo melhor.
A mensagem é tão forte e profunda que mudou a forma de nos relacionarmos. Mesmo que não pertençamos a essa nova geração, ao sermos descartados por elas acabamos entendendo a nova sistemática e, ou aderimos e começamos a fazer o mesmo, ou começamos a nos proteger criando barreiras que nos impedem de termos os mesmos vínculos afetivos que aprendemos desde cedo.
Resumindo, ou descartamos, ou nos bloqueamos.
Aí você pode dizer que não se aplica a nenhum dos dois e que continua tendo o mesmo tipo de laço e vínculo que sempre teve com todo mundo.
Pois sinto lhe informar que isso respingou em todos.
É assustador imaginar que um site muda o comportamento de um mundo inteiro, eu sei. Mas repare em como as pessoas estão se relacionando atualmente.
Pense em quantos relacionamentos conhecidos acabam por besteiras a cada dia. Aquilo que ocorria no tempo de nossos pais, coisa de lenda de livros onde as pessoas casavam para a vida toda e eram fiéis e felizes, hoje não passa de meras palavras no livro da história.

Hoje todo mundo já está revendo seus valores, seu caráter e seus princípios. Quem ainda os mantém incólume, sofrem muito com essas novas gerações.

É muito doloroso ter valores e caráter “a moda antiga” e perceber que todas as novas gerações sequer consideram o “fio do bigode”.
A palavra não vale mais. Mentir e se corromper é normal. Não gostou de algo que a pessoa fez, basta não falar mais com ela e tudo bem. O videogame ou o mundo virtual são toda a companhia que se precisa.
Não sei qual será o resultado desses novos valores, mas sei que certamente não estão combinando com os da minha geração para trás. Por isso os mais antigos ainda estão dando as cartas.
Quando isso mudar, teremos um mundo bem diferente do que conhecemos hoje, com princípios e valores novos.
É um rompimento severo que precisa ser acompanhado de perto.
Ainda sou do tempo da credibilidade e de fazer o certo sempre. Estou certo que as novas gerações não se preocupam com isso, se analisado profundamente.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.07.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Finanças




Tradicionalmente, planejamento e finanças são os setores mais difíceis para os empresários brasileiros. Um pouco por cultura e outro pouco por falta de educação desde o ensino fundamental a respeito destes temas. 
Ocorre, entretanto, que quando alguém pretende efetuar algum tipo de gasto, qualquer que seja, independente se um financiamento de 30 anos ou um vale na esquina até a semana que vem, qualquer pessoa responsável e consequente avalia sua capacidade de pagamento. 
Se não fosse assim, sempre que quiséssemos sairíamos comprando desenfreadamente tudo o que nos desse vontade sem sequer avaliar o financeiro. 
O governo durante a administração do PT não levou em consideração que a economia mundial estava em forte aquecimento e que o dinheiro oriundo dessa boa maré não se sustentaria por muito tempo. E planejou suas contas com o que ainda não tinha em caixa. Caixa este que já estava com mais dinheiro do que o habitual. 
A economia voltou ao normal e o Brasil, mais por má administração do que por interações geopolíticas, perdeu espaço econômico no mercado mundial. 
As contas não diminuíram. O governo resolveu que iria distribuir dinheiro para todos, tipo o Silvio Santos em seu programa de auditório, com claros propósitos eleitoreiros. 
Insustentável. 
Hoje o país entrou em colapso. A crise, que é mais política que econômica, veio e está apertando o cinto de muita gente. Sobretudo daqueles que não planejaram e não sabem administrar suas finanças. 
Neste cenário, ficar distribuindo bolsas, comida, gás, propinas, faculdade, incentivo, subsídio, aumentos, concessões, etc., não é viável. 
O governo assumiu um custo monstruoso e como qualquer pessoa que conhece um mínimo de administração financeira entende que  agora não tem como pagar. 
Então veio o Temer com o Meirelles. 
A ideia era de que com outro presidente as inacreditáveis incompetências efetuadas por Dilma cessassem. 
Entretanto nem sempre o que esperamos acontece. 
Ululante que Temer não é pior que Dilma. Não há como ser. Nem Tiririca seria. Mas então um ministro seu anuncia um pacote de aumento nos salários de alguns servidores que gerarão um acréscimo aos cofres públicos de 40 BILHÕES até 2019. 
Pense comigo. Não temos dinheiro. Crise. Mercado global recuando. Dificuldade. E o cara dá aumento de 40 bilhões? 
Quando questionado sobre como será efetuado o pagamento ele afirma que depois vão dar algum jeito. Que isso depois eles veem. 
COMO ASSIM? 
Então eu vou agora mesmo comprar uma Lamborghini e depois vejo como será pago. 
E não para por aí. Não satisfeito em aumentar os custos, ele anunciou e certificou-se de que reduzirá os lucros. 
Informou que vai retirar os incentivos aos empresários que são hoje os únicos que produzem dinheiro no país e que geram empregos e riqueza. 
Toda a nação vive dos empresários. Os serviços públicos recebem salários porque os empresários geram receita em impostos e o governo transforma isso em salário. As pessoas têm empregos porque os empresários instituíram empresas e disponibilizaram vagas pagando o salário que injeta dinheiro no mercado. 
Não toda, mas a maior parte dos recursos circulantes no país hoje é oriunda da classe empresária, ou seja, é a fonte de renda da nação. E esse governo além de aumentar os gastos inconsequentemente, também reduz os ganhos. 
É... realmente está cada dia mais difícil morar no Brasil. 
Não vejo futuro para uma nação onde endemicamente a corrupção, o jeitinho, a preguiça, o menor esforço e o paternalismo valem mais do que a competência e o esforço.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 02.07.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Bairrismo




O bairrismo é positivo ou negativo? 
Vejo muita gente sofrendo com a discriminação apenas por determinada pessoa ser de algum lugar específico, como argentinos, nordestinos, cubanos... 
O bairrismo fez a cidade de Santo Ângelo se isolar da região. Ijuí e Santa Rosa que antigamente eram fortes parceiros comerciais, hoje abandonaram a capital das missões por incompetência política de muitos gestores praticada por décadas a fio. Santo Ângelo foi bairrista e hoje sofre com isso. 
Os gaúchos são extremamente bairristas. A ponto de não enxergarem o quão limitados somos em tanta coisa. A maioria do nosso povo vai para as praias do Nordeste e Santa Catarina e fica comparando tudo com o sul, como se fosse uma competição. 
De uma maneira geral vejo o bairrismo como algo arcaico. Do tempo das cavernas onde os homens brigavam por território. 
Hoje em dia o mundo mudou e o mercado se transforma a cada dois anos. 
As empresas que continuam fazendo as coisas de ontem hoje, estão definhando. 
Vivemos em um mundo globalizado onde a cultura de parceria comercial é muito forte. Onde se faz negócios com o vizinho aqui do outro lado do mundo. 
Dentro desse contexto ainda vejo pessoas defendendo que precisamos criar proteções para o comércio local e nos fecharmos unidos contra essa maléfica conduta liberalista contemporânea. 
Sinto informar que o novo modelo de negócios do mundo veio para ficar. Não adianta tentar criar barreiras. 
Hoje quem compra, pesquisa. Vai para a internet. Busca preço, qualidade, variedade. Quer ser bem atendido. Procura vantagens. 
Habitualmente as cidades do interior não qualificam seus colaboradores. Não fazem ideia do que esteja acontecendo no mundo das vendas. Não estão atualizadas com novas ferramentas e políticas comercias voltadas ao consumidor final. E reclamam que as grandes empresas estão roubando seus clientes. 
Será que não seria mais inteligente rever sua política corporativa e tentar, tal e qual o exemplo do Mercado Brasco de POA, propor aos seus clientes justamente o que eles buscam? 
Vejo comerciantes propondo uma barreira para que os consumidores comprem apenas da cidade a fim de garantir a circulação de capital e aquecer o consumo. 
Entendo o raciocínio e ele faz sentido. Na medida que isso ocorre, certamente há um fortalecimento comercial e isso sustenta o progresso. 
Mas isso não pode ocorrer onerando nosso cliente. Prejudicando nosso povo. 
Se a população se conscientizar em ao menos priorizar suas compras no mercado local e apenas quando for muito vantajoso comprar fora, tudo resolve. 
Mas querer convencer o povo a comprar aqui o que o cliente encontra fora pela metade do preço e com qualidade maior, além de estar mais alinhado as novas tendências de moda, não tem cabimento. 
Comprar aqui a mesma coisa que se compra fora, a uma pequena diferença de valor, eu apoio. 
Alguns empresários nessa discussão alegam não terem condições de competir com grandes empresas e que se não for feito um trabalho de conscientização da população, todas as lojas vão quebrar. 
Pois então preparem-se, todas as lojas vão quebrar! 
Se os comerciantes locais não estão prontos a adaptarem-se à nova realidade de mercado, se não souberem se mostrar competitivos frente aos grandes, se não conseguem entregar aos clientes o que os clientes buscam, serão invariavelmente absorvidos pelo mercado. 
É preciso repensar rapidamente o atual modelo de negócios. Todos os dias empresas pequenas despontam e tornam-se gigantes, enquanto outra quantidade enorme reclama. 
Se você não está preparado para competir com o mundo, troque de profissão. Se seu negócio não tem diferenciais competitivos, feche as portas. 
Conhecemos nossos clientes melhor do que qualquer grande empresa. Temos network. Temos vantagens significativas e se nada disso é suficiente para desenharmos propostas de valor aos nossos clientes que os persuada a consumirem conosco, o melhor a fazermos é realmente nos retirarmos do mercado. Isso será um grande favor a evolução, a economia e aos clientes. 
Longa vida a livre competição que proporciona aos clientes melhores benefícios a menores custos com cada vez mais respeito e encantamento. 
"Não são as espécies mais fortes que sobrevivem nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças." Charles Darwin



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.06.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br
    

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Não existe cafezinho grátis



Não existe cafezinho, nem almoço, nem o que quer que seja. Nada é de graça nesse mundo. Nem gestos. 
Atualmente, ocorre na cidade uma campanha por isenção de passagens para estudantes. Estes, muito mal orientados, ou pior, bem orientados por pessoas mal intencionadas, estão reivindicando passagem grátis para quem estuda. 
Grátis? 
A alegação é a de que ninguém será prejudicado. A prefeitura isentará de impostos a empresa de transportes que em contrapartida repassará a isenção em forma de transporte sem custo aos estudantes. 
Eu não entendo se é má fé ou se realmente os manifestantes não entendem as implicações disso. 
Há uma conta "x" a ser paga pelo município (e aqui não entrarei no mérito se estas contas estão altas demais ou não, nem se as contas estão corretas) e o dinheiro vem do povo, mediante arrecadações de impostos. 
Se o município não arrecada a quantidade "x" de recursos, não paga todas as suas contas, o que gera dívida com juros, e isso reflete em mais escassez de dinheiro na administração pública. 
Ou seja, segurança, saúde, educação e todo o resto custeado pelo município, terá menos recurso. 
E mesmo que aleguem que a quantidade de recursos não arrecadada nesses impostos seja insignificante frente ao orçamento municipal, ela terá que ser cobrada de outra forma, de outro lugar. 
Se as passagens não forem cobradas dos estudantes, não importa o que digam, serão cobradas em outro tipo de imposto de outras pessoas e mesmo dos estudantes. 
A conta precisa ser paga. 
Ocorre que hoje a maioria da população não se preocupa genuinamente com o coletivo. Entendem que o paternalismo e assistencialismo tem o dever de custear as coisas para as classes menos favorecidas como se elas fossem atrofiadas e não pudessem gerar recursos para se manterem. Pensam em si. 
"Tendo para mim, eu não pagando passagem, tá valendo!" 
Foi o que ouvi de um aluno. Mesmo eu tentando explicar que essa conta seria paga por ele de outra forma com outros impostos ou que outras pessoas pagariam a mais em muitas outras coisas para que ele tenha esse direito, foi feito cara de desdém. 
"Isso não é problema meu. A empresa não pagando imposto ela não tem prejuízo e pode dar passagem de graça pros alunos". 
O povo só quer lograr vantagem. Quer que uns trabalhem e produzam e gerem riqueza para que muitos vadiem, recebam, ganhem do governo e da administração pública. 
Aliás, público é isso, não é seu ou meu, é público, é de todos. E beneficiar uma pequena fatia da população com recurso de todos, pesando ainda mais a já insustentável carga tributária desse cambaleante país é um ultraje. 
Pegar todo o dinheiro de quem trabalha, durante seis meses, para ficar pagando passagens e outras coisas que não são utilizadas por quem paga, como SUS ou segurança, não tem cabimento. 
Pagamos altos impostos para dar esse horror de benefício a quem se entende no direito, e ainda pagamos saúde a parte, segurança a parte, educação particular, pavimentação própria, etc. 
Então para que serve o dinheiro público? Então alguns poucos devem trabalhar para que muitos vivam na vadiagem? Não seria melhor se todos trabalhassem e gerassem riqueza da mesma forma? 
Voltando ao assunto, a passagem não será grátis! Esse custo sairá do seu bolso, hoje ou amanhã. Ou do bolso de sua família e afetará sua renda familiar de qualquer forma. 
Acorde! Não existe cafezinho grátis.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.06.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br     

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Você é vendedor?





O que é vender em sua opinião?
A maioria das pessoas entende que saber o que o cliente quer, saber atender o cliente, conhecer sobre seu produto, ter experiência e anos em vendas é vender.
Será?
Os clientes mudaram. O mundo mudou. Nos últimos quatro anos assim como vem acontecendo permanentemente, a cultura de consumo vem se transformando e experiência é baseada em cultura e comportamento de clientes.
Vendedores que não estão permanentemente se qualificando, treinando, aprendendo, e buscando adaptarem-se as novas práticas de mercado não podem ser considerados vendedores. São atendentes. 
Bons atendentes. Gente experiente que sabe muito sobre o que ainda é boa parte do mercado atual, mas que será invariavelmente absorvido pela nova realidade que veio para ficar e desbancar antigos paradigmas.
Vendedores que se consideram vendedores sem entender o que é sequer um funil de vendas, etapas de venda, não sabe usar as ferramentas digitais, não é mais vendedor e sim um espectador desse dinâmico novo cenário.
Há uma abissal diferença entre vender e atender.
Muitos entendem que venda é bico. Estão errados!
Ser vendedor é uma das funções mais completas e complexas do mercado.
Saber como cada geração consome e preparar-se para isso é um bom começo. Geração X consome assim, Y assado, Z de outra forma, Milleniums mais ainda. E os “vendedores” ainda acreditando que sua experiência faz alguma diferença com esse novo modelo? Isso é arrogância!
O mundo virtual veio para ficar e não há clientes que hoje comprem sem pesquisar lá. Vender sem site? Prepare o estômago pois a fome será uma realidade.
Não existe forma de prestar consultoria (termo mais adequado ao vendedor moderno) sem entender sobre economia, juros, inflação, influência política.
Isso é básico para orientar quanto a bons investimentos, retorno e afins.
É importante conhecer além das ferramentas triviais de vendas - tanto as clássicas quanto as virtuais – técnicas de negociação.
Além disso, entender os tipos de perfis de clientes, formas de comportamento e identificação de motivador de compra.
E não para por aí. 
Saber ler seu cliente e entender de leitura corporal também significa muito e é certamente um diferenciador entre uma conversão em venda e uma desistência.
Estudar neurolinguística e comportamento social completam o quadro das “ferramentas” básicas.
Mas a busca continua, é também importante conhecer seu produto/serviço, estar sempre se atualizando, buscando novas referências. Agregando valor ao que já é habitualmente oferecido para o mercado a fim de apresentar diferencias que não só excedam a expectativa do cliente, mas encantem-no.
Encantar o cliente. Essa deveria ser a grande jornada de todo vendedor. Entretanto muitos entendem que aquela satisfação é o tal encantamento.
Quando o encantamento é a busca, a fome nunca é saciada. Revistas, newsletters, jornais, sites especializados, webinários, cursos, simpósios, palestras, livros, práticas e finalmente a incorporação perene da educação continuada.
Se isso não é feito, então você não é um vendedor. 
Você pode ter perfil, pode ser aspirante a vendedor, pode ter sido vendedor um dia, mas no atual cenário, vendedor é completo, é perfeito, é obstinado e comprometido com o encantamento de seu cliente.
Vendedor é bem sucedido. Ganha bem e não se conforma com pouco e nem admite resultados modestos. É quem tem sucesso e conforto.
Repare que todos os filmes onde as pessoas são executivos de sucesso, atuam em vendas ou são empreendedores. Ou os dois.
Para quem já se perguntou por que vendas paga tão bem e não teve resposta, agora eu explico. Vendedor estuda e se qualifica mais que médico e mais que servidor público que se matou de tanto estudar.
Se você é consumidor, sugiro que não entregue seu dinheiro a quem não se dá ao trabalho de sequer fazer o seu básico dever de casa e entende que sabe muito e que isso basta. Compre com quem se esforça para lhe encantar. Quem se qualifica.
Pessoas honestas não jogam no lixo tanto empenho e esforço por um mau negócio. Quem encanta é além de competente, honesto. Ou seja, negócio seguro.
Compre com quem é vendedor.
Se você é vendedor e segue essa filosofia, fale comigo. Terei o prazer em lhe oferecer uma colocação de mercado que atenda todas suas expectativas.
Se acredita que seja e não segue o que escrevi acima mas entende que tem perfil, fale comigo, podemos lhe ensinar.
Se entende que tudo que falei é besteira e realmente acredita que é difícil ou cansativo demais e que pode-se vender hoje em dia sem algo que falei, então convido você a trabalhar junto a minha... junto a outras empresas quaisquer.
Então pergunto novamente. Você é vendedor?
E antes que responda, não se culpe. O mercado ainda é dominado por excelentes atendentes, que não são vendedores, mas que fazem um trabalho fenomenal. Não há demérito algum em se entender um excelente atendente. Afinal de contas, atender é também bastante complexo e exige muito do profissional.
Atendentes qualificados frequentemente excedem a expectativa do cliente.
Se você é atendente, orgulhe-se! Você domina o mercado e ainda dita regras de atendimento em muitas coisas.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 11.06.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Não é o estupro




Essa semana muita gente ficou discutindo sobre estupro. 
Achei engraçado que no meio dessa discussão toda sobrou machismo pra cá, feminismo pra lá, coxinhas e pelegos e tudo mais que é "ofensivo" e poderia ser usado como rótulo depreciativo. 
Vi pessoas desfazendo amizades por não serem capazes de pensar diferente e coabitarem na mesma, pasmem, timeline. 
Uns dizem que foi estupro e defendem sua posição. Outros dizem que não foi e defendem outro aspecto. 
Pelo que eu entendi, a maioria das pessoas que era "a favor" do estupro, entendeu que a menina não foi estuprada. 
Ela trocou sexo por drogas, com uma turma que já tinha feito isso antes. A própria mãe da menina disse que demorou para acontecer e que sabia que a menina já havia trocado sexo por drogas com 5 meninos. 
Soma-se isso ao contexto todo do local, da turma, do horário, da companhia, etc. 
Isso significa então, ao menos para a polícia e para metade das pessoas, que não foi estupro e que a menina, para sacanear ou porque viu que havia sido exposta na nuvem, resolveu alegar estupro. 
O que me deixa desconfortável com isso tudo é um cara postar uma foto visivelmente tranquilo, ou seja, não era alguém desequilibrado ou daquelas pessoas que habitualmente percebemos não fazer parte de um bom convívio social e ainda assim, mesmo com 30 testemunhas dizendo algo, por uma pessoa dizer outra totalmente diferente, ela estava certa e todos os outros errados. 
Agora pense comigo. Digamos que essa menina não foi mesmo violentada (e considero esse um dos mais bárbaros crimes existentes. Que fique claro que sou veementemente contra qualquer tipo de abuso ou violência contra qualquer pessoa) o que acontece com as 30 vítimas? 
Pense mais longe então, nos precedentes que isso abre. 
Se depoimento não vale, qualquer mulher pode ter sexo selvagem com alguém e incriminar outra pessoa. Basta que a mesma não tenha um álibi sólido. 
Isso é um absurdo! 
E reitero. Não sou a favor do estupro e não estou afirmando que ela não foi estuprada. Estou trazendo fatos e uma reflexão quanto a tendenciosidade da justiça brasileira. 
Ninguém que está defendendo a pobre moça sequer considerou que ela possa ser alguém sem amor próprio, sem valores. Uma daquelas mulheres "da pá virada" e que goste de sexo grupal com 30 homens e que depois de aproveitar todos eles caiu cansada em êxtase e por efeito das drogas que seriam seu pagamento? 
É preciso ver os dois lados sempre. 
E quem defende que ela não foi estuprada, já pensou que se de fato ela o foi, como deve ser o procedimento agora? 
O que precisa ser feito para evitar que se repita tamanha atrocidade? Qual a maneira de coibir e punir esses 30 estupradores? 
O que deve estar passando na cabeça da menina? 
Independentemente de sua posição isso não deve, sob hipótese alguma, prejudicar qualquer laço social ou pessoal. O mundo é cheio de opiniões diferentes e aceitá-las faz parte da civilidade. 
Inadmissível que não consigamos dialogar em pleno século 21. 
Falta empatia e humanidade para os humanos.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.06.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A culpa é minha!





Essa frase vem se tornando um mantra entre pessoas de responsabilidade e que entendem o quão pobre e limitado é o raciocínio de colocar a culpa em alguém ou mesmo encontrar um culpado para alguma falha. 
É mais simples do que se imagina, e depois de pouco tempo de reflexão tão claro que se torna óbvio. 
A célebre frase de Hommer Simpsom em que ele fala "A culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser" fala muito sobre sua personalidade. 
Gente fraca de mente, fraca em preparo, sem conhecimento ou mesmo estrutura sempre procura um culpado para algo. 
Enquanto eu não encontrar o culpado não descansarei. Fora a justiça legal, não vejo sentido para tal sentença. 
Que diferença faz quem é o culpado para o início de uma briga? Ou para um gol sofrido? Ou uma estratégia errada? 
Não vendo porque o governo isso ou aquilo. Não terminei minha faculdade por causa de tal coisa. Não caso porque meu pai tal coisa. Se beltrano tivesse feito teria dado certo. O cliente não fez. O parente não ajudou, etc. 
Se algo em que estou trabalhando dá errado, a culpa é minha. Ou deixei de fazer alguma coisa que precisava ter feito, ou não me precavi, ou não me preparei suficientemente ou alguma outra coisa, mas fatalmente se em minha função o resultado não foi dentro do esperado, é porque em algo eu falhei. 
Mas a culpa realmente foi do fulano. E você, que era responsável por aquilo, quando permitiu que o fulano participasse, não explicou direito ao fulano, não se certificou de que ele tenha entendido, não acompanhou ao longo do processo a tempo de corrigir antes do erro concluído, estava fazendo o que? 
Mas eu expliquei direitinho, tenho culpa se a pessoa não aprendeu? Agora a falta de inteligência do outro é culpa minha? 
Claro, se eu não soube explicar, quem não soube fui eu. Se a pessoa não está afim, culpado eu que não a persuadi. 
Mas, puxa, o cara é meu compadre, e ele enlouqueceu. Como vou prever que alguém iria enlouquecer? Não tenho como adivinhar isso! 
Culpado eu que escolhi a pessoa errada para compadre. Devia ter escolhido alguém mais confiável. Conhecendo hoje as pessoas como como conhecemos, podemos sim identificar a consistência psicológica e na conduta de cada um. 
Não tenho culpa se caiu o que eu não estudei no concurso. A culpa por não ter estudado algo é da banca ou sua? 
Mas não estava claro no edital. A culpa pela má interpretação é de quem? 
Contratei errado, culpa da empresa de recrutamento? Culpa minha que não me qualifiquei para identificar corretamente os perfis. 
A empresa quebrou, está no vermelho, não vai bem, perdeu mercado, está sendo superada pela concorrência. Culpa minha que não planejei, não analisei o mercado e suas tendências, não estudei suficiente, não geri de forma satisfatória... 
A equipe não entrega o resultado que eu gostaria. Culpa minha que não sei lidar com pessoas e extrair delas o melhor. 
Não consigo vender porque a crise, a Dilma, O Temer, o tempo, a seca, a gripe... E as pessoas que conseguem vender na mesma área, mesmo ramo, mesmas condições são o que? Sortudas ou competentes? 
Ah, mas daí é sorte e não competência. Então quer dizer que se você se mata estudando para uma prova, aprende tudo e vai super bem é por pura sorte e não mérito de seu esforço? Ou aí é diferente? 
De hoje em diante quando algo não acontecer como gostaria, pense com atenção antes de sair apontando o dedo para um culpado. E se for fazê-lo, faça-o em frente ao espelho. 
É vital assumirmos as rédeas de nossas vidas e se algo não acontece como queremos, é vital para evitar reincidência que reconheçamos nossa culpa. 
Isso é ser adulto e maduro. 
Ficar procurando alguém para assumir a responsabilidade de algo que falhamos é baixo, é raso e é degradante. 
Eximir-se de algo por temer as consequências, por saber da punição, ou mesmo por não querer que os outros vejam que não somos perfeitos é atitude de gente mesquinha e desqualificada. 
Seja honesto e firme. Bata no peito e assuma a responsabilidade de seus atos e do sucesso em sua vida.     


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 28.05.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ocupação das escolas





Estou participando de um projeto que visa fomentar o empreendedorismo nos jovens. Atualmente, temos quatro "miniempresas" aprendendo como é todo esse processo de criação de um projeto, desenvolvimento de um produto, produção, marketing, vendas, financeiro, impostos, etc. 
Uma das escolas é o Pedro II. Nessa escola está ocorrendo um movimento de ocupação. 
O movimento é fantástico! 
Os alunos têm um nível de politização que jamais a minha geração com a idade deles pensou ter. Entendem um pouco de política, de economia, de mercado, de governo, entre outras coisas. 
Eles reivindicam melhor salário e repasse integral e não parcial aos professores. Querem um novo cardápio para a merenda e que de fato o dinheiro para isso chegue até a escola. 
A causa deles está certíssima. Eu e qualquer pessoa que pensa no futuro da nação entende que isso é fundamental. 
Salário ruim aos professores é um absurdo! Não ter dinheiro para merenda deixa muita gente sem ter o que comer no dia e isso é assustador. 
Questionei qual seria a proposta de solução para a luta deles. A maioria respondeu com muita insegurança e com argumentos que não servem na prática. 
Fazer um movimento onde a escola é fechada, sem trazer uma proposta de solução, dificilmente gerará algum resultado consistente. 
Insisti com eles para pensarmos em algo. Defendi que devemos sim continuar lutando pelo que eles querem, que é claramente o correto a fazer, e que deveríamos trazer junto uma proposta de solução. Apenas apresentar um problema e dizer "se virem" não dá certo. 
Nesse momento alguns representantes da União da Juventude Socialista vieram trazer mais consistência para as respostas e ao debate. 
A solução apresentada por eles era aumentar os impostos, mas não de todo o povo, apenas de quem é muito rico e possui aviões particulares. Impostos sobre aviões particulares. 
Segundo eles, como ganham muito mais e tem condições de comprar aviões, devem pagar mais impostos e custear o rombo do Estado. 
Então questionamos se a solução para a falta de dinheiro seria mais impostos. Eles informaram que seria uma saída a curto prazo. 
Questionei se o problema era de todos nós, por que apenas alguns deveriam custear a solução? Questionei também se uma menor quantia de toda a população não arrecadaria mais do que uma quantia de poucos. Um milhão dos caras dos aviões? Ou um real de 10 milhões de gaúchos? 
Eles alegaram que eles eram pobres, não tinham dinheiro e que quem tem é que precisa pagar. Eu entendo que essa não é a solução. Não é onerando uma pequena parcela que se resolve. 
Mesmo porque esse pessoal acabaria saindo daqui, iria para algum lugar em que não fosse necessário pagar esse absurdo de impostos. Mais de 40% de todo dinheiro do cidadão já é imposto. 
Então eles sugeriram que o Sartori não deveria segurar o dinheiro. Que ele tem, mas que segura e vai pagando aos poucos e isso desaquece a economia, freando a circulação de dinheiro. 
Perguntei se eles tinham certeza que o dinheiro existia e se a prestação de contas era uma mentira então. Se o que era divulgado publicamente que a arrecadação é menor do que as despesas não era verdade. Aleguei que recebemos 10 e temos que pagar 15, e que ninguém está segurando, apenas não tem de onde tirar. 
Eles falaram que então o Estado deveria apertar a fiscalização dos impostos, pois há muito mais a ser arrecadado e negligentemente não é feito. 
Questionei então se a saída deveria ser mais impostos, eles confirmaram. 
Perguntei o que eles fariam quando as empresas que hoje geram riqueza e empregos começarem a declarar absolutamente tudo (e é sabido que grandes empresas sonegam muito) e por isso demitirem gente por não ter como pagar, e consequentemente produzir menos, e consequentemente gerar menos impostos e arrecadar menos? 
Me responderam que isso não aconteceria, que as empresas devem sim pagar e que se quebrar é porque estavam erradas. 
Concordo que sonegar é absolutamente errado e que não deve ocorrer. O que não muda o fato de que se grandes empresas declararem tudo, milhões de pessoas ficarão desempregadas e consumirão menos, gerando menos impostos, tornando o governo mais pobre ainda. 
Alegaram que é dever do estado gerar emprego e prover habitação para todos. Concordo. Questionei como isso deveria ser pago, não tive resposta objetiva. 
Acredito que eles não haviam seriamente se questionado sobre isso tudo ainda. Espero honestamente continuar o debate e junto pensar em uma solução que não seja utópica. Que de fato possa ser atingida. 
Defendo que lutem por melhores condições com o que tem hoje, mas que não esperem pelo governo. Busquem alternativas, peçam doações. Tentem produzir algo que gere recursos para escola e que com isso consigam uma melhor merenda e quem sabe até melhores salários para os professores. 
Concomitante a isso a militância precisa continuar. Precisamos acreditar que é possível mudar tudo isso que está errado, mas não apenas esperando que o governo provenha. Buscando isso mas trazendo alguma solução e paralelo agindo de forma alternativa para, até que o moroso governo se transforme ou providencie a solução, não continuemos passando fome. 
Coloquei-me a disposição não só para o debate como para auxílio do que também acredito. A educação é a ÚNICA solução para o Brasil. 
Juntos podemos muito mais do que cada um puxando para um lado. 
Registro aqui meus sinceros parabéns e respeito aos alunos da escola Pedro II que ocuparam a escola por acreditar em seus ideais. Por lutarem por isso e seguirem firmes em suas convicções. Pelo nível de politização, que tão jovens já possuem, e principalmente pela coragem. 
Vocês estão mudando o país!     

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 21.05.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Companhia empreendida






Final de semana desses comentei sobre um utensílio doméstico e minha falta de experiência para adquiri-lo. 
Entre os comentários, um estimado amigo que muito respeito e prezo aconselhou-me a encontrar companhia, pois a solteirice não faz bem. 
Pensei um momento a respeito e respondi que adotaria uma guaipequinha. 
Brincadeiras à parte, aquilo me deixou pensando muito. Avaliei algumas decisões e seus respectivos desmembramentos. 
Não é fácil empreender, ao contrário do que muita gente pensa. 
Não é apenas abrir um ponto e sair vendendo. Há muitas escolhas a se efetuar. Há que se abrir mão de muita coisa. 
Paz? Isso não pertence por muito tempo a quem resolve enveredar por esse caminho. Há muita preocupação, muito trabalho, pouco sono, pouco descanso, muitos problemas e pouco dinheiro. Por muito, muito tempo. 
Quem não adoece antes, ou quebra, ou vinga, ou segue cambaleando até adoecer. 
É definitivamente agitado. Muita ação, muitas decisões, muitas opções de caminhos, e consequentemente muitos finais possíveis. 
É necessário entender de tudo um pouco. Economia, política, geopolítica, finanças, estratégias de mercado, vendas, planejamento, técnicas de vendas, estratégico, técnicas de negociação, neurolinguística, comportamento humano, interação social, pessoal e virtual, network, marketing, coaching, mentoring, 
RH, etc. 
Nunca pode parar de se atualizar, é necessário estar permanentemente lendo, aprendendo e fazendo cursos. Como se para viver estivéssemos ligados por aparelhos, e eles fossem a informação quente. 
Conversei com alguns amigos a respeito e eles me deram um veredito preocupante e entristecedor, mas que deixa nós, empreendedores/sonhadores, orgulhosos. 
Não há conversa comum conosco, via de regra. Misturamos política com banalidade. Música com comida e etc. 
Se alguém está afim desses seres estranhos que empreendem como profissão, ou "persipíca", ou fica para trás. Tem q ser perspicaz! 
É preciso estar ligado no 330, o que é trivial não importa. Leitura fácil é morna e aborrece. Os sinais falam mais do que o explícito. 
Clareza é para fracos, aprenda a ler as entrelinhas. 
O paraíso passa antes pelo inferno e o inferno será um paraíso. Tão quente quanto possa dentro de nuvens, de vapor. 
Navegar em aguas calmas não é desse ramo, e quem gosta, não aporta nessa praia pois ninguém é totalmente lúcido ou ajuizado. 
Sabe aquela história de incansável? Pois é... Multiplica e eleva na geométrica. 
Atitude até demais. Enquanto muita gente teoriza, essa raça faz, e faz mesmo. Não pode ficar filosofando sobre o ovo ou a gal... O cheiro está bom, quero provar esse coraçãozinho. 
Viver o presente trazendo aprendizados seus e de mais uma tropa do mesmo time, sem apego ao passado. Vislumbrando o futuro, sem deixar de estar aqui em cada precioso momento. 
Românticos apaixonados, descrentes no amor, e esperançosos em encontrar sua alma gêmea. 
Romantismo onipresente? Nada disso, isso é coisa particular demais. Complexidade sim. 
Querer o mundo enquanto come um sanduíche que talvez esteja vencido e completa com pizza fria e coca sem gás. 
Efemeridade e superficialidade? Jogo rápido? Dificilmente encontrará pouso nesse navio. 
Sexo casual não tem a ver com envolvimento. 
Não é fácil se envolver com quem tem por ideal de vida seguir alguns valores a qualquer custo não hesitando sequer questioná-los. 
Por entender a importância das relações, prezar por amizades leais é mantra. Família é base. Coração sempre intenso. 
Confusão e borboletas. A cabeça de qualquer um fica atropelada, muito ritmo. 
Quem quer paz e normalidade, foge para as montanhas. Tem gente que depois de passar um tempo junto fica meses ou anos desacelerando. 
É necessário culhões; curtir, senão se violenta. 
Ativismo social? Meio regra. 
Muita energia para uma turma só, enlouquecem várias. Provocam quem chega perto só para testar a capacidade. Lugar comum é repelido com refluxo gástrico. 
Depois de (con)viver com alguém assim, jamais cura-se totalmente. E nunca mais os relacionamento, seus ou de outros, serão iguais. A ponto de sentir inveja por serem todos exatamente iguais, mornos e tediosos. 
Suicídio de uma vida passada, e entender que finalmente nasceu pra vida. 
É adeus aos dias de paz. A normalidade. Ao simplório. É a complexidade do detalhe simples. É a paz inquietante do vivo. 
Nem todos os empresários são tão elétricos, empolgados ou intensos. Nem todos fazem dinheiro. Nem todos sabem o que estão fazendo no mundo. Muitos sequer entendem o que significa empreender. 
Empresários de verdade, que sabem, pensam igual. Estão sintonizados e entendem o que falo. 
Muita gente que não quer empreender também entende. 
Pensei em tudo isso e concluí que a solidão se justifica. Os loucos são raros. Admiramos pessoas que curtem paz, e essas não curtem quem vive em caos. 
É tudo muito bom e legal, mas tem um preço caro demais a se pagar, sobretudo para quem não vive essa vida. 
Pensei em rodriga para o nome da guaipeca, o que lhe parece?     


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 14.05.2016
@rjzucco
rodrigo.zucco@terra.com.br