Pesquisar este blog

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Geração Y



Não é novidade que gosto de observar os humanos, as coisas, a natureza, a sociedade, as atitudes, enfim, sou um observador inveterado. Talvez por ler mais coisas que a maioria da população, devido aos conhecimentos de leitura corporal e comportamento social, acredito que sou um pouco mais crítico que o normal.
Nessas observações percebi uma característica comum a quase todos os bem qualificados e ambiciosos: ansiedade.
Os profissionais atuais são menos estáveis em seus empregos, e não é por sua instabilidade emocional, ou por desapego a empresa, também não são demitidos, pois são competentes, e entenda-se como competência o conjunto completo. Ocorre que eles buscam empresas com um perfil que saiba aproveitar todo o potencial da multitarefada geração Y.
A grande maioria das empresas existentes hoje ainda são geridas pelo modelo antigo. Técnicas conservadoras de administração ainda vigem. Donos de empresa que acreditam que o funcionário tem que ir falar com o chefe e pedir aumento, enquanto os funcionários se qualificam e esperam que a empresa os reconheça e os valorize, e caso isso não aconteça, como normalmente é feito, eles migram para outra que acene com essa possibilidade.
Isso é um prejuízo gigantesco, pois a perda de conhecimento que a empresa tem não será ressarcida em um espaço de tempo curto. Além do desgaste interno que é claro quando ocorrem evasões.
É impressionante a competência e capacidade dessa nova geração. Embora eu não faça parte dela, (eu acho) acabei me inserindo pela pouca diferença de idade, e sou também um ansioso ambicioso. Mas nunca deixei uma empresa na mão quando saí. Tenho responsabilidade e comprometimento. Também nunca fui demitido, pois sempre procurei fazer o meu melhor.
Mas confesso que tenho medo de disputar vagas com esses novos talentos. São craques, aprendem rápido, são desenvoltos, descolados, inteligentes e produtivos. Os antigos ainda se mantêm pela experiência e maturidade, coisa que os novos ainda terão que conquistar, mas afirmo, sem medo de errar, que em qualquer função nova, criada hoje, por exemplo, os novos deixam-nos da geração passada, no chinelo.
Isso tem seu lado bom, fomentou a qualificação profissional, acordou algumas empresas para o novo mundo. Dell por exemplo tem uma maneira totalmente diferente de gerenciar as pessoas; paga muito, cobra mais ainda, e reconhece. Premia, incentiva, "empurra", cobra, mas faz o profissional utilizar todo o seu potencial, se desenvolver e produzir mais do que em uma empresa tradicional, onde acabaria subutilizado. Isso gera uma reação em cadeia em todo o mercado, em toda a sociedade.
Isso tudo é apenas para explicar que a pressa e a urgência que observei na rua, agora também no interior, têm um propósito. As novas gerações são diferentes, mais estimuladas, mais espertas e mais inteligentes. Precisamos aprender a trabalhar com elas como aliadas e não como inimigas. Precisamos saber valorizá-las, ou as perderemos e precisamos, acima de tudo, identificar o nosso lugar nesse cenário e entender que a convivência é uma necessidade.



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 09.06.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Lábios




Poucas pessoas sabem a quantidade de informações que é possível auferir apenas atentando-se aos lábios dos humanos.
Por exemplo, situações comuns em flertes são: grandes sorrisos (mostrando os dentes e com a face relaxada); morder os lábios, mas apenas um canto deles (ou direito ou esquerdo inferiores); mostrar a língua, lambendo principalmente o superior ou os dentes; projetá-los para frente, normalmente junto com os seios (bico sexy da Marilyn Monroe). Certamente são apenas indicadores, todavia, são fortes. E quando conjugados, resultam em uma leitura perfeita. Quem convive comigo ou com outros leitores dos sinais do corpo sabem que isso funciona cirurgicamente.
Nesse caso, o flerte é a situação em que você está “negociando” com a outra pessoa, mas que acontece a dúvida cruel do: “será que estou sendo  correspondido?”; “Será que a outra pessoa não está apenas sendo legal?”. Esses sinais lhe ajudam decisivamente.
Quando os lábios estão fechados em tensão sugerem disposição (precede uma afirmação ou atitude positiva, algo do tipo... “bora pra balada”); quando apertados, agressão ou concentração (quem estuda ou trabalha com programação costuma apertar os lábios); quando mordido nos superiores, ou no meio da parte inferior indica nervosismo, vontade de não falar algo, apreensão, hesitação (esse é clássico, enquanto interroga alguém sobre algo que a pessoa não quer falar, invariavelmente a mordidinha no lábio escapa).
Esse caso pode acontecer na situação da “negociação” também, caso a pessoa não tenha certeza se deve ou não avançar o sinal.
Molhar os lábios com a língua indica indecisão (tem gente que de tão indecisa desenvolve o cacoete de lamber rapidinho o lábio enquanto fala), mesmo que mostrar-se intencionalmente fazendo signifique tentativa de sedução (e quem não sabe que aquela passada de língua sexy da mulher gato significa isso?!). Importante verificar se a pessoa está perto de algo que goste muito, pois alguns tem o hábito de lamber os lábios nessas situações, normalmente comida, ou quando comeram algo gostoso (situação clássica em desenhos animados). É necessário verificar, no entanto, se a pessoa tem o hábito de lamber por estar com a boca seca, essas normalmente estão com a boca rachada e grandes chances de caírem no caso da indecisão.
Manter a boca aberta e a mandíbula caída indicam nervosismo, surpresa, assombro ou na melhor das hipóteses pressa (a clássica cena de cair o queixo por uma surpresa). Mantê-la fechada com os lábios unidos, principalmente quando conversando com alguém, significa calma e autoconfiança (pessoa séria e tranquila).
Morder os lábios repetidamente, contorcê-los ou quando eles estiverem trêmulos significa ansiedade ou nervosismo (alguns até gaguejam quando o lábio treme).
Lábios úmidos e avermelhados normalmente são vistos pelos homens como sinônimo de saúde e feminilidade além de mimetizar facialmente os órgãos genitais femininos com o avermelhado que significa que ela está sexualmente excitada. Zoólogos acreditam que os lábios femininos evoluíram como espelhos de suas genitálias, conhecido como eco genital permanente. Isso explica o porquê das mulheres utilizarem o subterfúgio do batom há tantos anos. Explica também o porquê do batom vermelho ser sinônimo de sexualidade (não só o vermelho, rosa, roxo...). Explica também porque muitos homens acham mulheres de batom ou gloss sexys.
Quando homens se referem a bocas femininas utilizam adjetivos como carnudos, sexys e convidativos, ou seja, mais literais. Já as mulheres quando o fazem, em referência aos masculinos, na verdade referem-se à atitude masculina como protetor ou carinhoso.
Colocar coisas contra os lábios ou levar coisas a boca representa uma referência da infância, uma tentativa de reviver aquela sensação de proteção existente na fase de bebê que ainda mama no peito. Isso significa que há sempre uma necessidade de autoafirmação por trás desses gestos. Os fumantes  são um bom exemplo disso, adolescentes que colocam canetas e lápis na boca na fase do colégio, bebês que chupam o dedo... Gente que rói unha também se enquadra aqui.
Colocar a mão nos lábios tapando-os é uma ação clara em crianças ao mentir. Quando adolescente, já não é tão evidente e mesmo que a intenção inicial seja colocar a mão na boca, o gesto que acontece é passar os dedos levemente ao redor dos lábios. Os adultos colocam a mão no nariz, pois o instinto é ainda mais rápido que o de uma criança de levar a mão a boca, mas antes de encerrar o gesto a mão muda a rota e vai até o nariz. Gesto imortalizado por Bill Clinton. Isso ocorre, pois o cérebro inconscientemente instrui a pessoa a levar a mão à boca com o objetivo de evitar ser descoberta.
Os casos clássicos conhecidos por todos e inclusive utilizados em chats, ou caricatamente em desenhos animados são:
Fazer bico  :>  – birra,  manha, contrariedade; 
Com os cantos para cima :) – feliz, alegre, satisfeito;
Com os cantos para baixo :( - triste, desapontado, insatisfeito
Mordendo os lábios - raiva
Lábios presos entre os dentes :# - não querer falar, guardando segredo
Agora, pare e pense comigo, se apenas a boca de uma pessoa já diz tanto de sua personalidade, pode-se imaginar quando começa a desvendar os outros segredos. Como eu disse uma vez, chega a ser covardia.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 26.05.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lei seca? Para quem?

Em 19 de junho de 2008 foi aprovada a Lei 11.705 modificando o Código de Trânsito Brasileiro. Apelidada de "lei seca", proíbe o consumo da quantidade de bebida alcoólica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido (ou 2 dg de álcool por litro de sangue no exame clínico) no exame do etilômetro (vulgo bafômetro), por condutores de veículos, ficando o condutor transgressor sujeito a pena de multa, a suspensão da carteira de habilitação por 12 meses e até a pena de detenção, dependendo da concentração de álcool por litro de sangue.
Apesar de não ser permitida nenhuma concentração de álcool, existem valores fixos, prevendo casos excepcionais, tais como medicamentos à base de álcool e erro do aparelho que faz o teste. A concentração permitida no Brasil é de 0,2 dg de álcool por litro de sangue, ou, 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro.
Sob pressão do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em 16 de novembro de 2011, entrou em análise um projeto para endurecer a Lei Seca. O projeto determina que dirigir sob efeito de qualquer nível de álcool passa a ser considerado crime e determina que a prova contra quem se recusar a fazer o bafômetro pode ser feita através de testemunhas, vídeos ou imagens. Na prática, tanto uma pessoa que dirigir após comer um bombom de licor, quanto outra que está, realmente alcoolizada estarão cometendo um crime.
Uma noite fui jantar em uma pizzaria em Santo Ângelo. A mais bem conceituada e cara da cidade.
Chamou-me a atenção que todos os ocupantes da mesa em frente, todos muito bem vestidos e educados, estavam bebendo vinho. Achei estranho, pois não estava frio, então o fato sobressaiu ante o restante das pessoas presentes no estabelecimento que estavam bebendo algo gelado.
Quando perguntei para quem estava comigo se os conhecia, obtive resposta afirmativa. Desse
momento em diante, essa pessoa, que me conhece muito bem e já convive comigo faz alguns anos, começou a se portar de forma diferente. Como se estivesse preocupada, pressionada, ameaçada, coagida...
Imagine-se jantando em uma pizzaria com alguém que convive há muito tempo e de repente essa pessoa começa a agir diferente, de uma forma como nunca havia visto antes. Pois foi o que aconteceu comigo.
Eu, como bom curioso que sou, não sosseguei até identificar o motivo de tal atitude. E qual a minha surpresa quando fiquei sabendo que as ilustríssimas pessoas da outra mesa eram os juízes que atuam em nossa cidade? Como a pessoa que estava comigo advoga, entendi que a esquiva referia-se a evitar eventuais complicações profissionais.
Lugar comum que os advogados tenham receio em se interpor contra qualquer juiz, afinal de contas, teriam seu trabalho impossibilitado.
Mas o foco desse texto não é esse. O foco é o fato de juízes, personalidades públicas que deveriam ter a obrigação moral de dar o exemplo, visto que julgam a população, estão feito cavalo em 20 de Setembro para as leis e as regras.
Não raro verificar pessoas dessa classe infringindo as mesmas regras as quais eles deveriam zelar. O que quero dizer com isso é que todos saíram, após beberem muitas garrafas de vinho, dirigindo. Ou seja, a lei é para os humanos. Os que se consideram Deuses não precisam segui-la, afinal de contas estão acima disso.
Não fiquei esperando para confirmar, não foi necessário, estavam com as chaves dos carros em cima da mesa e questionei gente que frequenta os mesmos lugares que estes e que me garantiram já terem presenciado um sem número de vezes.
O que devo presumir a respeito de um juiz que bebe e dirige? Que ele não se importa em matar uma criança que, pelas 22h30min possa eventualmente atravessar em frente ao seu carro fazendo com que ele precise de valiosas frações de segundo em raciocínio e evite o atropelamento.
Que ele não se cinge perante a lei? Que não precisa cumpri-la? E se não segue uma simples assim,
consequentemente deve dobrar-se a corrupções, sonegações, prevaricações ou até crimes contra a vida, quem sabe?
Na verdade, posso presumir as piores coisas possíveis de alguém que deve zelar pelo cumprimento justo e correto da lei, mas que não o faz na particularidade.
Sabe o que é tão grave quanto o próprio ato desses dissimulados? É que todas as pessoas com as quais comentei sobre esse fato, e também quando postei na rede social, orientaram-me não falar ou fazer qualquer coisa a respeito, pois eu sofreria represálias.
Isso é o cúmulo e extrapola a passividade da indignação conformista coletiva. Então devo calar-me ante um absurdo desses por temer que caso algum dia eu precise que essas pessoas exerçam seu trabalho corretamente, elas o farão prevaricadamente e com obliquidade?
Lastimo a covardia daqueles que vivenciam cenas assim e fazem coisa alguma. Mas ao mesmo tempo questiono-me. O que posso fazer a respeito disso?
Mesmo que eu houvesse filmado, e que tenha testemunhas, o que acham que acontecerá?
Acompanhem-me até o limite, bem mais longe. E se eu desse voz de prisão para qualquer dessas pessoas, conforme a lei contempla?
Desafio os Magistrados a responderem-me com alguma solução, mas sem demagogias. Os que não possuem conduta ilibada, abstenham-se da resposta, já que não o fazem com a bebida.
Instigo também a população a enviar sugestões. 










Publicado em: A Tribuna Regional no dia 19.05.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quarta-feira, 4 de julho de 2012

100% orgulho branco


Pois é. Aqui estou eu novamente falando algo que muitos pensam, mas que poucos tem coragem. Tenho essa ideia fixa na cabeça faz tempo e quem sabe um dia isso seja possível.Reza a lenda que o branco não sofre racismo no Brasil e em boa parte do mundo. Primeiro vamos quebrar essa falácia. Em Angola, o branco é o discriminado. Na China, tanto o branco quanto o negro são discriminados, já que o que impera é a preferência aos amarelos. Já escrevi em um texto anterior sobre a discriminação contra as minorias brancas e masculinas, vide endereço no final. Ou seja, a coisa não é bem assim como tentam nos convencer.
Defendo, já desde adolescente, o meu direito de igualdade, meu direito de liberdade. Por que eu não posso chamar um negro de negro? Caso o faça, posso ser processado por discriminação, e detalhe, é um crime inafiançável e imprescritível, mas isso não é o pior. O pior mesmo é que a justiça é revoltantemente tendenciosa pró-negros. Ou o que acham que ocorreria caso eu entrasse judicialmente contra um negro que me chamou de branco, da maneira mais pejorativa que poderia ocorrer? Mesmo que ele falasse e cuspisse, com cara de nojo, pensando que estaria conquistando uma agressão, eu não me ofenderia, não moveria uma ação, sequer me dignaria a retribuir a "ofensa" com um "negro" também ofensivo. O motivo? É obvio! Não me ofendo por me chamarem de branco. Não tenho preconceitos quanto a minha condição.
É mais ou menos como chamarem um machista de macho, homem com H; ou uma vaidosa de bonita. Agora, se chamar um negro de negro, em alguns locais, mesmo que de maneira suave, haverá alguma represália.
A defesa dos historiadores está na historia do pobre negro que desembarcou no Brasil como escravo e blá, blá, blá. Sim, eu li tudo isso, assisti essa aula de mais de um historiador, pesquisei sobre o assunto e me aprofundei bastante para que eu pudesse entender e ter como falar a respeito com propriedade. E digo, categoricamente, o negro é sim discriminado no Brasil. E muito. Todos os dias, quase o tempo inteiro. Mas vou mais longe, ele não é discriminado hoje, pelas desgraças históricas dos negreiros. Definitivamente não. O negro é discriminado hoje pelas próprias atitudes.
Quantas vezes já ouvi negros dizerem, principalmente no trabalho: "ah, isso é porque eu sou negro", ou "só brinca assim comigo porque eu sou negro" ou "ganho pouco porque sou negro". Qualquer desculpa para incompetência e vagabundagem tem uma sustentação no "coitadismo" da cor.
O negro tem preconceito com a própria cor, ou então não se ofenderia quando o chamassem de negro. Ora afrodescendente. Então os brancos agora deveriam ser também ítalo-germano-descendentes? Eu não me ofendo nem quando me chamam de desbotado, lavado, papel, Gasparzinho, alemão batata, chucrute etc. Honestamente? Divirto-me.
Tenho um concunhado que é negro, o apelido dele é Negão; todos o chamam assim, carinhosamente e, obviamente, ele não se ofende. Ele disse que quase nunca sofreu preconceitos na vida. Agora, o que ele faz de diferente? Ele não joga a culpa nos outros, ele trabalha, ele estuda, ele é responsável e competente. Pronto, agindo como um competente, naturalmente o sucesso vem.
Então concluindo, gostaria de saber qual a reação das pessoas quando eu exteriorizar meu orgulho em ser branco, por me aceitar como sou, por gostar da minha cor, por acreditar que minha cor pode ser aceita por todos igualmente, assim como os de outras cores também deveriam fazê-lo. Assim como existem gremistas e colorados que saem fardados na rua expressando o que gostam - e que não significa que odeiem os outros ou que precisem ser espancados, indiciados, punidos... - gostaria de saber o que aconteceria se eu andasse com uma camiseta escrita 100% orgulho branco.
Ai que horror! Nossa que afronta. Quanto racismo, quanta ignorância. Que agressão mais despropositada. E certamente, e isso eu aposto com quem quer que seja, se eu sair com essa camiseta arranjarei briga. E possivelmente serei processado e penalizado de alguma forma, já que, como mencionei anteriormente a justiça é tendenciosa.
Acho que o negro precisa urgentemente parar de se sentir discriminado quando de fato não está. Ou começamos a frear isso, ou em bem pouco tempo estaremos chamando nega maluca de afrodescendente maluca, ou melhor, nem maluca pode, é afrodescendente com necessidades especiais. Falando nisso, vou comer uma afrodescendente com necessidades especiais coberta com creme ítalo-germano-descendente.

http://rodrigozucco.blogspot.com.br/2012/02/abaixo-discriminacao.html



Publicado em: A Tribuna Regional no dia 12.05.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Pachorrice


Muitos amigos de Porto Alegre disseram-me que não conheciam um santo-angelense sequer durante toda a vida, mas que depois de me conhecerem, não pararam mais de ver esse povo missioneiro espalhado em todos os cantos do Brasil.
É fato que as pessoas de minha cidade evadem em grande escala, e isso, na minha opinião, tem um motivo. Eu e alguns outros observadores acreditamos que o inconsciente coletivo de algumas cidades (todas tem isso) são fortes o suficiente para transformar uma pessoa em infeliz, feliz ou encabrestá-la.
Aqui, há uma pachorrice coletiva inconsciente que salta aos olhos de todos os forasteiros. Muitos crescem odiando isso, e na primeira oportunidade, mudam-se. Outros adaptam-se, acostumam-se e amam, ficando aqui por toda a vida. Mas há, infelizmente, os que não gostam, e acabam tendo que ficar. Essas pessoas, mesmo que despropositadamente, acabam gerando um desconforto contagiante no meio que estão inseridos.
Como exemplo cito dois casos bem tradicionais no comércio, que certamente todos já se depararam. Os dois são oriundos da mesma função: caixa.
Se eu compro algo em um estabelecimento e digo que pagarei com cartão, a pergunta que normalmente acontece é: débito ou crédito? Ok, até aí tudo bem, mas eventualmente o caixa apenas pergunta: crédito? Experimente responder não para a pergunta.
Invariavelmente, a pessoa que está lhe atendendo redarguirá com outra pergunta, que é: débito?
Uma vez eu fiquei tão irritado com a segunda pergunta, pois estava com pressa, que joguei a pressa fora e perguntei: tem uma terceira opção?
Ora, se há apenas crédito e débito, e não é crédito, o que então faz a pessoa perguntar novamente quanto a única opção remanescente? Minha resposta está no início do texto. Pessoas que acabam tendo que ficar em algum lugar querendo estar em outro, ou em uma profissão que não gosta, etc.
Humildade é legal, louvável e admirável. Ambição, embora saudável, não é obrigatória. Ganância é condenável. Mas absolutamente nada disso justifica o conformismo de trabalhar tão infelizmente, que não se digna a pensar sequer.
Se algum dia eu tiver que trabalhar sem pensar, mate-me! Eu não aguentaria esse fardo.
O segundo exemplo ainda falando de caixa, é que a grande maioria não pensa em como o cliente irá receber seu troco e se a maneira como é entregue é a melhor e/ou mais adequada.
Os caixas simplesmente juntam notas, moedas e o cupom fiscal em uma espécie de cadinho, quase amassado e caindo, e depositam na mão do cliente. Na verdade, o que de fato acontece é que eles estão entregando um problema na mão da pessoa que foi efetuar uma compra, pois daquele momento em diante ele vai ter que pegar as moedas e colocar no lugar onde costumam ficar (niqueleira, bolso, carteira, bolsa), vai ter que pegar as notas (e quem trabalha com dinheiro ou é "maniático" ajusta todas as notas com o rosto virado para o mesmo lado, notas maiores primeiro e menores depois, ...) e colocar na parte do dinheiro, pegar o cupom e colocar fora, para doação ou junto com outros cupons.
Simplesmente não há uma preocupação empática com o cliente, ou até mesmo um respeito solidário quanto ao tempo, pois há apenas a pressa de atender ao próximo da fila o quanto antes. Então o caixa pega tudo, junta e entrega rapidamente na mão do comprador, faltando apenas dizer, vai logo. Próximo!
Vale lembrar que isso não se aplica a todos os caixas do mundo, apenas aos frustrados e normalmente infelizes.
Conheço muitos caixas que mesmo não amando seu trabalho, procuram fazê-lo da melhor forma possível. Também é importante citar que a função é tão digna quanto qualquer outra e não existe demérito algum e exercê-la.
Sigo a filosofia de tentar fazer sempre do meu trabalho o melhor possível, transformar o ambiente em algo aprazível, mesmo que a função não seja exatamente a que eu queria e tenho obtido bons resultados no que concerne a satisfação pessoal.
Pode não realizar completamente, mas torna o trabalho bem melhor e a pessoa mais feliz.
É a filosofia do "Ame seu trabalho e você nunca mais trabalhará".
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 06.04.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 29 de março de 2012

Vigilância no bolso

Filosofando a respeito dos acontecimentos do dia a dia, invariavelmente percebo que grande parte das pessoas se deixa enganar simplesmente por preguiça de pensar a respeito de algo. Tenho dois exemplos clássicos de assuntos que abrangem a todos, mas que ninguém age. Onde há lesa, mas devido ao modismo sustentável ou a proteção das minorias, acabamos aplacando-nos.
O primeiro se refere aos 10% do garçom o qual sou cobrado em algum estabelecimento comercial qualquer.
Veja, se eu sou um empresário, e decido abrir um negócio, calculo os custos todos e dentre eles, o custo do meu funcionário. Isso é um fato, não há o que questionar. Em cima disso eu calculo quanto cobrarei pelos meus produtos ou serviços para que eu obtenha o lucro desejado.
Agora os estabelecimentos querem que eu pague 10% pelo serviço. Por acaso eu tenho 10% de desconto no que eu consumo?
A matemática é simples e elementar, se eu estou pagando o salário do garçom, então porque o produto não diminui o valor?
Será que apenas eu questiono o porque da necessidade de eu pagar pelo serviço do garçom, sendo que o valor do que me é oferecido não muda?
E como ficam os encargos trabalhistas se sou eu quem custeia esse funcionário?
Em Brasília há um lei que obriga pagar os 10%. A pergunta a qual já sabemos a resposta é, e existe lei obrigando o dono do estabelecimento a deduzir esse valor do cliente?
E tem outro ponto, muitos garçons dizem que esse dinheiro não chega a eles. Então o meu conselho é o seguinte, parem de dar 10% a mais de lucro ao estabelecimento, de bônus por você escolher este estabelecimento e não o do concorrente. Paguem o que for devido e se gostou do atendimento, entreguem a gorjeta na mão do garçom.
O estabelecimento tem obrigação de lhe atender bem e de oferecer melhores condições frente a concorrência, tanto em preço quanto em qualidade. Se não houver adaptação nesse sentido, levando-se em conta uma sociedade consciente, a falência é a consequência.
Conscientizem-se como consumidores coerentes e paguem apenas o que for justo, essa  é minha dica.
Outro ponto é o caso das sacolas plásticas nos supermercados. Primeiro que se o consumidor não as tiver mais, agora que já acostumou-se, terá que adquirir outras para colocar lixo, carregar algo, guardar roupas, alimentos, colocar compressas de gelo, organizar mala em viagens, e mais uma infinita quantidade de utilidades que foram descobertas ao longo de todos esses anos.
Segundo que se eu estou na rua e resolvo de última hora passar no mercado comprar coisas para casa, ou eu adquiro a tal sacola ecológica, que por sinal se for lavada regularmente causa exponencialmente mais dano ao ambiente do que os plásticos, ou carrego tudo em alguma caixa de papelão que os estabelecimentos se dispuseram a entregar. Importante salientar que em muitos mercados as sacolas foram abolidas.
Terceiro que o dinheiro que os mercados poupam nessa pujança toda, não é repassado como desconto ao consumidor. Pesquise rapidamente na internet e verá que os mercados no último ano economizaram milhões de reais só cessando o fornecimento destas. Isso mesmo, milhões.
Pense em substituir por sacolas de pano absolutamente tudo que você faz hoje com as de mercado e diga-me se é viável. Quem tem dinheiro acaba dando um jeito para isso, mas e a classe média e baixa que utiliza essas sacolinhas para quase tudo? Como ficam essas pessoas as quais três reais faz diferença no orçamento familiar?
Veja bem, eu não sou contra políticas que beneficiem o meio ambiente. Sou contra o consumidor ser logrado e ficar quieto. Sou contra grandes corporações lesarem seus clientes e ainda estes saírem satisfeitos achando que a corporação é do bem, verde e sustentável e que eles estão colaborando com isso.
Minha sugestão é, já que querem ajudar o meio ambiente, então forneçam sacolas biodegradáveis que não prejudiquem o meio ambiente, simples e rapidamente o problema está acabado e a vida dos consumidores não muda.
Precisamos ser mais vigilantes com nosso bolso. A indignação passiva a que nos submetemos com políticos corruptos não pode fazer parte da nossa rotina diária. O que eu faço? Vou apenas a estabelecimentos que distribuem sacolas.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 24.03.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sperlativo

Acontece assim, sem local ou hora certos. Sem preparo ou tempo para pensar. Mas acontece e quando faz, vem tão forte quanto um soco na boca do estômago.
Você está andando displicentemente e quando num repente tão rápido que sequer lhe possibilita entender de onde veio ou como aconteceu, um par de olhos cruza o caminho de seu olhar. Quando você percebe aqueles olhos lindos é o início do fim.
Os olhos não percebem você, e isso lhe dá tempo e chance de esquadrinhar o todo, cabelo, cílios, sobrancelha, boca, sorriso, dentes, pele,  roupa, jeito de vestir, andar, passar a mão no cabelo, mexer as mãos, os braços, as pernas e até as vezes o cheiro.
Quem costuma reparar e mesmo quem não é estudioso de leitura corporal ou se aventura na área da análise comportamental, quando cai nessa situação repara, começa a ligar todo o conhecimento empírico de relacionamentos passados. Analisa a pessoa, procura aliança ou sinais de disponibilidade “solteirística”.
O tempo corre e os olhos seguem, mas graças ao maravilhoso e perfeito Deus e aos cupidos, os humanos sentem quando estão sendo observados. Então aqueles olhos jubilantes procuram algo no nada, sem saber exatamente o que é. E cruzam com os seus os quais se perdem e não sabem se desviam ou permanecem olhando, em um vacilo explícito, dando de bandeja e apressadamente o poder aos olhos fitantes.
Ao perceber que era você que estava olhando em um cruzar de olhos rápido, retorna e lhe olha. Apenas para confirmar a si e declarar: “eu vi que você estava me olhando”.
Pronto, a mascara caiu, e agora? Fugir? De que jeito, agora é tarde, Inês é morta!
A perfeição dos traços, dos jeitos, do rosto, do corpo e até do olhar... Que vontade de escorraçar a lucidez e sair correndo, cheirar seu pescoço, passar a mão no cabelo, beijar acalorada, excitante, provocante e libidinosamente aqueles lábios maravilhosos.
O tempo ainda corre, os movimentos não cessam e você só consegue ficar ali, admirando, olhando e no máximo, ainda assim com muito esforço, acompanhando os passos de quem lhe tirou a paz.
Os olhos hipnotizantes desrespeitosamente olham novamente para os seus, certificando-se de que ainda há alguém ali... babando... E você não consegue reagir, tenta manter o olhar firme, mas a química agindo em seu corpo não colabora e você, graças a toda sua fraqueza e covardia, desvia o olhar.
Você se arrepende amargamente, começa a se culpar pela oportunidade perdida e já tenta até pensar que era impressão sua, que jamais alguém tão maravilhoso lhe olharia com segundas intenções.
Então aqueles olhos impiedosos tornam a lhe fitar, agora profunda e interessadamente, como se um túnel entre pupilas fosse materializado entre ambos e o maldito e infinito tempo para, transformando o momento em séculos, tatuando na alma essa sensação até além-vida.
Palavrões borbulham em sua mente, a barriga congela, o coração vira o maior astro da São Silvestre e, sem trégua, tenta ultrapassar a linha de chegada: os dentes.
O olhar é o mais expressivo que já viu em toda sua vida, lhe desnudou sem misericórdia, afrouxou seus joelhos e bambeou suas pernas. A garganta arde, a respiração descompassa e o coração não desiste.
Você agora consegue, com um esforço sobre-humano e descomunal manter a firmeza no olhar. Realmente aquele inebriante par de olhos lhe olhou, lhe atravessou, enxergou sua mente, sua alma, seu coração e até o que você não queria que fosse visto.
Sua função basilar é ter um mínimo de iniciativa, puxar assunto, uma piada, algo estúpido que seja. Não, melhor se for algo inteligente. O tempo que estava decidindo se ficava parado ou andava em negativo, resolveu agora tirar todos os atrasados dos últimos trinta séculos e corre dando risada da lerdeza do coração que antes parecia imbatível.
A pressa incendeia a razão. A lucidez não aguenta tanta pressão e coloca uma mochila nas costas, partindo sem previsão de volta. O tempo não cessa o açoite, a esperança cresce e desaparece disformemente de acordo com a conjunção dos acontecimentos.
Desespero. “Inconsequência, me dê sua força e me guie como um cavalo chucro”, você pede. E parte em direção ao que jamais lhe dará paz, até que seus olhos não mais se abram. Mas a briga não é simples, nem fácil. E não poderia ser diferente, afinal de contas são os olhos mais perfeitos do universo.
Eles lhe instigam, lhe encorajam, lhe enrubescem, lhe chacotam e subjugam. Mas você sabe que sua felicidade e sono tranquilo nos anos vindouros passam por essa provação. Liga o botão de explodir todo o resto e segue firme, com a decisão de um paladino.
Os olhos que antes eram tão ultrajantes, agora começam a hesitar, como um cachorrinho que quer carinho, mas oscilando entre desafio e desejo, como se uma batalha também estivesse acontecendo naquele outro corpo.
Isso que deveria proporcionar maior segurança, lhe deixa ainda pior, pois a hesitação é a mãe da covardia, cujas filhas são as escolhas erradas e covardes.
Mas sua vida está lhe fitando, aguardando, e o que antes eram apenas alguns passos, se transformam em intermináveis metros, e o tempo que antes urgia, agora mambembemente escorre feito gosma pegajosa.
Será que sua saúde permite ao menos chegar até aqueles olhos? Seu coração quer desistir e sair fora antes que tudo isso acabe mal. Mas e se houver vida após a morte e ela for eterna? Como viver com isso? Sabendo que tinha tudo ali, à sua frente e abandonou por uma simples mortezinha gerada por falência múltipla dos órgãos provenientes de um colapso nervoso?
Isso é para fracos e, embora lentamente e com muito esforço, você consegue chegar até o que lhe provoca, que já está de frente para você. Nessa hora, por uma dádiva divina, seu anjo da guarda lhe sopra ao ouvido segredos esquecidos de comportamento humano e você percebe ombros alinhados, pés apontados para você, meio sorriso encabulado na boca e a mão saindo do cabelo. O maldito tempo congela e você apenas consegue deslocar um milímetro a cada três séculos e meio quando inclina sua boca na direção daqueles lábios perfeitos.
O coração também desiste e explode, o pulmão entra em curto psicótico, o estômago não existe, foi digerido pela bile, e as pequenas borboletas que moravam em sua barriga transformaram-se em morcegos.
Os olhos aproximam juntamente com os lábios, quando a cabeça daquelas esferas consternantes, agora já reféns, começam a se inclinar de forma a lhe receber, os morcegos transformam-se em corvos impiedosos e raivosos, drogados e enlouquecidos que estão quebrando tudo.
O cheiro é maravilhoso, o perfume, o cabelo, o hálito... Tudo é perfeito. Então aqueles olhos fulgurantes começam a se fechar esperando o desfecho do beijo. Os corvos transformam-se em águias que rasgam, bicam e querem sair por onde for, nem que seja pelo nariz.
E o beijo acontece, o melhor beijo do mundo, sabor pitanga. Tudo bate, tudo combina e você tem apenas uma certeza, dali em diante o mundo nunca mais será igual, nem a vida nem as sensações, pois nesse beijo o coração que havia explodido, fugiu e entregou-se a outro peito, sendo então para sempre de outra propriedade.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 17.03.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 1 de março de 2012

Direitos Iguais

Leio bastante sobre mulheres inflamadas em prol da causa feminina em busca de direitos iguais, propagandas em ônibus e jornais ou qualquer outro meio de comunicação alegando que mulheres recebem salários inferiores aos dos homens.
Sou absolutamente a favor dos direitos iguais. Mas que fique claro, sou a favor de direitos iguais. E quando menciono iguais, é iguais mesmo, em tudo. Se vamos buscar a igualdade, ela deve ser absoluta. Abandonemos de início favorecimentos e argumentos falaciosos que futuramente acabariam, e sempre acabam, por vir a tona. Argumentos como “a mulher é o sexo frágil” ou “mas isso é coisa de homem” ou até “mas não temos condições físicas para isso”.
Minha tese é de que, se querem direitos iguais, é porque se consideram capazes de concorrer de igual para igual. Acho um absurdo reclamar direitos iguais apenas no que convém. Isso não é justo nem moral.
Diariamente vejo reclamações de feministas, inclusive homens, reivindicando que as mulheres não recebem os mesmos salários dos homens em grandes cargos, nem são contempladas com as mesmas oportunidades.
Agora eu afirmo, mulheres com as mesmas qualificações que os homens e que se dispõe a trabalhar como os homens trabalham, tem sim os mesmos benefícios. Afirmo pois já trabalhei em vários lugares e acompanho pela internet casos de sucesso, mas são exemplos de gente que  “arremanga” a camisa e vai pro batente. Não reclama ou fica choramingando.
A postura feminina é outra coisa que precisa ser revista. Colocando-se 10 mulheres em uma sala pequena para trabalhar, em um mês teremos um stress enorme, rusgas, alfinetadas, cinismo, competição, mancomunações e articulações entre si. Colocando 10 homens em uma sala, em um mês serão melhores amigos, estarão trabalhando em conjunto, falando de futebol, mulheres, festas, bebedeiras, fazendo churrasco e marcando jogos.
Isso evidencia a dificuldade que é trabalhar com mulheres. O gênio feminino é de difícil trato quando em bando.
Querer direitos iguais apenas em empregos bons, em salários, no que lhe é vantajoso, é revoltante.
Proporcionemos então direitos iguais em aposentadoria, pois a dupla jornada de trabalho hoje já é normal também em homens e há uma quantidade majoritária de mulheres que se beneficiam disso, sem sofrer a tal dupla jornada.
Mesmo tempo de licenças gerais, mesmo direito em vagas eleitorais, disponibilidade em empregos braçais que exijam extremo esforço físico, facilitadores em cargos femininos como secretariado, atendimento ao público e etc.
Reclamar apenas nas partes boas é o mesmo que exigir direitos e não aceitar os deveres. Não conheço uma lixeira, entregadora de gás, marceneira, carpinteira, pedreira e qualquer outra função que exija real e constante esforço físico.  Não estou afirmando que não existam, pois é bem provável que haja, mas tenho certeza que em irrisória proporção se comparado aos homens.
Mudemos também o olhar tendencioso da justiça perante os homens e as mulheres, onde a guarda das crianças raramente fica com o pai e somente quando a mãe é demasiadamente desqualificada ou , e ainda assim, quando normalmente declara desinteresse em ficar com a criança.
Quero ter os mesmos direitos das mulheres e não me importo que elas tenham os mesmos direitos que eu. Mas se não for uma via de mão dupla, essa teoria jamais sairá do que é hoje, apenas uma utopia falha.
Li recentemente uma matéria interessantíssima na Super Interessante abordando o assunto e lá constavam pesquisas testadas na prática sobre como os pais criam diferente filhos e filhas. Recomendo a leitura: http://bit.ly/nL1zx0
 
Publicado em: A Tribuna Regional no dia 25.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Abaixo a discriminação!

A cada dia que passa tenho mais certeza de que o discriminado sou eu. Branco, homem, classe média, sem filhos e que terminou o segundo grau em colégio particular.
Abrangerei oportunamente alguns temas que citarei aqui, de forma mais aprofundada, pois o que quero enfatizar agora é que, por ser branco, preciso estudar mais que negros e índios cotistas em faculdades. A figura mostra que o melhor candidato cotista ficou abaixo do último candidato normal e o último quotista tirou quase a metade da nota do primeiro candidato da UFRGS 2012. E mais, o número de aprovados declarados negros aumentou 58% esse ano. Antes ao menos a média da prova objetiva precisava ser atingida para que a redação fosse corrigida, agora há um escore diferenciado aos afro-descendentes, num aumento de 375%. Graças a esse tipo de discriminação que pessoas como o americano Colby Bohannan estão criando bolsas de estudos para brancos, onde basta ser 25% caucasiano para ganhar.
Fico pensando como os colegas acabam discriminando os cotistas e como será a discriminação depois no mercado de trabalho, inclusive pelos clientes, empresários e pacientes, quando souberem que a pessoa apenas conseguiu entrar mediante ajuda governamental.
Apenas 7% dos cotistas da primeira leva conseguiram terminar o curso no tempo previsto, o que evidencia a desqualificação dos egressos. No RJ há um apoio pedagógico para estudantes com dificuldade para acompanhar o curso, ou seja, além da faculdade, há um curso para alunos com dificuldade em aprendizagem. É só eu que vejo absurdo nisso?
Tenho um parente que levou 5 anos para passar em medicina. Hoje, formado e terminando especialização, sabe a importância que esse esforço resulta na qualidade de aprendizagem durante o curso.
Pois eu, por ser branco, não tenho esse direito. Preciso concorrer com o restante. Também não tenho o direito a receber auxílio comida, gás, luz, moradia , bolsa escola, bolsa família e mais sei lá eu o que. Apenas por ser trabalhador, capaz, responsável e esforçado.
Como tenho consciência de que não posso proporcionar o conforto que gostaria aos meus filhos, e consequentemente não os fiz, não recebo benefício algum nesse sentido, mas pago mais impostos para sustentar toda a massa inconsequente dos brasileiros que não a tem. Não ter filhos rendeu algumas economias, suficientes para adquirir algo em meu nome, e isso me impossibilita de participar do minha casa minha vida.
Sou classe média, não terminei segundo grau em escola pública, não tenho direito ao PROUNI. Sou homem, não me aposento antes, não tenho direito a licenças especiais, a vagas especiais em eleições, em filas, em naufrágios, em incêndios, em partidos, em empresas. Não sou promovido ou contratado pelo meu corpo ou minha beleza. Não tenho preferência em guarda de filhos. Se tomo um tapa na cara de uma mulher, não posso revidar, aliás, sou eu quem deve dar a cara a tapa em brigas e assaltos, em defesa do sexo frágil.
A pujança patriarcal é muito grande contra as pessoas da minha tribo. Eu e os iguais a mim, sobremaneira toda a classe média, sustentamos uma massa parasita da nação, que faz filhos indiscriminadamente e que não quer saber de responsabilidade alguma.
Agora a pergunta que mais me faço desde que o governo PT ascendeu: Quem é mais discriminado? Eu? Ou os negros? Ou os pobres? Ou as mulheres? Ou... Deixa pra lá, sabemos a resposta.
Que a discriminação contra os brancos, contra a classe média, contra os homens e contra os estudiosos, esforçados, competentes e merecedores, acabe. Chega de eu ter que sustentar filho, casa, escola e família dos outros.  Sustentar a mim mesmo condizentemente com a minha ambição já é bem difícil.

Publicado em: A Tribuna Regional no dia 18.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Ilustrado por: Andrey Pietrowski
Escrito por:  @rjzucco

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Homossexualismo

Sempre tive que aceitar o dia do orgulho gay. Pessoas que não me conhecem, classificam-me como preconceituoso. Não nego, possuo vários, e defendo que todos os têm, entretanto não sou discriminador. Entendo a importância histórica desse dia, desde a data inicial em Nova Iorque quando os homossexuais apanhavam e eram tratados como retardados e doentes mentais, até os dias atuais.

Essas classes definidas pela sociedade como homo, bi e heterossexualidade, são interessantes para orientação. O relacionamento homossexual foi rechaçado por muitas culturas ao longo da história da humanidade, rejeição esta, provocada de maneira mais radical pelo cristianismo com suas punições severas e o capitalismo.

Eu particularmente concordo com Castells que diz: "O patriarcalismo exige heterossexualidade compulsória. A civilização conforme é conhecida historicamente, é baseada em tabus e repressão sexual. Segundo Foucault, a sexualidade é construída socialmente. A regulamentação do desejo está subordinada às instituições sociais, canalizando assim a transgressão e organizando a dominação. Quando a epopéia da História é observada pelo lado oculto da experiência, nota-se a existência de uma espiral infinita entre o desejo, repressão, sublimação, transgressão e castigo, responsável em grande parte, pela paixão, realização e fracasso. Este sistema coerente de dominação, que liga as artérias do Estado à pulsação da libido pela maternidade, paternidade e família, tem seu ponto fraco: a premissa homossexual. Se essa premissa for questionada, todo o sistema desmorona: a relação entre o sexo controlado e a reprodução das espécies é posta em dúvida (...), solapando a coerência cultural das instituições dominadas pelos homens". (Castells, 2000)

Acredito que a proibição faz com que a curiosidade aumente. Considero opção sexual como uma opção e não como muitos defendem alegando que é inato. E digo mais, o atavismo tem papel fundamental.
A orientação sexual indica qual o gênero pelo qual uma pessoa se sente preferencialmente atraída física e/ou emocionalmente. E se há essa preferência e atração, e mais, se há hoje uma normalidade na cabeça dos jovens quanto a indiferença de gênero nos relacionamentos, há uma corroboração com a teoria de que orientados sofrem, sim, influência.
Essa influência em muitos casos acontece desde a gestação até os quatro ou cinco anos, quando a criança está formando sua personalidade. Os fatores são infinitos, desde pais que tem um filho homem e queria uma menina, irmão com personalidade muito forte, pai abusivo, etc. Essa opção quando acontece nessa fase, é inconsciente e por isso defendida como algo inato, o que eu considero o grande ponto fraco antropológico dessas análises.

Perseguir essas orientações sexuais ainda é uma constante exposta no trabalho, no lazer, nas escolas, em locais públicos, etc.. Homossexuais enfrentam, no Brasil, os homofóbicos e suas ideologias ainda muito vivas através da maculada mídia e sua violência simbólica, discriminação profissional, violência, repressão física, marginalidade social, entre tantas outras que denigrem a imagem destas como cidadãos comuns.
Percebo que a discriminação age mais agressivamente em homens do que em mulheres e, minha resposta para o motivo é o fato de que raramente mulheres querem ser, agir e vestir-se como homens. Sendo assim, a sociedade ignora a parte que as desconforta e aceita o resto. Ocorre porém que os homens que tentam ser, agir, vestir-se e portar-se como mulheres invariavelmente recebem o pesado fardo discriminatório.

Tenho um bom punhado de amigos que se consideram homofóbicos apenas com os que eles chamam de “afetados”. Os que, nas palavras deles, cacarejam, cortam os órgãos sexuais fora, se maquiam, fazem fiasco e querem ser o que não são. Então percebi que a grande maioria dos homofóbicos não tem de fato algo contra a opção sexual nem quanto a orientação sexual e sim contra a postura “afrescalhada” conforme o vocabulário ogro.

É tudo muito simples e muito claro para mim. Tenho amigos gays em Porto Alegre que são absolutamente tranquilos, bem resolvidos e que não sofrem discriminação, mas são inteligentes o suficiente a ponto de não precisarem ficar agredindo a sociedade com atitudes que a própria sociedade reprova. E isso, a menos que eu esteja muito errado, é a mais clara prova de civilidade e boas maneiras no convívio social.
Penso que se os homossexuais, agora em tempos de liberdade conquistada, agirem com maior respeito junto aos valores sociais comportamentais, essas besteiras de dia do orgulho gay e dia do orgulho hetero não serão mais necessárias.

Pais que concordam com o Bolsonaro se vêem como minorias e como impotentes numa sociedade onde todos defendem os gays e sua liberdade de expressão, e defendem a proibição da discriminação. Ou seja, na cabeça dos "bolssonaristas", os homossexuais estão agredindo a sociedade e amarrando as mãos dos que pretendiam contrariar, visto que se o fizerem serão classificados como discriminadores. E constitucionalmente falando, eles teriam o direito do dia do orgulho hétero também.
Esse nicho procura uma forma de mostrar que ser hetero também está certo e de poder defender esse ponto de vista e orientar seus filhos sem que sejam crucificados. E se a sociedade continuar discriminando esse tipo de gente, desrespeitando e agredindo, estará agindo exatamente como a policia fez em 1969 com os gays e abrindo a chance para o dia do orgulho hétero. Homossexuais que aceitam a sociedade como é, não pensam em agredi-la, pelo contrário, a respeitam e vivem muito bem. A ideia é tirar o privilégio de ser radical que os homossexuais atualmente possuem, e não devolver aos heteros, tornando a sociedade HOMOgênea. Respeito nunca sai de moda.


Publicado em: A Tribuna Regional no dia 04.02.2012
Editado/corrigido/pitaquiado por: Thiago Severgnini de Sousa e Ana Leticia Silva
Escrito por:  @rjzucco